2012/05/23
GERAÇÕES E FOTOGRAFIAS
Só porque são jovens
Saem bem nas fotos
Fazendo caras & bocas
Mas eu sou velho
Fico bem assim sóbrio
De copo e cigarro na mão
ULISSES
Ele não morreu
Não partiu
Não sumiu
Somente recolheu-se para ler Ulisses
Talvez apareça por aqui um dia...
Não partiu
Não sumiu
Somente recolheu-se para ler Ulisses
Talvez apareça por aqui um dia...
2012/05/22
2012/05/21
CHEGOU TARDE
Ele chegou tarde, bêbado, um beijo no colarinho, caiu duro na cama e dormiu. Ela o lavou, barbeou, cortou-lhe as unhas e o sexo.
- Nunca mais ele fará isso de novo...
Fez as malas e voltou para o Norte.
FINGIDA
Fingia
Os orgasmos
Que tinha lido Os Irmãos Karamazov
Que cozinhava
Mas nunca
Nunca
Fingiu que não te traía
Tu sim fingias
Que não via nada disso
2012/05/16
TRISTE, MUITO TRISTE MESMO
A história mais triste que já me contaram é assim, domingo, fim de tarde, o pai chama a filha pequena e diz à ela;
- Vamos filhinha passear na Biquinha para ver as crianças comerem pipoca e algodão doce!
Feliz da vida ela vai de mãos dadas com ele.
2012/05/14
O ÚLTIMO CIGARRO
Esperou na cozinha algum tempo.
O cigarro entre os dedos, a isqueiro na outra mão, as janelas estavam fechadas, a música alta, o gato na rua e telefone fora do gancho.
Dado o tempo certo, pôs o cigarro na boca, acendeu a chama do isqueiro e tudo acabou-se numa bola de fogo...
GOTA A GOTA
Gota a gota
Contadas com cuidado
Gota a gota
A cor da água mudando no copo
Deixando de ser branca...
Gota a gota
Metodicamente as pingava
Gota a gota
- Mas que paciência! – espantava-se com tanta calma
(e sua mão não tremia)
Gota a gota
A água já se mostrava menos clara e límpida
(turvava-se)
Gota a gota
- E diziam que um dia eu pularia da janela.
(ria com isso)
Gota a gota preparou seu veneno
Bebeu
Deitou-se à cama...
CASAMENTO
Aliança no dedo, grãos de arroz presos nos cabelos, a gravata sendo vendida aos pedaços, a noiva chorando de felicidade e ele, de copo na mão resmungava:
- Devia ter dito não, devia ter dito não...
Mas começava a tocar a valsa...
- Devia ter dito não, devia ter dito não...
Mas começava a tocar a valsa...
2012/05/11
A ESTANTE DE MINHA MÃE
…e na sala, sobre a estante as fotos chamavam a atenção. Lá estava eu vinte anos mais jovem, meu pai, na foto de seu casamento e a sua última, aquela que estava em seu túmulo, havia também as fotos de meus irmãos, pequenos, crescidos, casando, casados, com seus filhos recém-nascidos, adolescentes e alguns casando, lá também estava a minha filha quando pequena, fotografada fazendo beicinho e sorrindo com a inocência das crianças dessa idade.
Via esses retratos enquanto levava a minha neta para que, no colo de minha mãe, fosse também fotografada, seguindo a tradição de ser imortalizada naquela estante da sala.
Enquanto a velha segurava a sua bisneta, eu disfarçadamente contabilizava a minha vida através da sua coleção.
Lá entre tantas imagens estava eu, magro, sem barba (que hoje está branca), com orelhas de abano; meu irmão ainda com cabelos pretos, ri de mim pra mim, pensando que lá estava eu aumentando a coleção/patrimônio da velha, ela que era, e só agora percebia a guardiã pictórica da história de minha família.
Gerações, ali expostas naquela estante, à mostra para quem tivesse a curiosidade de vê-las, de perguntar sobre cada indivíduo, saber da história de cada um deles.
Um tesouro revelado!
Quem herdará tudo isso?
Sempre achei que fossemos pobres, senão pobres de “marré-marré”, pelo menos pobres de tirar o sono de gerentes de banco, mas não!, lá estava a nossa fortuna, ali naquela velha estante com um ou dois livros - nunca lidos - e uma antiga bíblia (de enfeite, com letras douradas), ali entre os seus bibelôs de velha, ali sim, bem ali na cara, na entrada da sala, ali, bem ali, está a nossa fortuna, minha família para sempre imortalizada nas fotos que a minha mãe coleciona.
Ao sair de sua casa ao fim da tarde, depois de muito fotografar minha mãe com minha filha e neta, saí satisfeito, feliz da vida comigo mesmo, pois eu havia depositado mais um tostão da poupança pictórica da história da minha linhagem e assim, algum dia, algum descendente, quer meu, quer de meus irmãos, filha, sobrinhos ou neta, irá também se deliciar em ver seus antepassados ali, imortalizados em papel, sorrindo ou chorando suas tristezas e alegrias, casando e morrendo, mas vivendo para sempre nas fotografias que minha mãe coleciona em sua estante.
2012/05/10
2012/05/08
Microconto
Ficastes a ver a lua nascer
As estrelas a brilhar
E nem percebestes
- Bateram a tua carteira!
As estrelas a brilhar
E nem percebestes
- Bateram a tua carteira!
2012/05/04
MEU PEQUENO PONEI FAZ 18 ANOS
Agora tenho dezoito anos
Não sou mais um mocinho
Agora sou um homem
Tenho dezoito anos e cabelos no saco
Já posso ter as chaves de casa
Sem hora prá voltar
Sem dizer onde vou
Ou
Com quem vou
Tenho dezoito anos e
Sou dono do meu nariz
Posso beber
Encher a cara e vomitar em paz
Sem ouvi sermões ou recriminações
Pois sim, sim, sim, eu tenho dezoitos anos
Agora o mundo é meu e é pouco
Chega de ficar assustado achando que
alguém me reconheceu nas ruas
Pois agora saio de casa
e vou prá zona,
prá esbórnia,
pros puteiros de cabeça erguida
Serei o orgulho do papai
E preocupação da mamãe
Tenho dezoito
(Assim já cantava Alice Cooper)
Vou tirar a minha carta
Pagar imposto de renda
Pegar o carro emprestado do papai
Tenho dezoito e virei homem
Deixarei de ouvir Avril Lavigne
Bebendo fanta uva
E, fumando, vou me embebedar de uísque vagabundo escutando Tom Waits
Vou ser o orgulho do papai
E aumentar as preocupações da mamãe
Chega de encher os bolsos com balinhas
Agora é carteira com camisinhas
Vou deixar o papai tonto de orgulho
E mamãe, roendo as unhas, gritando:
- Netos não, netos não!
Agora tenho dezoito e ninguém manda em mim!
2012/04/04
CASINHA
1º Dia, café da manhã
- Mulher, que sonho estranho tive essa noite...
Coça a cabeça e sem jeito pergunta à mulher:
- Por acaso nós já moramos numa casa? Com árvores? Quintal gramado? Galinhas soltas no quintal? A casinha era de madeira, branca, janelas grandes, cachorro ruço amarrado na árvore - um limoeiro - porque latia muito... Você não acha estranho esse sonho? Parecia verdade, eu andava desenvolto pela casa, conhecia os quartos, corredores, cada gaveta, o macete para abrir uma janela problemática...
- Acho que você anda chateado demais com esse apartamento – responde a mulher sem dar muita atenção á angustia do marido - e anda louco prá se mudar para um lugar mais sossegado... É só isso, agora toma o café senão vai se atrasar.
5º Dia, consertos e machucados
- Ontem precisei trocar a torneira lá dos fundos – diz enquanto passa manteiga no pão. Olhe só, acabei machucando minha mão – estica o braço direito e mostrar uma mancha roxa no peito da mão. Essa casa me dá muito trabalho, - e batendo a mão sobre a mesa diz - mas não vendo ela não!
- Do que você está falando homem? Você deve ter batido a mão na cabeceira da cama, nunca vi sono mais agitado na minha vida, fala, resmunga, reclama, xinga...
- Que cabeceira nada, foi a chave inglesa que machucou minha mão! – Esfrega a mancha e reclama da dor.
- Deixe de bobagens, você está ficando é obcecado com esses sonhos. Vá trabalhar e depois para num bar e vá beber com seus amigos. Você precisa relaxar e parar de se preocupar com essas bobagens... Vá logo antes que se atrase perca o emprego esse apartamento e – e escarnecendo do marido - a sua casinha dos sonhos.
8º Dia, um domingo
- Achei que não fosse acordar mais, veja as horas! Quase hora do almoço. Não vou requentar café prá ninguém, se vire...
- Já tomei meu café lendo jornal na varanda da casa. Depois de pintada de branco está uma maravilha, você precisava ver, cadeira de balanço sem nhéc-nhécs, passarinhos, e o cachorro agora parou de latir feito bobo e está correndo pelo quintal todo feliz. Não precisa se preocupar com o almoço eu vou comer lá em casa mesmo, afinal tenho que aproveitar o meu domingo para terminar uns servicinhos que foram ficando, ficando e hoje vou terminar tudo.
- Sabe, - suspira profundamente - agora estou realmente preocupada com esse seu sonho, loucura, paranóia ou que nome se dê a isso. Amanhã vamos ao médico, vamos ver o que ele tem a dizer sobre isso... Isso não é normal... Vá tomar um banho enquanto troco os lençóis da cama.
Do quarto a mulher grita:
- Oswaldo! Que manchas são essas no lençol?
- Deve ser do Toby... – responde distraído remexendo sua caixa de ferramentas.
-Que Toby homem? Que Toby? – Oswaldo não ouve a mulher chorar baixinho num misto de profunda preocupação e um horror que começar a crescer em seu peito.
12º Dia, a sogra fica sabendo de algumas coisas...
- Agora ando com medo dele, - falando ao telefone com a mãe - medo dele morrer dormindo, dele acordar louco por estar no apartamento e não na “sua casinha dos sonhos” – fala entre afetada e assustada – tenho muito medo de ficar sozinha com ele em casa. Já nem tomamos café juntos, saio antes dele, tomo café na rua, pois ele já acorda de “café tomado, jornal lido, e andado com o Toby, o cachorro que latia muito. Aliás, outro dia o Oswaldo e disse que o Toby pega o jornal na rua e leva a te a cama. Onde já se viu isso, onde essa história vai parar? Quarta-feira foi dormir mais cedo para assistir o futebol “em casa”, lá tem parabólica e os vizinhos não são barulhentos... Mãe, estou com medo!
18º Dia, Toby aprendeu a pegar a coleira e saber a hora de passear na rua!
- Que progressos estou fazendo com esse cachorro. – Diz Oswaldo esfregando as mãos exultante. Ele me trás o jornal na cama, pega a coleira quando quer sair, sabe abrir a porta da cozinha nos fundo sem arranhar a madeira, fica com o pote de comida na boca abanando o rabo quando está com fome e parou de fazer escândalo, até os vizinhos estão admirados... Você precisa ver o pelo dele como está brilhante depois que mudei a marca da ração, embora aquele safado não resista à tentação de roubar meu franguinho assado de cima do fogão, pilantrinha...
A mulher ouve tudo isso trancada no banheiro, chorando e roendo as unhas em frente do espelho.
19º Dia, uma surpresa para mulher
Oswaldo entra na cozinha gritando:
- Ester, os primeiros ovos, os primeiros ovos!
- Que ovos? – pergunta a mulher guardando dentro da gaveta a faca com que descascava batatas - que ovos, eu não pedi ovos nenhum prá você Oswaldo! – suas mãos agora tremem sem parar, não penteia mais os cabelos e evita sair de casa e segurar facas quando o marido está por perto.
- As galinhas começaram a botar, agora teremos ovos caipiras frescos todos os dias – diz Oswaldo exultante. Ovos frescos, gemas vermelhas, legítimos ovos caipiras do meu galinheiro! Batendo as mãos nos peitos, grita:
- Orgulhe-se de nossas galinhas mulher!
A mulher recorre à solidão do banheiro, chora baixinho repetindo assustada:
- Nossas galinhas, nossas galinhas, nossas galinhas...
Liga o chuveiro e chora convulsivamente, tudo está perdido mesmo, perdido de vez.
23º Dia. Chega de omeletes!
- Oswaldo – a mulher chora, torce o avental entre os dedos, seus cabelos parecem irremediavelmente despenteados, suas unhas encontram-se no sabugo, seu queixo bate sem parar, pouco lhe falta para o colapso nervoso – não agüento mais essa história da sua casa, esses ovos caipiras, as marcas de cachorro nos lençóis, não quero mais ouvir das obras que você está fazendo, dos canais que pegam na parabólica da televisão da sua casa. Oswaldo você precisa de ajuda psiquiátrica, você precisa passar um creme nessas queimaduras de sol... Oswaldo, não sei mais o que fazer, acho que vou prá casa da minha mãe – aqui Oswaldo bem que tentou explicar que aquilo onde a sua sogra morava poderia ser chamado de tudo, menos de uma casa, mas Estela não o deixou manifestar-se. – Oswaldo vou sair daqui e vou sair agora, se não sair pela porta da frente saio pela janela, mas saio agora. Não tente me impedir.
Oswaldo não tenta impedi-la, sorri, abre a geladeira e pega quatros ovos de suas galinhas.
1º Dia. Casa nova. O galo canta, nasce o novo dia!
- Ester, tive um sonho terrível essa noite... – a xícara de café treme em sua mão.
- O que você sonhou Oswaldo, você está pálido e suando frio, o que você sonhou, me conte.
- Sonhei que morávamos num apartamento e eu te contava que sonhava que morávamos numa casa, e você achava que eu estava ficando louco por sonhar coisas assim... – Oswaldo é interrompido por Toby que trás a coleira batendo em todos os móveis pelo caminho.
- Mas você sonha com cada bobagem Oswaldo - ela ri - vá passear com o Toby, depois passe no galinheiro e me traga ovos, hoje estou com vontade de fazer um bolo.
2012/03/30
2012/03/27
DUAS AMIGAS NO BAR
Estava sentado na mesa de um bar outro dia, e sem querer comecei a ouvir uma conversa entre duas mulheres. Devo confessar que esse é um hábito que cultivo, pois costumo usar esses dramas da vida real em meus contos, afinal a realidade é muito mais interessante que a ficção. Vamos lá.
- Você sabe que dia é hoje?
- Ai meu Deus!, outra de suas datas...
- Não começa.
- Não começa você. Olha aí. Já começou a chorar. O dia de hoje te lembra o quê?
- O quê?, não! Quem! Me lembra quem!
- Tá certo, tá certo. Te lembra quem?
- O Célio, me lembra o Célio. Se estivéssemos juntos hoje comemoraríamos quinze anos de casados Quinze anos...
- Mas ontem você estava falando do Jorginho...
- Ah! O Jorginho seria - se estivéssemos juntos ontem - treze anos de namoro, treze anos.
- Mas como você consegue guardar tantas datas?
- Sou uma romântica incurável...
- Só por isso você vive relembrando todos os seus relacionamentos?
- É muito amor nesse coraçãozinho...
- Você tem que beber mais. – Estala o dedo, chama o garçom e pede mais dois martinis e outra porção de pistache.
- Quinze anos, quinze anos e tudo o que me resta são bolachas dos chopes que bebemos...
- Como você pode pensar ainda num cara que te levou tudo?
- Tudo não!
- Certo. Tudo não! Ele te deixou as bolachas dos chopes que vocês bebiam... Como você consegue achar esses mondrongas?
- Eles não são mondrongas. São pessoas que não foram bem-amadas, que não tiveram o carinho necessário...
- E o Márcio, aquele cafajeste?
- Ah! O Marcinho..., ele sabia fazer uns ovos mexidos...
- Ovos mexidos? Como alguém pode se apaixonar por um homem que sabe fazer ovos mexidos?
- Sábado passado faríamos doze anos de casados se...
- Ele não tivesse te largado na José Paulino...
- Não foi na José Paulino, foi na Ladeira Porto Geral, e não fique envenenando o Marcinho desse jeito.
- José Paulino, Porto geral, o que interessa é que você foi a-ban-do-na-da. Abre os olhos mulher! Procure alguém que preste, que te dê alguma coisa concreta, qualquer coisa, menos lembranças e mais lembranças e marcas nas folhinhas- Você não me entende mesmo! – Esvazia o copo de Martini e fica jogando o caroço da azeitona de um lado para o outro na boca.
- E pare com esse cacoete nervoso!
- Que cacoete?
- Esse de ficar chupando caroço de azeitona. Admita, você não sabe escolher homem! Você é incapaz de reconhecer um homem decente e honesto. Olhe à sua volta.
Ela olha e dá com o olhar do garçom que lhe sorri. Ela sorri de volta e dá-lhe uma piscadela.
- Não adianta mesmo. Você nunca vai aprender nada.
- Agora você vai implicar com o garçom só porque ele é um humilde trabalhador? Ele não pode merecer nosso respeito, nosso amor, um pouco de carinho?
- Sua burra! Tudo o que ele quer é que você beba mais. Ele só quer te encher de martinis. Esse humilde trabalhar carente de “seu amor, seu respeito e um pouco do seu carinho”, vive dos dez por cento do que vender aos clientes, ou seja, ele é quase um cafetão!
- Mas, mas...
- Engole esse choro que o garçom está vindo aí, engole esse choro.
O garçom chega e anota mais um pedido de Martini e pistaches. Antes de ir embora olha para a moça de olhos vermelhos e percebendo que ela está chorando, oferece-lhe um lenço.
- Obrigada. – Sorri e devolve-lhe o lenço.
- Você viu que cavalheiro ele é? Você viu?
- Vi, e vi como você é burra sua tonta. Olhe embaixo da mesa.
- O quê tem embaixo da mesa?
- Só te matando. É nessa hora que agradeço a Deus minha mãe ter me dado uma educação religiosa.
- O que tem a ver uma coisa com outra?
- Na minha fé creio na reencarnação! Assim eu te mato, espero você voltar e te mato outra vez. Quem sabe renascendo uma terceira vez, você volte menos burra! Sua tonta, quando ele te passou o lenço, junto veio um bilhetinho, que caiu debaixo da mesa enquanto você assuava o nariz. Estou começando a achar que você tem muita sorte de acabar seus relacionamentos sem ficar só com a roupa do corpo!
- Você me ofende falando assim...
- Ora, como você pode dizer que eu te ofendo? Olha só que você faz consigo mesma, olhe! – Diz apontando para o garçom que vem trazendo outra rodada de martini.
– Olhe só o sorriso de sátiro no cio, olhe.
A amiga olha, sorri, pisca e fala:
- E pensar que logo-logo esse aí vai estar marcado na folhinha...
- Ah! Quer saber? Você não tem jeito mesmo! – Toma o martini num só gole, levanta-se e vai embora do bar.
Eu que já havia acabado o quinto chopinho, paguei a conta e fui embora também. Não queria ver como ia começar aquele novo drama.
2012/03/12
AMOR DIGITAL
Reclama a moça
No frio da noite
No escuro do quarto
Na imensidão da cama:
Aqueles que eu quero
Quando me querem
É à distância
Nossas únicas carícias
São pelas teclas
Do computador...
No frio da noite
No escuro do quarto
Na imensidão da cama:
Aqueles que eu quero
Quando me querem
É à distância
Nossas únicas carícias
São pelas teclas
Do computador...
2012/03/02
QUEDA/CHÃO
o grito
é sinal último
(de vida)
antes do chão
é sinal último
(de vida)
antes do chão
o derradeiro encontro
é entre o corpo
e sua sombra
no chão
na queda não passa
filme de nenhum da nossa vida
o que se vê
- rapidamente -
é o cenário na vertical
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