2012/02/29

A QUEDA DE GERMANO


Vagarosamente, devagar, quase em camera lenta Germano cai. Como se estivesse numa gravidade lunar, sua cabeça aproxima-se vagarosamente do chão de pedras.

Numa vagarosidade vertiginosa Germano vê o chão vir em sua direção. Seus braços pesados como chumbo estão imóveis, não, não imóveis, mais parecem braços feitos de panos, balançando-se feito bandeirinhas ao vento, eles não mais obedecem a sua vontade. Germano não consegue faze-los amparar a sua queda.

O chão aproxima-se mais e mais.

As pernas, como arames, estão enroscadas uma a outra, os seus pés, parece, trocaram de lugar, onde deveria estar o direito, o esquerdo, e vice-versa.

O chão aproxima-se ainda mais.

O rosto de Germano estampa o desespero, a perplexidade, a impotência. O chão sujo está ainda mais próximo. Sua respiração está suspensa, seu coração bate tão rápido que parece que parou.

A paisagem á sua volta tornou-se um borrão multicolorido, enquanto cai Germano espanta-se com o repentino silêncio, tudo parece parado, estático, congelado.

O chão mais perto.

Germano voa, desliza pelo espaço qual um super-homem de história em quadrinhos, verticalmente flutua, cai...

O chão duro recebe o corpo de Germano.

Encabulado Germano levanta-se, amarra o cadarço de seus sapatos e segue em frente, embaraçado, envergonhado, com vontade morrer de vergonha.


2 comentários:

MIRZE disse...

Deve ser horrível, se matar e não morrer; vai passar o resto da vida se desculpando e provando que o ato não foi loucura.

Pobre Germano.

Beijos

Mirze

Silvio Barreto de Almeida Castro disse...

Germano poderia colocar a laçada do cadarço para dentro do tênis. Cadarços de sapatos são mais curtos, ninguém cairia por pisar neles.