2009/11/05


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2009/11/04

UM CIGARRO






Um click do isqueiro
A chama azul que se ergue
Um cigarro
Uma baforada
O cigarro que descansa
A fumaça que sobe
O tempo que passa
Outra baforada
Um pensamento que passa feito um raio
O tempo que passa
A cinza que cai
O tempo que passa
O tempo que passa
O tempo que passa

Em tempos de recesso, vai ai mais um texto antigo.

Esse amaldiçoado cruzou meu caminho de novo



Novamente ele atravessa o meu caminho!

Estava eu sentadinho em minha mesa, tentando trabalhar, mas um ruído, uma estática, um arranhar de unhas em um quadro-negro trouxe-me de voltar a esse vale de lágrimas.

Era ele, aquele que acende velas negras ao Demo, aquele que sacrifica virgens e bodes pretos ao senhor das trevas, aquele que profana nossos ouvidos com músicas (?) que nos levam a pensar seriamente em suicídio.

Ele:

Richard Claydeman!

Esse amaldiçoado, esse cão, esse...

Estava o supracitado indivíduo profanando a bela” La Vie em Rose”, quando eu já saturado, levantei-me de minha mesa, que fica no extremo oposto da repartição e estupidamente dirigi-me à mesa onde estava o cd player.

Encostei na mesa, olhei para as colegas, (leiam as Harpias e entenderão) e perguntei:

- Vocês gostam mesmo dessa música?

Para meu espanto, elas responderam que sim, ao mesmo tempo e em uníssono (como costumam fazer sempre).

Por um segundo as fulminei com os olhos, debalde, não perceberam. Respirei fundo e como que divagando, deixei sair bem baixinho, entre dentes, alguma coisa assim:

- É muito bom ouvir La Vie Em Rose, tocada por um velhinho francês e seu igualmente velho acordeon, nos brancos degraus da branca Sacre Coeur, em Paris.

Tornei a suspirar e segui para o banheiro, sob apupos e vaias.

2009/10/29

A Carta



Naquela carta
toda a verdade era revelada
O grande amor!
A traição !
Uma explicação
Chegou por fim
Tarde demais.
Pois a carta reveladora
Veio psicografada!

2009/10/21

THRILLER



Agitação.

Gente entrando e saindo da sala apinhada. Música alta, mesas cheias de petiscos e bebidas.

Edemeia num canto da sala encara Pedro, sentado no braço da poltrona emm que está sentada com Zildinha .Ele coloca uma a uma as uvas rosadas na boca carnuda e sensual da ex-namorada – nutre o sonho de tê-la de volta um dia, ou mesmo por uma noite,o que vier primeiro - sem se dar conta que é alvo dos olhares tristes da morena encostada no canto escuro do outro lado.

Zildinha, fútil como sempre foi, é e será, come as frutas enquanto procura por Heliomário, amante recente (na verdade são amantes há dois meses, nove dias e seis horas) que neste momento encontra-se à beira da piscina tomando uma “marguerita”[1](sem limão, sem cointreau, sem sal e sem gelo moído) e pensando se vale a pena continuar com Zildinha, com o “emprego”, e levando essa vida de fugitivo procurado em todo o MERCOSUL..

Começa a tocar uma rumba e quem gosta[2]de músicas caribenhas vai dançar e quem não gosta sai para fumar na rua ou à beira da piscina. Oitenta por cento dos convivas saem...

Heliomário joga seu cigarro na água e resolve dançar. Melhor música ruim que aquela gente, afinal alguém ali poderia reconhecê-lo.

Edemeia ao ver Heliomário puxa-o para dançar, ele a empurra para o lado e segue para uma mesa cheia de bebidas, ao passar pela poltrona no canto da sala vê, desgostoso, Zildinha sendo alimentada com uvas, ele olha profundamente em seus olhos e discretamente passa a longa unha do dedo polegar da mão direita no pescoço Zildinha engasga e Pedro perde a cor.

A música continua alta e chata, Heliomário bebe, Zildinha engasga, Pedro corre pelas sombras e foge da festa, Edemeia encostada em seu canto da parede onde Heliomário a jogou, chora.

Pedro na rua, encosta-se num poste e sob a luz amarela passa um lenço no rosto enxugando o suor que brota da testa. Assustado ele se pergunta onde já havia visto aquele rosto, espreme os miolos e procura nos arquivos-mortos de seu cérebro onde já tinha visto aquele sujeito.

Nunca mais Pedro irá esquecer aquele discreto aviso de morte, nunca mais. Tremendo, queima os dedos três vezes antes de, enfim, conseguir acender o cigarro – pelo lado do filtro.

Heliomário embriagado, começa a procurar por Zildinha, e depois de pouco procurá-la a encontra-a saindo do toalete.

Ele a pega pelo braço e em seguida segura seu corpo todo que desmaia de puro terror. As mulheres à volta gritam gritinhos mais de afetação que de medo, e levam Zildinha de volta ao toalete esperando que a água em seu rosto a trouxesse de volta à consciência.

Tal expediente realmente funciona e Zildinha recupera-se, e ato-contínuo, tenta fugir pela pequena janela. Não consegue.

Da porta vem os sons dos chutes de Heliomário – controlado, ele não grita..

As mulheres apavoradas fogem em desabalada carreira ao verem a porta vindo abaixo e deixam Zildinha entregue a própria sorte. Má sorte, má sorte.

Enquanto isso na sala...

Mudam a música, passam a tocar Frank Sinatra, e enquanto Heliomário estrangula Zildinha o “Velho Olhos Azuis” canta “I've Got You Under My Skin”[3]. Ele murmura bem perto de seus ouvidos:

- Essa era – ênfase no era - a nossa música, lembra?

Zildinha tentando angariar alguma simpatia de Heliomário aproveita o “empuxo” e sacode a cabeça concordando com ele.

- I've got you under my skin I've got you deep in the heart of me. So deep in my heart that you're really a part of me. I've got you under my skin – murmura enquanto aperta lentamente o pescoço de Zildinha.

Mas antes do “estalo final” começa o foguetório lá fora e todos acorrem para ver os fogos de artifício. A voz do velho Sinatra é abafada e tudo se perde no barulho dos rojões, morteiros...

Zildinha entrega os pontos e sabe que o fim se aproxima inexoravelmente. Mas antes de seus último suspiro o celular de Heliomário toca. Ele atende segurando o pescoço de Zildinha com o pé esquerdo e com o pé direito trava a porta quebrada do toalete.

- Alô – diz bruscamente. Segundos depois desliga o parelho e o guarda no bolso do paletó, apruma-se e tirando o pé de cima do pescoço de Zildinha diz:

- Tua sorte é eu ser profissional. Tenho um serviço a completar, quando eu voltar nós continuamos de onde paramos.

Saindo do toalete segue em direção à piscina, perde-se em meio a multidão que pula, grita e dança ao som dos fogos.

Zildinha foge, corre e pula o muro da casa perdendo-se na rua. Talvez procure por Pedro (que não tornará a encontrar nunca mais) talvez procure voltar para casa, mas em casa encontrará Heliomário, pensa bem e muda de direção, sumindo-se na noite...

Em meio a confusão, um crime será cometido e não encontrão o criminoso, e somente dias mais tarde darão pela falta de Edemeia, que num canto do jardim viu e foi vista por Heliomário.





[1].Ingredientes:
- 3/4 de dose de tequila branca
- 1/3 de dose de cointreau
- 1/3 de dose de suco de limão
Modo de preparo:
Bater todos os ingredientes e servir em taça de coquetel. Crustar a borda do copo usando suco de limão e sal.

[2] Há quem?
[3] (Irving Berlin)[Recorded December 21, 1960, Los Angeles]

2009/10/14

O cara está melhorando. Vejam ai embaixo!








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2009/10/13

O RANZINZA & O MEMORIOSO







2009/10/07

COLABORAÇÃO DE ALEXANDRE COSTA

FRASES PARA PLAGIAR



"Descobri que não tenho talento para escrever, ou então que não tenho sorte. Qual dos dois faz mais falta nem eu mesmo sei dizer."



(coloque seu nome aqui)



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