2014/11/13

MEU DEUS, TODO ANO A MESMA COISA!




 Ele está chegando
já está nas ruas
nas lojas
nos ouvidos
nas narinas
enfim empesteia o ar
está nas luzes à noite
piscando mais que as estrelas
esta na tv
nos rádios
o magrão já rói as unhas
e angustiado espera
o vadinho
conta com os abacaxis
o comandante
“viajando” que tirar selfies
na porta “dos lojinhas”
        (1,99!)
as igrejas pedem
as pessoas imploram
as instituições clamam
pela sua participação
tsc tsc tsc
já não durmo, e
somatizo todas as dores
sofro por antecipação
evito o telefone
tremo ao ver um envelope
sim
             sim
                                sim!
o Natal está chegando
de novo...










 Pro Alexandre (Magrão)
Vadinho (Vladimir)
Que somados...

2014/11/07

POMBO



O pombo
Sua fome/seu grão
Sua sina/maldição
Uma roda/caminhão
Morre o pombo/E sua fome
Sobra o grão




2014/10/15

Antes de entrar de férias publico aqui um conto de meu amigo ALEXANDRE COSTA


O ASSASSINO



                Abro os olhos e percebo que acordei. Pego o celular do lado da cama e vejo que são sete e quinze da manhã. Estico o corpo preguiçoso e dou um grande bocejo, mas não quero levantar. Debaixo da coberta, o calor sustenta minha preguiça. Viro de lado e decido ficar mais dez minutos deitado.
                Abro os olhos e percebo que acordei. Pego o celular do lado da cama e vejo que são onze e meia da manhã. Dou um salto e caio com os pés no chinelo, mas não há como remediar o atraso. Corro até o banheiro, lavo o rosto, volto ao quarto e coloco a calça, coloco o relógio no pulso e a mochila nas costas. Abro a porta e pulo no tênis que deixei no capacho na noite anterior, abro o portão e vem a cegueira da luz do dia. O sol já tava lá a minha espera. Detestei aquele dia claro e quente. A camisa com que dormi, ainda quente em mim, ardia ainda mais agora. A noite fria engana os desavisados como eu, mas o atraso me impedia de voltar e trocar de roupa.
                No ponto de ônibus procuro uma sombra. O cachorro de rua late na esquina, talvez com fome ou com raiva do calor. Depois vem o ônibus e vou em pé até o trabalho. Viagem desconfortável. Chego cansado, e sem desculpa pra enganar o chefe, conto a verdade. Ele ri de mim. Vai trabalhar, diz. Ele vira as costas e segue rindo até sua mesa. Olho no relógio, são meio dia e quarenta e não terei almoço, nem tive café.
                Fui correndo pra minha sala, liguei o computador, peguei os óculos e o celular na mochila. Antes de sentar na cadeira o telefone toca. Boa coisa não é, penso. E o chefe tem uma missão pra mim. Por conta do atraso fui designado pra acompanhar a visita do campeão mundial de xadrez Alexei Malopov para uma demonstração para um público bem restrito. Tire uma boa foto, ele pediu.
                Botei o pé na rua a uma e cinco. Me senti caminhando sobre a cratera de um vulcão. No relógio digital de rua a temperatura de trinta e três graus tornava a minha vida um inferno. Quero desaparecer, mas preciso trabalhar. Quero estar na lua numa eterna noite fria, mas preciso fazer aquela foto. E nada se pode fazer contra a natureza das coisas, ou os desejos do universo, ou a lei de Murphy.
                Pego o ônibus de novo. Espero chegar rápido ao meu destino. Há bancos para sentar ao sol, mas prefiro ir em pé, cheirando o ar que passa apressado pela janela e foge pelo outro lado do coletivo. Um gozo fugaz quase parecido com felicidade me toma inteiro, depois tudo volta a ficar tórrido de novo. Quero apenas o sopro do Himalaia agora, mas o calor da primavera, além dos números previstos pelos especialistas, cozinha meu miolos.
                Desço do ônibus e entro no hotel, corro, estou atrasado, entro pelo saguão, todos me olham, mostro a credencial pro recepcionista, que aponta  para duas portas à esquerda de quem entra. Finjo entender, corro pra porta e sinto que ele me disse algo que perdi com a pressa.
                Entro numa grande sala cheia de pessoas em completo silêncio. Deduzo que acertei. Caminho entre elas e sento o mais perto possível de Alexei. Um homem sozinho em frente a uma mesa num palco vazio olhando para algo a sua frente é bem a cara de um enxadrista, pensei. É aqui mesmo. Um pequeno  constrangimento me atingiu quando percebi que era o único que não trajava social. Mas eu estava a trabalho, pensei. Não estou aqui me divertindo, estou trabalhando, e suando.
                Esperei que ele sentasse e que o jogo, ou a performance solo tivesse início, mas nada, só ficava em pé, imóvel. E todos em silêncio esperavam por algo, que eu não esperava.
                Coloquei a mochila na cadeira, tirei a máquina fotográfica de dentro, caminhei sorrateiramente pelo carpete vermelho, esperei o momento certo e tropecei no degrau que me levaria até o palco. Caí deixando escapar a máquina que bateu na quina do degrau, batendo a foto. Um grande flash iluminou o ambiente. Espanto geral, Alexei virou-se para mim atônito. Os convidados se entreolharam sem entender qual a razão de eu estar ali. Eu me perdi entre um pensamento e outro, ou foi quando me expulsaram de lá, tanto faz, eu perdi todo o restante do jogo. Mas eu sabia que tinha tirado a foto, e era o que importava.
                De volta ao trabalho, sentei em minha cadeira, puxei a máquina de dentro da mochila, conectei-a no micro para abrir a foto. Lembro que o sol batia na janela e aumentava o calor dentro da sala. Lembro que o telefone tocou, meu chefe entrou devagar pela porta, como em um filme de suspense. Lembro que ainda não tinha comido nada. Olhei no relógio, eram quatro e quinze da tarde. Não me lembro de mais nada depois que vi o punho do meu chefe atingir o meu queixo e eu me sentir em órbita de uma lua de saturno.
                Abro os olhos e percebo que acordei. Procuro o celular ao lado da cama, mas vejo o jornal do dia. Estico o corpo pra acordar e me lembro de um sonho estranho. Na mesa do café resolvo olhar o jornal. Um clips indicando uma página me chama a atenção. Abro e vejo a manchete: "Homem embriagado usa flash de câmera fotográfica para destruir formas de vida extraterrestres sensíveis a luz".




ASSIM ELA VIVIA A NOS CONTAR


(poema horrível, mas verdadeiro)




ela falava de sua vida
dura
que morava muito
longe
ia sempre de pé no
ônibus
que sofria muito
a infância pobre é
uma cicatriz n'alma
a barbie sem a perna direita
os cabelos ralos
entre o choro triste
e um riso louco
lembrava da bolinha de gude
única que tinha
ela o olho de vidro
a avó morta
contava sempre
que subia e descia o morro
com sol ou chuva
e batia orgulhosa
nas panturrilhas grossas
mas escondia envergonhada
as varizes...
todo santo dia
sem alternância
nos contava as sua mazelas...
seu mantra diário era
viver é sofrer
viver é sofrer
mas nós seus ouvintes
repetíamos silente:
- sim viver é ouvir
o sofrimento alheio




2014/10/01

O QUE AQUELES OLHOS DE JABUTICABA PISCANDO FIZERAM COM VOCÊ VELHO COMANDANTE!


(pequena crônica do dia em que a Dilma veio fazer discurso aqui na cidade)




Te aborrecestes ontem
Quando na Praça da República a massa
Se envolvia e rejubilava-se
Como que diante do Grande Salvador
(pena os fogos terem espantado as pombas e os sanhaços)
E ao seu lado a pequena burguesa vomitava sua bílis
Seu mal herdado da Casa Grande ancestral...
Pois ela a leitora do Olavo de Carvalho
(aposto que seria capaz de declamar trechos inteiros, se desafiada fosse!)
(ainda bem que não foi!!!)
Tão pequena e
Tão sinhazinha
Transpirava seu ódio
Rancor e medo
Do populacho lá fora
Ela que te olhando nos olhos
Desafiava tua doçura e fé na Revolução
(que um dia?) virá (ou não)
Ela tão carismática e arrogante
Direitista de berço & criação
Vomitava palavras de ordens
E procurava no ar
(louca? Desvairada?)
Uma arma imaginária
Para o tiro final
Para o começo de um novo fim...
Sim ela desafiou essa doçura a virar fel
E penso que pouco faltou
- Não é?
Mas não sofras Velho Comandante
Nosso tempo está a acabar
(estamos na prorrogação, relaxe!)
O Velho Mundo Novo
(ou o novo mundo velho?)
Mostrará à burguesinha a sua face
Imutável e cruel
E ela acordará
Um dia desses
Na praia...
Na feira...
Na igreja enquanto bate palminhas e canta como se fosse ser arrebatada em meio às fumaças
dos incensos que sobem aos céus dos justos,  injustos e indiferentes...
Dando pipoca aos macacos...                                                                                                  
(pode parecer, mas isso não é uma praga deixei-me levar pela emoção)    
Não quero emitir aqui qualquer
Juízo de valor
Não comungo radicalmente
Com qualquer cor política
(sou um iconoclasta desde sempre)
Mas compartilho de sua dor
Velho Caudilho.
E parafraseando-o, Sábio Cínico:
-Ela é mesmo muito
Bonitinha para ser assim
Tão conservadora!





2014/09/15

AMANHECER




O dia chegou com
                               o galo do vizinho
com o raio de sol 
                             na fresta da janela
com o espreguiçar e 
                              estalar dos ossos
um novo dia numa vida
                                                            velha



2014/09/12

DIVAGANDO NA DOMITILA




os seus olhos tristes
as costas curvadas
o sorriso amarelo
os pés que se arrastam
a meia que aparece
                                    na sandália, o
– “boa tarde senhores!”
que não convence
nem comove
o jeito como anota o nosso pedido
(que sempre é:
- dois expressos, sem leite!)
o eterno:
- sintam-se a vontade!
que nos dá vontade de levantar da mesa e ir embora
tudo isso só me leva a pensar que:
ela detesta esse emprego
ou está lá ainda à espera
do grande amor de sua vida...
e tanto divago
que o café esfria na xícara..








O Comandante entende essa

2014/08/21

MINHA LABUTA



luto diariamente com as palavras
ao fim do dia tenho
letras mortas
papeis amassados
e uma ressacada dos infernos...



2014/08/20

ASSIM É



 na praça
um pombo, no muro
o gato



RASA REFLEXÃO





na rua logo cedo
saindo com o carro
um “nóia” na minha frente
fazendo uma ciranda
com saco de lixo
mostrando os dentes alternados
gritando e rindo
(hihihihihihi)
Olha para mim
Fazendo caretas símias
isso me levou a pensar com meus botões:
- só mesmo bala de borracha & gás lacrimogêneo...
e após uma rasa e curta reflexão
vejo que tem razão o Bicho-Papão*
sou mesmo um reacionário
do caráio...













*Comandante Castro!












2014/08/08

SEXTA-FEIRA ÚMIDA




lá fora chove
(fino)
a água enche os buracos
da rua
aqui as conversas
me aborrecem
e fazem o meu dia
arrastar correntes


2014/07/30

AH OS MANSOS!



Cuidado com os mansos
Eles não latem nem rosnam
Mas babam e mordem

Eles te olham de soslaio
Sorriem docemente
Mas o fel lhes corre nas veias

Eles riem com você
E riem de você
Cuidado com as ruas escuras

Olhe para os dois lados
(sempre)
Os mansos são perigosos
Eles sempre traem
Sempre


2014/07/25

LÁ ATRÁS...



 dos verdes anos
de minha juventude
                      nada sobrou
- pastei-o todo


2014/07/24

NÃO “SUA” MAIS




que “dó” vadinho
suassuna não mais
não mais, não mais
segure as lágrimas
(mais amargas que as da Petra von Kant)
bom amigo vadinho
não mais sanfoneiros
não mais catraias e balsas
não mais itapema
nem mamolengos
(e a rotunda? aquela rotunda? que fim ela levou?)
nem mais dona celeste
não mais constrangimentos
não mais vontade de morrer
(de tanta vergonha, meu deus!)
não mais varella
(corrija os “eles”)
uma pena, uma pena
e por causa disso
(uma lástima!)
não mais também o joão ciclista “o glorioso”
e resumindo bom amigo
“a pena...
o vento levou
e a lei
ora a lei!”
não se bebe mais
não se sua mais
acho que enfim
chegou  fim...                                                                                    



                                                                                                                               

Pro Vadinho






2014/07/14

UM CANTO


aqui não canta o sabiá
aqui não tem palmeiras como lá
(tem o Santos, mas futebol não é a minha praia)
não tenho saudades e
nem quero voltar
para nenhum lugar
o que me encanta
é o canto dos sanhaços
-  pobrezinhos -
que não prestam nem para rimar





NO PÁTIO, O ETERNO EXCLUÍDO




Entre uma bola
e outra
entre um grito de gol
e outro
um bólido bate no meu tabuleiro
e derruba duas torres
e meu rei





QUADRO



Na parede, emoldurado
“O Grito”
atrás dos tijolos
(um cadáver mudo)
o crime!





2014/07/10

UM DIA DE CAOS


(assim começa e acaba um dia ruim)



É a chuva
Logo cedo
É uma moto
No meu caminho
É a chuva que cai
São as pedras da rua
Que escorregam
E a moto que bate
Na lataria do carro
É a moto que cai
É a moto
É o B.O.
São as versões
São as versões, as versões, as versões...
É o amassado na porta
É o prejuízo no bolso
É caos das ruas
É o caos nas ruas
É o caos do trânsito
São as versões dos passantes
É a versão da vítima
São as horas que passam
Que passam
É o dia perdido
E nessa bagunça
Ao fim dia
Hum- hum
Ainda vejo em casa
Um "sete a um”!


2014/07/03

ÍNSULA


na ilha distante
sem fogueira e sem bandeira
curte a solidão e roga
que nunca venha
o resgate


UM BEIJO NO ASFALTO



Em nenhuma história de amor
um beijo foi tão bem dado
como naquele tombo
no meio da rua


CASO DE FAMÍLIA





Sobrinha querida, perdemos a chance de nos ver no último aniversário de “seu sobrinho”, aquele que é filho - por hora unigênito e que não venha a se tornar “o mais velho”, oremos! - daquela sua irmã primogênita... (como estamos ficando velhos, e nossa árvore genealógica, torna-se cada vez mais um cipó genealógico!)

Por hábito, que só me causa problemas, chegamos à hora aprazada. Qual não foi o meu espanto (ainda não entendo porque me espanto com isso! Será a senilidade manifestando-se? Confira para mim mais tarde.) erámos os primeiros. Primeiros adultos permita-me frisar, primeiros adultos! Pois por lá já estava “seu sobrinho” e mais um dois fedelhos tão mal-educados quanto ele. Havia um que estava imbuído da firme pretensão derrubar os portões da casa com seu (de “seu sobrinho”) skate. Rosnei para ele, mas parece que o pequeno animal não percebeu a ameaça e tentou passar com o dito skate sobe meu pé direito. Chamei a atenção de sua (minha irmãzinha) mãe para isso, mas ela impotente, levantou os ombros, fez beicinho (charme infantil inútil nessa idade) olhou para cima e perguntou o poderia fazer.

Respondi, mas ela me explicou que isso daria uma cadeia brava.

Inconformado, acendi um cigarro e fui em direção ao portão que o pequeno vândalo tentava com todas as suas forças por abaixo. Segurei a vontade de queimar-lhe um olho.

Aposto que você se pergunta se havia algo de positivo na festinha.

Sim, havia.

Uma mesa de doces e salgados que estava uma maravilha. (viu?, sei elogiar)

Distingui lá, para minha eterna felicidade umas empadinhas (sou humano e tenho lá minhas fraquezas). Não pude me furtar a minha velha obsessão, e contei uma velha piada:

- * “Quando for me servir delas será um ato de canibalismo!”

Não causou-me espécie não ter sido entendido. Ainda bem que, para dar maior dramaticidade à piada, não mandei tirarem as crianças de perto.

Mas estou divagando e ainda não lhe respondi a pergunta primordial. Indagava você minha sobrinha número dois - por ordem de nascimento, só isso, não se ofenda – porque fui embora tão cedo, haja vista que parecia que eu estava me divertindo muito no natalício de “seu sobrinho”.

Não obstante as crianças – e não declinarei uma palavra sequer sobre o gosto musical da mulher de seu pai, minha prezada irmã e sua amantíssima mãe! (Hemodiálise me livraria desses genes que carrego? Pesquise para mim mais tarde) - encosta-se a mim enquanto fumava (sim essa cigarrilha longa que fumo às vezes me causa certos dissabores) sua Tia Célia.

Houvesse aqui uma trilha sonora, seria o momento do:

- **Tchantchanraram!

Ela achegou-se a mim, como um tsunami, sem sutileza, derrubando, destruindo tudo à sua frente, mas vamos ao resumo da ópera:

1.                  Primeiro reclamou que a minha mãe, sua adorada avó, enviou-lhe bolinhos. Bolinhos esses que deveriam de bacalhau, mas de bacalhau não era, e sim presunto e queijo. Que eu acho o ideal para uma pessoa de tão fino paladar...  E em vez dessa infeliz ficar calada, ligou para  minha mãe (sua adorada avó, lembre-se disso, pois um dia ela pode vir a faltar...) e pôs-se a falar mais que o normal dela (dela sua tia Célia);

2.                   Sua adorada avó (você é feliz que ainda tem uma) por sua (dela) vez reclamou com o seu tio (meu irmão Mandinho lembra-se ainda dele? Sei que a há muito vocês não se veem...)

3.                  Ele (o seu tio Mandinho) chega em casa e quase (uma pena esse quase, uma pena) dá na cara dela (sua querida tia Célia).

4.                  Ela (a dita tia) quase ligou para a mãe de seu tio (sua avó)

5.          Depois disso minha mãe, (sogra da supracitada Célia) para limpar a barra (Santa Inocência. Precisamos acender velas e queimar incenso a essa entidade!) deu de presente à mãe da Suelizinha (sua prima, filha de seu tio Mandinho, imã daquele outro lá) um micro-ondas. - Prá quê eu quero um micro-ondas? Minha vontade foi de responder a ela: - “Para você enfiar a cabeça dentro e...” Ainda bem que eu fumo ainda bem que eu fumo...

6.                  Ainda por cima essa filhadaputadocaralho (veja, perdi a linha, minha esmerada educação, eu que poderia ter me tornado um diplomata, perdendo as estribeiras dessa forma!) foi encher o meu saco, dizendo na frente da sua outra tia (Rutinha) que ela (Célia) nunca: (a) quis, (b) pediu, (c) sonhou ou (d) sequer desejou um micro-ondas.  Pobre de meu irmão caçula... (acho que ele ainda acaba como primeira página de jornal um dia).

7.                  E, não obstante, ainda veio fazer fofoca, desonrando o nome de mamãe dizendo que a velha agora deu para fumar escondido.

Nesse momento, antes que eu traumatizasse as crianças (embora cada uma delas merecessem chicotadas e mais chicotadas e mais uns tantos anos numa masmorra a pão e água) cometendo algum ato tresloucado que levasse a mim e não o Mandinho à primeira página de jornal resolvi comer (às escondidas, não que eu tente me enganar, nunca, mas tento enganar a diabetes) um olho de sogra e fui-me embora.

Uma vez em casa, pleno sábado à noite, pedi uma pizza e mais um fim de semana jogado fora. Sua tia (mulher daquele seu outro tio - o caçula, o caçula! - não esse tio bom & legal você tem e tanto te mima desde a mais tenra idade, “ah os verdes anos que não voltam mais...”) acaba com qualquer clima ou reunião de família. Isso me faz sempre recordar porque nunca fui ao casamento deles.

Cheguei em casa com vontade de rasgar as fotos do nosso álbum de família que minha mãezinha (sua doce avó de cabelinhos tão branquinhos...) que amo com extremoso amor filial me deixou de herança antecipada.






*Uma empada comendo outra empada, entenderam?
** onomatopeia não é o meu forte.




MÁQUINA



Sentado em frente a máquina
Cada dia mais me  sinto
Uma engrenagem
Quadrada


2014/07/02

TEMPOS IMPERFEITOS


amanhã não tem ninguém
hoje? já estamos de saída
ontem... casa cheia
e nós para sempre
nunca mais...



MSM



  
MSM 1 - Eu te amo!       
MSM 2 - (resposta) Não te conheço, mas obrigado mesmo assim.
MSM 1 – “Eu te amo” para a pessoa errada, desculpe.


NÃO ENTENDENDO DITOS POPULARES...




Magrinhos, fraquinhos e famintos os meninos correm pela rua abaixo, com aquelas perninhas finas, feito gravetos, aos gritos de:

- A vaca foi pro brejo, a vaca foi pro brejo...

Ignorantes e famintos...



2014/06/30

MAIS UM COPO


as ruas escuras
a fumaça do meu cigarro
som de tom waits
sim a fumaça do meu cigarro
marlowe pode estar
numa esquina
tudo pode ser
(ou não ser)
neblina e sombras
e a fumaça do meu cigarro
os passos
surdo e invisíveis
os mistérios
que mistérios?
quê?
meu deus
                                             mais um copo e verei discos voadores...




SEMPRE O MESMO





a tristeza
amargura
vazio
o bater cartão diário
                      o dia
o dia a dia
sempre igual ao anterior
ao ontem a ontem
a mesma mesa
as mesmas conversas
o mesmo telefone
as mesmas perguntas
o mesmo mesmo de sempre
até quando?
quando chega o quando final?
Lá fora/pela janela
o mesmo céu
mesmo azul
mesmo nublado
mesmo chuvoso
o mesmo mesmo
eterno mesmo
o tempo que não passa
e passa sempre o mesmo
mesmo mesmo imutável
estático
diferente e sempre o mesmo
igual
folhinha
o calendário
é luxo
um desperdício
números sem sentido
mostrando o mesmo
o mesmo com nomes dias
diferente e mesmo assim
os mesmo dias
os mesmos
sempre o mesmo
                      dia



2014/06/18

PALCO ABSURDO


Ah! Como sofrem os amadores



a atriz
no centro do palco
sob a luz do spot
declama:

- o gato atravessou a rua
mas poderia ter sido pior!

silêncio
(nem uma mísera tosse)
longo e escuro silêncio
a vaia demorou
mas não tardou






(pro Vadinho & L.B.)


2014/06/16

CAFÉ



a xícara de café
a taça de conhaque
(promete um friozinho lá fora)
o cigarro prestes a ser aceso
o jornal jogado de lado
não fossem essas pessoas correndo...
se espremendo
indo ao trabalho
eu colocaria menos açúcar no café...



2014/06/11

PESADOS PESADELOS




Alta madrugada Joanilson acorda aos gritos:

- Fechem as janelas os elefantes estão chegando!

Dona Cida, vizinha do décimo terceiro andar, abaixo do dele, não entendeu nada, até ser tarde demais...



SÃJÃO


Tantas estrelas
Azuis no céu
E miro a luz
Vermelha flutuante
Do balão de São João

2014/06/09

VIDA VIOLENTA


Num primeiro grito
Foi concebido
No segundo
Nasceu
De lá para cá
Nunca mais parou de chorar


HOJE ESSA SALA É MINHA





 Hoje estou praticamente sozinho em minha sala. O outro sujeito está do outro, ouvindo músicas italianas e me deixando em paz. (Quando ele surta, o que não é difícil aqui, passa cantar e a reger uma orquestra imaginária...)
Agora posso pensar e refletir, fazer um pequeno apanhado de meus últimos dias - enquanto escrevo esse texto converso por e-mail com um amigo de Londres, explico-lhe e rio disso, que nosso correio não pode enviar-lhe a prometida garrafa de cachaça Pitú que tanto deu-lhe água na boca. Assim é a vida, “uma ilusão e uma rasteira”.
Semana passada fui a um barzinho (e que barzinho!) assistir a um show da banda de um colega de trabalho. Uma viagem no tempo (graça a Deus uma viagem para trás!!!) muito Beatles e outras tranqueiras sessentistas e umas outras setentistas...
Uma época perdida, pela cara para todo o para sempre, de boas músicas.
Mesa bem colocada, de frente à bateria e ao baixista, cerveja e nem senti o tempo passar. Catso deu até vontade de ser feliz!
Mas o que me interessa é que hoje estou “praticamente” sozinho em minha sala, sem a chefe que ouve pagode o dia inteiro, que canta axé e acha os pagodeiros “as coisinhas mais lindas desse mundo”!
Aqui estou a escrever, ouvindo minhas tranqueiras dos anos setenta* em paz.
Tento, mas sem conseguir bem, escrever uma crônica. Mas como já disse, estou sozinho, quem sabe até o fim do dia não rola algo que preste?
Uma dádiva, segunda-feira fria, chuvosa, sozinho e a certeza (essa realmente é certa) de um cafezinho em boa companhia após o almoço...
Hoje essa sala é só minha.





*Leon Russell Blue eyes and a black heart

2014/06/03

POR AMOR E DINHEIRO, POR AMOR AO DINHEIRO

(ou como diria o Vandeco...)




na porta
a falsa loira
sorri
seminua
a morena de chapinha
sorri um sorriso
borrado
outra sorri
sentada nos degraus
as pernas tatuadas à mostra
fumando cigarro
de cravo
sorri
para qualquer um
sorri
e canino dourado
brilha ao sol
sorri e faz
- psiu!!!
- psiu, vem cá!
sussurra ofidiamente
- por dinheiro
fazemos amor
- psiu!
- vem!
é...
como diz o vandeco
do alto deu calva sabedoria:
- puta burra e preguiçosa, se estudasse e lesse um livro seria ao menos uma garota de programa...
e sumindo na distância
o derradeiro:
- ei psiu!!!







2014/05/29

PRO MAGNO E A DATA DE HOJE



(Ah! Esse antitabagismo...)



Hoje a minha tragada
tem um prazer maior
que o normal
não só incomodo
aos que não fumam
como irrito ao papagaios
antitabagista
minha fumaça sobe
azul clarinha
dos caminhões
a fumaça preta
escurece o dia
mas essa a ninguém
incomoda
manda a mídia
seguem as ovelhinhas
balindo
         balindo
                      balindo...
que o matadouro
não lhes seja distante
amém!


2014/05/26

BIZARRO



 - Mamãe meu amiguinho falou que eu sou estranho... Eu sou?
- Não é não Arturzinho, não é não. Agora fique calmo senão suas anteninhas ficam muito agitadas.


2014/05/20

DESENCONTROS



Não bastassem as distâncias
temos as encruzilhadas
as pedras dos caminhos
e por fim os desencontros...