2012/02/29

LOUCURA

vejo as janelas abertas
e uma vontade irrefreável de bater os braços
e voar me inundou
não fosse a camisa de força...

as paredes
as paredes de carvalho
as paredes sólidas
firmes, retas
o teto branco
alto
a luz clara do dia
o sol
e o azul do céu clamam por mim
mas essa camisa de força...

os passos na rua
a buzina dos carros
o barulho das motos
as vozes dessas pessoas à minha volta
sirene dessa ambulância...

as paredes brancas
as cortinas brancas
as moças de branco
os homens de branco
os lençóis brancos
o travesseiro branco
os comprimidos bancos em copinhos
igualmente tão brancos
e baba grossa
– que espuma em minha boca –
é também branca...

8 comentários:

MIRZE disse...

MUITO BOM!

Para quem não é louco, descrever com detalhes o desejo de se desprender da camisa e voar, foi maravilhoso.

Tudo branco!!!!

Paranéns, amigo!

A cada dia uma surpresa

Beijos

Mirze

Nanda Assis disse...

Branco... talvez pq a paz esta na loucura.

bjos...

Ranzinza disse...

Acalento cada dia mais essa certeza.

Ranzinza disse...

Mirse, quem pôs na sua cabeça que eu não sou louco???

Folhetim Cultural disse...

A loucura faz os grandes não perder a essência... o exagero é fundamental e faz parte da loucura dos que tem coragem

;-() disse...

Hoje são os soltos que querem voar para os manicômios e desfrutar da paz do branco.

Silvio Barreto de Almeida Castro disse...

Louco mas não burro, isso que é bonito.

Rafael Batista disse...

E não é que eu sinto a mesma coisa!!!