2011/11/08

TOMANDO CAFÉ, EDMUNDO PENSA



Sobre a mesa uma xícara de café quente. Dela, uma fumaça sobe e espalha o seu aroma. Sentado à mesa, Edmundo, desligado, de olhar vago, mexe e remexe a colher na xícara, o sachê de açúcar está intocado, e sobre o pãozinho torrado na chapa começam a pousar moscas.

Mexe, mexe, mexe e o café começa a esfriar.

O bar esvazia, as pessoas vão-se, umas trabalhar, outras passear, outras, quem sabe?

O café já esfriou. Na parede os ponteiros do relógio vão marcar mais uma hora e Edmundo nem se apercebe disso.

- Ontem a noite aconteceu de novo... - Ele murmura. O garçom se aproxima na esperança de dar-lhe a conta e enfim despachá-lo. Mas que nada!

Ele ignora o garçom e continua a girar a colher na xícara de café. O tempo continua a passar indiferente a Edmundo e a aflição do garçom.

Edmundo baixa a cabeça e olha para a calça.

- Ontem aconteceu outra vez, meu Deus, outra vez...

O garçom não se abala a desencostar-se do balcão, olha para o relógio da parede, confere a hora com o seu relógio de pulso e balança a cabeça ao ver o velho falando sozinho e mexendo a colher na xícara.

- Pobre velho, se eu tiver que ficar assim prefiro morrer. - Fala para si mesmo enquanto procura alguma coisa no bolso da calça.

O som da xícara quebrando-se no chão chama-lhe a atenção e ele corre para a mesa do velho que com olhar estático olha para a calça manchada do café que ainda escorre da mesa.

- Ontem à noite urinei nas calças, hoje me sujo de café... Constrangendo o garçom, ele começa a soluçar...

Um comentário:

MIRZE disse...

É Roberto!

É por aí que começa o "HORROR" que a velhice traz.

Beijos

Mirze