2011/05/10

NOSSO TIPO DE DOR

Dores.

Quantas e tantas, que nos afligem e fustigam e nos arrebentam, aos poucos, aos pedaços, deixando fatias de nós pelos caminhos.

A dor de ser ignorado. De ser tornado invisível, inaudível, e a pior para quem escreve, ser ilegível, indecifrável, indecodificável, ser deixado de lado, para lá, ali, em qualquer lugar, menos em frente aos olhos.

Saber que nossas linhas, páginas, brochuras, livros, ficam enfeitando uma estante, cheia de pó. Que nossos texto na tela do computador é deletado, depositado na lixeira e no fim do dia, excluído de vez.

Tanto para ser dito, e tanto sendo ignorado.

A dor fica cada dia mais dolorida, e mais ainda teimamos em escrever, obstinamos em colocar caractere após caractere numa folha, numa tela, num tomo, opúsculo após opúsculo, dia após dia, teimamos, e teimamos...

Dizem-nos as pessoas que lhe faltam tempo para ler, que não gostam de ler, que não entendem o queremos dizer, e se afundam em diz-que-diz-que das revistas de fofocas, nas telenovelas da vida, que há anos, para não afastar a “audiência”, repisam as mesmas fórmulas de mocinhas apaixonadas por galãs ricos, amores difíceis tornados possíveis no último capítulo (sempre às sextas-feiras com reprises no sábado), uma alquimia barata e burra para consumidores burros e baratos.

Dores.

Todas elas nos afligem por sermos pedantes, arrogantes, soberbos, por nos acharmos “Prometeus hodiernos”, salvadores desses rebanhos de ovelhas idiotas, que teimam, não sei se por estupidez mórbida ou por preguiça de pensar, e que, para nossa vingança, acabarão seus dias sendo sacrificadas no altar de sua própria ignorância. Seguidos de seus descendentes, pois cheguei à triste conclusão que a falta de inteligência tornou-se genética.

Dores.

Tantos e tantos contornos. Mas pensando bem até que a nossa é “menos pior”, afinal temos a nossa capacidade de ver, ler e apreender o que acontece à nossa volta.

Só erraremos por vontade própria (ou praga de mãe)!

2 comentários:

MIRZE disse...

É verdade! Já sofri muito com isso. Afinal gostamos até de críticas. Hoje nem ligo. Uma pessoa que frequentava meu espaço, deixou num comentário, que poesia boa é curta e muito mais coisas. Continuo, mas mudei minha maneira de pensar. Escrevo para mim. Escrevo porque gosto e para não perder o hábito. Adoro seu espaço, tanto que está nos meus favoritos.

Infelizmente há pessoas que nos machucam, são ignorantes.

Precisamos (preciso) de você aqui!

Beijos

Mirze

Ranzinza disse...

... e daqui só saio morto!

Escrevo para mim, se sou lido sorte de quem o faz!- Pense sempre assim, afinal, escrevemos de graça!