2012/02/03

O Meio e o Fim

(necessariamente nessa ordem)


Será que só eu desse lado do universo acho que o trabalho É o MEIO e não o FIM das coisas?
Cada dia mais que passo nesse plano de existência, mais me desespero com os bípedes-mamíferos que cruzam o meu caminho, trabalham comigo, que sou obrigado a dizer “bomdiacomovai?” no elevador.
Esse onívoros com quem sou obrigado a conviver estão me levando à loucura, antes vivia conformado que essas bestas bípedes não tinham mais salvação, mas agora cheguei à conclusão que elas querem que eu perca o (muito) pouco que resta de consciência e desça ao nível de animalidade em que elas chafurdam diuturnamente.
Elas perderam todas as características que as tornavam humanas, se é que por serem bípedes e mamíferas, já foram humanas um dia.
Não me cabe julgar! E tão pouco quero.
A doida com que tenho o (des)prazer de trabalhar é uma solteirona, que nada mais faz na vida além de trabalhar. Nada faz fora do horário de expediente. Não tem amigos, hobbie, passa-tempo, tara, mania, um cachorrinho para esperá-la abanando o rabo...
Vive única e exclusivamente para trabalhar.
Nada mais sabe da vida, que está toda encerrada entre as paredes dessa maldita repartição.
Hoje ela se excedeu, extrapolou, foi além, superou-se a ponto de conseguir tirar-me do sério, não que ela mereça uma medalha por isso, perco a cabeça por pouca coisa, mas por alguma razão, eu tinha por essa criatura, um misto de compreensão/piedade, (fruto de uma formação cristã, hoje de toda abandonada!) aquele sentimento nobre que temos por um animal largado na rua em dia de chuva, sabem como é?
Pois hoje perdi as estribeiras.
Falei o que tinha a falar, nem mais e nem menos. Não “lavei a alma”, mas disse o trazia há tempos no peito e engasgado na garganta.
A barra pesou. Mas serviu para eu ouvir, algum tempo depois um: “Por favor Roberto”- parece pouco, mas é uma vitória.
Logo ela voltará do almoço estressada, e alguma coisa me diz, que tudo voltará à estaca zero.
O que me dá uma certa pena, é que, quando ela morrer, não pararemos de trabalhar para irmos ao seu velório (eu por exemplo, não irei), embora o seu trabalho (de viver entre nós) tenha terminado, a (nossa) vida continuará, e um outro continuará o seu “tão importante” trabalho, que a afastou do mundo.

“Afinal a vida segue e os papeis procriam-se feitos ratos e baratas”.

Sempre tive para mim que o trabalho é o meio, e viver bem essa vidinha (às vezes de merda), o fim.
Posso estar errado, mas, e daí?


Um comentário:

MIRZE disse...

Roberto!

Cada um, com seu cada qual. A visão que ela tem da vida deve ser a única coisa que sobrou.

O seu desabafo, com certeza a ajudou.

MUITO BOM!

Beijos

Mitze