2011/05/24

O CRIME MISTERIOSO DO BANDIDO CRITERIOSO


Personagens:

Legina Herena – Pobre infeliz desde seu nascimento, por causa do pai que tinha língua presa acabou registrada com o L trocado pelo L. Mulher insatisfeita que procura na rua o que não encontra em casa, e não encontra porque não tem.

Régio Campos D’Orvalho – Punguista que nas horas vagas lava carro nas ruas faz malabares nas esquinas e carnavalesco de fevereiro a fevereiro. Vale menos que aparenta.

Dr. Epiphanio Luzico – Delegado de policia, pai exemplar, marido exemplar, amante exemplar, colecionador de selos, moedas, orelhas e armas medievais.

Eriberto da Costa – Investigador e menino de recados do delegado Dr. Epiphanio Luzico.

CAPÍTULO 1



(música de suspense)

(Sons de passos, cadeira sendo arrastada)

(BG música árabe)





Dr. Epiphanio Luzico - Eriberto da Costa veja isso sobre a minha mesa, olhe com muita atenção, pense duas, três vezes antes de pronunciar alguma palavra de que possa vir a se arrepender.

(tosse e pigarro)

Eriberto da Costa – Dr. Epiphanio, isso, olhando assim tanto de lado como de cima e por baixo, me parece à primeira vista uma pirâmide do Egito antigo...

(soco na mesa)

Dr. Epiphanio Luzico – (nervoso) Eu lhe pedi para pensar antes de falar, eu lhe pedi somente isso. Estúpido, não por sua mãe, eu o poria na rua agora mesmo. Imbecil. Primeiro isso em suas mãos é uma “ré-pli-ca” de uma pirâmide, segundo é do Egito moderno e odiosamente mercantilista. Maldito capital, maldito Karl Marx & Engels! (bate outra vez como os punhos na mesa) (som de objetos caindo no chão). Eriberto, essa réplica foi encontrada junto ao corpo, essa é a quinta pirâmide que encontramos em uma cena de crime. Vamos acenda-me um cigarro.

(som de passos afastando-se)

Eriberto da Costa – Aqui está Doutor Epiphanio, da marca que o senhor gosta.
Dr. Epiphanio Luzico – Não se faça de rogado Eriberto, trate de começar a tragar, estou agoniado de vontade de fumar, só com muita fumaça começo a clarear as minhas idéias.

(sons de tragadas)

Dr. Epiphanio Luzico – Deixe-me ver as fotos. Sim, sim, sim aqui estão elas. Veja Eriberto, veja a posição dos corpos, veja aqui, aqui, uma pirâmide na testa de cada morto...

Eriberto da Costa – O que isso quer dizer doutor? Isso significa alguma coisa?

(Dr. Epiphanio bate com os punhos na mesa com mais força, mais objetos caem ao chão)


Dr. Epiphanio Luzico – Eriberto, se essas fotos bastassem para se desvendar um crime, para que existira policia? Mais uma pergunta e você vai para rua agora. Vamos, traga-me um conhaque, agora.

(som de líquido sendo derramado no copo)


Dr. Epiphanio Luzico – Vamos Eriberto, tome de um gole só, só assim meu cérebro funciona.

(toca o telefone)

Eriberto da Costa – Quem será doutor?

(outro soco na mesa)

Dr. Epiphanio Luzico – Eriberto!

(som de algo sendo jogado)

Eriberto da Costa – (grito doloroso) Por que doutor, por que o senhor me trata mal assim?

(o telefone continua tocando)

Dr. Epiphanio Luzico – Entenda de uma vez por toda! Quando o telefone toca você deve atendê-lo e nunca, entenda bem, nunca me pergunte que é!

(o telefone continua tocando)

Eriberto da Costa – Doutor é a sua senhora, ela quer saber se o senhor vai jantar em casa hoje.

Dr. Epiphanio Luzico – Que dia é hoje Eriberto?

Eriberto da Costa – Quarta-feira, dia sete, novembro, quarto dia de lua cheia, maré alta as vinte e três e cinqüenta e cinco minutos, netuno entra em Vênus em setenta e sete minutos, deu vaca na cabeça hoje...

Dr. Epiphanio Luzico – Então diga-lhe que não, não jantarei em casa hoje.

Eriberto da Costa - (som de telefone sendo desligado) e então doutor? De volta às pirâmides?

Dr. Epiphanio Luzico – Sim meu caro Eriberto, de volta às pirâmides e seus mistérios... Eriberto desça à rua, vá até a praia buscar-me um balde de areia, quem sabe banhando meus pés nela eu consiga desenvolver alguma idéia que se encaixe nesse mistério.Eriberto da Silva – Sim doutor, vou agora mesmo.

Dr. Epiphanio Luzico – Eriberto, faça-me outro favor, compre uns chicletes de hortelã não quero chegar em casa com mau-hálito! Ah! Minha Santa Agatha Christie, esqueci de mandar o Eriberto marcar a tatuagem de sereia que eu queria fazer nas costas! E Márcio, o marciano? Terá chegado são e salvo em seu rubro planeta?


(som de porta batendo)

(Música de suspense)



FIM DO CAPÍTULO I

Continua aqui




3 comentários:

Babi Doux' disse...

Vai gravar essa novela?? To afim de participarrrr!! uhssuh

Mirze disse...

Tudo lembra realmente o inicial nervosismo ao se desvendar um crime, mesmo já tendo experiência. Inclusive os nomes "Eriberto e Epiphanio.

As pirâmides do Egito, aqui já se anunciam. Bom enredo o que me deixar presa até o final.


òtimo!

Beijos

Mirze

Ranzinza disse...

Não deixe de seguir os capítulos pares no Agamenon.