2011/05/04

Conversas, conversas, conversas...

Duas pessoas conversam.

O local não é lá muito iluminado, as poucas luzes que piscam e brilham pouco ajudam, e os dois trocam impressões meio encabulados e apreensivos com o estranho zumbido que vem de trás das paredes.

O mais inconformado começa a falar, enquanto anda de lado um para o outro


- Veja só. Mais essa no meu currículo. Quando digo que essas coisas me acontecem, ninguém acredita, e ainda dizem que sou exagerado.



- É verdade. Quando você dizia que tudo te acontecia e só faltava ser..., como é mesmo a palavra?

- Abduzido!

- Sim, abduzido. Bom, mas vamos deixar isso pra lá. O que foi mesmo que te aconteceu? Quero os detalhes sórdidos, me conte sem entrelinhas, que ainda estou meio tonto.

- Tá certo. Pela cara vamos ter muito tempo mesmo para isso. Vamos lá. Lembra da Silvinha?

- Ô se lembro. Vinte e três aninhos... Princesinha...

- Pois é. Eu estava de cacho com ela.

- Como? Quando? Com ela???

- Vai me deixar falar ou não?! Assim eu paro de contar. Então, como eu dizia, estava saindo com ela, escrevendo umas bobagens, curtindo uma paixonite daquelas. Tudo no maior sigilo, segredo de estado, coisa de não falar nem em confessionário. Tudo via e-mail, smn e essas bobagens modernas. Na maior inocência. Achando que ninguém iria descobrir. Escrevia coisas melosas, poesias, contava as desgraças da minha vida. Não podia ficar uma noite sem escrever para ela. Planejávamos encontros. Tudo ia às mil maravilhas... Não mudei meus hábitos. E mantinha a linha, vivia na maior calma. Levando a vida na flauta. Não reclamava de nada em casa.. Nem o cachorro percebeu nada, e olha que o Toby é esperto!

- Até...

- Até que a Carla descobriu tudo! TUDO, tudinho.

- Então, como ela descobriu? Telefonema anônimo? Carta anônima? Vizinha te flagrou? A mãe dela ligou? O cunhado...

- Que nada! Entrou no meu e-mail. No meu e-mail.

- E então o que foi que ela fez? No mínimo começou a chorar...

- Chorar? Não! Gritou! Me ameaçou, pegou uma faca e começou a correr atrás de mim.

- E você, o que fez?

- Corri para a rua do jeito que estava. Com um pé calçado e o outro não. Sem camisa, com a calça semi-aberta. Tropeçando, corria e tentava fechar o zíper da calça. Foi quando te encontrei e...

- E fomos abduzidos?

- Isso mesmo. Era só o que me faltava acontecer. E depois dizem que sou exagerado. Agora você é minha testemunha.

O outro levanta os ombros e olha em volta, dando a entender que a sua opinião agora já não adiantava mais nada.

O nervoso puxando o outro pela manga da camisa, leva-o até a janela do disco voador e aponta.

- Olha a Terra, ela é azul mesmo...

- E ficando cada vez mais longe...

O dois balançam a cabeça conformados, enquanto a nave segue pelo espaço, deixando a Terra e seus problemas para trás. Não fosse o vácuo do espaço sideral, ouviríamos os latidos de Toby...

2 comentários:

Babi Doux' disse...

Oláaa! Jah na batalha novamente??? rsrsrsrsrs

Ranzinza disse...

Nem me fale...