2011/03/23

SOBRE A PAZ E OUTRAS REFLEXÕES

Cheguei cedo à repartição, adiantei meu trabalho e desci para fumar. Tudo certo para vocês? Responderam sim? Pois se enganaram.

Explico.

Na rua, céu limpo, sol que não ameaça com calor, os garis ainda limpando as calçadas e eu sob uma árvore acendo o cigarro. Curtia a delícia da primeira tragada quando uma mulher em “situação de rua” (houve um tempo em que se poderia dizer mendiga sem estar sendo politicamente incorreto) me pede um cigarro...

Respondi-lhe, fazendo contato visual¹, que só tinha aquele que estava fumando, pois não é que ela retrucou perguntando sobre o maço que eu carregava no bolso?

Francamente, um homem não pode mais fumar em paz sem ter que dar satisfação para os “homeless”, os desprovidos, os sem-alguma-coisa? Não bastam as placas que me proíbem de fumar em uma quantidade cada vez maior de lugares?

Diante de minha negativa ele olhou-me de forma belicosa, agressiva, e pensei:

- Lá se foi a alegria da primeira tragada...

Não dá, assim não dá...

Aqui me condenam por fumar, lá fora me condenam por não compartilhar meu cigarro, ô vidinha...

Daí para a pressão alta, infarto ou impotência, é passo²!

***

Hoje, por indicação do Silvio, eu iria escrever somente sobre a “geração coruja”, mas acabei divagando com meu cigarro.

Mas vou explicar-lhes sobre essa tal geração.
No domingo fui a uma festa de aniversário, onde me colocaram uma máquina fotográfica na mão para fotografar as crianças³.

Vocês já perceberam como as mulheres, de qualquer idade, conseguem ficar de costas e com o queixo totalmente reto sobre os bumbuns4? No futuro, sei lá uns duzentos anos, quando nossas tataravós virem essas fotos, vão pensar que essa era uma geração vítima de radiação, experiências genéticas malsucedidas, ou como diz meu cunhado, envenenadas por excesso de hormônio da carne do gado.

Impressionante como elas conseguem essa posição...

Os ortopedistas é que faturarão alto logo, logo, pois além das lordoses ainda terão que desentortar pescoços...

E pensar que quando jovem meu pai dizia que eu cresceria surdo por causa dos rocks que eu ouvia alto...

Mas, cada geração com suas mutilações!

Que sejam felizes com suas dores.




¹-Olhos nos olhos!
2-Tenho que parar de conversar tanto com o Rodrigo
3-Pergunto ao Criador o que teria Lhe feito para tal castigo, mas Ele é imperscrutável...
4-Seus pescoços fazem um giro de 360º, seria impressionante não fosse assustador!

5 comentários:

Silvio Barreto de Almeida Castro disse...

A geração coruja namora com os "mano" de boné e corrente de prata no pescoço, bizarro demais. Entretanto, nossa geração que ouvia rock não pode se queixar do neo-colonialismo cultural do funk das popozudas, visto que também fomos corrompidos culturalmente pelos ianques...

Tudo bem que o rock ao menos tinha melodia, mas explicar para as corujas seria de extrema dificuldade, embotadas que estão com os pancadões.

Ranzinza disse...

Ra-tá-tá-tá-tá!!!!!

Silvio Barreto de Almeida Castro disse...

Ra-tá-tá-tá-tá no churrasquinho de gato das lajes. Longa vida aos "alemão"!!!!!!!!!!!!

Bárbara* disse...

Adorei a seu adjetivo : " Uma mulher em situação de rua" hahahaha

MIRZE disse...

MUITO BOM, Roberto!

Ai de quem fumar na rua aqui no Rio. Vem: os pedintes, as velhinhas, os ex-fumantes com inveja, é IMPOSSÍVEL!

Corrija RELFEXÕES.

Beijos

Mirze