2010/12/28

“STAPLAFT”

OU COMO DUROU POUCO A MINHA CARREIRA DE LIDER MILITAR





Não vou me demorar no relato de minha triste história.
Ela começou assim numa quinta-feira de céu azul claro que mais parecia uma pintura, um dia tão lindo que só serve para aumentar ainda mais a ironia de tudo isso.

Estávamos em guerra e os inimigos se aproximavam de nossa cidade. Todas as pessoas importantes estavam reunidas na sala principal da prefeitura onde eu pedira a palavra. E ai começa a minha desdita...

- Isso não pode continuar assim, as hordas inimigas já estão nas nossas barbas – gritei e bati com mão espalmada no tampo da mesa.
Esperava que o som fosse algo parecido com um trovão, que derrubasse os copos e as canetas, mas o som que produzi saiu mais parecido com um “staplaft”. Um som parecido com alguma coisa chata, plana, fina e inexpressiva caindo n’água. Um efeito bem pouco másculo, sem dúvida!

Ao redor da mesa as pessoas me olharam mais com piedade do que com medo ou respeito. "Comecei mal, comecei bem mal." - pensei com meus botões. Mas à essa hora já havia perdido o fio da meada e seja lá qual fosse a crise, com aquela batida de mão na mesa eu já tinha demonstrado ser incapaz de resolve-la.

Ninguém seguiria a liderança de um homem que bate na mesa e faz “staplaft”, ninguém em sã consciência me seguiria... Que tipo de líder faz “staplaft” numa hora de crise? Só eu! Esse líder de quinta categoria.

Por parcos segundos pensei ser Gêngis Kan, Aníbal, César, Napoleão, um general, um líder de homens, mas o “staplaft” acabou com a minha vida, minha liderança virou fumaça e fiquei ali, feito um fantasma, deixado de existir.

Por mim, a crise poderia ter aumentado tanto naquela hora que o mundo poderia ter se acabado, os inimigos poderiam ter nos invadido, matados a todos e a terra ter me engolido.

Mas nada disso aconteceu. O céu continuou ali, azul, e as pessoas em volta da mesa me olhando. Sai de lá humilhado e olhando para minha mão, me perguntava como uma mão máscula, grande, de longos dedos, com um grosso anel de ouro, poderia ter produzido tal “staplaft”?

Uma vez na rua amaldiçoando minha mão, o céu, meu país, a guerra e os miseráveis na sala, que talvez agora estivessem rindo de mim, decidi:
- Nunca mais me meto a ser o salvador da pátria, ser aquele que sabe, ser aquele que dá o primeiro passo. Não, nunca mais!

Agora só espero o fim dessa guerra, a vitória dos inimigos e o fuzilamento de todos os que estavam naquela sala comigo, pois só assim terei coragem para sair à rua outra vez.

Acompanho dia-a-dia, os noticiários do avanço do exército inimigo, em poucos dias, pelos meus cálculos, eles entrarão na cidade. Já estou tomando as devidas providências para recebê-los.

A primeira será um belo discurso de rendição ao exército vitorioso e libertador, e a segunda, a mais complicada por hora, é arrumar uma mesa que não faça “staplaft” quando eu bater com a mão no tampo dela!

Agora é tudo uma questão de tempo, tudo uma questão de tempo...

6 comentários:

Nanda Assis disse...

.
Felizzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz
__000000____0000000________0000______0000
_00000000__000000000______00000_____00000
_00____00__00_____00_____00__00____00__00
______00___00_____00____00___00___00___00
_____00____00_____00_________00________00
____00_____00_____00_________00________00
___00______00_____00_________00________00
_00000000__000000000_________00________00
0000000000__0000000__________00________00
____________________0|0__________________
____________________0|0__________________
____________________0|0__________________
_______000_______________________000_____
________00_______________________00______
_________00_____________________00_______
__________00___________________00________
____________00_______________00__________
______________000000000000000____________
________________00000000000______________

Ranzinza disse...

Obrigado Nanda, vamos torcer para ser assim mesmo!

MIRZE disse...

Roberto!

Como sempre ótimo texto. Sugiro que da próxima vez. leve uma arma e dê um tiro para cima. Não vai ter erro.

Beijos

Mirze

Daniella Menezes disse...

Nossa... Amei esse texto

Daniella Menezes disse...

Nossa... Amei esse texto

Patricia Egea disse...

Estilo único mesclado de sagacidade e humor. Envolve aquele que lê de tal forma que o faz procurar os outros textos .
Somos surpreendidos por uma trama criativa e um desenrolar inusitado .