2012/07/11
AMANTES
Naquele beco escuro
Um lugar comum
Amantes ordinários
Encontravam-se furtivamente
Para trocarem, como celerados,
Beijos roubados
MARGARIDA
Pétala a pétala
Uma a uma
Uma sim
Uma não
Pétala a pétala
Uma a uma
Sim
Não
Descobriu-se
Não amada
E o chão
Manchado de
Amarelo e lágrimas
FIM DE JOGO
- Vamos por as cartas na mesa!
Ele jogou quatro azes e um curinga
Ela, as cartas do Adolfo, seu amante.
2012/07/06
SONHOS NEM SEMPRE SONHOS SÃO
Alimentando-se de sonhos
Um dia engasgou-se com um pesadelo
E morreu engasgada
Um dia engasgou-se com um pesadelo
E morreu engasgada
PENSAMENTOS
Pensar no mar é lindo
Se está no deserto
Pensar na terra é maravilhoso
Quando estamos a nos afogar
Menu é literatura na Etiópia
E besteira quando a barriga está cheia
Assim somos...
Mas isso não quer dizer que me conformo, não, não, não
Pobre do Compañero Castro
(diz ai Silvio!)
FIM DE NOITE
Cigarro na bituca
Os copos largados sobe a mesa
Os pratos sujos, que logo o garçom vem buscar
A lua feito besta no céu
Positivamente a noite está no fim
Mas ainda tem conversa
Ainda tem casos
Causos
E tantas historias e mentiras prá se contar
(Né mesmo Vadinho?)
Só nos resta uma solução
- Garçom, tudo de novo outra vez!
As garrafas chegam
Os copos se enchem
O céu vai ficando vermelho
Logo trocaremos as últimas cervejas
Pelo primeiro café...
2012/07/05
DESPEDIDA
Não vejam aqui nesse caixão o morto que estou
Mas o vivo que fui um dia
Não chorem sobre o corpo
Mas riam como riamos em volta dos copos
Não pensem
- Ele se foi!
Mas assim:
- Nos aguarde, vamos logo!
ESTRANHAMENTO
Ao entrar na casa me surpreendi em reconhecê-la por completo, mas havia um elemento dissonante lá, aquele quadro ali na parede, aquelas pessoas não eram da minha família, e juro, o patriarca na foto olhava para mim com olhos graves e reprovadores. Mas a mobília e tudo mais me eram tão familiares...
Então tocou a campainha!
2012/07/04
DUREZA
Ao cair duro e morto
Deixou em casa a família
Dura, faminta e endividada
Ninguém chora por ele
Mas choram diariamente
Para o gerente do banco
2012/07/03
CARINHO
Aliso tua coxa
Ela é lisa como uma seda
Se de cima para baixo
Mas de baixo para cima
- Que peixe és!
Só escama...
Ela é lisa como uma seda
Se de cima para baixo
Mas de baixo para cima
- Que peixe és!
Só escama...
2012/06/29
2012/06/27
SONHOS DESFEITOS
Feriu a corda
E alcançou um dó
Cantou o primeiro verso
E conseguiu uma vaia
Ali acabou seu sonho...
Acordou para vida batendo carimbo numa repartição!
CORDA
Na corda o corpo balançava
(tic-tac tic-tac)
Lembrando-nos como a vida pode ser breve
(quando queremos)
PENÉLOPE
Tricota e desfaz, tricota e desfaz, tricota e desfaz
- Essa criança não para de engordar!
Tricota e desfaz...
- Essa criança não para de engordar!
Tricota e desfaz...
FÉ(ZES)!
O brâmane fiel
Faz suas orações e atira-se ao Ganges
Já aqui, depois de tanto orar
Só resta pular no Tiete
2012/06/26
DECISÃO
Peguei a tesoura e pensei em cortar
Todas as cartas que havia te escrito
Mas pesei bem o que iria fazer
Afinal eram tantas as cartas
Que achei mais fácil
Com a tesoura
Trespassar teu coração
TESTEMUNHA
Eu vi com esses olhos que a terra há de comer!
- de mãos dadas eles se afastaram de costas para mim
Para onde?
Pouco me importa essa era cena final e eu tinha pressa em sair do cinema
2012/06/25
O ÚLTIMO ADEUS
(ou como pensam os ratos)
Visionário como um rato de bordo
Que vê o mar encrespar
O horizonte escurecer
O céu tomar cor de chumbo
Ao perceber que o balanço do mar está mais forte
Que carga já saiu do lugar mais vezes que o normal.
Preso a um pedaço de pau
Salto no mar, e
De longe vejo o navio afundar.
E equilibrado em tão frágil prancha
Penso:
-Vão-se os anéis e ficam os dedos.
Visionário como um rato de bordo
Que vê o mar encrespar
O horizonte escurecer
O céu tomar cor de chumbo
Ao perceber que o balanço do mar está mais forte
Que carga já saiu do lugar mais vezes que o normal.
Preso a um pedaço de pau
Salto no mar, e
De longe vejo o navio afundar.
E equilibrado em tão frágil prancha
Penso:
-Vão-se os anéis e ficam os dedos.
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