2011/12/01

DO BALANÇO DE FIM DE ANO E DAS MALDITAS LISTAS DE NATAL


Desde a zero hora de ontem estamos em dezembro - só de escrever esta palavra me dá um calafrio na espinha – mês do décimo terceiro salário e das compras de Natal.
Junto ao cartão de crédito tenho uma listinha com nomes de parentes e amigos que serão contemplados com presentes & lembrancinhas.
Isso para um, isso para outro, aquilo para fulano, aquela coisinha para fulana. Cada vitrine uma lembrança, e com sorte, um nome riscado na curta –sim, cada vez mais curta – lista.
Não me preocupo em comprar “o melhor” presente, não, não me amofino mais com isso. Presenteio o felizardo – Ó Criatura abençoada pelo bom Deus por fazer parte desta lista! – com o que eu acho que lhe seria bom, ou com o completaria diante de meus olhos. Ou seja, eu o torno melhor segundo meus padrões de bom gosto.
Bons tempos em que eu presenteava meus amigos mais diletos (sim certamente uma meia dúzia de felizardos) com uísques de primeira linha ou garrafas de vinho importado – lembra daquele certo vinho francês amigo Vadinho? – mas agora diante dessa crise financeira que vivemos fica cada dia mais difícil agraciar alguém com algum produto de boa cepa...
Hoje me limito a canetas-tinteiros, livros – quantas vezes vi a expressão de espanto do presenteado diante da brochura, perguntando-se o que fazer com isso? – e bugigangas outras que enchem os olhos e ocupam espaço nas estantes.
Como dizem por aí: - O que vale é a intenção! Ou: de boa vontade e boas intenções é pavimentado o chão do inferno! – completo com uma certa dose de cinismo e amargura.
Mas quem sabe o que passa em meu coração quando faço isso?

- Nem Sombra sabe! – responderia Vadinho, O Memorioso.

Enquanto digito cá essas linhas, puxo de meu bolso a supracitada lista de “presenteáveis” e começo a riscar nomes.
Quem me conhece e me lê, já sabe o que penso do Natal, da boa-vontade dessa época – aliás, boa-vontade só se for de matar os cunhados e outras criaturas peçonhentas do mesmo jaez; do jantar em família – aqueles parentes que só nos visitam para filar bóia, falar mal dos ausentes; das crianças correndo pela casa – e nenhuma delas é minha!
Ah! Talvez me faça falta a visita dos fantasmas do Velho Dickens...
Já pedi minhas férias para fugir da repartição durantes as festas, assim escapo do ultrajante amigo secreto, dos abraços da chefia, do indefectível panetone com frutas secas, das cidras que nos entregam à guisa de champanhe, dos “feliznatalprósperoanovo” mais raso que uma lâmina de barbear e mais falso que nota de três reais.
Continuando a riscar nomes, vejo que sobraram os mesmo de todos os últimos anos, mau sinal, não arrumei amigos novos e nem fui capaz de me livrar dos antigos...
Termino por aqui minhas lamúrias olhando para essa maldita listinha, que me serve de balanço do ano que termina chegando à seguinte conclusão:

- Só estou ficando mais velho mesmo...

4 comentários:

Bárbara disse...

Já tinha lido esse!
Alias foi um dos primeiros que li do meu caro Roberto Ranzinza!
O que eu posso te dizer?
Vamos lá para um próximo Natal!

:P

Como sempre demais!

Gaby Anny disse...

é... bem que podia ser " o que vale é a intenção"... E vamos para mais um Natal!

Ranzinza disse...

Lutarei bravamente e espero sobreviver a mais esse.

Aldaneire disse...

E lá vamos nós!