2011/10/31

PROFETA


- Sobre destruição? Ora, ela é a única saída, a verdadeira saída, a honrosa saída. Explicar? Ok vamos lá. De que adianta reformar, disfarçar a fachada, trocar a cor das tintas, mudarem os móveis de lugar? De que adianta fazer parecer que é, se não dá mais para enganar, disfarçar, mentir. Fazer que é, não fazer “para inglês ver”, fazer de conta que é... Mas sabemos que não é mais possível isso. Não, não é! Devemos então, destruir, arrasar, por abaixo, transformar em pó e depois varrer para longe, eu disse para longe, não para debaixo do tapete ou atrás da porta. Destruição, caos, bomba atômica/hidrogênio, fim. Fim, esse é o verdadeiro começo, o primeiro parágrafo, sem dois dedos. Temos que transformar tudo isso em terra arrasada, um monte de entulho, monturo de nada útil, para só depois, realmente começarmos a começar. Começar do zero absoluto, do nada, sem parâmetro outro que não aquilo que pusemos abaixo. Tudo novo, não de novo ou outra vez: do zero, com gente nova, com mentalidade nova, com vontade nova e útil, honesta e clara. Matarmos todos os velhos: velhos de idéias, velhos de manias, velhos de caráter, os velhos corruptos, os velhos malversadores do bem público. Acabar com tudo e todos para que sirva de lição para que, se não educar, assustar, se não for para respeitar ao menos para temer, temer muito. Destruição é o começo. Do pó ao pó. Aos homens o que é do homem, fim. Somente no fim, no fim mesmo, encontraremos o começo. Do ponto final ao travessão, parágrafo! Do Big Bum final ao Big Bang inicial! Que os mortos descansem de acordo com seus crimes, que o inferno se encha de pecadores e o céu aproveite e encere o chão para os novos-puros, se novos puros surgirem no novo começo. Sejamos implacáveis com o crime, penalizemos o culpado, premiemos os justos, não o contrário. Viva o fim! Bem-vindo seja o fim, te aguardo de braços abertos e mãos armadas, bendito seja aquele que apertar o botão vermelho do apocalipse. Toda honra e toda glória aos arautos do fim, o fim redentor, o fim de tudo que abrirá as portas do “segundo tempo” dessa existência estéril e fútil nesse vale de lágrimas. Bem alimentado estejam os cavalos dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse! Que sob seus cascos tudo sucumba! Quero ser o último a partir, mesmo que doa a dor mil, um milhão, um bilhão de dores, quero ser o último a partir, pois quero ouvir os ais e os ranger de dentes, quero molhar meus pés nas lágrimas amargas de arrependimento dos injustos, dos impuros, dos ladrões, dos vendilhões, dos corruptos, dos desonestos, dos que matam, dos que mandam matar, dos que morrem por pouco, dos que mentem para ter, dos que mentem para manter, quero ser o último a ir, pois quero subir na fumaça das últimas cidades, dos últimos impérios, e quero lá do alto ver as pilhas de ossos dos barões, dos falsos nobres, dos reis, dos presidentes, dos poderosos e seus lacaios, quero ver suas viúvas chorando pela perda de seus filhos, de seus bens, de suas jóias, de sua beleza, quero então ver a terra arrasada, calcinada, destruída, reduzida às suas devidas proporções e então, só então – ah! - nesse momento, sermos todos iguais. Iguais nas perdas e na agonia, sufocados no pó, no último e derradeiro fim. Deus dê-me somente uma graça: a graça suprema de rir por último. Isso é tudo o que te peço.

- Garçom, mais uma cerveja antes que comece o fim.

Amém!

5 comentários:

MIRZE disse...

ÓTIMO!

Eu quero esse APOCALIPSE. NOW!

E com aviso prévio então, dá tempo de purificar todo mundo.

Excelente

Beijos

Mirze

Ranzinza disse...

O mundo não vale uma tulipa de chope de preocupação!

Fabiana disse...

Apesar dos "bois" não terem nome, tudo me parece muito familiar...ou será que preciso purificar minha mente???
De qualquer forma, o que tem de sólido tem de bom!!!

Anônimo disse...

Fico aqui sentadinha esperando o fim...
Seja ele qual for

Bárbara

Ranzinza disse...

Beba querida sobrinha, beba e purifique esse massa cinzenta ai dentro dessa caveira!