2011/01/20

A PESCA

Enrolava a linha em volta da garrafa, molhada e já cheirando a mar, pescava com linhada, que dava mais prazer que vara e carretilha.

Rodou sobre a cabeça a chumbada, deu uma, duas, três voltas no ar e lançou-a ao mar.

Esperou uns minutos, nada dos peixes beliscarem a isca. Tornou a puxar a linhada, enrolar na garrafa e lança de novo n’água.

Assim passou toda a tarde.

Não tinha pressa nenhuma de voltar para casa. Olhou em volta procurando o cachorro, e o viu correndo atrás de gaivotas, latindo feliz da vida, indo e vindo atrás das aves. Só se ouvia o barulho das ondas e o latido do cão. Isso era bom, e sorria pensando no alvoroço que deveria estar em sua casa a essa hora. Gente falando alto, crianças correndo, os velhos gritando para se fazerem ouvir.

Suspirou e jogou a chumbada de volta à água, a linha corria e espalhava água salgada para os lados, nesse momento tocou o celular, viu que era a mulher procurando por ele.

Pensou se deveria atender ou não.

Não atendeu.

- Parou de tocar, - vai ver a mulher cansara de esperar que ele atendesse.

Recolheu a linha mais uma vez, nada de peixe, só água salgada e algumas algas. O cachorro continuava a correr atrás das infelizes gaivotas, estava molhado e sujo de lama, teria que tomar banho quando voltasse para casa.
Sorriu outra vez vendo a imensa alegria do cão. Novamente o celular tocou, sem pensar, quase como um reflexo, jogou o parelho no mar, em segundo depois arrependeu-se, teria que comprar outro agora.

- Mas que diabo a mulher tinha que ligar tanto?

Recolheu a linha, estava mais desanimado ainda com a pescaria. Não estava lá só para pescar, queria mesmo era ficar sozinho com seus pensamentos, os peixes seriam um bônus, mas essa chamada insistente da mulher...

Colocou o camarão no anzol, girou a chumbada sobre a cabeça e arremessou o mais longe possível, e esperou. Para seu espanto a linha deu um tranco, e ele imediatamente começou puxá-la.
Puxou, puxou e por fim na ponta da linha aparece um peixão, o cachorro parou a sua tola correria e veio ver o que o dono tinha conseguido, sentou-se ao seu lado abanando o rabo, quando o dono coçou-lhe a cabeça e as orelhas.

O sol começa a se pôr, o dono pergunta ao cachorro se deve continuar tentando mais um peixe antes de voltar para casa, em resposta o cachorro sai correndo para se divertir com as gaivotas.

O velho sorrindo começa a enrolar a linha em volta da garrafa...

Um comentário:

Silvio Barreto de Almeida Castro disse...

Foi só o encosto desencanar um pouquinho que o dia foi produtivo.