2010/11/11

ALMOÇO


Feliz é o Vadinho, pois com ele nada disso acontece!


Estava indo almoçar quando, de frente aos Correios um mendigo (qual é palavra politicamente correta para isso?) quase me abordou para me vender umas jujubas, diante de meu espanto, sim espanto, pois andava mergulhado em preocupações e elucubrações outras que comprar guloseimas. Com tal sobressalto ele se afastou e começou a gritar - sua boca possuía somente dois dentes -, que estava feliz, não, muito feliz, transbordante de felicidade, que estava até melhor que eu, pois trazia ele Jesus no coração.

- Mais para assombrar minha alma já tão atormentada...

Seus gritos de insana alegria foram ficando para trás á medida que seguia o meu caminho em direção ao restaurante onde eu deveria comer minhas folhas verdes em detrimento das adoradas massas e as deliciosas sobremesas – maldita diabetes.

Mas foi andar uma ou duas ruas e uma mocinha (ruiva, olhos negros e sardas) muito simpática me pára para fazer uma pesquisa “ultra-rápida senhor”, respondi de má-vontade, não deixei meu celular, pois como lhe disse; - “Não vou comprar nada” - segui sem ouvir-lhe qualquer outra explicação.

Já via meu restaurante e suas alfaces quando uma mão me segura o braço, fazendo quase cair meu cigarro (velho companheiro de desditas), e ouço a voz histérica que me diz:

- Pare de fumar! Eu consegui, faça o mesmo, esforce-se e largue do cigarro enquanto ainda é tempo. Siga meu exemplo, para de fumar!

Olhei para o sujeito de alto a baixo, era um fulano que trabalhava no mesmo lugar que eu, um sujeito a quem me limitava a dar um bom ou um até amanhã quando o encontrava no corredor do prédio. Nunca havia trocado outra palavra sequer com ele, nunca havia lhe dado qualquer liberdade, como ele poderia vir falar assim comigo?

Pelo meu olhar ele deve ter desconfiado do meu desagrado, largando meu braço pediu para que eu pensasse no assunto com carinho e seguiu seu caminho, talvez frustrado, pois não lhe dei nenhuma esperança de vir a pensar nisso.

- A salada de hoje vai me cair amarga! – matutei com meus botões.

Antes de atravessar a praça e entrar para comer vi um pastor evangélico começar a pregar seus apocalipses e antes que ele olhasse para mim, apertei o passo para o restaurante.

E pensar que ontem choveu tanto...

4 comentários:

Silvio Barreto de Almeida Castro disse...

Quer um conselho?

Traga um marmitex, esquente antes que elas cheguem falando histérica e desequilibradamente na cozinha e coma no banheiro dos deficientes.

Ranzinza disse...

Procede...

Anônimo disse...

talvez aconteça, mas o pobre não dispões de tanto tempo quanto o senhor para escrever. Afinal ele é um laborioso funcionário público

Ranzinza disse...

"Laborioso"?