2014/08/21

MINHA LABUTA



luto diariamente com as palavras
ao fim do dia tenho
letras mortas
papeis amassados
e uma ressacada dos infernos...



2014/08/20

ASSIM É



 na praça
um pombo, no muro
o gato



RASA REFLEXÃO





na rua logo cedo
saindo com o carro
um “nóia” na minha frente
fazendo uma ciranda
com saco de lixo
mostrando os dentes alternados
gritando e rindo
(hihihihihihi)
Olha para mim
Fazendo caretas símias
isso me levou a pensar com meus botões:
- só mesmo bala de borracha & gás lacrimogêneo...
e após uma rasa e curta reflexão
vejo que tem razão o Bicho-Papão*
sou mesmo um reacionário
do caráio...













*Comandante Castro!












2014/08/08

SEXTA-FEIRA ÚMIDA




lá fora chove
(fino)
a água enche os buracos
da rua
aqui as conversas
me aborrecem
e fazem o meu dia
arrastar correntes


2014/08/07

INVERNO DE AGORA



esse inverno...
o sol arde no céu
queima terra
a preguiça me envolve
me tira até a vontade de



2014/07/30

AH OS MANSOS!



Cuidado com os mansos
Eles não latem nem rosnam
Mas babam e mordem

Eles te olham de soslaio
Sorriem docemente
Mas o fel lhes corre nas veias

Eles riem com você
E riem de você
Cuidado com as ruas escuras

Olhe para os dois lados
(sempre)
Os mansos são perigosos
Eles sempre traem
Sempre


2014/07/25

LÁ ATRÁS...



 dos verdes anos
de minha juventude
                      nada sobrou
- pastei-o todo


2014/07/24

NÃO “SUA” MAIS




que “dó” vadinho
suassuna não mais
não mais, não mais
segure as lágrimas
(mais amargas que as da Petra von Kant)
bom amigo vadinho
não mais sanfoneiros
não mais catraias e balsas
não mais itapema
nem mamolengos
(e a rotunda? aquela rotunda? que fim ela levou?)
nem mais dona celeste
não mais constrangimentos
não mais vontade de morrer
(de tanta vergonha, meu deus!)
não mais varella
(corrija os “eles”)
uma pena, uma pena
e por causa disso
(uma lástima!)
não mais também o joão ciclista “o glorioso”
e resumindo bom amigo
“a pena...
o vento levou
e a lei
ora a lei!”
não se bebe mais
não se sua mais
acho que enfim
chegou  fim...                                                                                    



                                                                                                                               

Pro Vadinho






2014/07/14

UM CANTO


aqui não canta o sabiá
aqui não tem palmeiras como lá
(tem o Santos, mas futebol não é a minha praia)
não tenho saudades e
nem quero voltar
para nenhum lugar
o que me encanta
é o canto dos sanhaços
-  pobrezinhos -
que não prestam nem para rimar





NO PÁTIO, O ETERNO EXCLUÍDO




Entre uma bola
e outra
entre um grito de gol
e outro
um bólido bate no meu tabuleiro
e derruba duas torres
e meu rei





QUADRO



Na parede, emoldurado
“O Grito”
atrás dos tijolos
(um cadáver mudo)
o crime!





2014/07/10

UM DIA DE CAOS


(assim começa e acaba um dia ruim)



É a chuva
Logo cedo
É uma moto
No meu caminho
É a chuva que cai
São as pedras da rua
Que escorregam
E a moto que bate
Na lataria do carro
É a moto que cai
É a moto
É o B.O.
São as versões
São as versões, as versões, as versões...
É o amassado na porta
É o prejuízo no bolso
É caos das ruas
É o caos nas ruas
É o caos do trânsito
São as versões dos passantes
É a versão da vítima
São as horas que passam
Que passam
É o dia perdido
E nessa bagunça
Ao fim dia
Hum- hum
Ainda vejo em casa
Um "sete a um”!


2014/07/03

ÍNSULA


na ilha distante
sem fogueira e sem bandeira
curte a solidão e roga
que nunca venha
o resgate


UM BEIJO NO ASFALTO



Em nenhuma história de amor
um beijo foi tão bem dado
como naquele tombo
no meio da rua