2012/06/21

2012/06/18

BILHETE


cuide bem da mamãe
vou até ali pular da ponte
acho que não volto mais

LIXO


Na lata de lixo
até que havia o que comer
                      o que vestir
                      o que calçar
mas nada ali supriria a sua falta de dignidade

MORTE


O triste não é morte dos entes queridos
Mas a morte lenta deles
Em nossas memórias
Assim sendo, eles acabam por
Morrer duas vezes

2012/06/12

MÚSICA


Chet Baker toca
                     (no escuro)
E
                     (no escuro)
Tudo acaba num baque surdo

MARESIA


Um cheio de mar invade a minha casa
Mas essa maresia é outra
Vem da barraca de peixes
Da feira lá na esquina

2012/06/06

CHUVA N°2

O que me consola
Nos dias de chuva
É ver os pombos
Encharcados...


HONESTIDADE



Sempre fiquei ao lado dos fracos
Defendi os oprimidos
Nunca beijei a bota dos poderosos
Jamais me aliei ao mais forte
Sempre fui fiel à verdade
Essa é então a minha história
Agora que você já sabe
Tudo isso sobre mim
Seja bondoso
E me pague um café com pão!

2012/06/05

TORTURA



A mesa cheia
O estômago vazio
E as mãos amaradas às costas

CHUVA



A chuva não lava
o cinza do céu
A chuva leva
O que vem pela frente
Leva casas
Leva árvores
Leva os bens
Dos que nada tem

2012/06/04

TRISTE CENA



O palhaço triste
Num banco
Alimenta pombos
O mestre de cerimônias feliz
Assim engorda gatos

homem criado por mãe e irmã é assim



homem criado por mãe e irmã é assim
delicado
educado
entende de ciclo menstrual
sempre carrega um absorvente no bolso
anda com passos curtos e nervosos
(e nas pontas dos pés)
tem a mão hidratada
unhas aparadas e limpas
lenço sempre perfumado
só bebe licor de menta
sensível
chora à toa...

2012/05/31

GATO

Na lua nova
Um gato preto
Se alimenta
Na via-láctea

CIGARRO

Pela manhã acendi meu cigarro
Que doce a sensação de liberdade
Ninguém à minha volta
Expirei a fumaça
Doce e azul
E meu dia começou feliz

2012/05/25

PONTE


Não atravesso essa ponte
Pois já vi aqui dessa margem
Que a paisagem lá é igual a daqui

CARINHO DEMAIS


Quando ele saiu da sala
Ela cheirou tão desesperadamente o casaco dele
Que acabou com dois botões dentro do nariz

2012/05/23

MOCINHA ROMÂNICA

Naquele momento
O chão estremeceu
Ela imaginou o clímax
Mas era mesmo um terremoto

CAFÉ


Na mesa preta
Sob um céu azul
Numa xícara branca
Meu fumegante café
Lá fora o dia ficava em stand-by