2013/02/15

O ELEVADOR



Ding.

A porta do elevador abriu. Décimo terceiro andar, estava escrito em letras vermelhas na placa defronte .

Décimo terceiro andar, aqui estou. Sim, aqui, agora preciso sair do elevador, respiro fundo e...

...dou um passo à frente, a porta ameaçou fechar, mas minha perna esquerda a impediu. Doeu, é possível que o joelho inche à noite.

Permaneci parado.

Indagava-me se deveria seguir em frente, sair de vez do elevador, dar o passo decisivo, seguir pelo corredor, parar em frente ao apartamento número X, tocar a campainha...

Logo vai escurecer.

As promessas são quase palpáveis, sinto que posso tocá-las, pegá-las e guarda-las em meu bolso.

O que ela deve estar vestindo a essa hora?

- Aquele tafetá verde? Quimono de seda branca com aqueles dragões vermelhos? Preparando um sushi? – rio-me amargamente dessas perguntas.

Seu perfume... Quase poderia senti-lo nas paredes, no tapete... Se estendesse a mão poderia pegá-lo e guardá-lo dentro de meu lenço...

Ding. Ding, Ding.

Alguém está chamando o elevador.

Preciso me decidir.

Ding. Ding, Ding.

Desço.

Lá fora o sol ainda brilha, mas dentro de mim uma chuva torrencial desaba sobre minha cabeça, a água chega a escorrer pelos meus sapatos.

O sax da música do elevador segue em minha cabeça fazendo a trilha sonora do meu fracasso.

- Esse maldito Kenny G e suas músicas...

Deixo pela rua, que agora escurece, marcas de pegadas úmidas pelo chão. (chuap-chuap-chuap)

Ao dobrar a esquina, antes de pegar o ônibus jogo fora o seu endereço, sei que demorará me esquecer desse dia. Se ao menos chovesse fora de mim poderia derramar essas lágrimas que agora me afogam por dentro.

- Sabia, 13 nunca me deu sorte!



5 comentários: