<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599</id><updated>2012-01-26T17:24:58.875-02:00</updated><title type='text'>ETC &amp; BASTA</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>232</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6292335316553893019</id><published>2012-01-25T11:05:00.008-02:00</published><updated>2012-01-26T17:24:58.890-02:00</updated><title type='text'>Essa é pro Magno!</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;s&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ão paulo que já foi da garoa &lt;br /&gt;e hoje das enchentes&lt;br /&gt;do chapéu de palha e hoje gorro de assaltante, &lt;br /&gt;do boné virado para trás do malandro&lt;br /&gt;que já foi do bonde de passageiros &lt;br /&gt;e agora dos funkeiros&lt;br /&gt;são paulo que foi o futuro &lt;br /&gt;e hoje é o faturo&lt;br /&gt;ah são paulo, são paulo&lt;br /&gt;são paulo da cultura&lt;br /&gt;agora te contentas com pixações &lt;br /&gt;com lixo espalhado pelas ruas&lt;br /&gt;são paulo dos teatros cheios&lt;br /&gt;que agora se espanta com mendigos em suas escadas&lt;br /&gt;são paulo que já destes músicas&lt;br /&gt;agora só ouves &lt;br /&gt;choro e ranger de dentes&lt;br /&gt;canos de escapamento das motos&lt;br /&gt;do tum-tum-tum e práticumbum&lt;br /&gt;sem sentido e sem noção&lt;br /&gt;são paulo que tivestes poetas&lt;br /&gt;agora te contentas com os estúpidos do rap e do hip-hop&lt;br /&gt;e suas verborréias criminosas e ameaçadoras&lt;br /&gt;ah são paulo que chuva nenhuma te limpa&lt;br /&gt;que bueiro nenhum te engole&lt;br /&gt;são paulo cruel com teus filhos que labutam&lt;br /&gt;e tão conivente com os que te roubam e te espoliam&lt;br /&gt;ah são paulo&lt;br /&gt;ah são paulo &lt;br /&gt;do ceú cinza&lt;br /&gt;da fumaça preta&lt;br /&gt;dos olhos vermelhos&lt;br /&gt;ah são paulo&lt;br /&gt;ah são paulo &lt;br /&gt;só mesmo o&lt;span style="color: red;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://informativofolhetimcultural.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Magno&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;br /&gt;Prá te amar tanto assim&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6292335316553893019?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6292335316553893019/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6292335316553893019&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6292335316553893019'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6292335316553893019'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2012/01/essa-e-pro-magno.html' title='Essa é pro Magno!'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6188307240770618881</id><published>2012-01-23T14:33:00.000-02:00</published><updated>2012-01-23T14:33:15.179-02:00</updated><title type='text'>O SENTIMENTO DE MORTE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;into pontadas no peito. Estou com o tronco quase paralisado de tanta dor. Penso que chegou a derradeira hora, vou acertar as minhas contas com o criador, vou enfim, ver se há ou não há o outro “lado”, se vivi todo esse tempo no “avesso” ou não... Dói pra cacete o peito, estou com os meus movimentos friamente calculados. Pela cabeça me passam as besteiras cometidas, as ofensas desferidas, as palavras mal-colocadas... Não, ainda não está passando o filme da minha vida, por enquanto estou nos trailers e sem pipocas. Será o fim? Será um mau jeito? Não sei! O braço direito - sim o direito, se fosse o esquerdo seria pior? Ou seria melhor? Não tenho a quem perguntar – está duro, cada movimento provoca uma dor miserável. Ainda bem que escrever não requer tanto esforço assim... Se eu for dessa para melhor (só rindo, só rindo) quantos chorarão sobre meus restos mortais? Há algum tempo pedi à uma colega que contratasse umas carpideiras para a minha hora final. Espero que ela cumpra com o combinado. A dor não passa, e acho que está aumentando. Será que as luzinhas que vejo piscar na minha frente tem algo a ver com isso? E esse frio nos pés? Hummm... Será que eu deveria telefonar para os desafetos e tentar angariar alguma simpatia nesse momento? Minha mulher chorará muito no velório? Será que a ex-mulher comparecerá ao velório? Hummm, já estou começando a aceitar essa idéia do meu fim... Isso definitivamente é mau. Droga! Apaguei os telefones de todo mundo! Como posso me reconciliar agora? Como? Droga! Ai. Outra pontada... As estrelinhas estão ficando maiores agora, e mais coloridas, já está começando a atrapalhar para escrever... Vou tomar um copo d’água. Droga, droga, droga, o braço direito não estica, não chega à minha garrafa aqui na frente... Só agora me dei conta dos livros que comprei e ainda não li..., droga, droga, droga . Quem sabe se eu enviar e-mails? Não! Se apaguei os números telefônicos, que razão teria para manter os endereços eletrônicos? O fim está próximo... Posso ouvir a morte chegando... Seus passos... Mas, espere aí. Alguma coisa está acontecendo... A dor... está aliviando... As pessoas correm para fora da sala... Meus Deus, meu Deus, meu Deus, não vou morrer do coração, não, não vou... Agora rio sozinho na sala, rio feito louco, gargalho... Estou vivo, estou vivo, v-i-v-o. Só, totalmente só na sala grito e pulo de mesa em mesa, o braço direito não dói mais, abro os braços, sim os dois braços, e giro, giro, giro... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu Deus, te agradeço, não era o coração, eram só gazes, gazes, gazes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6188307240770618881?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6188307240770618881/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6188307240770618881&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6188307240770618881'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6188307240770618881'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2012/01/o-sentimento-de-morte.html' title='O SENTIMENTO DE MORTE'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' 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center;"&gt;Deliciosa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Branca&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Alva&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Clara&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Discreta e&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Secreta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ela para&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Anda&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Senta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Levanta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Segue balançando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Rebolando!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-7328606468323002239?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/7328606468323002239/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=7328606468323002239&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7328606468323002239'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7328606468323002239'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2012/01/enquanto-ela-segue-em-frente.html' title='ENQUANTO ELA SEGUE EM FRENTE'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' 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style="text-align: center;"&gt;às vezes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;românticos cartões&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ceva&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ceva&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ceva...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;mas não&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;come&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-992462874825845103?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/992462874825845103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=992462874825845103&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/992462874825845103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/992462874825845103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2012/01/cevando.html' title='CEVANDO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' 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/&gt;&lt;br /&gt;- Coisa assim bem espiritualizada, sabe? - Diz, fazendo biquinho para câmera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;Outra&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Ontem, quinze de novembro. Feriado, só não “feriadão” por cair numa quarta-feira, impossível de emendar com quinta e sexta-feira.&lt;br /&gt;Na televisão, no canal local, um repórter, na rua perguntava aos transeuntes quem havia proclamado a república. &lt;br /&gt;Respostas? &lt;br /&gt;As mais descabidas, mas uma ilustra bem o quero dizer.&lt;br /&gt;Perguntada, uma moça responde assim, entre sorrisos de plástico, chacoalhar de cabeça, jogar os cabelos para trás, amarrar o rabo de cavalo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&amp;nbsp;Dom Pedro I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A amiga dela ao lado, que não aparece na tela da TV, grita assim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não sua boba, foi Dom Pedro II.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É mesmo, Dom Pedro II, que cabeça a minha! - Sorri amarelo para a câmera. - Você me pegou de surpresa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o reporter, sem graça, informa-lhe que foi o Marechal Deodoro da Fonseca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah! É mesmo?? Então eu me confundi. - Puxa o cabelo para trás de novo, faz charminho para a câmera e sai rindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso em desligar a TV, mas cadê forças. Acho que sou um caso perdido...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;strong&gt;P.S. O Vadinho é bem pior, bem pior mesmo!&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-1890147277129132548?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/1890147277129132548/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=1890147277129132548&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1890147277129132548'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1890147277129132548'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2012/01/coisas-da-televisao.html' title='COISAS DA TELEVISÃO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-8686087366869558814</id><published>2012-01-20T10:03:00.003-02:00</published><updated>2012-01-20T10:08:27.049-02:00</updated><title type='text'>ESQUINA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;g&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;n&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;r&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;a&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;l&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;senador feijó&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;c&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;â&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;m&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;a&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;r&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;a&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;sete horas da manhã duma segunda –feira&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;num bar imundo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;classificação “cinco baratas*” &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;um bêbado escorado numa parede&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;segurando um copo de cerveja&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;grita para uma puta que chora:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;- Você não vale nada prá mim, nada!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ela tenta abraçá-lo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;escandalosamente chora &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;arruma a meia arrastão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;que de tanto uso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;está furada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;a maquiagem de ontem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;borra-lhe a cara inchada &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e insone&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ele esvazia a garrafa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e pressinto que escorregará de vez pela parede suja&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;rumo à sarjeta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;não metafórica&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;mas literal&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;Caminhando penso enquanto procuro meu crachá na carteira:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;"- afinal cada se prostitui de um jeito"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-8686087366869558814?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/8686087366869558814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=8686087366869558814&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8686087366869558814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8686087366869558814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2012/01/esquina.html' title='ESQUINA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6885833694570797094</id><published>2012-01-17T16:27:00.002-02:00</published><updated>2012-01-18T08:40:56.776-02:00</updated><title type='text'>A CHUVA DESSA TARDE</title><content type='html'>A chuva batuca na janela &lt;br /&gt;E os vidros &lt;br /&gt;(velhos e desafinados)&lt;br /&gt;Não fazem música nenhuma&lt;br /&gt;E o ruído que produzem&lt;br /&gt;Irritam &lt;br /&gt;E lá fora os trovões e relâmpagos&lt;br /&gt;Não acalmam&lt;br /&gt;Nem relaxam&lt;br /&gt;Os que olham a as ruas&lt;br /&gt;Cheias d’água&lt;br /&gt;Os bueiros entupidos de sujeira&lt;br /&gt;O ventos espalha tudo à sua frente&lt;br /&gt;E as pessoas se aglutinam nas marquises&lt;br /&gt;As velhinhas tremem – de medo&lt;br /&gt;As mocinhas – de frio&lt;br /&gt;Os boys – de raiva, pois atrasam-se para irem aos bancos&lt;br /&gt;O mar encrespa&lt;br /&gt;E a chuva batucando na janela&lt;br /&gt;Continua desafinada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6885833694570797094?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6885833694570797094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6885833694570797094&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6885833694570797094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6885833694570797094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2012/01/chuva-dessa-tarde.html' title='A CHUVA DESSA TARDE'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5247520250491750461</id><published>2012-01-16T09:33:00.001-02:00</published><updated>2012-01-16T09:35:27.559-02:00</updated><title type='text'>O Mistério de Dona Dedé</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;&amp;nbsp;Dá Série Doidinho &amp;amp; Dona Dedé&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;u&gt;&amp;nbsp;&lt;/u&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; pergunta que não quer calar: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O quê tricota Dona Dedé? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria um agasalho para o Doidinho? Uma forca de lã? Uma camisa de força para si mesma?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria Dona Dedé uma Penélope hodierna? Tricota de dia e “destricota” de noite? Seria o seu tricozinho uma espécie de droga que a mantém afastada dos males daquele casarão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria a forma de, na impossibilidade de sair de casa, deixar sua alma vagar pelo éter?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou seria essa forma de Dona Dedé deixar claro que nada mais a abala?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Creio que seja isso, afinal enquanto traço essas linhas a velhinha está lá, balançando-se em sua cadeira, tricotando, toda feliz da vida...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5247520250491750461?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5247520250491750461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5247520250491750461&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5247520250491750461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5247520250491750461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2012/01/o-misterio-de-dona-dede.html' title='O Mistério de Dona Dedé'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-4677523988429321197</id><published>2012-01-10T14:27:00.003-02:00</published><updated>2012-01-10T14:29:01.630-02:00</updated><title type='text'>Alguém a altura (ou baixeza) de Richard Clayderman</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;TEXTO MUITO ANTIGO&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ão morro de amores pelos americanos, não, de jeito algum, mas quando eles acertam uma eu tenho que dar a mão à palmatória (vocês conhecem alguém que já tenha, realmente dado a mão para apanhar de palmatória? Bem isso não vem ao caso agora). Senão, vejam os essa notícia que eu li no site http://nominimo.ibest.com.br/notitia:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“As autoridades de Sidney, na Austrália, querem impedir que grupos de jovens desordeiros se reúnam em estacionamentos, onde estão incomodando a vizinhança com um comportamento anti-social. Para isso resolveram pegar pesado. Vão tocar Barry Manilow no mais alto volume para afugentar os visitantes indesejados. Manilow é um clássico da cafonalha. Para quem não lembra, ou ainda não tinha chegado ao planeta, ele fez um enorme sucesso nos anos 70 (cantava “Copacabana” e “Mandy”), e foi tirado da tumba do ostracismo em que estava há 20 anos pelo programa “American Idol”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só falta agora os “irmãos do norte” (haja ironia para eu dizer isso) descobrirem que Richard Clayderman é bem pior, capaz de deixar os ditos meliantes desacordados por dias à fio, quiçá, até em adiantado estado de coma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero colaborar para o fim dos desordeiros oferecendo as músicas(?) de nossos (?, e eu tenho cara de quem tem algum grupo) de axé, música(??) baiana, pagode(!!) e outras pérolas que a industria fonográfica nos empurra goela, digo, ouvidos abaixo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sempre soube, em meu íntimo que um dia essas porcarias teriam algum proveito, peço às nossas autoridades que não percam mais tempo, música ruim neles!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-4677523988429321197?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/4677523988429321197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=4677523988429321197&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4677523988429321197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4677523988429321197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2012/01/alguem-altura-ou-baixeza-de-richard.html' title='Alguém a altura (ou baixeza) de Richard Clayderman'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-3427791686020495628</id><published>2011-12-19T16:02:00.006-02:00</published><updated>2011-12-19T16:29:03.926-02:00</updated><title type='text'>AGORA SÓ EM 2012</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-VAzFct4Kc7Q/Tu98CaWSO0I/AAAAAAAAB9c/tGQBBoRn0BI/s1600/VERSAO+2B.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="640" oda="true" src="http://4.bp.blogspot.com/-VAzFct4Kc7Q/Tu98CaWSO0I/AAAAAAAAB9c/tGQBBoRn0BI/s640/VERSAO+2B.jpg" width="545" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;ESTÁ CHEGANDO&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;l&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ogo chega aquela data&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;sim aquela data&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;os sinais de sua chegada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;estão pelas ruas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;nas lojas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;as luzes já piscam&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o verde e o vermelho se espalham &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e espraiam-se pelas ruas e praça&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;nas portas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(e são tantas)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;pedintes pedem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;velhos com placas de compra-se ouro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;dormem em pé&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;crianças que não &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;são minhas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ou suas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;estendem mãos &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e pedem também sua parte nesse quinhão natalino&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;vozes estridentes gritam&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;as ofertas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;as campanhas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;os “comprem logo seus presentes”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;são anunciados nas rádios tv’s e alto-falantes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o corre-corre começou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;os filhos pedem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;os pais prometem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;compram-se roupas novas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;doam-se as velhas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;trocam-se receitas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;começam as brigas e discussões&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;quem fará o quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o que comprar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;para quem comprar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(me pergunto para quê comprar?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;os velhos barbudos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(me excluo disso!)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;já se candidatam a fantasiar-se&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;barbas brancas são cultivadas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;barrigas também&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;os dias correm como que ladeira abaixo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e os preparativos se atrasam&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;rôo minhas unhas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;coço minha cabeça&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;lá vem ele...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;nas folhinhas abrem-se janelas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(com bombons)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;contagem regressiva&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ansiedade&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;lá vem o natal outra vez&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;parece que foi ontem que briguei com tanta gente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;antes, durante e depois da ceia &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;os natais se sucedem em minha vida como uma catástrofe anunciada e nunca evitada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;sou atraído para ele como &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o suicida para a morte&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;num deja-vu louco e sem sentido&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;alucinado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;desvio das lojas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;desvio dos velhos gordos e barbudo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;antevejo a chegada de minha neurose&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;trinco os dentes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;revejo meus palavrões&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;cerro os punhos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e todo o aborrecimento dessa data vem à minha garganta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;minha boca amarga&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;meus olhos turvam&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;meu Deus&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(acendendo meu cigarro quase grito)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;- como eu detesto o natal!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(nunca mais a primeira pescaria do ano...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Quem ainda está vivo para lembrar isso?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(e pensar que minha única alegria&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;é chatear o &lt;/span&gt;&lt;a href="http://vladimirsilva.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Vadinho&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;com os tradicionais três abacaxis)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;M&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;as para os que ainda cultivam uma fagulha que seja de boa-vontade leiam a participação especial de Maria Aparecida Soares Ferreira no&lt;a href="http://informativofolhetimcultural.blogspot.com/"&gt; Folhetim Cultural&lt;/a&gt;, onde poderão encontrar doçuras nos poemas da &lt;a href="http://www.blogger.com/profile/04119822283041666168"&gt;Mirse &lt;/a&gt;e ainda palavras e pensamentos leves na prosa cotidiana da &lt;a href="http://ddbybabi.blogspot.com/"&gt;Bárbara&lt;/a&gt;. Aproveitem e não me acusem de ter estragado o Natal de vocês!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: white; color: black;"&gt;Aos amigos Próximos, Chegados, Afastados, Temporariamente Distantes, Geograficamente&amp;nbsp;Longe de mim, àqueles com quem brigo o ano todo, àqueles que suportam esse meu humor: Feliz Natal &lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;(sim é ironia)&lt;/span&gt; e Boas Entradas!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;Nos leremos em 2012!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-3427791686020495628?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/3427791686020495628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=3427791686020495628&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3427791686020495628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3427791686020495628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/agora-so-em-2012.html' title='AGORA SÓ EM 2012'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-VAzFct4Kc7Q/Tu98CaWSO0I/AAAAAAAAB9c/tGQBBoRn0BI/s72-c/VERSAO+2B.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5620048197025950629</id><published>2011-12-15T15:20:00.000-02:00</published><updated>2011-12-15T15:20:40.068-02:00</updated><title type='text'>ANIVERSÁRIO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;T&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;rinta e três mensagens de feliz aniversário,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cinco telegramas desejando saúde e mais anos de vida,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um buquê de flores vermelhas com bilhete de “admiradora secreta” (na verdade da Glorinha do escritório),&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma mensagem anônima e melosa, com fundo musical de Kenny G. pelo telefone (ainda da Gorinha do escritório),&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois torpedos do pessoal do futebol,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um bolo ainda inteiro sobre a mesa com as velinhas afundadas no glacê, cervejas quentes, a TV ligada, e ele dormindo no sofá...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cachorro ainda na esperança de comer alguma coisa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5620048197025950629?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5620048197025950629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5620048197025950629&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5620048197025950629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5620048197025950629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/aniversario.html' title='ANIVERSÁRIO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-7971182974705488982</id><published>2011-12-13T16:22:00.000-02:00</published><updated>2011-12-13T16:22:09.138-02:00</updated><title type='text'>ENTRE O VENENO E CORTAR OS PULSOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Entende Dolores&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;De dores,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;De porradas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;De cólicas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(de se dobrar ao meio)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;De desencantos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Das topadas nos cantos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(dos móveis)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Dos amores que se foram&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(buscar cigarro...)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Das cartas que não vem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Da maionese azeda&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Dos números errados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Do:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;- Ele não mora mais aqui!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Dolores pensa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;- ”Se meu nome fosse Cida...”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Pobre Dolores, até o nome dói!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-7971182974705488982?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/7971182974705488982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=7971182974705488982&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7971182974705488982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7971182974705488982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/entre-o-veneno-e-cortar-os-pulsos.html' title='ENTRE O VENENO E CORTAR OS PULSOS'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-4383081705782258603</id><published>2011-12-13T16:17:00.000-02:00</published><updated>2011-12-13T16:17:42.684-02:00</updated><title type='text'>Dona Leocádia</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;strong&gt;PEQUENO DRAMA RELÂMPAGO&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;D&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;e galocha, capa impermeável, sombrinha, lencinho em volta do pescoço, protegendo-se da chuva, Dona Leocádia vai atravessando a rua. Olha para um lado, olha para outro. Nenhum carro que vá atropelá-la ou molhá-la. Segue cuidadosamente, procurando não pisar em nenhum buraco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente, vindo do nada, melhor vindo do céu, um raio. De Dona Leocádia somente um punhado de cinzas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do outro lado da rua, seu Hermínio, balbuciava essas palavras:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Só pode ter sido o dente de ouro, só pode ter sido o dente de ouro...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-4383081705782258603?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/4383081705782258603/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=4383081705782258603&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4383081705782258603'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4383081705782258603'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/dona-leocadia.html' title='Dona Leocádia'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6435694163228269686</id><published>2011-12-13T16:05:00.002-02:00</published><updated>2011-12-13T16:05:31.603-02:00</updated><title type='text'>AQUELES OLHOS AZUIS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;i! Você é nova por aqui? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Acabei de chegar..., aliás, onde “é aqui”?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não se preocupe, no começo ficamos assim mesmo, desorientadas, perdidas, tentando entender o que aconteceu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não consigo entender nada, afinal onde estou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É melhor darmos uma volta antes de começar a te explicar “os ondes, comos e porquês”. Eu mesma já perdi a conta de quanto tempo estou aqui, acho que fui uma das primeiras a chegar – coça a cabeça - faz tanto tempo me Deus...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Onde estou? – Assustada, começa a chorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Calma, calma. Você ainda está em choque, vamos dar uma volta, conhecer outras mulheres e quando estiver calma, todas nós te explicaremos o que houve. Começam a andar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas aqui é tudo igual. Não tem paisagem, não tem cor, flores, perfumes, nada, nada, nada. Começa a desesperar-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu morri! Oh meu Deus! Eu morri é isso não é? Estou morta, morta, morta...! Por isso esse lugar é assim. Estou no limbo, no “grande nada” por toda a eternidade esperando pela....- antes de terminar é interrompida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não! Não é nada disso que você está pensando. Veja – diz apontando para frente –, vamos até ali, vou te apresentar a Luciana.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Caminham, e como lá não há referências espaciais, não sabemos se andaram muito ou pouco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Luciana, essa aqui é a nossa nova amiga, acabou de chegar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Luciana dá um longo suspiro, olha para a recém-chegada com um olhar triste, abraça-a, passa a mão pelos seus cabelos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como você é jovem, qual é a sua idade?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dezenove...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Luciana, demonstrado grande apreensão, olha para a outra mulher e comenta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Elas estão chegando aqui cada vez mais jovens...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pobrezinhas... Ela pensa que morreu, que está no purgatório...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Criança... – diz Luciana – criança, como isso pôde acontecer...? Não, não responda, essa pergunta é retórica...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Você poderia explicar em poucas palavras o que lhe aconteceu para que ela pare de pensar que está morta e no purgatório? Já fiquei nessa função por muito tempo e não tenho mais paciência para isso. – Diz a primeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Venha minha criança, vamos caminhar mais um pouco e por favor, não precisa nos dizer que andar aqui não dá em lugar nenhum, há muito tempo que sabemos disso...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As duas mulheres riem dessa grosseira constatação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Qual a sua última lembrança? Pense bem antes de responder. Qual a sua última lembrança?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estava andando num shopping com minhas amigas, quando... – interrompida pelas duas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quando você viu um homem lindo, de não menos lindos olhos azuis. – falam juntas as duas mulheres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim! - responde a menina. Nunca vi um homem mais lindo em toda a minha vida e, aqueles olhos azuis...- angustiada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Me deu uma vontade de...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mergulhar dentro deles, não é? – perguntam as duas juntas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, isso mesmo. Como vocês descobriram? – Pergunta espantada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Triste, as duas, outra vez, falam juntas:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É onde você está agora!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6435694163228269686?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6435694163228269686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6435694163228269686&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6435694163228269686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6435694163228269686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/aqueles-olhos-azuis.html' title='AQUELES OLHOS AZUIS'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6294589203559493026</id><published>2011-12-13T15:51:00.000-02:00</published><updated>2011-12-13T15:51:09.992-02:00</updated><title type='text'>O CANDIDATO CHEGOU</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;s ruas estão sujas, alias, são sujas sempre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O calor ainda faz com que o vento levante a areia que entra nas casas, entra nos olhos das gentes que moram naquele bairro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pelas ruas, nas esquinas, meninas, jovens ainda distribuem”santinhos” de candidatos. Estão agitadas, comentam que um deles vem fazer uma visita no bairro hoje. A comunidade está quase em júbilo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O candidato vem aqui, o candidato vem aqui. O padre da velha igreja exulta e convence a paróquia a varrer a rua, limpar algumas calçadas. Coloca as mais prendadas na cozinha para começarem a preparar o banquete, e os jovens colocam bandeirinhas nos postes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O candidato vem aqui, o candidato vem aqui... Até o fim do dia o bairro está “apresentável”. O líder da comunidade exorta as pessoas a comportarem-se bem, causar boa impressão. Manda que as mães dêem banhos nos filhos, prendam seus cachorros. O bebuns incorrigíveis são encerrados em casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Temos que causar boa impressão, senão nenhum outro candidato aparecerá aqui – grita do alto do palanque o líder comunitário.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O candidato vem aqui, o candidato vem aqui... A noite torna-se um martírio, ninguém consegue conciliar o sono, viram de um lado para o outro na cama.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim amanhece, o dia claro promete bons auspícios. As ruas, milagrosamente, continuam limpas, sem cachorros correndo, latindo ou derrubando latas atrás de comida. Os bares, vazios, não fazem arruaça, não há brigas, nem músicas barulhentas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá de longe, uma voz grita:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O candidato está chegando, o candidato está chegando, o candidato está chegando!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começam a soltar fogos, o padre arrebatado começa aos gritos de - o candidato chegou, o candidato chegou! – soltar os pombos que cria no campanário da igreja. As crianças do coral, em coro (é claro) gritam afinadas: - o candidato chegou, o candidato chegou!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E em carro aberto, acenando e soltando beijos para o público quase histérico, o candidato vestido de branco, sorri. Sente-se eleito pela comunidade. Estava feito!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olha com desprezo, sente um misto de nojo, náusea, uma repulsa como nunca antes sentira em toda a sua parasitária vida de político popularesco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desceu do carro sob os apupos da comunidade, beijou criancinhas, apertou mãos, osculou a mão enrugada e encarquilhada do velho cura.O sino rachado da igreja tocou uma, duas, três vezes... Então tudo se tornou um borrão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O candidato foi levado pela onda humana, entre "vivas" e "salve o candidato". O padre, espumando, gritava ordens às cozinheiras:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O candidato está chegando, o candidato está chegando!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As portas da igreja foram abertas de par em par, e o populacho entrou cantando e dançando tendo em seus braços o candidato, os cabos-eleitorais e seus distribuidores de santinhos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos sorriam de júbilo! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estou eleito! Ria baixinho o candidato enquanto levantava os braços fazendo o sinal da vitória.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em poucos segundos o candidato, os cabos-eleitorais e seus distribuidores de santinhos foram esquartejados, tendo os membros e órgãos separados por tamanho, quantidade de carne, cumprimento dos ossos e foram preparados e temperados pelas cozinheiras da igreja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite foi de festa, todos foram dormir de barriga cheia, satisfeitos com o candidato e esperando os outros de outros partidos que viriam visitá-los ao longo da campanha eleitoral. Numa das casas mais humildes, uma criança pergunta à mãe:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mamãe, por que não podemos comer candidatos todos os dias?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por que, meu filho, esse país não presta nem para ter bons candidatos!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A noite desce sobre comunidade, a brisa balança as bandeirinhas, os cachorros agora tem o que procurar nas latas de lixo e os bêbados podem voltar a beber em paz nos bares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6294589203559493026?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6294589203559493026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6294589203559493026&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6294589203559493026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6294589203559493026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/o-candidato-chegou.html' title='O CANDIDATO CHEGOU'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-2727356292078768801</id><published>2011-12-12T10:51:00.006-02:00</published><updated>2011-12-12T16:31:58.827-02:00</updated><title type='text'>A MEMÓRIA É UMA DROGA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; memória é uma droga mesmo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouço a Billie, meu clichê, meu lugar comum. Tem um sujeito que desde que o conheci, aos meus dezenove anos, vivia repetindo: - “Você é responsável por quem cativa...” – Por causa dele, passei a ver Saint-Exupéry com certo amuamento, outros vivem repetindo feito papagaios: - “O Universo conspira a seu favor!” Ah! Maldita New Age em que vivemos... - ” Maktub!” Berram os leitores de¹..., vamos deixar isso prá lá!, e segue por aí os lugares-comuns de cada pessoa. Assim sendo não considero ouvir Billie nenhum elitismo, nem nada de mais, é só mais um simples clichê, que bem me serviu para começar o primeiro parágrafo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me lembro bem onde estava quando ouvi as primeiras frases de Billie, mas devia ser dentro do universo de meu apartamento, pois duvido muito que fosse ouvi-la nas ruas. E aquela voz chorosa, imediatamente, remeteu-me ao passado, minha adolescência. Minha juventude, fase penosa da vida, quando nada sabemos, mas mantemos a obstinação dos que se fartam de tanto saber, das espinhas na cara, dos amores eternos, intempestivos e passageiros. Pulamos de amores assim como os beija-flores pulam de flor em flor, somos fúteis, inconseqüentes, superficiais e tolos a não poder mais – mas não se enganem, sofremos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois Billie cantava e as lembranças, como pedras, desmoronaram sobre mim! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com os versos de Billie as lembranças me vêm fragmentadas, cenas esparsas e sem ordem cronológica, começa assim:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;“Estou no banco de trás dum carro, quando vou descer ela me puxa o braço e me beija, beija na boca, um beijo quente, gostoso, bom, um beijo que esperei por muito, muito tempo, e que me veio assim de surpresa, quando já não mais esperava, quando tudo o que seria se chegasse a ser, seria um beijo no rosto seguido de um: - Feliz Nataaaaaaalllll!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por uns longos e infindáveis segundos fiquei em estado de graça, sem sentir o chão, o carro, sem parar de pensar em tudo o que seria de nós a partir daquele momento, satisfeito, bestamente feliz, com os lábios dela nos meus, esquecido do pessoal nos esperando na calçada, esquecido da festa, da bagunça que faríamos, pensando num “nós” dali por diante, pensando...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas após o beijo ela me empurrou para fora do carro e seguimos atrás do pessoal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não consegui me aproximar dela pelo resto da noite sem que alguém se achegasse a nós ou ela simplesmente escapasse de mim. À meia-noite saímos a cantar pelas ruas, todos abraçados, gritando, cantando músicas natalinas, dançando, felizes, mas eu mesmo cantando não tirava aquele beijo da minha cabeça. Por que ela havia me beijado? Tinha enfim reparado em minha insignificância? Depois de tanto me declarar tinha enfim se rendido a meus encantos? Não, encantos eu não os possuía tantos assim, cantava e pensava na ceia, na casa dela não comi quase nada, não queria arriscar perder o gosto dos lábios dela, em volta da mesa procurei várias vezes os seus olhos por trás daqueles óculos de armação fina de metal, mas ela olhava para todos menos para mim. Estaria me evitando ou não dando chance de ninguém perceber nada? Mas se estava disfarçando assim era por descrição ou vergonha? E se fosse vergonha? Fui despertado desse emaranhado de pensamentos por um: - Não vai comer nada? Assim a comida vai esfriar. – vindo da ponta da mesa onde a mãe dela estava. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Acho que ele está apaixonado. Falou alguém do outro lado da mesa. Acho que devo ter ficado vermelho, se estivesse comendo alguma coisa teria engasgado, tossido, e com um pouco de sorte – a quem estou tentando enganar falando em sorte? – morrido sufocado pela comida. Mas tudo o que consegui foi mesmo continuar vermelho feito um pimentão. Procurei meio desesperado os olhos dela, mas ela estava atracando uma coxa de peru e nem deu por mim. Para suportar aquela situação comecei a beber, e bebi até a hora de irmos para a rua. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá fora, cantando, gritando e tonto, não de dançar, mas de tanto beber, tentava encontrar os olhos dela, queria deles a resposta, saber o porquê daquele beijo, por que eu? Se ela estava somente com vontade beijar alguém que segurasse o braço de outro, que outro – não eu – fosse beijado. Àquela hora nada mais me interessava, tudo que queria era voltar para minha casa, tomar um banho e dormir – sem sonhar – e esquecer tudo isso. Uns poucos segundos acabaram com minha festa de Natal, minha vontade de cantar, minha vontade de viver, com meus sonhos.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pela cara acho que consegui esquecer tudo isso, pois foi somente hoje mais de trinta anos depois e ouvindo a Billie que essas lembranças me vieram à mente e enquanto escrevo essas linhas finais, o CD muda de faixa e Billie começa a cantar&lt;span style="color: cyan;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://chatlibre.blog.lemonde.fr/files/2007/07/billie-holiday-you-go-to-my-head.1183483641.mp3"&gt;&lt;span style="background-color: white; color: cyan;"&gt;YOU GO TO MY HEAD&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="background-color: white; color: cyan;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resumindo: Melhor sofrer ouvindo Billie Holiday que ouvindo pagode.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US;"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Calibri; line-height: 115%; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: Calibri; mso-fareast-language: EN-US;"&gt; A decência me impede de declinar-lhe o nome, desculpem-me.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-2727356292078768801?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/2727356292078768801/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=2727356292078768801&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2727356292078768801'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2727356292078768801'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/memoria-e-uma-droga.html' title='A MEMÓRIA É UMA DROGA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5209341910184185348</id><published>2011-12-08T10:06:00.000-02:00</published><updated>2011-12-08T10:06:24.403-02:00</updated><title type='text'>SOBRE A PAZ E OUTRAS RELFEXÕES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;heguei cedo à repartição, adiantei meu trabalho e desci para fumar. Tudo certo para vocês? Responderam sim? Pois se enganaram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Explico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na rua, céu limpo, sol que não ameaça com calor, os garis ainda limpando as calçadas e eu sob uma árvore acendo o cigarro. Curtia a delícia da primeira tragada com quando uma mulher em “situação de rua” (houve um tempo em que se poderia dizer mendiga sem estar sendo politicamente incorreto) me pede um cigarro...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Respondi-lhe, fazendo contato visual , que só tinha aquele que estava fumando, pois não é que ela retrucou perguntando sobre o maço que eu carregava no bolso?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Francamente, um homem não pode mais fumar em paz sem ter que dar satisfação para os “homeless”, os desprovidos, os sem-alguma-coisa? Não bastam as placas que me proíbem de fumar em uma quantidade cada vez maior de lugares?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante de minha negativa ele olhou-me de forma belicosa, agressiva, e pensei:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Lá se foi a alegria da primeira tragada...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não dá, assim não dá...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui me condenam por fumar, lá fora me condenam por não compartilhar meu cigarro, ô vidinha...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Daí para a pressão alta, infarto ou impotência, é um passo! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;***&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje, por indicação do Silvio, eu iria escrever somente sobre a “geração coruja”, mas acabei divagando com meu cigarro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas antes de terminar explicarei o que é essa tal geração. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No domingo fui a uma festa de aniversário, onde me colocaram uma máquina fotográfica na mão para fotografar as crianças. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vocês já perceberam como as mulheres, de qualquer idade, conseguem ficar de costas e com o pescoço totalmente reto sobre os bumbuns? No futuro, sei lá uns duzentos anos, quando nossas tataravós virem essas fotos, vão pensar que essa era uma geração vítima de radiação, experiências genéticas malsucedidas, ou como diz meu cunhado, envenenadas por excesso de hormônio da carne do gado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Impressionante como elas conseguem essa posição...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os ortopedistas é que faturarão alto logo, logo, pois além das lordoses ainda terão que desentortar pescoços...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E pensar que quando jovem meu dizia que eu cresceria surdo por causa dos rocks que eu ouvia alto...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, cada geração com suas mutilações!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que sejam felizes com suas dores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5209341910184185348?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5209341910184185348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5209341910184185348&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5209341910184185348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5209341910184185348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/sobre-paz-e-outras-relfexoes.html' title='SOBRE A PAZ E OUTRAS RELFEXÕES'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-8230523011255540585</id><published>2011-12-07T09:56:00.000-02:00</published><updated>2011-12-07T09:56:32.053-02:00</updated><title type='text'>O CAFÉ</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Esnobar&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;É exigir café fervendo&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;E deixar esfriar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- Millôr Fernandes&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;O&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; negócio começou muito mal, olha a barata correndo aqui debaixo da mesa, rápido ela está indo para a mesa perto da parede!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ela saiu da caixa da geladeira...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Só podia ser de lá!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Complicado o diálogo? Vamos começar do começo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como já citei anteriormente, após o almoço, diariamente, vamos tomar um cafezinho. Antes éramos assíduos da Bolsa Oficial do Café de Santos, nome pomposo, mas o atendimento, os freqüentadores, o preço, e por fim, não abrir às segundas-feiras foi a gota d’água para nos mudarmos de uma vez de lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E descobrimos esse novo, de onde vem essa história de hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde a primeira vez que lá entramos, nos “entocamos” numa mesa de dois lugares atrás do caixa. Lugar muito aprazível, pois não éramos vistos por nenhuma pessoa, o que era de grande ajuda para nós, pseudos-cronistas de mundanidades. Um ponto estratégico para estudar a humanidade. Ah, esse nosso empenho em compreender o próximo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O café é de bom preço, atendimento, até agora, sem reclamações. Éramos muitos felizes em nosso domicílio, éramos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o lugar acabou por ficar muito freqüentado e com fregueses exigentes, tão exigentes que passaram a demandar por outras marcas de cervejas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pausa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O leitor deve ter se assombrado pois falei até agora em café, e passo para fregueses reclamando de cervejas! Pois lá é também um restaurante, espaço grande, mas exploramos somente a cafeteria, tudo o mais nos é desimportante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltemos, pois ao drama inicial.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para atender a sua seleta clientela (entra aqui um ranço de amarga ironia) ele nos informou que teria que sacrificar nosso “cantinho” para instalar ali, bem ali, naquele espaço sacro-santo de nosso cafezinho cotidiano, a bendita geladeira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas ainda vai demorar uns dias. – falou de forma a nos confortar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não tardou muito e o dia chegou, e o dia foi hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já estávamos sentados, quando o gerente chegou e nos disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ela chegou! – Disse isso e juntando ação às palavras começou a levar nossas xícaras para outra mesa no extremo oposto do salão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E lá sentados, tristes, vimos a caixote que trazia a tal da geladeira. Exemplar antigo, com puxador, modelo anos sessenta, numa cor entre bege e o amarelo, desbotada, feia e antipática.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Três pessoas para carregá-la e depositá-la.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na mesa, quase escrevo “canto”, ficamos observando a operação de desencaixotamento do refrigerador e foi quando, para nossa mal-sã alegria, vimos aquele ortóptero supra-citado sair do meio das madeiras e correr entre as mesas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ta vendo? – disse eu com uma placidez invejável – Se tivessem nos deixado quietinhos em nosso canto isso não teria acontecido...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas essa é a minha versão do caso, deixo que o Sr. Costa, relate, um dia, o seu ponto de vista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muito embora, não haja ponto de vista que devolva a nossa velha mesinha abrigada atrás do caixa e que nos dava uma visão privilegiada das mulheres que subiam as escadas para se servirem no bufe do primeiro andar ...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É meu ídolo tem razão, a vida não presta!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tempo, quase que intitulei esse texto de &lt;strong&gt;&lt;em&gt;A BARATA E O CAFÉ&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;, mas pensando bem, ficaria alguma coisa entre kafkiano e repugnante e conhecendo bem o Magrão, ele iria reclamar disso também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em tempo², achei por bem não declinar, em nome bom gosto, a cafeteria.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-8230523011255540585?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/8230523011255540585/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=8230523011255540585&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8230523011255540585'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8230523011255540585'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/o-cafe.html' title='O CAFÉ'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-39223565585729417</id><published>2011-12-06T13:28:00.000-02:00</published><updated>2011-12-06T13:28:20.236-02:00</updated><title type='text'>O (QUASE) MEMORIALISTA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; carpete está coalhado de garrafas de conhaque e cerveja, a mesa coberta de folhas e lenços de papel, os olhos injetados de sangue, os cabelos desalinhados, o cinzeiro transbordante de bitucas de cigarro. Blocos de anotações espalhados pela sala testemunham seu esforço em pesquisar fatos, datas, nomes, endereços...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Maldita hora em que encasquetou que seria um memorialista. Jurou que iria passar a limpo sua vida pregressa, daria nome aos bois, tudo o que lembrasse – pouco até agora – seria impresso. Suas memórias dariam – segundo ele:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Pelo menos oito volumes de aproximadamente oitocentas páginas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Boquirroto, espalhou aos quatro ventos seu projeto. Ameaçou pessoas, chantageou cunhados e primos; advertiu antigas namoradas que não pouparia detalhes por mínimos que fossem. Recebeu telefonemas ameaçadores, cartas anônimas – embora reconhecesse a caligrafia do missivista...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nada nem ninguém me impedira de escrever tudo T U D O !&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O prazo de entrega dos originais está terminando e até agora isso:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;I&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;...e nós três subíamos o morro de madrugada, uma hora, duas da manhã, e nada acontecia, não tinha perigo, além, é claro, de tropeçar numa pedra ou num degrau e se machucar. Vinho vagabundo na cabeça, girando, girando.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Chegávamos lá em cima, na casa, bem de mansinho, sem fazer barulho, com os sapatos nas mãos para não acordar a mãe dela, e forrando o chão com qualquer trapo, caímos mortos e só acordando com o sol brilhando sobre as águas do cais do porto, que sempre nos remetia a um samba antigo:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;- ”Alvorada, lá no morro, que beleza, ninguém chora não há tristeza, ninguém sente dissabor, sol colorindo, é tão lindo, é tão lindo... ’ – que cantávamos com ressaca e desafinados.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Aquela luz arrebentando as nossas retinas...!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Então, acordados, ou quase, descíamos e íamos trabalhar, com um café ralo no estômago e gosto de corrimão de bordel de terceira categoria na boca pastosa.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A vida era boa, éramos jovens e nada parecia ter prazo de validade, tudo parecia ser para sempre, mas como hoje sabemos:&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;- ”O pra sempre, sempre acaba...”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;A vida nos levou por outros descaminhos; ela, sofrendo um desencanto amoroso entregou-se à fé, tornou-se religiosa, sumiu no mundo como missionária, o outro, por suas opções, morreu na flor da juventude e eu envelheci com as memórias e as lembranças desse um tempo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Ultimamente tenho revisto as pessoas daquela época, nos reunimos, bebemos bons vinhos, e conversamos com calma, pausadamente, hoje já não temos aquela urgência de antes, queremos até, que o tempo comece a ficar um pouco mais lento, e nos recordamos desses amigos perdidos pelo mundo.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;De certa forma, estamos naquele ponto em que, inconscientemente começamos a fazer um balanço de vida, contabilizamos as perdas e ganhos, olhamos para trás e nos sentimos vitoriosos, afinal ainda estamos realmente vivos!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;II&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Éramos jovens e por seguinte, vítimas de leituras, mais precisamente “O Encontro Marcado”, do Fernando Sabino, então um dia, com a cabeça cheia de vapores de vinhos vagabundos, combinamos nos encontrar dali a quinze anos, no mesmo lugar, às 19h00minhs de (não me lembro mais o ano, NOTA: preciso achar a agenda daquela época...), assinamos até uma ata para sacralizar o acordo, e fizemos Tim-Tim com mais vinho vagabundo (NOTA: pesquisar a marca).&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Mas pelos motivos acima descritos, nunca voltamos a nos ver.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Pergunto-me, hoje, como teria sido o encontro?&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Sinceramente não faço a menor idéia, mas pelo andar da carruagem à época, creio que não teria sido um grande encontro, duro de admitir, mas com o tempo nosso ego teria sido um grande empecilho à nossa amizade. Olhando em perspectiva, acho que foi muito bem assim, guardo boas lembranças e quase nenhuma mágoa.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;Sinto pelas mortes, tantos as físicas como as espirituais, pelas encruzilhadas, pelas trilhas pedregosas que escolhemos, mas a vida é assim mesmo, muitas perdas e ganhos me vieram depois disso!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem pela manhã o síndico do prédio junto com bombeiros e uma ex-namorada apavorada arrombaram a porta de seu apartamento e o encontraram em profundo coma alcoólico, junto ao notebook esfacelado esse bilhete manuscrito:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;O projeto – que seria longo - pára por aqui, pois as memórias foram-se assim como se foram aqueles dias...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Suspiros foram ouvidos em muitos lares e bares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-39223565585729417?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/39223565585729417/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=39223565585729417&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/39223565585729417'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/39223565585729417'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/o-quase-memorialista.html' title='O (QUASE) MEMORIALISTA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-8176383385408643188</id><published>2011-12-01T10:42:00.000-02:00</published><updated>2011-12-01T10:42:45.906-02:00</updated><title type='text'>DO BALANÇO DE FIM DE ANO E DAS MALDITAS LISTAS DE NATAL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;D&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;esde a zero hora de ontem estamos em dezembro - só de escrever esta palavra me dá um calafrio na espinha – mês do décimo terceiro salário e das compras de Natal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Junto ao cartão de crédito tenho uma listinha com nomes de parentes e amigos que serão contemplados com presentes &amp;amp; lembrancinhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso para um, isso para outro, aquilo para fulano, aquela coisinha para fulana. Cada vitrine uma lembrança, e com sorte, um nome riscado na curta –sim, cada vez mais curta – lista.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não me preocupo em comprar “o melhor” presente, não, não me amofino mais com isso. Presenteio o felizardo – Ó Criatura abençoada pelo bom Deus por fazer parte desta lista! – com o que eu acho que lhe seria bom, ou com o completaria diante de meus olhos. Ou seja, eu o torno melhor segundo meus padrões de bom gosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bons tempos em que eu presenteava meus amigos mais diletos (sim certamente uma meia dúzia de felizardos) com uísques de primeira linha ou garrafas de vinho importado – lembra daquele certo vinho francês amigo Vadinho? – mas agora diante dessa crise financeira que vivemos fica cada dia mais difícil agraciar alguém com algum produto de boa cepa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Hoje me limito a canetas-tinteiros, livros – quantas vezes vi a expressão de espanto do presenteado diante da brochura, perguntando-se o que fazer com isso? – e bugigangas outras que enchem os olhos e ocupam espaço nas estantes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como dizem por aí: - O que vale é a intenção! Ou: de boa vontade e boas intenções é pavimentado o chão do inferno! – completo com uma certa dose de cinismo e amargura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas quem sabe o que passa em meu coração quando faço isso? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nem Sombra sabe! – responderia Vadinho, O Memorioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto digito cá essas linhas, puxo de meu bolso a supracitada lista de “presenteáveis” e começo a riscar nomes. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem me conhece e me lê, já sabe o que penso do Natal, da boa-vontade dessa época – aliás, boa-vontade só se for de matar os cunhados e outras criaturas peçonhentas do mesmo jaez; do jantar em família – aqueles parentes que só nos visitam para filar bóia, falar mal dos ausentes; das crianças correndo pela casa – e nenhuma delas é minha! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah! Talvez me faça falta a visita dos fantasmas do Velho Dickens...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já pedi minhas férias para fugir da repartição durantes as festas, assim escapo do ultrajante amigo secreto, dos abraços da chefia, do indefectível panetone com frutas secas, das cidras que nos entregam à guisa de champanhe, dos “feliznatalprósperoanovo” mais raso que uma lâmina de barbear e mais falso que nota de três reais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Continuando a riscar nomes, vejo que sobraram os mesmo de todos os últimos anos, mau sinal, não arrumei amigos novos e nem fui capaz de me livrar dos antigos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Termino por aqui minhas lamúrias olhando para essa maldita listinha, que me serve de balanço do ano que termina chegando à seguinte conclusão:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Só estou ficando mais velho mesmo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-8176383385408643188?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/8176383385408643188/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=8176383385408643188&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8176383385408643188'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8176383385408643188'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/12/do-balanco-de-fim-de-ano-e-das-malditas.html' title='DO BALANÇO DE FIM DE ANO E DAS MALDITAS LISTAS DE NATAL'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-7323983353561446087</id><published>2011-11-29T14:48:00.002-02:00</published><updated>2011-11-29T14:48:58.686-02:00</updated><title type='text'>AS MEMÓRIAS DO PIRATA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;C&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;apitão Black, assim me chamam!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chove. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No céu nuvens cinza escurecem o dia, na minha sala a fumaça de meu cachimbo escurece o ar. O mar está revolto, grandes ondas arrebentam nas pedras, o barulho faz o chão de minha sala tremer. As gaivotas voam atarantadas, hoje não haverá comida para elas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Capitão Black, assim me chamam!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sou um marujo, mas meu sonho sempre foi ser um pirata. O mar me provoca enjôos Homéricos, me chamam assim por conta do tabaco que uso e pelos palavrões que profiro a torto e direito, dizem até que falo mais palavrões que um pirata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais um relâmpago...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me sirvo de um copo de rum – hábito de velhos marinheiro me dizem os amigos – sento-me em minha poltrona e fico admirando a tempestade se desenrolar. Minha vontade e de ir lá fora e sentir o vento e água na pele, mas essa tosse – segundo uns carolas culpa do hábito de fumar – poderia piorar muito...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabina...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Preciso terminar de escrever minhas memórias antes que elas se tornem vagas lembranças... Não encontro minhas anotações, meus papeis, onde terei largado meus papeis?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Preciso de mais um copo de rum -“ho-ho-ho” - um copo de rum, uma perna de pau faria um som melhor nesse assoalho...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mar está encrespando ainda mais, a maré vai subir até aqui perto de casa... Isso me lembra Veneza... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabina... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os dias são mais lindos, para mim, assim, chuva, raios, trovões, maré alta! Só assim me sinto vivo, da minha janela me sinto na proa de um navio enfrentando os mares todos os..., meu Deus quantos são os mares? Preciso beber mais, pois vejo que morrerei sem escrever minhas memórias, nem tudo está perdido, pois ainda lembro de beber e fumar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabina... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sino da Igreja, o vento está badalando o sino da igreja, agora o clima vai incomodar os pombos do campanário... Padre, aqui estou pecador, peco e peço perdão, peco e peço perdão!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pessoa dizia: - Navegar é preciso...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minhas memórias, nunca serão escritas, onde deixei meu copo? A água está subindo rápido...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabina...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Anoitece.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora sim à luz do lampião minhas lembranças aflorarão, memórias aos borbotões, poderei tocar o passado, sentarei com meus fantasmas à volta da mesa e beberemos, riremos, choraremos, falaremos mal dos ausentes, ho-ho-ho uma garrafa de rum! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alto lá! Quem me espreita pela janela? Vamos cobarde, apareça! Hahhahaha, velho tolo... Devagar com o rum, velho, velho, esse é seu reflexo na janela... Venham raios, venham relâmpagos! Esse velho lobo do mar não teme nada, venham e vos enfrentarei com minha espad..., ô diabo!, onde está minha espada..., venham que vos enfrentarei com uma garrafa de vazia de rum, venham...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabina...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esse vento! Com o badalar incessante do sino da igreja não consigo saber que horas são... As gaivotas sumiram da minha vista... Acho que o vento as levou para longe... Minha mesa está cheia de garrafas de rum e nenhum fantasma apareceu, estou abandonado pelos vivos e pelos mortos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa chuva! Nunca fui a Veneza, mas pelo jeito logo terei uma a meus pés, a maré não para de subir...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabina, que você estivesse aqui para ver isso... Pelo menos terias uma boa lembrança ao meu lado. Sabina, essa âncora não para de coçar, acho que a tatuagem inflamou...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sou um pirata, sou uma piada, bebo rum, e tropeço nas garrafas espalhadas pelo chão. Com minha luneta vasculho o mar à espera de meu navio, mas começo a me conformar em com meu exílio nessa praia que a chuva e a maré vão lambendo aos poucos. Quem chegará ao fim primeiro? Minhas recordações ou essa ilha?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabina...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minhas memórias se resumirão a: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “O vento badalava os sinos da igreja incessantemente...”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Capitão Black, pirata e escritor assim me chamam! Bah!, sou uma piada de mau gosto exilado no fim do mundo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabina, bem fizestes em me deixar, sequer consegui ser um “mal pirata” e me sai pior como escritor! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se alguma coisa agradeço a Deus? Somente os meus vícios e nada mais!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Capitão Black, assim me chamam...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-7323983353561446087?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/7323983353561446087/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=7323983353561446087&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7323983353561446087'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7323983353561446087'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/as-memorias-do-pirata.html' title='AS MEMÓRIAS DO PIRATA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6299658719436717173</id><published>2011-11-29T09:46:00.000-02:00</published><updated>2011-11-29T09:46:09.097-02:00</updated><title type='text'>MAIS UMA DE NATAL</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;V&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;em chegando aquele dia. &lt;br /&gt;Olho para folhinha chego bem perto para poder focar aqueles numerozinhos, para ter certeza que aquele dia está chegando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dia 25 de dezembro, mais um maldito Natal, mais uma noite com ceia, gente em volta, presentes sem graça, gente sem graça, gente chata depois de poucos minutos, gente bêbada depois de poucas horas, eu suicida logo em seguida...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que mais poderá acontecer nesse Natal? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tenho as gravatas do ano passado, as meias do ano retrasado, não tiro os olhos das manchas na parede, uma de cada maldito Natal aqui na minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bar está cheio de bebidas importadas, cervejas inglesas e alemãs, que amanhã mesmo vou retirar e esconder em algum lugar onde os cunhados (sim, a gora é plural) não possam farejá-las. Já comprei o que há de pior para ser servido aos convidados, convidados eu disse? Mas eu não convido ninguém para vir em casa, eles é que aparecem, assim como mosquitos no verão, mortes e doenças nas guerras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que posso fazer?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fugir, dizer que vou viajar com a mulher e as crianças?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não! &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles seriam capazes de irem juntos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez comentaram que seria “ótimo” fazermos, todos juntos, uma viagem de navio. Já me via escondido nos barcos salva-vidas, ou pulando em alto-mar e nadando de volta à praia como um rato que abandona o navio antes de ele afundar (sendo realmente uma pena mergulhar numa água gelada e NÃO ver o navio afundar)... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo bati a mão na mesa e disse, quase gritando, um não! Pensando em ficar isolado do mundo junto com eles, preferi tê-los em minha casa, de onde eu sempre poderia fugir pela porta da frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando ainda para a folhinha, procuro o telefone da gráfica que a imprimiu, será que possível que eles tenham errado as datas? Antes de ligar, vou contar todos os dias ali impressos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Droga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O maldito calendário está certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Natal está se aproximando, cada segundo que perco olhando para esse monte de números com fundo de paisagens e bichinhos...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Argh! – essa dor no peito outra vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mulher diz é síndrome de pânico, mas eu acho que é só o pânico mesmo. Já sinto os tapas nas costas dos – meu Deus, é agora é no plural – meus cunhados. Já sinto a textura dos papeis de presentes vagabundos com os presentes não menos vagabundos com que eles me presentearão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na igreja, o padre já me avisou para não doar nada do que eu ganho, não tem saída e fica ocupando todo o espaço reservado aos trabalhos pastorais. Além de me fazerem sofrer, ainda atrapalham na catequização dos infiéis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Bando de demônios! – grito, seguido de outra pontada no peito. Com o rosto pálido e com falta de ar, sorrio murmurando comigo mesmo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Morro antes do Natal e ferro com a alegria deles... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas por um átimo penso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E se eles ficarem felizes com a minha morte?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhando o calendário, procuro onde minha mulher anotou o número do meu cardiologista.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6299658719436717173?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6299658719436717173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6299658719436717173&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6299658719436717173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6299658719436717173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/mais-uma-de-natal.html' title='MAIS UMA DE NATAL'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-2549459634139856935</id><published>2011-11-22T14:57:00.000-02:00</published><updated>2011-11-22T14:57:08.815-02:00</updated><title type='text'>SIMONE CHEGA EM CASA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;la nem bem entrou em casa e ele veio para cima dela. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Primeiro ficou encarando-a por uns segundos, depois aproximou-se desconfiado, olhando para os olhos dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Simone já lhe falara diversas vezes para não fazer isso, se não confiava nela que fosse embora, outro como ele se achava aos montes pelas ruas. Parada na porta Simone sustentava-lhe o olhar, assim ficaram mais alguns segundos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Simone por fim entrou, passou a chave na porta, passou por ele e foi para a cozinha. Ele a seguiu, e ficou disfarçadamente tentando sentir algum cheiro estranho, alguma prova de sua traição, algo que provasse seu passo em falso, a prova definitiva de que ela tinha outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada conseguiu além de quase levar com o saco de verduras na cabeça. Ele se retirou para a sala, deitou-se no sofá esperando pelo almoço, pois já estava em cima da hora e se ela se atrasasse mais uns minutos ele comeria até os seus sapatos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Da cozinha vinha o cheiro da comida, o vapor das carnes. Simone o chamou para comer, mas magoado, desconfiado, enciumado, fez que não ouviu e continuou fingindo que dormia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Simone chamou uma segunda vez, dessa vez quase gritando, ele sabia que quando ela falava assim a coisa iria desandar. Espreguiçando-se, dirigiu-se à cozinha e cabisbaixo começou a comer, a princípio de má vontade, mas a refeição estava tão boa que acabou comendo tudo e repetiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Desgraçada, tinha que cozinhar tão bem? - pensava enquanto devorava o segundo prato.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando acabou de comer, olhou para Simone, seus olhos agora brilhavam satisfação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como poderia ter desconfiado dela? Como?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Simone, como que lendo seus pensamentos, aproximou-se dele e começou a fazer-lhe carinho na cabeça, beijou-o, e falou-lhe bem baixinho:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Seu bobo! Nunca vou trocar você por outro cachorro! Tonto!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixando Toby abanando o rabo feliz da vida, foi tomar banho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-2549459634139856935?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/2549459634139856935/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=2549459634139856935&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2549459634139856935'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2549459634139856935'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/simone-chega-em-casa.html' title='SIMONE CHEGA EM CASA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-3430596587985455435</id><published>2011-11-22T14:54:00.000-02:00</published><updated>2011-11-22T14:54:24.989-02:00</updated><title type='text'>﻿EU NÃO SOU EU</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;C&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;omeçou assim: estava tomando banho, então estiquei o braço e encostei a mão esquerda na parede. Quando olhei para ela deu-me uma sensação de estranhamento. Que mão era aquela? Gorda, com dedos rechonchudos e curtos, o braço fino..., então olhei os pés inchados, as unhas roídas e pensei: esse corpo é meu? Mas rapidamente a sensação passou e logo esqueci, ou assim pensei. Mas não, a impressão continuou latente dentro de mim. Depois disso passei a não me reconhecer nos reflexos. Ora estranhava o cabelo, ora as orelhas, alguma coisa não estava certa em mim. Aquele sujeito refletido ali na minha frente não era totalmente eu... Lembro agora que sempre brinquei com meus amigos dizendo que eu era um gordo nervoso, por, na verdade, ser um magro aprisionado mundo corpo obeso. Todos riam menos eu. Hoje acho que tenho razão no que digo. Compro roupas de magro, que depois tenho que trocar, sapatos de número menor em que meus pés se recusam a entrar, trombo em paredes, em batentes de portas, esbarro em pessoas, tudo por causa dessa disfunção. Ando nas ruas de cabeça baixa, achando que as pessoas também não me reconhecem. Debalde, todos que passam por mim chamam-me pelo nome, elas vêem em mim um eu que eu mesmo desconheço. Como podem? Não percebem elas que eu não sou eu, que dentro desse corpo vive uma outra entidade? Outro indivíduo que acordou aqui dentro? Pensa que sou louco? Veja o meu reflexo nessa colher. Você acha que eu me vejo assim? Esses dentes, essa barba. Só reconheço nesse corpo os meus olhos, esses olhos são eu, o resto... o resto... À noite me seguro para não ir ao banheiro, temo minha reação. Ainda sonado, o que posso fazer se me assustar com o reflexo do estranho no espelho? Cada dia que passa mais me afasto de mim e dos amigos desse corpo. O que será de mim, o que será de mim no futuro?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Hummm...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É só isso que você tem a me dizer? Diante de toda essa angústia, você só diz hummmm?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vamos pedir mais um café então.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Garçom, mais três cafés...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-3430596587985455435?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/3430596587985455435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=3430596587985455435&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3430596587985455435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3430596587985455435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/eu-nao-sou-eu.html' title='﻿EU NÃO SOU EU'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-2467327069156098638</id><published>2011-11-21T10:30:00.000-02:00</published><updated>2011-11-21T10:30:34.431-02:00</updated><title type='text'>CLARINHA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;larinha ficava à porta do hotel, branca, quase translúcida, cabelos negros e escorridos, olhos fundos, quase nunca falava, e quando o fazia era com uma voz tão baixa, um sussurro, um suspiro, que era impossível ouvi-la. Penso que intuía o seu pedido de socorro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qual seria a sua idade? Não sei. Parecia uma menina, parecia uma mulher, parecia uma princesa encantada de mármore, tão branca e tão fria...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No alto do primeiro lance de quarenta e seis degraus fica Machadinho, o guarda-costas de Carla Sandra, sentado em sua cadeira de madeira apoiada à parede, de modo que conseguia ver o que acontecia na calçada e no andar superior. Todos, inclusive eu, achavam que Machadinho estava morto e empalhado. Os seus olhos sempre arregalados, fora das órbitas, a baba grossa escorrendo do lado esquerdo do lábio inferior, e a mão direita segurando uma faca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Clarinha trabalhava para Carla Sandra, que a explorava assim como a outras tantas meninas. Clarinha ficava toda a noite na porta do hotel que, como um camaleão, mudava de cor de acordo com a luz de néon da porta. Ela não arrumava nada, a ninguém chamava a atenção, ficava como que mumificada à porta com chuva ou frio. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pouco faltava para expirar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É aí que eu entro. Procurava-a todas as noites, conversava, ou assim pensava, com ela. Pedia-lhe que largasse aquela vida enquanto ainda havia tempo, em vão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minhas palavras não encontravam asilo em Clarinha, ela tornara-se impermeável a tudo, ou a quase tudo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Carla Sandra não suportava a minha presença, segundo ela, perniciosa, e me fazia ameaças e mais ameaças, e da porta do hotel ela gritava para que Machadinho viesse me dar uma lição para nunca mais esquecer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Machadinho nada dizia e nada fazia, nem piscava, o que me levava a crer mesmo que ele estava morto e empalhado. De Carla Sandra eu esperava tudo, inclusive isso. Embora Machadinho, morto, não se movesse, outros clientes de Carla Sandra desciam os dois lances de quarenta e seis degraus para me pegar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E como todas as noites, eu corria em disparada para salvar a minha vida e voltar na noite seguinte. Corria ladeira acima, metia-me na rua do mercado, que funcionava a noite toda numa mistura de baile popular e restaurante a céu aberto, onde se encontrava de tudo. Enfiava-me na rua dos avicultores e voava feito um cometa entre as galinhas, pavões, perus, patos, marrecos, deixando para trás uma barafunda de penas e grasnados alucinados. Assim fugia para voltar amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chegava em casa com o coração saindo pela boca, trancava a porta com duas voltas da chave, pega-ladrão, tetra-chave, encostava na parede e respirava fundo até conseguir fazer o coração voltar à sua pulsação normal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Clarinha tornou-se a donzela que eu havia cismado de salvar, e Carla Sandra, o dragão da maldade que eu iria eliminar desse mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não consegui nada hoje, mas amanhã à noite volto a tentar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Noite escura, lá estou eu na porta do hotel. Clarinha, alva e multicolorida, em pé à portaria, esperava, não por mim, não por algum freguês, ela esperava por Carla Sandra, pela sua poçãozinha mágica, era esse o seu pagamento, a mágica alquimia que Carla Sandra lhe dava todas as noites, noite após noite. Esse era o segredo de sua figura diáfana, sua morte a prestações...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fui a ela como um apóstolo que leva a palavra, fui a ela como um amigo, como um filho, fui como seu anjo da guarda, mas ela, ela não me rejeitou, ela simplesmente não me via, não me ouvia, não me sentia, ela já quase não era mais desse mundo. Pobre Clarinha...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do alto da escadaria onde Machadinho tudo via, via mesmo?, a voz metálica e cruel de Carla Sandra mais um vez incitava sua clientela contra mim. Fugi como fujo todas as noites, na certeza de que algum dia eu salvaria Clarinha ou então eles se cansariam de me perseguir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fugi como fujo todas as noites pela rua do mercado, entro pela rua da avicultura, deixei o meu rastro de penas e grasnados, virei à direita e toquei para casa. Mas hoje, enquanto corria esbaforido para minha casa, encontrei-me com Ishmael - pobre Ishmael que nunca havia lido o Moby Dick -, negro como a noite, sempre encurvado como se carregasse todo o peso do mundo às costas, grandes amendoados olhos amarelos, assim como as palmas das mãos e as longas unhas. Falou-me:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Irmãozinho, essa branquinha ainda vai te matar, deixe isso pra trás, irmãozinho...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Clarinha, o nome dela é Clarinha - respondi-lhe irritado, quase rosnando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele tentou segurar-me para conversar, mas o medo de ser pego pelos freqüentadores do hotel me fez escapar do seu abraço e fugir, correr, me esconder em casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como todas as madrugadas, entrei em casa, tranquei a porta com duas voltas da chave, o pega-ladrão, e a tetra-chave. Na cama chorava de frustração. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas amanhã haveria de ser outro dia, e minha Clarinha, mesmo sem saber, estaria esperando por mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ishmael não sabe o que diz... – murmurei entre as lágrimas amargas que desciam pelo meu rosto. - Ishmael é um tolo, Clarinha só me faz bem, ela precisa de mim, ela é o meu Norte. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sabia que precisava me esforçar mais, pois não tardaria o dia em que a magia de Carla Sandra conseguiria diluir de vez a tênue existência de Clarinha e, por conseguinte também a minha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-2467327069156098638?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/2467327069156098638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=2467327069156098638&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2467327069156098638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2467327069156098638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/clarinha.html' title='CLARINHA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-1958310047352459525</id><published>2011-11-17T14:36:00.003-02:00</published><updated>2011-11-17T15:09:03.809-02:00</updated><title type='text'>PARA VOCÊS MOCINHAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;ssa é para você mocinha, jovem adolescente, que está agora abrindo os olhos para vida. Que está dando os primeiros passos no pantanoso terreno do amor, plena de ilusões, peitos, digo, peito cheio de coragem, preparada para lutar pelo ente querido, aquele ser que não sai de sua cabeça e pulsa no mesmo ritmo que o seu coração.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, minha querida, esse texto, essas humildes letras são para você, só e exclusivamente para você.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Preparada para lê-lo? Está com tempo e paciência? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, paciência, sei o quanto é rara essa mercadoria nessa idade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se você respondeu SIM para todas as questões acima, vamos lá, ao interessa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dia desses - todos tão iguais ultimamente (desculpem-me, às vezes divago demais) - recebi, se bem conheço quem o enviou, de sacanagem, o endereço de um orkut. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entrei e sambei. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não entendo desse negócio, mal e mal tive um blog. Tive que telefonar ao amigo que me enviou o endereço e perguntar como funcionava o negócio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Explicado, lá fui eu navegar pela página.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo entendi a razão de estar lá vendo o que estava vendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era uma moça (há quanto tempo não leio essa palavra!) se declarando a outra moça (!).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gente, eu não trago cá no peito muitos preconceitos, não. Vocês viram que eu não disse: “Não trago cá no peito nenhum preconceito”?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sou perfeito, nem tenho essa tara, afinal, esse é o meu tempero. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Divago de novo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que mais me espantou não foram as “juras de amor eterno" - aliás num dado momento uma das amantes até diz: “Não digo que te amo para sempre, porque o sempre, sempre acaba” - muito original, não é? - O verdadeiro incômodo estava nas transgressões, ora gramaticais, ora de concatenação de idéias. Fora, é claro, o modo como esse pessoal se comunica (?). Não consegui ler uma frase completa, foi um inferno tentar compreender.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que pobreza! Que idéias! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chafurdam-se num pântano de lugares-comuns, afundam-se na mediocridade das declarações. Juro que não vi naquilo nada mais que a vontade de serem “transgressoras”, “rebeldes”, “mudernas”. Francamente, nem refrão de pagode poderia ser mais pobre e vulgar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Queridas mocinhas, se vocês querem impressionar alguém, preocupem-se em impressionar o ser amado, não se preocupem com os que estão à sua volta. Impressionem o objeto de seus amores com coisas belas, belas palavras e, por favor, palavras que contenham sentido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dar-lhes-ei um exemplo de declaração de amor entre iguais, de autoria de Safo&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*&lt;/span&gt;, poetiza grega. Leiam, apreendam e, se possível for, aprendam:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Lua Já Se Pôs&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;A lua já se pôs&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;As Plêiades também:&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Meia-noite: foge o tempo,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;E eu estou deitada sozinha.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Outra só para vocês terem um gostinho, e não mais:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A Amada&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Ventura, que iguala aos deuses,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Em meu conceito, desfruta&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Quem, junto de ti sentada,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;As doces falas te escuta,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Goza teu mago sorrir&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Quando imagino em tal gosto&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;É minha alma um labirinto;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Expira-me a voz nos lábios;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Nas veias um fogo sinto;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Sinto os ouvidos zunir&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Gelado suor me inunda;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;O corpo se me arrepia;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Fogem-me as cores do rosto,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Como ao vir da quadra fria&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Entra a folha a desmaiar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Respiro a custo, e já cuido&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Que se esvai a doce vida!&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Arrisquemos-nos a tudo...&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Contra um angústia insofrida&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif;"&gt;&lt;em&gt;Tudo se deve tentar.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por favor, minhas jovens, aprendam a declarar vosso (não ouso dizer o nome&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;**&lt;/span&gt;) amor com&amp;nbsp;inteligência e, se não for pedir muito, com delicadeza. Ser sapata não que dizer ser “caminhoneira”, que me desculpem os/as representantes de tão nobre profissão!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;*Safo, poetisa nascida em Mitilene, na ilha de Lesbos, por volta do século VII a.C&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;** Leiam Oscar Wilde&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-1958310047352459525?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/1958310047352459525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=1958310047352459525&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1958310047352459525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1958310047352459525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/para-voces-mocinhas.html' title='PARA VOCÊS MOCINHAS'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-4449845652460114039</id><published>2011-11-16T16:18:00.000-02:00</published><updated>2011-11-16T16:18:56.512-02:00</updated><title type='text'>SOBRE A CULPA E OUTRAS BESTEIRAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;C&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ulpa&lt;/strong&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Discutia isso com o Rodrigo hoje. Culpas de haveres e culpas de quereres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que nos culpamos? Por que nos pegaram? Por que nos viram? Por que nossos olhos nos acusam diante do espelho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Culpa.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pecamos por pensamentos, atos e palavras. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah! Essa minha cultura judaico-cristã. Mas que atire a primeira pedra quem nunca pecou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Fico sossegado nessas horas por não possuir ações de pedreiras. Pelo visto ninguém atirou nenhuma pedra, certo?).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quero crer que a minha meia-dúzia de leitores é honesta, pelo menos consigo mesma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Culpa.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nos culpamos por tantas coisas bestas, e nos escusamos de outras realmente condenáveis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas discutíamos outra forma de culpa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O pensamento, esse monstro indomável que trazemos dentro de nós, e que, por inexplicável que seja, é muito maior que nós.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quantas vezes nos pegamos pensando em algo inominável, algo que conscientemente nunca faríamos, que condenaríamos veementemente no próximo? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um exemplo besta, mas um exemplo: vivo fazendo regime, mas não posso ver um doce que chego a babar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pecadilho! - dirão vocês. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Concordo plenamente. Mas, e se vemos uma mulher bonita, uma jovem atraente. E se porventura ela dá com o nosso olhar, sorri, mexe o cabelo daquele jeito, sorri um sorriso de fazer covinhas...? Uma torrente de pensamentos libidinosos nos assola. Por um segundo vivemos uma vida de venturas mil, imaginamos as maiores besteiras. Largar a família, deixar o emprego, começar vida nova na Argentina, quem sabe vendendo pulseiras e outras quinquilharias, ir para a Bahia e morar na praia vivendo de amor eterno...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um segundo, um mísero e desgraçado segundo, destruímos toda uma vida. Largamos a mulher com quem vivemos os tempos duros, os filhos que às duras penas tentamos educar dentro dos valores (ai, ai, ai) cristãos/ocidentais, e afundamos na lama da maledicência um bom nome construído com muito suor, muita lágrima e sangue.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Culpa = Arrependimento.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tivemos toda a juventude para errar. E erramos até na hora de errar. Agora o mal já está feito. Não adianta chorar sobre o leite derramado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para terminar a conversa, o Rodrigo me enviou esse poema do Olavo Bilac:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Remorso&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Às vezes uma dor me desespera...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Nestas ânsias e dúvidas em que ando,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Cismo e padeço, neste outono, quando&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Calculo o que perdi na primavera.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Versos e amores sufoquei calando,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Sem os gozar numa explosão sincera...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Mais viver, mais penar e amar cantando!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Sinto o que desperdicei na juventude;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Choro neste começo de velhice,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Mártir da hipocrisia ou da virtude.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Os beijos que não tive por tolice,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Por timidez o que sofrer não pude,&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;E por pudor os versos que não disse!&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A propósito, aquela mocinha não sorriu para você, foi para aquele rapaz musculoso e cheio de tatuagens que estava encostado no balcão do bar bebendo cerveja... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Positivamente, a vida não presta.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-4449845652460114039?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/4449845652460114039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=4449845652460114039&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4449845652460114039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4449845652460114039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/sobre-culpa-e-outras-besteiras.html' title='SOBRE A CULPA E OUTRAS BESTEIRAS'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-3557878445182683549</id><published>2011-11-11T13:10:00.000-02:00</published><updated>2011-11-11T13:10:54.789-02:00</updated><title type='text'>UM ESTRANHO NA CIDADE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;U&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ns diziam que ele havia chegado às seis horas da manhã, com um capotão grosso de lã, chapéu preto de abas largas – parecia até um corvo – dizia Dircinha do Feijó; botas sete léguas e cara de mau, muito mau mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já outros – sempre tem “os outros” – diziam que ele chegou de carro – que marca? – e alguém aqui nesse fim de mundo entende de marca de carro?, basta não ter uma mula, cavalo ou burro puxando, que vira carro na língua desse povinho – vermelho, vermelho pecado - olha ai outra vez as expressões que essa gentinha usa – e passou voando pela praça levantando uma poeira danada – como se fosse preciso passar alguma coisa voando prá levantar poeira aqui...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A verdade é que ninguém entendeu o que foi que aconteceu mesmo. Sabe-se somente que um estranho passou pela cidade, se a pé, lombo de burro ou carro, sabe-se que ele passou por aqui. A poeira no ar não prova muita coisa, até galinha ciscando aqui levanta pó da rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O estranho, além de um estranho aqui na vila, foi o sujeito estar usando um capote daquele de lã com um calorão desses. Imagine, até as árvores estão se desfolhando por causa da canícula...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seu Jorginho da Ceição, acha que ele estava carregando uma arma dentro da roupa, e começou a contar pela milionésima vez o único filme (que era de gângster) que ele assistiu na vida num cinema na capital, e lembra até hoje aquela comida branca e salgada que comeu lá. Apostava que era uma “vingester”, nem sabia pronuncia “winchester” e pôs-se a falar, falar e falar até que Ceição o mandou prá dentro lavar as roupas que precisavam ser entregues amanhã. – Esse homem não para de falar nesse filme há trinta e dois anos, trinta e dois anos ouvindo isso – e olhando pros lados disse: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vô lhe contar um segredo, tô guardando dinheiro pra levar ele no cinema da capital no Natal, tomara que ele mude o “disco” depois disso. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na rua em frente ao Bar do Tadeu, o povinho se reunia e acrescentava mais histórias sem sentido nesse acontecimento mundano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve quem dissesse que o eclipse tinha sido culpa do estranho, seu Mundinho Meloso (Raimundo pra patroa quando ele chega bêbado em casa) reclamou que o sujeito tinha roubado a sua aposentadoria quando tudo ficou escuro. Todos riram. O velho Meloso, nunca via a cor da aposentaria, que ia direto pro bolso de Dona Lindoca, e chorava essa velha história na ilusão de convencer alguém a lhe pagar outra birita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes que o senhor se pergunte desse eclipse já lhe respondo. Nada entendo das vontades do “Grande Arquiteto” – li isso nas “Seleções” na barbearia do Astolfo Alemão - se Ele resolveu apagar o dia por uns minutos, Ele deveria ter lá suas razões, fosse por economia de sol, fosse prá assustar seu Mundinho Meloso, tudo que posso afirmar é que realmente houve um eclipse, mas que ninguém, eu posso jurar com a mão sobre a bíblia, que ninguém foi roubado pelo estranho, até porque, verdade seja dita, quem não estava no Bar do Tadeu, correu pra se abrigar na Igreja...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando o sol voltou e o céu ficou azul de novo, as galinhas acordaram pela segunda vez nesse dia e começaram a ciscar e cacarejar como se nada tivesse acontecido – como esses bichos tem coisas a nos ensinar! – Aí os sinos tocaram como se anunciassem um novo mundo, as velhas corocas, - com exceção de Dona Marciana, cada dia mais linda, que acordando àquela hora, não se apercebeu de nada e perguntou se tinha se levantado muito cedo para acordar com os sinos da Igreja – correram de volta à rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como? Acho que não entendi a pergunta de Vossa Autoridade. O que foi que aconteceu com o estranho? Sei não. Foi tanto alvoroço, tanto diz-que-me-diz, que o homem entrou e saiu da cidade sem ninguém saber quem ele era, mas na minha opinião, se é que o eu posso dar a minha opinião, eu acho que o estranho entrou na bifurcação errada, à esquerda, e veio parar nesse fim de mundo por engano... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As vezes isso acontece, até me lembro que em mil novecentos e setenta e cinco...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-3557878445182683549?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/3557878445182683549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=3557878445182683549&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3557878445182683549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3557878445182683549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/um-estranho-na-cidade.html' title='UM ESTRANHO NA CIDADE'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-2366085281534499464</id><published>2011-11-08T09:58:00.002-02:00</published><updated>2011-11-08T09:59:05.416-02:00</updated><title type='text'>TOMANDO CAFÉ, EDMUNDO PENSA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;obre a mesa uma xícara de café quente. Dela, uma fumaça sobe e espalha o seu aroma. Sentado à mesa, Edmundo, desligado, de olhar vago, mexe e remexe a colher na xícara, o sachê de açúcar está intocado, e sobre o pãozinho torrado na chapa começam a pousar moscas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mexe, mexe, mexe e o café começa a esfriar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O bar esvazia, as pessoas vão-se, umas trabalhar, outras passear, outras, quem sabe?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O café já esfriou. Na parede os ponteiros do relógio vão marcar mais uma hora e Edmundo nem se apercebe disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ontem a noite aconteceu de novo... - Ele murmura. O garçom se aproxima na esperança de dar-lhe a conta e enfim despachá-lo. Mas que nada!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele ignora o garçom e continua a girar a colher na xícara de café. O tempo continua a passar indiferente a Edmundo e a aflição do garçom. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Edmundo baixa a cabeça e olha para a calça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ontem aconteceu outra vez, meu Deus, outra vez...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O garçom não se abala a desencostar-se do balcão, olha para o relógio da parede, confere a hora com o seu relógio de pulso e balança a cabeça ao ver o velho falando sozinho e mexendo a colher na xícara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pobre velho, se eu tiver que ficar assim prefiro morrer. - Fala para si mesmo enquanto procura alguma coisa no bolso da calça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O som da xícara quebrando-se no chão chama-lhe a atenção e ele corre para a mesa do velho que com olhar estático olha para a calça manchada do café que ainda escorre da mesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ontem à noite urinei nas calças, hoje me sujo de café... Constrangendo o garçom, ele começa a soluçar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-2366085281534499464?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/2366085281534499464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=2366085281534499464&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2366085281534499464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2366085281534499464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/tomando-cafe-edmundo-pensa.html' title='TOMANDO CAFÉ, EDMUNDO PENSA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-4850868633414545211</id><published>2011-11-08T09:51:00.000-02:00</published><updated>2011-11-08T09:51:49.696-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; se não fosse a chuva&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O frio &lt;br /&gt;(mais na alma que no corpo)&lt;br /&gt;Se não fosse a vontade de um dia claro de céu azul sem calor, sem moscas, sem minhocas na cabeça, sem telefonemas, sem contas a pagar, sem tristezas, sem ninguém para compartilhar o pouco, o muito, o quase que tenho, tive ou quem sabe, terei.&lt;br /&gt;Se não fosse a solidão&lt;br /&gt;De olhar da janela o mundo&lt;br /&gt;As pessoas sorrindo&lt;br /&gt;As crianças correndo&lt;br /&gt;Os cachorros latindo&lt;br /&gt;Se não fosse o estar sozinho a andar de ônibus&lt;br /&gt;Aquela chuvinha chata nos vidros, e&lt;br /&gt;Não ter ninguém ao meu lado &lt;br /&gt;Não fosse&lt;br /&gt;Não tivesse sido&lt;br /&gt;Não houvesse jamais&lt;br /&gt;Não...&lt;br /&gt;Tantos nãos&lt;br /&gt;Tantas possibilidades perdidas&lt;br /&gt;Se não fosse tanta incompreensão&lt;br /&gt;Tantas comparações&lt;br /&gt;Se não fosse&lt;br /&gt;Se não fosse&lt;br /&gt;Se não fossem essas tantas coisas&lt;br /&gt;Não estaria agora escrevendo isso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-4850868633414545211?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/4850868633414545211/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=4850868633414545211&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4850868633414545211'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4850868633414545211'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/e-se-nao-fosse-chuva-o-frio-mais-na.html' title=''/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5396380008937299398</id><published>2011-11-08T09:46:00.000-02:00</published><updated>2011-11-08T09:46:27.919-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>- Antes só, &lt;span style="font-size: x-small;"&gt;só, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;só, só...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(o eco não a deixou completar a frase)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5396380008937299398?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5396380008937299398/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5396380008937299398&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5396380008937299398'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5396380008937299398'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/antes-so-so-so-so.html' title=''/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' 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href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=34788201063162928&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/34788201063162928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/34788201063162928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/trago.html' title='TRAGO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' 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Realmente a sede era de sangue. Descobri que sou uma vitima do sentido figurado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sedento de sangue, estou com sede de sangue...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como resolver isso?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sol nasceu, abri as cortinas preocupado, trêmulo, medroso - e se o sol me queimasse? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que ele não me queimou, afinal não sou um vampiro - daqui vejo meu reflexo no espelho! -, sou só uma pessoa normal que, sabe-se lá por que, hoje acordou sedento de sangue.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O dia prometia ser quente, e na TV anunciava chuva para o fim da tarde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Troquei-me, e saí a trabalhar ainda sedento de sangue e em jejum, nem mesmo a geléia de goiaba me atraiu....&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao chegar ao escritório deparo com minha mesa cheia de papéis, espanto-me e fico indignado, pois ao sair ontem ela estava limpa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alguém fez serão e deixou o resto para mim!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou sedento de sangue quente e espesso e alguém me confunde com um abutre comedor de carniça!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sento-me à mesa, meço a quantidade de papéis sobre ela, meus dentes rangem e, juro, sinto meus caninos crescerem...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei sedento de sangue e estou começando a gostar disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toca o interfone, e pelo calafrio na espinha, é a Dona Regina, minha chefe, chamando-me à sua sala. Sinto a sede aumentar seguida de um antegozo sobrenatural e uma saciedade pronta a realizar-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levanto-me, olho o reflexo de meu rosto no cromado do grampeador e, sorrindo, percebo que meus caninos cresceram mesmo. Sigo em direção à sala da Dona Regina, faço toc-toc só de sacanagem, pois ela detesta isso, gosta de ser anunciada pela sua estagiária. Abro a porta antes que ela responda, encosto-me no batente e digo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Hoje acordei sedento de sangue...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-504020940043661039?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/504020940043661039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=504020940043661039&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/504020940043661039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/504020940043661039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/hoje-acordei-sedento-de-sangue.html' title='HOJE ACORDEI SEDENTO DE SANGUE'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6376168072812349056</id><published>2011-11-07T08:38:00.001-02:00</published><updated>2011-11-07T08:38:45.041-02:00</updated><title type='text'>AS HÁRPIAS*</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;(Coisas da repartição II)&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;P&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ensam os incautos que as harpias não existem mais (se é que já existiram) mas estão redondamente equivocados. Elas existem sim, trabalham ao meu lado. Sua voz é aguda como uma lâmina, quando elas falam, as plantas ( mesmas de plásticos) fenecem, morrem. Os pombos nas janelas voam para longe e voltam somente muito e muitos dias depois, normalmente para morrer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Elas, as harpias, não falam como nós os humanos, elas praguejam, amaldiçoam, caçoam daqueles que se encontram ausentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ar à sua volta fica pestilento, a ponto de eu ter que sair da repartição para respirar. Quando elas riem, tenho certeza que os mortos, em qualquer cemitério, se reviram em seus túmulos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A guisa de asas, ela possuem cabelos armados com todos os tipos de produtos químicos cancerígenos (que aposto também destroem a camada de ozônio), em lugar de penas, umas roupas feitas sobre medida (afinal são extremamente gordas) que mais parecem destaque de escola de samba.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ladainha diária é sobre dietas, e como num ritual pagão, elas gritam entre si e para si:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olhem como eu emagreci de ontem para hoje!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Posso lhes garantir que é impossível ver qualquer diferença, por mínima que seja. Lêem Caras e discutem aos berros e em altos brados o capítulo de ontem da novela. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qual? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Qualquer uma, pois me parece que elas possuem vários aparelhos espalhados pela casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim é terrível trabalhar aqui, várias vezes pedi transferência para qualquer outro lugar, mas não consegui. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas pelo menos uma certeza trago em meu peito:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O inferno &lt;em&gt;&lt;strong&gt;É&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt; aqui, e em morrendo, vou para o céu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace; font-size: xx-small;"&gt;*Harpia do Lat. harpeja &amp;lt; Gr. hárpyia, ave fabulosa de garras aduncas&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace; font-size: xx-small;"&gt;s. f., Mit., monstro alado, com rosto de mulher e corpo de ave de rapina;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace; font-size: xx-small;"&gt;por ext. pessoa ávida e usuária;mulher de má índole e agressiva;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6376168072812349056?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6376168072812349056/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6376168072812349056&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6376168072812349056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6376168072812349056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/as-harpias.html' title='AS HÁRPIAS*'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5395710685660280694</id><published>2011-11-03T15:07:00.003-02:00</published><updated>2011-11-03T15:10:12.198-02:00</updated><title type='text'>TRANSAÇÃO</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;e o que deixei ficou&lt;br /&gt;Largado&lt;br /&gt;Se o que plantei&lt;br /&gt;Murchou &lt;br /&gt;Se o que achei que tinha valor&lt;br /&gt;Nem prestou nem ao penhor&lt;br /&gt;Se tudo que dei&lt;br /&gt;Nada valia&lt;br /&gt;Se tudo que disse &lt;br /&gt;Foi logo esquecido&lt;br /&gt;Se tudo &lt;br /&gt;Virou nada&lt;br /&gt;De quem será &lt;br /&gt;A culpa?&lt;br /&gt;Quem me culpa?&lt;br /&gt;Quem me julga?&lt;br /&gt;Quem se acha meu igual &lt;br /&gt;Para tal?&lt;br /&gt;Serei assim tão nada?&lt;br /&gt;Será o outro &lt;br /&gt;Assim tão mais que eu?&lt;br /&gt;Porque me comparas&lt;br /&gt;Porque me medes?&lt;br /&gt;Sou acaso assim tão vil objeto?&lt;br /&gt;Nada fui?&lt;br /&gt;Sou só presente sem passado?&lt;br /&gt;Vejo que sim &lt;br /&gt;E sem futuro&lt;br /&gt;No presente perco na comparação&lt;br /&gt;No passado perco feio para esquecimento&lt;br /&gt;Mas o que fiz para merecer tudo isso?&lt;br /&gt;Me julgas&lt;br /&gt;Me comparas&lt;br /&gt;Mas quando vejo o outro&lt;br /&gt;(O objeto da comparação)&lt;br /&gt;Tão abjeto e ganancioso...&lt;br /&gt;Me pergunto o que vi em ti&lt;br /&gt;Que miragem iludia meus olhos&lt;br /&gt;Ao achar que merecias alguém assim&lt;br /&gt;Feito eu&lt;br /&gt;Mas na voragem do ter mais&lt;br /&gt;Te enganas e&lt;br /&gt;Te iludes com as migalhas que te oferecem hoje&lt;br /&gt;(assemelhas-te a um cão faminto)&lt;br /&gt;Tolo daquele que ambiciona mais do que merece ter&lt;br /&gt;Do pode carregar&lt;br /&gt;Tolo o que se ilude adulações&lt;br /&gt;Te vendes por tão pouco&lt;br /&gt;E muito pouco te sobrará ao&lt;br /&gt;Fim de tão espúria transação&lt;br /&gt;Nada valho, dizes e repete e repete e repete e repete&lt;br /&gt;Nada tenho, afirmas&lt;br /&gt;Quase gritas que&lt;br /&gt;Em mim nada há a ser roubado&lt;br /&gt;Nada em mim que se ambicionem&lt;br /&gt;Tens razão&lt;br /&gt;Tens razão&lt;br /&gt;Pois que&lt;br /&gt;Conclua-se a transação&lt;br /&gt;Vende-te&lt;br /&gt;Sei ao certo &lt;br /&gt;Que pagarão por ti&lt;br /&gt;Bem mais do que vales&lt;br /&gt;Seja então e por fim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Feliz!&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5395710685660280694?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5395710685660280694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5395710685660280694&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5395710685660280694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5395710685660280694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/transacao.html' title='TRANSAÇÃO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-7168889445549398335</id><published>2011-11-01T08:30:00.002-02:00</published><updated>2011-11-01T08:30:23.965-02:00</updated><title type='text'>CAFÉ DEMAIS NÃO FAZ BEM</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;É&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; claro que ela reparou em você quando entramos, ela até te desejou uma boa tarde. Como ela é uma fútil que diz isso prá todos? Há formas e formas de se desejar uma boa tarde a alguém. Para você ela foi mais gentil, carinhosa, e aquele sorriso não me parecia um sorriso profissional, mais parecia uma sorriso de alegria de ter visto você aqui. Agora tente sentar-se à mesa sem chamar a atenção de ninguém, e por favor, por favor, peça o seu café que eu peço o meu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sossega, para de tremer e enxugar o suor das mãos nas pernas das calças. Repita comigo: está tudo bem, está tudo sobre controle, sou o senhor absoluto de mim mesmo e nada pode me abalar, vamos repita! Ora, deixe de ser chorão, é claro que você consegue memorizar isso tudo, vamos lá, repita. Diabo, fale baixo, repita só prá você, como se estivesse rezando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olá! Mais um café, por favor. Se gosto do café daqui? Tenho certeza de que esse é o melhor café deste lado da existência... Se sou pastor, religioso ou filósofo? Não, isso foi só uma brincadeira da minha parte. O que ele tem? Nada. Acho que está com alguma coisa grudada na palma da mão. Sim, vou tomar o café com adoçante, obrigado. Se ele vai tomar café também? Não sei. Talvez ele queira antes ir ao toalete tirar seja lá o que for que o está incomodando antes de pedir alguma coisa. Isso, então depois você vem aqui na mesa outra vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela estava sorrindo para você, mas quando viu essas mãos se movimentando debaixo da mesa, acho que se assustou. O que foi que te falei sobre esse tique nervoso de ficar secando as mãos nas calças? Assim você não vai conseguir nada mesmo, e me faça o favor de parar de engolir em seco, me dá aflição esse pomo-de-adão subindo e descendo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olá outra vez...! Sim, vou aceitar mais café. Nossa isso está parecendo aqueles filmes americanos em que a garçonete aparece servindo café nas mesas, só falta uma torta de maçã. Não, não, não só estou falando no sentido figurado, não gosto de tortas, muito menos gosto de maçãs. Onde está o meu amigo? Ele foi ao toalete tentar tirar alguma coisa que estava grudada em suas mãos. Ah! Sim, sim, ele encostou numa parede vindo para cá e alguma coisa colou em suas mãos. Nossa, que suspiro mais profundo esse. Alívio? Por que alívio? Ok vamos deixar isso para lá então. Olhe, ele já está vindo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não começa com isso, não faça cena, segura essas lágrimas, e não esfregue as mãos nas calças. Ela não fugiu quando você chegou, ela só foi buscar outro café para mim. Claro que eu não agüento mais tomar tanto café assim. Ainda vou ter um enfarto na minha gastrite. Sentido figurado, não existe enfarto em gastrites! Olha, ela está vindo ai. Peça um café, chocolate, cerveja; eu sei que você não bebe cerveja – se eu tiver que repetir a palavra “sentido figurado” outra vez, vou matar um, e não fique balançando a cabeça e dando sinal para eu falar baixo, porque eu estou falando baixo. Pare de tremer!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olá. Não, não me canso de dizer olá, acho olá uma palavra tão simpática, aliás, em matéria de simpatia, olá, só perde para você. Sim, é claro que eu vou tomar outra xícara de café. Meu estômago? Ora, estômago forte é o meu. O quê? Não, onde você ouviu falar nisso? Enfarto de estômago não existe, não existe. Sim, é por isso que me enveneno, digo, bebo tanto café assim. Ô rapaz, responde prá moça, você quer uma xícara de café ou não? Que tosse é essa? Cara, você está ficando vermelho, acho melhor você voltar ao toalete e passar uma água no rosto. Vá lá, vá lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olá você! Achou isso engraçado? Acho que ouvi essa besteira na TV, não tenho cá muita certeza. Como?, se meu amigo está melhor? Está sim. Ele quase não se machucou com o tropeção na mesa. Quê? Uns cacos de louças? Aquilo não é nada para ele... Sangue, que sangue? Besteira. Ele sangra muito mais que isso quando se barbeia... Não! Graças a Deus ele não é hemofílico... Você acha mesmo que ele está demorando tanto assim no toalete? Ok, então vou aceitar mais uma xicrinha de cafezinho com leitinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu tomar mais uma xícara de café, eu morro. Preste bem atenção ao que vou te falar: pára de tremer, não interessa se ela está vindo ai, não me interessa se ela está te olhando de um jeito esquisito, não me interessa se ela está ao meu lado colocando mais uma xícara daquele amaldiçoado café na minha mesa, não me venha com a desculpa de que ela está aterrorizada, não me interessa se minhas mãos em seu pescoço estão te deixando sem ar. Pare de tossir e preste bem atenção ao que eu vou te dizer, vamos olhe para mim e pare de esbugalhar os olhos, ou você se declara para ela agora ou nunca mais vai tomar café comigo. Entendeu? Entendeu? Me diga logo se entendeu. Vamos, pisque duas vezes para sim e três para não!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Interlúdio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como ela teve a coragem de te dizer isso? Eu que sempre fui tão gentil e educado. Eu que dizia olá toda vez que ela surgia feito uma aparição na minha frente com aquela bandeja cheia de xícaras e xícaras de café...? Como você pôde ouvir tudo e não me defender? Como você deixou que ela dissesse que eu sou violento? Ora, não me venha com “essas marcas de dedos que eu deixei no seu pescoço”. Ela disse isso? Ela disse que o meu vício por café vai me levar a cometer um crime e que a vítima ainda será você? Você falou para ela que eu ia à cafeteria por sua causa? E que você ia à cafeteria por causa dela? E que por causa de vocês dois eu bebia tanto café? Você falou isso para ela, falou? Para de balançar a cabeça! Que veia saltada, que veia saltada? Já te falei que não existe enfarto de estômago, não existe...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Interlúdio II&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alô. Sim aqui é o Dr. Vadinho, veterinário. Não, acho que o senhor ligou para o número errado, e antes que eu me esqueça, não existe enfarto do estômago. Quem foi que disse uma besteira dessas? Quem? Sua namorada? Ela é formada em medicina? O quê? Ela é o quê? Ora meu senhor, tenha uma boa tarde e passe bem... – desligando o telefone – É cada coisa que eu tenho que ouvir. E depois não sabem por que eu bebo desse jeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-7168889445549398335?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/7168889445549398335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=7168889445549398335&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7168889445549398335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7168889445549398335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/11/cafe-demais-nao-faz-bem.html' title='CAFÉ DEMAIS NÃO FAZ BEM'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5362571057886457295</id><published>2011-10-31T14:48:00.000-02:00</published><updated>2011-10-31T14:48:14.332-02:00</updated><title type='text'>PROFETA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;S&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;obre destruição? Ora, ela é a única saída, a verdadeira saída, a honrosa saída. Explicar? Ok vamos lá. De que adianta reformar, disfarçar a fachada, trocar a cor das tintas, mudarem os móveis de lugar? De que adianta fazer parecer que é, se não dá mais para enganar, disfarçar, mentir. Fazer que é, não fazer “para inglês ver”, fazer de conta que é... Mas sabemos que não é mais possível isso. Não, não é! Devemos então, destruir, arrasar, por abaixo, transformar em pó e depois varrer para longe, eu disse para longe, não para debaixo do tapete ou atrás da porta. Destruição, caos, bomba atômica/hidrogênio, fim. Fim, esse é o verdadeiro começo, o primeiro parágrafo, sem dois dedos. Temos que transformar tudo isso em terra arrasada, um monte de entulho, monturo de nada útil, para só depois, realmente começarmos a começar. Começar do zero absoluto, do nada, sem parâmetro outro que não aquilo que pusemos abaixo. Tudo novo, não de novo ou outra vez: do zero, com gente nova, com mentalidade nova, com vontade nova e útil, honesta e clara. Matarmos todos os velhos: velhos de idéias, velhos de manias, velhos de caráter, os velhos corruptos, os velhos malversadores do bem público. Acabar com tudo e todos para que sirva de lição para que, se não educar, assustar, se não for para respeitar ao menos para temer, temer muito. Destruição é o começo. Do pó ao pó. Aos homens o que é do homem, fim. Somente no fim, no fim mesmo, encontraremos o começo. Do ponto final ao travessão, parágrafo! Do Big Bum final ao Big Bang inicial! Que os mortos descansem de acordo com seus crimes, que o inferno se encha de pecadores e o céu aproveite e encere o chão para os novos-puros, se novos puros surgirem no novo começo. Sejamos implacáveis com o crime, penalizemos o culpado, premiemos os justos, não o contrário. Viva o fim! Bem-vindo seja o fim, te aguardo de braços abertos e mãos armadas, bendito seja aquele que apertar o botão vermelho do apocalipse. Toda honra e toda glória aos arautos do fim, o fim redentor, o fim de tudo que abrirá as portas do “segundo tempo” dessa existência estéril e fútil nesse vale de lágrimas. Bem alimentado estejam os cavalos dos Quatro Cavaleiros do Apocalipse! Que sob seus cascos tudo sucumba! Quero ser o último a partir, mesmo que doa a dor mil, um milhão, um bilhão de dores, quero ser o último a partir, pois quero ouvir os ais e os ranger de dentes, quero molhar meus pés nas lágrimas amargas de arrependimento dos injustos, dos impuros, dos ladrões, dos vendilhões, dos corruptos, dos desonestos, dos que matam, dos que mandam matar, dos que morrem por pouco, dos que mentem para ter, dos que mentem para manter, quero ser o último a ir, pois quero subir na fumaça das últimas cidades, dos últimos impérios, e quero lá do alto ver as pilhas de ossos dos barões, dos falsos nobres, dos reis, dos presidentes, dos poderosos e seus lacaios, quero ver suas viúvas chorando pela perda de seus filhos, de seus bens, de suas jóias, de sua beleza, quero então ver a terra arrasada, calcinada, destruída, reduzida às suas devidas proporções e então, só então – ah! - nesse momento, sermos todos iguais. Iguais nas perdas e na agonia, sufocados no pó, no último e derradeiro fim. Deus dê-me somente uma graça: a graça suprema de rir por último. Isso é tudo o que te peço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Garçom, mais uma cerveja antes que comece o fim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amém!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5362571057886457295?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5362571057886457295/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5362571057886457295&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5362571057886457295'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5362571057886457295'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/profeta.html' title='PROFETA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5865621609497878819</id><published>2011-10-27T15:59:00.000-02:00</published><updated>2011-10-27T15:59:31.517-02:00</updated><title type='text'>O NÃO ESCREVER</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; folha em branco&lt;br /&gt;Um desafio&lt;br /&gt;Uma faca no peito&lt;br /&gt;Que me deixa sem fôlego&lt;br /&gt;Tremem-me as mãos&lt;br /&gt;Coço a cabeça&lt;br /&gt;Arranco os cabelos&lt;br /&gt;Estalo os dedos&lt;br /&gt;Perco minutos&lt;br /&gt;(que não voltam mais)&lt;br /&gt;Olhando para janela...&lt;br /&gt;Mas a inspiração não chega&lt;br /&gt;Não manda nenhum recado&lt;br /&gt;email&lt;br /&gt;Telegrama&lt;br /&gt;Ou notícia&lt;br /&gt;Positivamente&lt;br /&gt;Hoje não escrevo mais nada!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5865621609497878819?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5865621609497878819/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5865621609497878819&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5865621609497878819'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5865621609497878819'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/o-nao-escrever.html' title='O NÃO ESCREVER'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-8472236436385083057</id><published>2011-10-26T13:18:00.001-02:00</published><updated>2011-10-27T15:27:56.903-02:00</updated><title type='text'>O ALMOÇO E A RUA</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;s praças estão para os mendigos como os céus para os urubus&lt;br /&gt;Saio para almoçar com o sentimento de culpa a me roer por dentro&lt;br /&gt;As ruas coalhadas de pedintes&lt;br /&gt;De crianças que me dão medo&lt;br /&gt;Nessa neurose afasto-me delas&lt;br /&gt;(as leprosas de hoje)&lt;br /&gt;De loucos falando sozinhos&lt;br /&gt;Desvio do mendicante na porta da farmácia&lt;br /&gt;(Me dá pena do cachorro que está com ele, estarei assim tão duro de coração?)&lt;br /&gt;No restaurante sento-me ao fundo&lt;br /&gt;Assim não vejo e não sou visto da rua&lt;br /&gt;Escondo-me atrás do cardápio&lt;br /&gt;E quase me desculpando, peço o prato do dia&lt;br /&gt;Mal acabo de comer &lt;br /&gt;(afinal tenho que voltar ao trabalho)&lt;br /&gt;E antes de por os pés na rua&lt;br /&gt;Uma mão magra e suja surge à minha frente&lt;br /&gt;A comida nem bem digerida revolve-se no estômago&lt;br /&gt;Sigo ao café&lt;br /&gt;Para tirar o amargo que me subiu à garganta&lt;br /&gt;Nem lá escapo&lt;br /&gt;Outro, a guisa, de porteiro me estende a mão e sorri&lt;br /&gt;Um sorriso sem dentes numa cara (suja) e já sem humanidade&lt;br /&gt;Bebo meu café temperado com um misto de pena&lt;br /&gt;Raiva e nojo&lt;br /&gt;Por que eu me sinto culpado?&lt;br /&gt;Que fiz para ter tal sentimento?&lt;br /&gt;Nada tirei deles&lt;br /&gt;Nada tenho de mim para dar a eles!&lt;br /&gt;(como se dando o pouco que tenho algo fosse mudar)&lt;br /&gt;O inferno se espalha pelas ruas...&lt;br /&gt;Será que só eu penso assim?&lt;br /&gt;Será que outros olhos não vêem o mesmo que os meus olhos?&lt;br /&gt;Atravesso uma selva de mãos descarnadas&lt;br /&gt;Olhos famintos&lt;br /&gt;Lamúrias, choros e reclamações&lt;br /&gt;Pragas e graças&lt;br /&gt;Na porta de outra igreja um velhinho destroça uma gaita &lt;br /&gt;Com notas desafinadas e um chapéu puído aos pés&lt;br /&gt;Ele é velho&lt;br /&gt;Seus pés são cascos duros e machucados&lt;br /&gt;Olho meus sapatos e deixo para engraxá-los outro dia&lt;br /&gt;Penso em tomar um sorvete...&lt;br /&gt;Mas acabo deixando isso prá lá também&lt;br /&gt;E, agora sim, acintosamente, acendo um cigarro!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-8472236436385083057?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/8472236436385083057/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=8472236436385083057&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8472236436385083057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8472236436385083057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/o-almoco-e-rua.html' title='O ALMOÇO E A RUA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-1070349277407012147</id><published>2011-10-25T11:23:00.000-02:00</published><updated>2011-10-25T11:23:52.987-02:00</updated><title type='text'>MEU SEGUNDO CIGARRO DO DIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ssa me aconteceu logo cedo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estava na rua fumando meu cigarrinho, o segundo do dia - o primeiro foi dirigindo até o serviço – olhando para o céu e tentando adivinhar como seria o resto do dia, se com chuva, vento, chuva e vento, chuva, vento e frio, quando um sujeito de chinelos havaiana, gasto por sinal, aproximou-se de mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes que ele pronunciasse a primeira palavra, escolado que estou nessa vida, já fui lhe dizendo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Amigo, se seu negócio é dinheiro já te aviso que não tenho. Veja só, hoje é dia cinco, e ainda estou longe do pagamento, aliás, eu e todos nestes prédios aqui em volta dessa praça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele olhou desconsolado e logo em seguida começa a desfiar a história triste de sua vida. Não pensem por essas palavras mal digitadas que sou um homem duro de coração, não, não sou, se sou duro é de bolso. Às vezes penso em invadir a seara dos pedintes para descolar mais alguns trocados, mas falta-me ainda a cara de pau para tanto. Mas sigamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contou-me ele que vinha do norte, como quase noventa e nove por cento dos que vejo e encontro pelas ruas. Mostrou-me a carteira de trabalho, quase desfeita, disse-me que estava desempregado e que queria voltar para casa, mas para tal, faltava-lhe dinheiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Explicou-me que precisava de uma determinada quantia – que não declinarei aqui, pois por não ter a quantidade que ele precisava, não quero de forma alguma a piedade de meus leitores – para completar a passagem de ônibus. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhei bem para o sujeito, estava sujo, maltrapilho, e tenho certeza que se ele tivesse a tal “parte” do dinheiro para voltar, gastaria num pão com mortadela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sou desumano, quero frisar bem isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto ele desabafava eu fumava meu cigarrinho que estava se tornando a cada tragada mais e mais amargo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após alguns minutos de conversa, ele se dispõe a ir embora, avança uns passos para a rua, e quando penso que ele vai-se enfim embora, ele pára, volta atrás e, como tentando uma última cartada ou o blefe final, fala:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabe – disse-me olhando para o alto – eu não disse para o céu, eu disse para o alto – estou pensando em subir ali na passarela (passarela que as pessoas civilizadas, utilizam para atravessar a via férrea e a avenida lotada de caminhões e pegarem a barca para o outro lado do canal) e me jogar lá de cima...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhei para a mesma direção que ele, talvez para lhe dar um certo sentimento de cumplicidade, ou para medir a altura e computar o estrago, sei lá.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passados alguns segundos, bem poucos por sinal, afinal meu cigarro já havia acabado e precisava voltar para a minha sala e encarar o serviço que lá me esperava, respondi:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pense bem rapaz, você quer pular para a morte, para o descanso final, mas pense bem, se ao invés da morte você ficar mutilado? Aqui passam muitos trens e nem sempre atropelamento por eles quer dizer que resulte em mortes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele olhou-me entre espantado e horrorizado, ele esperava de mim talvez alguma compaixão, algum milagre que fizesse surgir alguns trocados em meus bolsos, alguma coisa ele esperava de mim, menos aquela resposta. E antes que ele completasse qualquer pensamento que estivesse lhe cruzando a cabeça, concluí:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É ainda melhor pedir assim inteiro como você está agora, que ficar mutilado na porta de alguma igreja mendigando moedas, pense nisso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele atravessou a rua, e quando chegou do lado olhou-me de uma forma que não consegui traduzir, não consegui mesmo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso que salvei uma vida hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-1070349277407012147?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/1070349277407012147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=1070349277407012147&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1070349277407012147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1070349277407012147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/meu-segundo-cigarro-do-dia.html' title='MEU SEGUNDO CIGARRO DO DIA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-4038164356148665866</id><published>2011-10-24T10:00:00.001-02:00</published><updated>2011-10-24T10:03:08.967-02:00</updated><title type='text'>A BELA ARTE DE SER PESSIMISTA</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;S&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;er pessimista &lt;br /&gt;É nunca ser pego de surpresa&lt;br /&gt;Ser pessimista &lt;br /&gt;É nunca querer chegar mais cedo&lt;br /&gt;Afinal alguém já passou a noite na sua frente&lt;br /&gt;Ser pessimista é&lt;br /&gt;Não sofrer,&lt;br /&gt;Afinal você não estava esperando nada mesmo&lt;br /&gt;Tava na cara que aquilo ia dar errado&lt;br /&gt;Ser pessimista &lt;br /&gt;Tem seu charme, seu encanto&lt;br /&gt;Aquele olhar vago&lt;br /&gt;Aquela postura de quem não está nem aí com nada&lt;br /&gt;Ah! &lt;br /&gt;Ser pessimista é uma espécie de antibiótico &lt;br /&gt;Contra o otimismo vazio e inconseqüente&lt;br /&gt;Daquela postura “Poliana” de ser&lt;br /&gt;Dos que dizem bom dia, quando está chovendo&lt;br /&gt;Que quando você espirra dizem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-&lt;em&gt; Saúde&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser pessimista e saber que no fim&lt;br /&gt;A única coisa certa é o fim&lt;br /&gt;Ser pessimista &lt;br /&gt;É não abrir com sofreguidão o hollerith&lt;br /&gt;Afinal ele vai ser igual ao mês passado&lt;br /&gt;Ser pessimista &lt;br /&gt;É olhar para o céu claro e ensolarado&lt;br /&gt;E ter certeza que no sábado chove&lt;br /&gt;(e o diabo é que chove mesmo)&lt;br /&gt;Ser pessimista &lt;br /&gt;É ter prazer em argumentar com evangélicos&lt;br /&gt;(Tentem)&lt;br /&gt;Ser pessimista &lt;br /&gt;É ter certeza que ninguém me lerá.&lt;br /&gt;Ser pessimista &lt;br /&gt;É ter medo de ficar prá semente...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-4038164356148665866?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/4038164356148665866/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=4038164356148665866&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4038164356148665866'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4038164356148665866'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/bela-arte-de-ser-pessimista.html' title='A BELA ARTE DE SER PESSIMISTA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-2143399360540750961</id><published>2011-10-24T09:46:00.000-02:00</published><updated>2011-10-24T09:46:35.563-02:00</updated><title type='text'>FININHO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;F&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ininho já não era muito robusto mesmo, daí o apelido. Mas estava muito magro agora, Chupado, triste, meio corcunda, olhos fundos, cabelos oleosos, mais empurrados para trás que penteados, os ombros caídos, não andava, arrastava-se sempre três ou quatro passos atrás da gente. Não falava mais, pouco interagia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Era o primeiro a sentar-se à mesa e o último dela a sair. Não comia, via a refeição esfriar no prato, o arroz secar e amarelar-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Roubavam-lhe as misturas, bebiam seu vinho, falavam dele como se ele já não estivesse presente – e creia-me senhor, ele já não estava mais mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o tempo fomos nos acostumando com sua presença ausente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já não mais o esperávamos para as refeições, não percebíamos se estava à mesa conosco ou não. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tornou-se, embora ali em corpo e alma, invisível para nós. Somente a garçonete o via, afinal via-o e a nós como fregueses, sem qualquer distinção, mas mesmo assim ele era o último a ser atendido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seu prato era trazido e posto à frente de seus olhos mortiços que ficavam fitando a comida, já a esse tempo não fazíamos mas chacotas ou qualquer brincadeira, pois já atinávamos que a coisa era séria mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que poderia ser feito?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Perguntar-lhe o que sentia no peito, o que estava lhe acontecendo era bobagem, pois ele já demonstrava ser incapaz de falar ou de articular qualquer palavra, por mais simples que ela fosse tanto tempo estava sem conversar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sua pele - poderia ser impressão nossa - estava de branco-pálido, passando a transparente. Suas veias à mostra se expunham coloridas e pulsantes. Seus braços estavam que era duas varas finas, das suas pernas intuíamos somente os joelhos. Suas roupas sobravam sobre aquele esquálido corpo, que uma brisa, dessas de fim de tarde, poderia partir ao meio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tomávamos agora, muito cuidado para não esquecê-lo em algum lugar, pois houve uma sexta-feira que o deixamos encostado no balcão dum bar, e só demos pela sua falta horas mais tarde no bilhar, já do outro lado da vila. Não fosse a boa-vontade dum taxista primo dele, só buscaríamos na segunda-feira...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois desse susto passamos a prendê-lo numa espécie de coleira, presa a seu pulso e no pulso do “sorteado” do dia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas mesmo com tanto cuidado, desvelo, um dia sumiu...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Procuramos em todos os lugares que freqüentávamos, fomos aos bares, botequins, bilhares, zona, até na peixaria, onde uma vez, para testar se “a ausência” era doença mesmo ou safadeza nós deixamos um sábado inteiro, da manhã à noite encarando um atum congelado. E nem mesmo lá ele estava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onde ele teria ido? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém tinha a menor idéia de seu paradeiro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sumiu! – era essa a única resposta que ouvíamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Somente muitos meses depois, quando Fininho já havia se tornado uma lenda urbana, viemos a saber de seu paradeiro e de seu triste fim e mesmo assim a notícia veio do jeito mais bisonho possível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bebíamos como bebíamos todas as noites e todos os dias e fins de semana e dias de semana, para comemorar ou para chorar alguma besteira, quando ouvíamos por puro acaso - pois sempre fazíamos muito barulho nos bares – a também triste história de uma moça que havia se enforcado por conta de uma história de amor não correspondido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A moça apaixonara-se um rapaz, mas esse tímido ou covarde nunca lhe correspondeu o sentimento limitava-se a vê-la à distância, enviando-lhe, de quando em quando breves bilhetes, onde prometia que um dia se aproximaria dela, e que nesse dia pediria sua mão em casamento. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O tempo foi passando e nada do dia dele se apresentar à sua frente, nada de ouvir-lhe a voz, abraçá-lo, enfim!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contaram por fim que numa manhã dessas, uns meses atrás, a moça abriu a janela de seu quarto, e na calçada, ela viu um monte de pó e restos de roupas, onde ela reconheceu as roupas do Fininho, dele que nunca foi homem de achegar-se a ela, homem de dirigir-lhe a palavra...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desesperada, varreu aquele monturo para dentro de um balde e o carregou para dentro de casa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora, somente agora, sabíamos que fim ele tinha levado. Desfez-se de amor, de covardia, de impotência...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então bebemos, bebemos como se todas as cervejas do mundo fossem se acabar nessa noite, bebemos aliviados, bebemos resolvidos a esquecermos de vez Fininho e sua história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-2143399360540750961?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/2143399360540750961/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=2143399360540750961&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2143399360540750961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2143399360540750961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/fininho.html' title='FININHO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-1445756875618484443</id><published>2011-10-21T09:22:00.000-02:00</published><updated>2011-10-21T09:22:47.611-02:00</updated><title type='text'>CONVERSAS ENTRE O TERCEIRO E O PRIMEIRO MUNDO VIA E-MAIL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;onversava via e-mail, ontem, na minha hora do café, com um amigo que mora em Londres. Falava, não, descrevia como funciona minha repartição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Explicava para ele o (des)funcionamento, pelo menos na minha seção. Há uma senhora, entrada em anos (e anos e anos) que não faz outra coisa que ficar pendurada ao telefone, da hora em que chega à hora em que sai, fazendo fofocas, reclamando da vida, dos regimes e do marido, necessariamente nessa ordem...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele de lá, do outro lado do oceano, e morando no primeiro mundo, não conseguia entender como ela continuava trabalhando aqui. Fiz-lhe ver que ela tem a garantia da estabilidade, não poderia ser mandada embora. Perguntou-me, já espantado se ela não poderia ser mandada para outra seção? Expliquei-lhe que não, não poderia ser enviada para outra seção porque ninguém a queria, já a conheciam e sabiam que ela não gosta de trabalhar e ainda tem a agravante de ser encrenqueira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Logo ninguém mexe com ela por medo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por uns minutos ele não se manifestou do outro lado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensei que havia desligado o computador achando que sou mentiroso. Mas logo depois tornou a escrever, estava incrédulo, e tentando entender essa situação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda perguntou como funcionava o serviço aqui na repartição.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Professoralmente volto a explicar-lhe o funcionamento (não riam, não riam) da máquina. Digo-lhe então que o que importa à chefia é que o serviço seja feito, não importa por quem/como/de que forma, e dane-se se para isso alguns trabalham mais e outros menos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra vez ele ficou vários minutos sem me responder, aliás, mais tempo ainda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Voltando, termina nossa conversa assim:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É por isso que deixei o Brasil e só volto aí para as férias!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Despedimo-nos e voltei a encarar a mesa cheia de papeis, enquanto a madame discutia, ao telefone, um novo regime a base formicida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Formicida, eu disse?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não, não, não! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu já estava começando a surtar, discretamente saí para fumar, afinal os papeis ainda poderiam esperar mais uns minutos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Regime a base de formicida... – fumava e sacudia cabeça repetindo baixinho – regime a base de formicida...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-1445756875618484443?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/1445756875618484443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=1445756875618484443&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1445756875618484443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1445756875618484443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/conversas-entre-o-terceiro-e-o-primeiro.html' title='CONVERSAS ENTRE O TERCEIRO E O PRIMEIRO MUNDO VIA E-MAIL'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-3397271931981036431</id><published>2011-10-20T13:34:00.007-02:00</published><updated>2011-10-20T16:50:08.973-02:00</updated><title type='text'>Um Conto de Dois Autores</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;Ou&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;em&gt;O Resultado de Uma Obra Aberta&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;By Costa &amp;amp; Prado&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;S&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;alto alto nº18, pernas finíssimas e cabeleira solta ao vento, cobre o rosto com a mão esquerda para proteger os olhos do sol. Encara uma montanha, olha-a de alto a baixo e começa a subida. Cada dois passos uma parada para puxar a saia curta para baixo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O que leva uma pessoa a resolver escalar uma montanha? De salto alto nº 18? Mais ainda, como essa pessoa foi parar de fronte a uma montanha? Como ela pode pensar em proteger-se das intempéries vestida dessa forma.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O céu embora claro, azul, está frio, muito frio, vento cortante que fatalmente embaraçará seu longo cabelos louros e sedosos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;De onde teria vindo essa mulher? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Sinceramente não sei lhes responder. Nem sei como comecei a escrever essas linhas, e enquanto escrevo procuro por um começo, pois como pôde perceber o leito, esta história já está no meio.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Pensei por vários minutos, já digitei e apaguei várias vezes essas últimas linhas. Sei que enquanto escrevo, ou tento escrever, a pobre loira está subindo a montanha com seu salto alto, e sentindo frio. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Temo que ela morra antes de eu conseguir desenvolver algo mais...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O que fazer?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;O que fazer...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Já sei, peço ao leitor (que lamentavelmente não se aperceberá do lapso de tempo) paciência enquanto transfiro o, senão desenlace, desenvolvimento deste texto pelo amigo Alexandre Costa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Deixa a ele a criação de:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;1. Motivo para ela estar onde está;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;2. Razão (se uma razão houver) &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;3. Para estar vestida desse jeito ao pé de uma montanha;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;4. O nome da montanha, haja vista que estou moendo os miolos e não me surgiu nenhum nome interessante&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Caros leitores aguardem por mais, pois tenho certeza que o Sr. Alexandre Costa saberá encaminhar bem essa história&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;P.S. E pensar que enquanto envio esse texto por e-mail a pobre moça pode estar congelando...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;P.S. 1 Sei que o Sr. Alexandre Costa implicará com a fonte que estou usando, Times New Roman, e só para me contrariar usar outra... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Não vejo motivo aparente. Nem nas profundezas mais baixas de uma mente perturbada e esquizofrênica poderia imaginar a criação de tal personagem. Mas, enfim, devo arrumar a confusão em que o meu amigo Roberto Prado colocou nossa personagem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Motivos existem bastantes, aliás, são os motivos que nos movem, nos impele para frente (e às vezes para trás). Assim como há um motivo (mesmo que seja obscuro) para que esta personagem esteja ao sopé de uma montanha, também houve um motivo para meu caro amigo colocá-la lá. Mas, se não houve, cabe a mim inventar tal razão... E por que não? Tentarei dar um rumo à moça loira, ou desviá-la totalmente dele (sem saber ao certo o que se passa na cabeça de meu amigo Roberto) .&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Penso que, antes de estar onde se encontra neste exato momento, nossa misteriosa loira partiu em uma busca solitária, busca por suas antigas e quase extintas raízes soviéticas ou suecas (já que ela é loira)... e penso que seja uma loira verdadeira. Provavelmente ela estava caminhando pelo centro da cidade e ao notar o caos que abraçava seu espírito, saiu em desatinada carreira para algum lugar tranqüilo, que lhe desse um pouco de paz, e nada como uma montanha alta e desconhecida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Razão e sensibilidade, que palavras mais emblemáticas para um personagem. Talvez não houvesse razão para que ela fizesse o que fez, mas também poderia dizer que razões são como pintas nos braços: cada um tem a sua.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Mas existe uma coisa intrigante nesta história: por que ela estava vestida daquela maneira descrita por ele? Seria uma atriz pornô fugitiva de um set de filmagens? Seria uma figura importante da sociedade em fuga dos fotógrafos indecentes e fofoqueiros? Seria ela uma primeira ministra ou uma política famosa? Seria ela uma modelo tentando bater um recorde ridículo do “livro dos recordes?” Seria ela fruto de uma mente sexualmente ambígua e doentia, caminhando em direção ao seu grande fetiche: transar numa montanha gelada? Seria ela uma pessoa totalmente desimportante tentando a todo custo ser importante? Seria ela uma louca varrida? Seria ela uma maneira involuntária e subconsciente da mente criativa de um autor de contos de colocar suas fantasias bizarras para fora? Expulsar seus fantasmas? Seria ela apenas uma miragem? Seria ela a pergunta que não quer calar ou a voz que não pode gritar? Seria ela a metáfora da beleza feminina e a montanha a metáfora da vitória, num embate entre o êxito e a derrota? O que seria ela afinal?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Puxa, tenho mais o que fazer do que ficar quebrando a cabeça com essas coisas!Devo lembrar tanto ao amigo Roberto, quanto aos leitores, que a montanha que nossa personagem tenta vencer se chama: Pico Áureo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Vamos ver se agora, com todas essas dicas que dei, ele embala essa história.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Em tempo: me faz um favor, troca essa fonte!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Não trocarei essa fonte!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Dito isso sigamos, mas não sem antes uma pequena observação assaz jocosa: “Acabo de descobrir que o Senhor Alexandre é fã de Jane Austin”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Anoitece, o sol frio e frígido se põe por trás do Pico Áureo a névoa promete uma noite congelante, ao longe, onde a escuridão começa a dominar, ouve-se o uivo de lobos, e uma lua minguante mal se faz perceber no céu... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Angelina, só agora, passado o torpor do uísque drogado dá-se conta de onde se encontra, e grita, grita um grito primal, grito esse que vem de seus antepassados das cavernas, o grito de quem encara a fera feroz , seus gritos ecoam pelo ar frio e, creio eu, não chega ao topo da montanha. Ajoelhada como quem vislumbra horrorizada a estátua da Liberdade no filme O Planeta dos Macacos, ela soca o chão e chorando diz:&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;- Não, não, nããããããããão malditos! – que, garanto-vos, também não chegou ao topo do Pico Áureo. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Decidida a entregar-se á morte , ela estira-se ao solo e deixa-se congelar. Melhor morre que tentar entender o que estava acontecendo ali.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Enquanto adormece enregelada, sonha&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Sonha com uma reunião de amigas do tempo da faculdade de comunicação, lembra-se de dançar, dançar como se o mundo fosse acabar às quatro da madrugada, de beber, beber muito, aceitar drinks de homens lindos, modelos e até mesmo de um senhor albino de óculos escuros, óculos escuros, ócul...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;Então quando tudo mais parecia perdido, uma mão a cobre com uma manta confeccionada com couro de lobos. A madrugada fica menos fria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;Espero ter agradado ao Sr. Costa, sujeito culto e nervoso, independente de minha predileção pela fonte atual&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Acho melhor mesmo matar esta personagem, afinal de contas o que uma loira burra e semi-nua está fazendo tentando subir uma montanha congelada numa noite fria???? Que falta de imaginação!!!! E nem ela mesmo sabe o por que!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Provavelmente é mais uma história regada a vampiros e sexo animal do Sr. Roberto Prado. Meu caro amigo, pare de tomar esses remédios!!!!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;Acho melhor dar outro caminho para essa loira&lt;em&gt;.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;stava ela deitada de costas nas areias mornas de uma praia branca em algum continente menos frio, sonhava com as aulas de pára-quedas que haveria de ter um dia. Olhava para as nuvens branquíssimas no céu e tinha certeza de que o frio nunca passaria por perto daquele lugar. Bebeu seu Martini com uma azeitona que enfeitava a taça e decidiu entrar para a sua suíte no hotel e tomar uma ducha refrescante.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;em&gt;Assim é bem melhor, vocês não acham??? &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Courier New&amp;quot;, Courier, monospace;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-3397271931981036431?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/3397271931981036431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=3397271931981036431&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3397271931981036431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3397271931981036431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/um-conto-de-autores.html' title='Um Conto de Dois Autores'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5399443097902282774</id><published>2011-10-19T14:42:00.001-02:00</published><updated>2011-10-19T14:43:06.731-02:00</updated><title type='text'>O CARRASCO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;P&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;assos fortes e pesados de botas ecoava pelas escadas de pedra bruta que levava à masmorra, o verdugo deliciava-se com os gemidos e ais que subiam junto com o ar quente fétido lá de baixo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto descia ia batendo com o látego nas botas. Esquentando o couro para a seção de tortura diária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ainda me pagam para isso – ria consigo mesmo enquanto futucava a cárie de um dente com um palito e de lá tirava uma lasca de carne.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com um chute violento abriu a porta de madeira maciça. Não estivessem agrilhoados, teriam pulado até o teto. O som tilintante das correntes agradou ao verdugo, sim ele era pago para isso...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Chicoteou o ar com raiva e prazer, e os condenados uivaram de dor, condicionados que estavam com as torturas brutais e diárias. O carrasco, vaidoso de seu mister, aprimorava-se agora na arte da tortura psicológica. Já nem precisava açoitá-los para que sentissem dor, o simples estalar do chicote no ar já os fazia contorcerem-se de agonia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Muito bom assim – gritava. Poupam-me de gastar o couro no sangue sujo de vocês. – O ar era açoitado sob gargalhadas e gritos de dor. Gritem, gritem. Quero ouvir vocês pedindo mais, peçam mais, vamos peçam mais...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas em meio a tanto berreiro um voz se fazia ouvir debilmente, uma voz chorosa, fraca e submissa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim. É assim que eu gosto - e unindo voz a ação passou a vergastar as costas do pobre infeliz. – Vamos peçam mais, peçam mais. Tenho lambada para todos, vamos peçam mais, quero ver todo mundo dançar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só parou a tortura quando o suor empapou-lhe o capuz negro de couro. Tomou de uma caneca de vinho que estava sobre um catre vazio, e entornou-se de uma só vez. Limpou a boca com as costas da mão e alisando o chicote começou a ponderar com os pobres coitados que lá estavam:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Parece-me que vocês passaram a gostar da tortura. Há quanto tempo torturo vocês? Há quanto tempo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra vez aquele débil miserável levanta o dedo indicador da mão esquerda – toda a mão direita já havia sido decepada e cauterizada com uma tocha que iluminava a masmorra – e tenta falar com um fio de voz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Senhor... - tosse num murmuro mais fraco ainda – senhor...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Seguido de uma violentada chicotada que arranca-lhe a orelha, o carnífice fala:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A pergunta foi retórica, retórica – e com outra vergastada arranca-lhe a orelha direita agora. - Mais alguém quer falar alguma coisa?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um silêncio covarde encheu a sala, só quebrado pela gargalhada selvagem do algoz que agora chicoteava de verdade e com vontade os prisioneiros acorrentados nas paredes verdes de musgo e umidade. Pouco ainda tinham forças para gritar ou mesmo chorar. Muitos já haviam padecido tanto que estavam imunes a dor, já não sentiam nem mais as articulações, eram pele, osso e apatia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que estavam lá? Não mais se lembravam...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quais crimes cometeram? Crimes? Fossem quais fossem os crimes, à essa altura já estavam todos redimidos, todas as culpas espiadas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para desgosto do verdugo já estavam acostumados à dor, à humilhação, aos maus tratos. Não sabiam os governantes que a maior tortura impetrada contra eles era justamente a falta da tortura. Nada era pior para eles que o domingo, dia em que o inimigo-irmão descansava. Um dia perdido, um dia sem utilidade, um dia em que “o dia não passava”, um dia perdido. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tortura maior não era a tortura, mas a falta dela!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vamos confessem, confessem alguma coisa – mais que gritar, implorava o biltre torturador – me dêem mais razão para fazê-los sofrer. Vamos não me façam chicoteá-los à toa, me dêem motivo. Preciso de motivação, estou farto de ser chamado de sádico...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O maldito bárbaro não percebia que suas ameaças eram vazias, ele lidava com mortos-vivos, cujo único prazer agora era o sofrimento, a dor, a humilhação, a vergonha de tamanha fraqueza, e vontade de viverem mais um dia, para ter a garantia da dor de amanhã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ainda vou acabar matando um de vocês qualquer hora dessas, vamos me digam alguma coisa!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E outra vez, aquele fiozinho de voz, impotente, quase sobrenatural, fez-se ouvir:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Senhor –tosse – senhor...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Sim infeliz, parece-me que só você está disposto a falar hoje. Fale logo antes que lhe corte a língua com outra vergastada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tremulo de felicidade por ter conseguido a atenção de seu carrasco, e olhando com superioridade para os colegas presos nas paredes diz com indisfarçável regozijo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Senhor – tosse - senhor... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Impaciente e temeroso que a confissão do infeliz acabasse com o seu prazer profissional, ele arranca-lhe a língua com uma certeira chibatada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Se alguém comentar que eu fiz isso eu peço as contas. Vocês querem isso?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E em uníssono, como que uma coreografia ensaiada à exaustão, todos, dançando presos às paredes, responderam:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, não, não, não...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As palavras ecoaram para fora da masmorra, atravessaram as paredes e o teto chegando ao ouvido do rei, que satisfeito comenta com um de seus ministros:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Esse carrasco é bom!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5399443097902282774?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5399443097902282774/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5399443097902282774&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5399443097902282774'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5399443097902282774'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/o-carrasco.html' title='O CARRASCO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-2519386297846299771</id><published>2011-10-18T09:08:00.001-02:00</published><updated>2011-10-18T09:13:04.447-02:00</updated><title type='text'>Dona Denaide e Seu Abelardo</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;(Outro Drama Relâmpago)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Cenário:&lt;/strong&gt; Uma repartição pública caindo aos pedaços.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Personagens:&lt;/strong&gt; Dois velhíssimos funcionários, os únicos que sobraram, e que esperam pela aposentadoria, Abelardo e Dona Denaide.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Tempo:&lt;/strong&gt; Um futuro, infelizmente, muito próximo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O relógio quebrado há mais de vinte anos, na parede, indica que são 13h30minhs.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Abelardo fala::&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi mocinha, ô mocinha, vira pra cá, ô mocinha...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A mocinha vira-se, lentamente para ele, começando pelo pescoço, enrugado, alguns segundos depois, o tronco rijo feito um jatobá centenário, e finalmente a bacia, que já possui uma prótese de platina, o único bem que ela possui nessa vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dona Denaide:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que é que você quer? Já esqueceu o meu nome de novo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Abelardo:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É que sem poder ver o crachá, não dá para lembrar o seu nome...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dona Denaide:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Denaide! Meu nome é Denaide, há quarenta anos que trabalhamos juntos, como você pôde esquecer o meu nome? O que é que você quer afinal?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tosse, tosse muito, abre a bolsa, e tira de lá uma bombinha para bronquite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abelardo, muito nervoso, segurando um carimbo, que está de cabeça para baixo, resmunga:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Abelardo:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O que é que eu quero? Foi você quem me chamou...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passa o tempo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais ou menos uns quinze minutos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Abelardo:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mocinha, ô mocinha, será que você poderia me fazer um favor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dona Denaide, nervosa, procurando o óculos, que está sobre a sua cabeça, larga a revista que estava lendo, também de cabeça para baixo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dona Denaide:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Abelardo, já te falei, meu nome é Denaide, Denaide, olhe aqui o meu crachá. - e falando para si mesma - Quarenta anos, quarenta anos e nada de sair a minha aposentadoria...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai até a mesa de Abelardo, com a bombinha na boca e aspirando feito uma resgatada de afogamento, e esfrega o crachá na cara dele, cheia de rugas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dona Denaide:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Olha aqui Abelardo, lê o que está escrito aqui, lê!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Abelardo:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Denaide! Mas que nome bonito a senhora tem, Denaide! Denaide...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fica olhando para o crachá e esquece da vida. Os olhos fitam o vazio, o carimbo cai-lhe da mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dona Denaide gritando:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Abelardo! Você trabalha comigo a quarenta anos, pare de ficar olhando essa foto, eu tinha vinte anos aí. Acorda Abelardo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abelardo acorda de um sono de olhos abertos, e pergunta a Denaide o que ela está fazendo em sua mesa, gritando daquele jeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dona Denaide:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Abelardo você não tem mais remédio! Tá um velho gagá. Foi você que me chamou aqui duas vezes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abelardo, ainda com o crachá de Denaide nas mãos, os olhinhos brilhando, talvez de paixão, pergunta:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Abelardo:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É filha, ou neta sua, essa mocinha tão bonita?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Dona Denaide&lt;/strong&gt;, surta!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Essa na foto sou Abelardo, sou eu! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levantando as mãos aos céus, &lt;strong&gt;Dona Denaide&lt;/strong&gt; grita:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Meu Deus, se não podemos aposentar, por favor, me leve. Me tire daqui...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vira-se e começa a voltar à sua mesa, tossindo, quando Abelardo a chama de novo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Abelardo:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mocinha, ô mocinha, se você ver a dona Denaide por aí, por favor, peça a ela que me traga uma frauda geriátrica. Acho que me urinei de novo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dona Denaide, enquanto dirige-se ao banheiro, chora e aspira convulsivamente a bombinha para a bronquite.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Abelardo, molhado, sonha com a mocinha da foto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(que)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: x-large;"&gt;FIM&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-2519386297846299771?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/2519386297846299771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=2519386297846299771&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2519386297846299771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2519386297846299771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/dona-denaide-e-seu-abelardo.html' title='Dona Denaide e Seu Abelardo'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6682289420265171481</id><published>2011-10-18T08:51:00.000-02:00</published><updated>2011-10-18T08:51:34.268-02:00</updated><title type='text'>DE PALAVRAS E PENSARES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ão somos assim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tão herméticos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Secretos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Encriptados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Cifrados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Truncados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que impeça a compreensão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;De tudo o queremos dizer&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não usamos palavras arcanas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Tão-pouco línguas mortas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Descartamos o grego e o latim&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Facilitamos o meio e a mensagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E nutrimos a crença&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que alguém ainda nos traduza&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Facilite a compreensão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Amplifique a explanação&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Espalhe aos quatros vento&lt;br /&gt;Por todos os pontos cardeais&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Nossas palavras e pensares&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mas paro e penso:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;- Afinal escrever para quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Se ninguém nos lê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6682289420265171481?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6682289420265171481/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6682289420265171481&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6682289420265171481'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6682289420265171481'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/de-palavras-e-pensares.html' title='DE PALAVRAS E PENSARES'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-2389830464519911025</id><published>2011-10-14T10:41:00.000-03:00</published><updated>2011-10-14T10:41:25.615-03:00</updated><title type='text'>ARTE NAQUELE BAR</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;T&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;em coisas que só acontecem naquele Bar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejam isso! Depois da proibição de fumar dentro do bar ou mesmo na sua marquise, os fregueses passaram a reclamar das músicas que o galego tocava lá. Era breganejo, pagode, forró, dor-de-cotovelo, dor-de-corno, dores-de-amores, e outras tantas misérias que rara era a noite que um ou outro não tentava cortar os pulsos com um caco de garrafa de cerveja. Pois cansado dos protestos, ele resolveu inovar e vejam só a encrenca que ele criou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entra um casalzinho, procuram uma mesa bem discreta nos fundos, perto da cozinha e ao lado dos banheiros – sim a vigilância sanitária parece que não passa lá há muitas eras. Ouso dizer, culpa do Senhor Vadinho – dão-se as mãos, olham-se nos olhos, pedem uma coca com gelo e limão e dois copos – no bar do Galego não tem canudinhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela, segurando a mão do rapaz começa a falar quando a luz se apaga, o galego trepado em cima a de uma pipa de chope começa a falar: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;Galego&lt;/strong&gt; - Atenas. O pa¬lá¬cio de Teseu. Entram Teseu, Hipólita, Filóstrato e pessoas do séqüito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E saindo dos banheiros, um homem e uma mulher com os corpos cobertos por lençóis e começam a falar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;TESEU&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- Depressa, bela Hipólita, aproxima-se a hora de nossas núpcias. Quatro dias felizes nos trarão uma outra lua. Mas, para mim, como esta lua velha se extingue len¬ta¬men¬te! Ela retarda meus anelos, tal como o faz madrasta ou viúva que retém os bens do herdeiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;HIPÓLITA&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;- Mergulharão depressa quatro dias na negra noite; quatro noites, presto, farão escoar o tempo como em sonhos. E então a lua que, como arco argênteo no céu ora se encurva, verá a noite solene do esposório.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;strong&gt;TESEU -&lt;/strong&gt;&amp;nbsp;Vai, Filóstrato, concita os atenienses para a festa, desperta o alegre e buliçoso espírito da alegria, despacha para os ritos fúnebres a tristeza, que essa pálida hóspede não vai bem em nossas pompas. (Sai Filóstrato.) De espada em mão te fiz a corte, Hipólita; o coração te conquistei à custa de violência; mas quero desposar-te com música de tom mais auspicioso, com pompas, com triunfos, com festejos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O galego, com uma toalha xadrez verde e vermelha enrolada à volta da cintura, torcendo os bastos bigodes, diz emocionado:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Galego&lt;/strong&gt; - Entram Egeu, Hérmia, Lisandro e Demétrio!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O rapaz que segundos antes interpretava Teseu, muda de lençol que antes era amarelo, para um lençol branco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- EGEU -¬ Salve, Teseu, nosso famoso duque! - E mudando o lençol amarelo para branco novamente, - TESEU - Bom Egeu, obrigado. Que há de novo? – e mudando outra vez a cor de lençol - EGEU - Cheio de dor, venho fazer-te queixa de minha própria filha, Hérmia querida. Vem para cá, Demétrio. Nobre lorde, tem este homem o meu con¬sen¬ti¬men¬to para casar com ela. Agora avança. Lisandro. E este, meu príncipe gracioso, o peito de Hérmia traz enfeitiçado. Sim, Lisandro, tu mesmo, com tuas rimas! Prendas de amor com ela tu trocaste; sob a sua janela, à luz da lua, cantaste-lhe canções com voz fingida, versos de amor fingido, e cativaste as impressões de sua fantasia com cachos de cabelo, anéis, brinquedos, ramalhetes, docinhos, ni¬nha¬rias, men¬sa¬gei¬ros de e¬fei¬to de¬ci¬si¬vo nas jovens ainda brandas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse momento crucial, eles são abruptamente interrompidos, pois a mocinha que tudo via sem nada entender, assustada começa a chorar e pede para ir embora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;Mocinha&lt;/strong&gt; – Você me prometeu uma noite romântica e me trás num antro de loucos? Cadê as músicas de amor, cadê os músicos seus amigos? Você me trás para ver essa indecência? Homens e mulheres semi-nuas vestida em lençóis...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O rapaz, intelectual achando que estava impressionando a namorada, fica sem graça, olha envergonhado para os atores - esses sim seus amigos, não os músicos citados pela namorada – chama o galego e pede a conta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levanta-se e segue em direção a saída, mas antes de descer para a rua grita pro galego:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu falei que essa droga de William Shakespeare não ia dar certo, da próxima vez tem de ser Plínio Marcos, Plínio Marcos, o povão não quer arte, quer palavrão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No dia seguinte o Galego escreve com giz na tabuinha na porta do estabelecimento:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Prato do dia:&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; Buchada de Bode, lentilhas, batatas ao murro e à noite “Navalha na Carne”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-2389830464519911025?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/2389830464519911025/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=2389830464519911025&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2389830464519911025'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2389830464519911025'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/arte-naquele-bar.html' title='ARTE NAQUELE BAR'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' 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rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/274479860236907292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/274479860236907292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/constatacao.html' title='CONSTATAÇÃO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5830902681406220079</id><published>2011-10-13T07:39:00.001-03:00</published><updated>2011-10-13T07:39:25.676-03:00</updated><title type='text'>CONSTATAÇÃO</title><content type='html'>QUANDO ESTAMOS NA MERDA CONHECEMOS AS MOSCAS; NA FARTURA, AS PESSOAS!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5830902681406220079?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5830902681406220079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5830902681406220079&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5830902681406220079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5830902681406220079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/cosntatacao.html' title='CONSTATAÇÃO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-7410989464582800686</id><published>2011-10-12T09:23:00.000-03:00</published><updated>2011-10-12T09:23:53.724-03:00</updated><title type='text'>﻿A NOITE SERÁ LONGA...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;sobre a mesa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;garrafas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;copos virados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;cascas de amendoins&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;sob ela&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(a mesa)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;dorme um cachorro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;que&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;cansou de esperar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;por uma porção calabresa com cebolas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;risadas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;gargalhas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;um de cara feia&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(vítima talvez dos risos)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;um estalo de dedo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;outra&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;garrafa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;beber para ignorar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o telão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;onde canta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(prá desgosto dos bem pensantes)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;celine dion&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o cachorro se incomoda&lt;br /&gt;com aqueles agudos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;lancinante&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e ameaça ir-se de vez&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;mas ele sabe&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;que outra rodada de&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;tira-gosto pode chegar&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;um cigarro é aceso&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;olhares que convergem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;uma pressão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(ou opressão?)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;sem uma única tragada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;vai o cigarro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ao chão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;é pisado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;num misto de raiva e frustração&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;chega o garçom&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;outra cerveja&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o cão se lambe&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;enchem-se os copos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;riem-se por nada&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;a noite chega&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;as garrafas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;os copos se chocam&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e alguém grita:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;- um brinde ao Vadinho!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;palmas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;hurras&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e vivas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;copos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ao alto&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;alguém comenta soturno e sacana:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;- &lt;em&gt;e pensar que o Magrão não bebe cerveja...&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Melancólico&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;embaixo da mesa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;com o rabo entre as pernas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o cão&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;contenta-se em roer&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o cigarro apagado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;a noite será longa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-7410989464582800686?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/7410989464582800686/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=7410989464582800686&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7410989464582800686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7410989464582800686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/noite-sera-longa.html' title='﻿A NOITE SERÁ LONGA...'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' 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furioso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do barril de vinho tinto tinto, o taberneiro tirou uma jarra que foi pingando em direção à mesa, deixando no chão um falso rastro de sangue. O sedento animal bebeu o vinho tinto na própria jarra, mais banhando-se nela que saciando-se, ao fim despencou na mesa imunda de resto de comida e dormiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O taberneiro com um sinal fez com que os empregados retirassem de lá o monstro e jogassem na rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dois dos empregados correram para cumprir as ordens do patrão, mas a força combinada deles nada conseguia movê-lo, chamaram então mais dois empregados, que nada conseguiram também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi preciso o auxílio dos fregueses para derrubá-lo ao chão e com esforço empurrá-lo à rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que teria comido aquela criatura para pesar tanto assim? - Perguntavam-se os bêbados entre si.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passado poucos segundos, a porta da taberna abre-se com violência e o monstruoso bêbado torna a entrar gritando que quer mais vinho tinto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Mais vinho tinto não há. – Responde o taberneiro pressentindo a tempestade que se abateria sobre a sua taberna. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como não tem mais vinho tinto? – Urrou feito um urso o bêbado, estufando o peito como se feito um lobo de história infantil, fosse soprar todos à sua frente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O taberneiro não se intimidando gritou de trás do balcão que não havia mais vinho tinto e que ele já iria fechar a taberna, pois como todos ali, estava exausto e queria dormir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O urro do animal foi tremendo e fez até o mais empedernido dos fregueses temer pela própria vida. Mas nem isso fez o taberneiro mudar de opinião. Não serviria mais vinho tinto para ninguém. Ninguém, frisou, conseguindo assim perder a cumplicidade dos outros fregueses que bebiam ali.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensava o taberneiro que falando assim, faria com que os bêbados enfurecidos expulsassem o encrenqueiro de vez para a rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro urro, agora parecido com um rugido o fez repensar sua decisão de não servi-lo mais. Como um urso selvagem o monstruoso bêbado batia com os punhos no peito molhado e gritava que arrebentaria tudo ali se não fosse servido imediatamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os fregueses olhavam para o proprietário implorando para servir logo aquele sujeito. O medo estava estampado nas faces vermelhas e alcoolizadas. Por um longo e interminável segundo o silêncio reinou naquela taberna, logo partido por uma cadeira que voou em direção a um pobre infeliz que bebia sozinho sentado num canto, quebrando-lhe o pescoço e levando-o a morte instantaneamente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passando a mão no rosto o pobre taberneiro falou para si mesmo:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eis a tempestade, agora não tem mais volta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto todos acorriam para ver o morto, o taberneiro numa calma anormal para aquela situação, dirigiu-se para o balcão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em volta do cadáver que ainda mantinha preso a mão a caneca de vinho tinto, os homens agora refeitos da bebedeira olhavam com a respiração suspensa para o proprietário. O que ele faria agora? O assassino ignorando o morto, as testemunhas, a situação à sua volta, rosnava:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Meu vinho tinto ou outra morte?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouviu-se o baque do corpo do morto caindo no chão outra vez, agora largado dos braços dos que o socorriam. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O infeliz praticamente morreu duas vezes no mesmo lugar – lamuriar-se-ia a viúva durante o seu funeral, dias mais tarde...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os passos do possesso em direção ao balcão fazia o chão tremer, e os homens que a gora queriam fugir do mesmo destino do morto, começaram a bater os dentes por puro terror. Atrás do balcão com as duas mãos espalmadas, o taberneiro olhava para o monstro que vinha em sua direção. Eles se olhavam nos olhos, não piscavam, não tremiam, não demonstravam medo, eram duas estátuas sem qualquer sentimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os passos abafavam qualquer outro som. E que outro som se ouviria ali que não os de corações bombeando sangue? Passos fortes, pesados, furiosos, assassinos, passos de um animal pronto para o bote, passos que levariam o predador à presa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O morte estava presente e tão faminta de cadáveres como a Besta estava sedenta de vinho tinto. Por fim o monstro chega ao balcão, bate com a mãozarrona no balcão e chegando sua cara ao rosto pálido do taberneiro rosnou?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vai me servir o vinho tinto ou não?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O hálito da fera era horrível. De quê se alimentaria esse demônio?, que criaturas ele já deveria ter devorado? Pegando outra cadeira, ele a jogou contra uma janela. O vento úmido de chuva que entrou apagou a maioria das velas, deixando o ambiente ainda mais assustador. Os bêbados tentavam, arrastando-se pelas paredes, chegarem à porta e fugir, mas adivinhando a fuga, o monstruoso bêbado empurrou a mais pesada das mesas com apenas uma das mãos na direção deles, deixando bem claro qual era a sua intenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ninguém sai daqui até eu mandar – rosnou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até o morto, que morto estava, encolheu-se ainda mais, quebrando a caneca que estava em sua mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O taberneiro via tudo isso impassível, inabalável, impávido. Era uma demonstração de coragem e virilidade que há muito não se via naquelas redondezas. Um dos bêbados chegou a cochichar que se saísse vivo daquela confusão, indicaria o nome do taberneiro para o alcaide da vila.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas com o bater das mãos do mostro no balcão todos voltaram à realidade, realidade que não oferecia nenhuma garantia de vida essa noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vai me servir o vinho tinto ou não taberneiro? – Gritou dessa vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silêncio, corações disparados, a certeza de morte no ar e o taberneiro imóvel atrás do balcão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vai me servir o vinho tinto ou não homem morto? – falou crispando os dedos e com a as unhas arrancando farpas da madeira do balcão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O taberneiro olhando profundamente nos olhos do monstro, encarando cada freguês ali assustado, pigarreou, cuspiu no chão e chegando bem perto do ouvido direito daquela monstruosidade disse:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O vinho tinto acabou, o senhor aceita branco?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-8119618294575274591?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/8119618294575274591/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=8119618294575274591&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8119618294575274591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8119618294575274591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/v.html' title='O MONSTRO NA TABERNA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-154479564715717158</id><published>2011-10-07T11:34:00.001-03:00</published><updated>2011-10-07T11:35:31.729-03:00</updated><title type='text'>CAOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;“All I need's a Holocaust&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;To make my day complete”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;Alice Cooper in My Stars&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;m forma de impostos extorsivos, cobranças abusivas, falta de garantias e crimes mil, a população há muito tempo era penalizada. Para cada imposto, uma explicação descarada e sem sentido, a justiça ausente e venal, o crime presente e a descrença crescente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As pessoas, por fim, chegaram ao seu limite de humanidade e regrediram à mais baixa e violenta barbárie, cortando todo e qualquer vínculo com a civilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passaram a viver no mais pétreo egoísmo e insensibilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Matavam e se matavam.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saíam às ruas como cães raivosos, atacando e destruindo tudo o que lhes aparecesse pela frente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas ruas imundas pululavam as mais terríveis doenças, a peste arrebanhava multidões para a morte. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mortes e mais mortes a cada dia tornavam as pessoas menos humanas e expunham suas mais torpes características animais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sinal de que tudo estava perdido foi sentido pelos banqueiros. Eles foram os primeiros a abandonar as cidades na calada da noite. Fecharam suas agências e, como ladrões, fugiram com os depósitos dos clientes. Grandes redes e distribuidoras de alimentos, que por anos e anos haviam explorado a população, sumiram como que por encanto, deixando prédios vazios ou quase, pois os ratos continuaram por lá, recolhendo cada farelo, cada grão, cada pedaço de comida que tivesse sobrado durante a fuga.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada sobrou para os humanos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem dinheiro, sem comida e sem segurança, pois sem bancos e grandes empresas para protegê-los, a justiça foi-se também, largando todos à própria sorte e, largados à própria sorte, regrediram ao estado mais animalesco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Inimigos de si mesmos, inimigos de seus vizinhos, vomitando a verde bílis da raiva há muito fermentada no coração, declararam guerra ao que restou de civilidade. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sanha cega, estúpida, atracavam-se mutuamente. Desrespeitavam com júbilo e prazer baboso tudo o que pudesse ser Lei ou Ordem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começaram com as leis de trânsito, parando em qualquer lugar, de preferência vagas de idosos e deficientes, depois em cima das calçadas, passando em seguida a atropelar os transeuntes que corriam pelas ruas carregando os saques feitos nas lojas e supermercados abandonados. E assim descobriram por acidente uma forma de descarregar seus ódios e frustrações e ainda arrumarem um pouco mais de alimento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pura matemática: menos pessoas vivas igual a mais comida. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nas ruas, ouvia-se uma cacofonia de gritos e choros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passados os dias, o estado das coisas degringolava ainda mais e a insanidade alcançava novos patamares.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois de massacrarem-se a torto e a direito, passaram a matar-se. Matavam-se com requintes de cruel e desumana perversidade. Imaginavam formas de matarem-se, levando consigo o maior número possível de pessoas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Roubavam caminhões e com eles arrojavam-se sobre as multidões que brigavam por um pedaço de pão, por um resto de comida, por um rato gordo. Tomavam velocidade e iam em frente, imaginavam-se bolas de boliche tentando fazer um strike.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A loucura grassava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em meio a toda essa demência, vê-se sobre a murada de um canal de esgoto um homem velho e sujo de barba branca, com o corpo magro envolvido em um cartaz de propaganda política arrancada de um poste de luz que, como que saído do Velho Testamento, clamava aos céus.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Feito um eremita possesso, gesticulava os braços arengando aos girinos seu sermão apocalíptico. Essa confrangedora peroração só foi interrompida quando um automóvel cantando pneu entrou na contramão, estatelando-se contra um velho galpão abandonado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A patuléia ignara e famélica acorreu desesperada e sedenta para cima do infeliz motorista e de seus acompanhantes feridos que agonizavam nos escombros. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pregação apocalíptica do senil profeta tomou um aspecto ainda maior diante de tão dantesca imagem. E rindo seu riso sem dentes descrevia, alucinado, os detalhes da escabrosa cena aos girinos:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vejam, meus filhos, quando vocês voltarem a essa terra, voltem melhor que isso! Por favor, voltem melhor que isso! – e de braços abertos em cruz, rindo, ofereceu-se em holocausto à multidão, pela qual foi consumido no violento torvelinho... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um chão manchado de encarnado foi o que sobrou dele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O caos, num crescendo, oprimia a cidade decadente... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desesperançadas, as pessoas pulavam das janelas, jogavam-se sob trens desgovernados; carros batiam e se chocavam propositalmente com outros carros, como num demoníaco parque de diversões; corpos mutilados espalhavam-se pelas ruas e os urubus cobriam os céus como negras nuvens de tempestade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A abóbada celeste já era um negrume só de tantos abutres e o ar pestilento disputava com os homicida-suicidas quem matava mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Empate técnico! – comentavam entre si os primeiros girinos ao saírem da água...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-154479564715717158?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/154479564715717158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=154479564715717158&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/154479564715717158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/154479564715717158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/caos.html' title='CAOS'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-8140913499325478213</id><published>2011-10-04T09:01:00.001-03:00</published><updated>2011-10-04T09:20:55.552-03:00</updated><title type='text'>DONA ALZIRA E DONA LOLA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;(Drama Geriátrico-relâmpago)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(sons de tosse, pigarro, espirros, lamentações)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Quer um cafézinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Não! Prefiro um chá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Erva-doce?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Não. Mate com lima&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Quente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Não. Frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Bolachinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Pão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Com manteiga?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Geléia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - De ameixa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Goiaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Que dia é hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Terça- feira...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Não é quarta não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Não, terça. Ta aqui na folhinha veja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Mas essa folhinha é de 1964&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - E que diferença faz prá você o ano? Todos os nossos dias são iguais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Humpf! (tosse) Quase me engasgo com a dentadura&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(pausa)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira – É o Gardel cantando?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Gardel morreu ontem... Encontram ele com as perninhas prá cima durinho, durinho...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(chove)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Cadê o meu café?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Mas você pediu chá mate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Demorou tanto que agora café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Preto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Com leite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Frio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Não, condensado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Ainda vai querer pão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Não, agora quero brioche...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Que dia será hoje? Será que é já é quarta-feira?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Não, hoje ainda é terça-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Mas como você pode afirmar isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Você está esperando alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(toca uma campainha ao longe)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(som de cadeiras sendo arrumadas, empurradas, caindo)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Quem eu? Não. Não espero mais ninguém faz tempo. É que eu gosto de saber os dias da semana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Prá que? Prá fazer docinho prá visitas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Mas que visitas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Aquelas que você vive esperando nas quartas-feiras...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Quartas-feiras, quintas-feiras, sextas-feiras.... Todos os meus dias são iguais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - E o chá, vem ou não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Mas o que você quer chá ou café?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(pausa)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - O que vier primeiro... Ainda vai demorar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Cada dia que passa mais entendo porque a sua família deixou você aqui...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira (alterada, nervosa)- Só a minha me deixou aqui, só a minha? E a sua filha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola (nervosa e alterada) - E o seu filho então?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Era você quem vivia reclamando dos seus netos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Mas era você quem trocava o açúcar pelo sal e deixava as crianças doentes...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Mas nunca ameacei jogar nenhum dos meus netos pelas janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Mas isso nunca me passou pela cabeça, sua jararaca maldosa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Jararaca é a sua filha que nos colocou aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Café ou chá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(pausa)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Formicida prá nós duas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Não é melhor guardar para quando nos filhos vierem nos visitar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Besteira! O dia que eles vierem aqui, o veneno já perdeu a validade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Que dia é hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Terça-feira ainda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Que um café?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(pausa)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Não. Prefiro um chá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola - Erva-doce?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira - Não. Mate com limão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(fade out)&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola – Tem certeza que hoje não é quarta-feira...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira – Já falei, terça-feira, terça-feira, terça-feira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola – Café ou chá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Alzira – Licor de Jenipapo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dona Lola – Copo ou taça?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-8140913499325478213?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/8140913499325478213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=8140913499325478213&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8140913499325478213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8140913499325478213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/10/dona-alzira-e-dona-lola.html' title='DONA ALZIRA E DONA LOLA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-456080819528813095</id><published>2011-09-29T14:50:00.000-03:00</published><updated>2011-09-29T14:50:54.107-03:00</updated><title type='text'>A Revelação</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ão sei como não percebi antes, devia estar ali na minha frente sempre, eu nunca vi, nunca dei conta, até aquele dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espantei-me, consegui disfarçar bem, mas espantei-me sim, e por pouco não bati o carro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim eu estava dirigindo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A avenida estava cheia, mais um daqueles engarrafamentos matinais. Todos indo para o trabalho, de má vontade como eu, quero crer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas divago, cada dia divago mais e mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela estava ao meu lado, escutávamos música no carro, o som estava alto para abafar o barulho dos outros carros na rua, o céu ainda estava clareando, horário de verão...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi então, que queimando um sinal vermelho, eu estava muito rápido para poder parar a tempo, ela passou sua mão, esquerda, na minha que displicentemente segurava o volante.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mão cheia de anéis, pulseiras, unhas pintadas de vermelho (insisto sempre para que ela as pinte dessa cor), e então eu vi aquelas marcas na sua mão, marcas parecidas com sardas, mas que na verdade são marcas de idade, de idade!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu Deus!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse momento dei-me conta que ela estava envelhecendo, ficando velha! Nunca havia me incomodado, ou mesmo dado conta dos pés de galinha em volta dos olhos, os cabelos brancos, sempre pintados, a pele continuamente tratada com cremes hidratantes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Toda a nossa vida em comum passou diante de mim, junto com os outros carros que me fechavam, levando-me quase a chocar-me com um deles. A lividez que ela reparou em mim na hora, creditei ao susto da freada brusca, acho até que cheguei a “cantar pneu” para disfarçar melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela tentou passar a mão em meu rosto, mas consegui disfarçar o repúdio colocando a cabeça para fora da janela do carro e xingar o motorista da frente, que não ouviu o meu desaforo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Completei o percurso até o trabalho praticamente mudo, tinha medo falar qualquer coisa, sim eu sabia que nada que dissesse seria bom, tinha medo de ofendê-la, de acusá-la de ficar velha, de sua falta de consideração comigo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentia-me ofendido e ridículo diante de tal reação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim cheguei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desci do carro, com certa aversão, que disfarcei bem, beijei-a rapidamente, e deixando de lado o elevador subi correndo pelas escadas, tal a ânsia de livrar-me de sua presença, sua lembrança, e chegar ao meu andar. Já em minha sala, liguei o computador e acorri ao banheiro, urgia ver-me ao espelho, tinha urgência disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E lá estava eu, refletido no cristal, um velho de cabelos ralos e brancos, um rosto carcomido pelas rugas e infeliz, tão desgraçada e miseravelmente infeliz que no meu peito o coração parecia querer parar de bater...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então encostei minha cabeça no vidro frio e comecei a chorar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desesperei-me ainda mais ao ver que chorava sozinho, pois minha imagem no espelho limitava-se a me olhar com reprovação e asco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-456080819528813095?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/456080819528813095/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=456080819528813095&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/456080819528813095'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/456080819528813095'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/revelacao.html' title='A Revelação'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6472429293908359013</id><published>2011-09-27T08:31:00.000-03:00</published><updated>2011-09-27T08:31:37.547-03:00</updated><title type='text'>SOBRE CAFÉ, AMERICANOS E DÚVIDAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;H&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;á duvidas cruéis que me assolam a alma e que me roem o coração, perguntas sem respostas que, por mais que eu pergunte, ninguém me responde...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas vamos começar do começo, que é sempre o melhor modo de se começar algo!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos a ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diariamente, chova ou faça sol, frio ou calor, nos encontramos na Bolsa Oficial do Café de Santos. Somos quase uma fraternidade, um clube fechado de três indivíduos - mais do que isso dá encrenca, porque logo pedem, em nome da democracia, o direito de falar e, conseqüentemente, discordar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Três é um bom número!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá estávamos hoje, tomando nosso sagrado café, sentados em nossa mesa cativa, observando o movimento de turistas americanos. Todos já na casa dos sessenta e tantos anos ou mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Americanos típicos, grandões e rosados, com suas indefectíveis máquinas fotográficas penduradas no pescoço. Falando alto, rindo e, para profunda irritação das meninas do atendimento, pedindo café descafeinado!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só eles mesmos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comentava a ironia da situação, o único lugar para se tomar um café decente é na Bolsa. Lá o café “É” de verdade, tipo exportação, e esses americanos apressados, em vez de esperarem o café chegar lá na terrinha deles, vêm bebê-lo aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto eles penduravam-se em volta das mesas, continuávamos com nossa conversa fiada para passar o tempo até termos que voltar ao trabalho, quando entrou um que nos chamou ainda mais a atenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vestido de safári, chapéu de lona verde camuflado, parecendo um caçador no qual só faltava um facão na cintura e um rifle as costas, usando óculos ray-ban, trazendo a tiracolo a esposa, uma velhinha magra com cara de missionária triste e submissa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A guia turística deveria tê-lo informado de que o Brasil não é mais uma selva, pelo menos não totalmente, e que ele não precisava vir travestido de “Jim das Selvas” em plena savana africana. Só faltava aquela telinha de tule para protegê-lo dos mosquitos e moscas tsé-tsé.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O homem dava a impressão de ter vindo aqui não para tomar café, mas sim para caçar leões, tigres, sabe Deus o que mais, menos tomar um café!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E olhando para os americanos ali, expus a supracitada dúvida para o colega ao lado:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Como é possível que eles dominem o mundo? Me responda Ó Sábio Vadinho!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pensando ainda em Jim das Selvas, imaginei aquele americano sendo devorado por plantas carnívoras...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Preciso parar com tanto café!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6472429293908359013?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6472429293908359013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6472429293908359013&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6472429293908359013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6472429293908359013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/sobre-cafe-americanos-e-duvidas.html' title='SOBRE CAFÉ, AMERICANOS E DÚVIDAS'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-4876015786510505862</id><published>2011-09-21T16:00:00.003-03:00</published><updated>2011-09-21T16:04:15.039-03:00</updated><title type='text'>ESCREVER POR ENCOMENDA FUJA DESSA ROUBADA!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;qui estou digitando essas linhas... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que faço pelos amigos (ok, é menos que o que faço pelos inimigos – e são tantos...) poderia estar na praia, no cinema, em casa, na cama, ou mesmo, - oh infelicidade - trabalhando (o que na verdade deveria mesmo estar fazendo agora), mas não, estou tentando desenvolver um texto coerente e levemente inteligível para os leitores de “&lt;strong&gt;NÃO LEIA ESSE LIVRO!&lt;/strong&gt;” &lt;a href="http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=33852599#_ftn1" name="_ftnref1" style="mso-footnote-id: ftn1;" title=""&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; font-size: 12pt; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="mso-element: footnote-list;"&gt;&lt;div id="ftn1" style="mso-element: footnote;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poderia me dedicar de “corpo &amp;amp; alma” (riam os que não me conhecem, riam bastardos ignorantes e apostatas) à uma crônica, poderia gastar linhas e laudas falando sobre o mais absoluto nada, preencher o vazio existencial dos leitores, que ainda teimosamente mantém essa brochura nas mãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vamos lá:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;“O céu azul me recebe alegre e esfuziante nessa segunda-feira, pós dia das mães. Tomei um frugal café da manhã, uma bolachinha de água e sal e uma fatia de queijo branco, ainda estou enfastiado pelo almoço de ontem, como, aliás, deve estar o nobre leitor. Trago na mente o sorriso fresco e alegre de minha velha mãezinha abrindo seu presente ontem, ela ouvia Emoções, do Rei, sobre a mesa da sala, um ramalhete de lindas rosas vermelhas e bombons, muitos bombons, alegria de nossa matriarca. Os filhos a cercavam de carinho e desvelo e os netos, ah!, essas crianças, corriam atrás dos gatos e dos cachorros, fazendo a alegria da casa com muita algazarra”&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tive que parar e correr ao toalete do escritório e vomitar, não posso me prostituir dessa forma, não posso, não devo e, principalmente, nada recebo para isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não vou escrever nada que possa aumentar a minha taxa de glicemia. Não sou doce, não sou delicado, não escrevo para agradar, embora pela primeira vez (e quero crer, a última, pois são tantas as exigências, as divergências, os cafezinhos, as ameaças, os sapos engolidos, que me pergunto por que me submeto a isso) escrevo por encomenda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Já pensei em desenvolver uma história, baseada em fatos reais que me foram me contado por uma pessoa incapaz de mentir ou mesmo distorcer a verdade, embora, verdade seja dita, vítima do mais alto grau de alcoolismo e leve demência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O conto começa com &lt;em&gt;uma loira perdida aos pés de uma montanha, sozinha, numa noite fria e que ainda ameaçava terminar em neve&lt;/em&gt;..., mas acho que essa história não futuro também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;[1] Mais um projeto fracassado!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-4876015786510505862?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/4876015786510505862/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=4876015786510505862&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4876015786510505862'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4876015786510505862'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/escrever-por-encomenda-fuja-dessa.html' title='ESCREVER POR ENCOMENDA FUJA DESSA ROUBADA!'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6664821909546804023</id><published>2011-09-20T11:05:00.000-03:00</published><updated>2011-09-20T11:05:01.608-03:00</updated><title type='text'>UM CONTO EM TEMPO REAL</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;P&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;are de passar as mãos no rosto! – ordena-se duramente. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Continuando a coçar o rosto resolve que deve barbear-se, afinal ele pode até não ser um escritor, mas deve manter pelo menos uma boa aparência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante do espelho do banheiro, encara-se por um longo tempo, até que começa a passar o creme de barbear. A lâmina começa a escanhoar o lado direito do rosto quando – Eureca!, ele grita- surge-lhe uma idéia. E como num filme americano, ele sai correndo com parte da barba por fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senta-se em frente ao computador e começa a digitar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- “A casa estava vazia como um tumulo recém-construido...” – ele para de digitar e passa mão no rosto sente a espuma escorrer e vê que começa a pingar nos teclados. - Droga, droga, droga, merde. – pronuncia com raro prazer a única palavra que sabe dizer em francês – Merde!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volta ao banheiro e começa a limpar a espuma de barbear, que agora já desce pelo pescoço. A água da torneira faz mais sujeira ainda, e ele decide tomar uma ducha, quem sabe além de limpar essa porcaria ainda ajuda a clarear as idéias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A água quente começa a relaxá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhando pela janela, ele vê as pessoas que passam lá fora e uma cena ordinária chama-lhe a atenção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ordinária para os simples mortais, não para ele, um colunista transbordante de sensibilidade poética e consciência social. Na sua cabeça aquilo torna-se de imediato uma bela crônica mundana. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para não perder a inspiração, corre novamente ao computador ligado sobre e mesa da sala. Vai pingando pelo caminho, já transformando a imagem palavras faladas, que com seus dedos ágeis de escriturário, há de transformá-las em letras, e essas letras em palavras, sentenças, e por fim, um história cheia de emoção, sentimentos... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, a crônica de hoje já estava pronta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas ao chegar à sala, para sua consternação,lá está o notebook cheio de espuma, que lentamente começa a derreter e a penetrar entre os teclados...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passa as mãos ainda molhadas sobre cada uma das teclas, piorando ainda mais a situação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desesperado pega uma meia que estava sobre o sapato debaixo da mesa. - Merde, merde, merde! &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui devo deixa claro aos senhores leitores a seguinte informação: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;em&gt;"MEIAS NÃO SE PRESTAM A TAL SERVIÇO! NÃO TENTEM ISSO EM CASA OU EM QUAQUER OUTRO LUGAR! "&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;em&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/em&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sigamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A meia espalha ainda mais a água e a espuma de barba, sujando agora todo o teclado. Então é tomado de um desespero duplo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Vou perder o computado e a história! – ele sacode o pobre aparelho, gira sobre si mesmo, pois o movimento de rotação há de expulsar todo o liquido. Gira, gira, gira até quase perder o equilíbrio. E milagrosamente o teclado seca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas não nos preocupemos em saber se isso causará algum dano, afinal o computador não é o nosso personagem principal dessa história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sigamos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais assustado que tonto e exausto ele senta-se na poltrona para retomar seu fôlego e pasmo, vê a sujeira que voou para as paredes. Ele afunda na poltrona e passa a mão no rosto. Parte da barba ainda está por fazer, dos cabelos escorre água, que num fio desce pelas costas e o faz despertar para o estrago que está fazendo na poltrona.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Vai manchar o tecido! Merde, merde, merde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem pressa, não por auto-controle, mas medo de quebrar uma perna, vai até a área de serviço procurar um pano para secar a poltrona e limpar, por mínimo que seja, as paredes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minha história, minha história... – lamuria-se. Lá se foi a minha história. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não encontrando nada, volta à sala e usa o outro pé de meia. Que como o pé anterior, que para ilustra melhor esse drama, vamos supor que tenha sido o pé direito, não só não ajuda, como anteriormente, espalha mais e deixa o cenário ainda pior.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desolado, olha em volta, e o que vê o deixa paralisado, sem qualquer ação, e o tique nervoso o leva a passar as mãos no rosto. A barba por fazer, a poltrona por secar, as paredes por limpar, a história por escrever...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minha história, minha história... – segue-se o “merde”, prova cabal de sua miséria lingüística.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E para piorar, acaba bateria do notebook, deixando refletido em seus olhos o negro do monitor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Essa é a história da minha da vida... – diz desolado para si mesmo, com que tentando consolar-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, como que empurrado por uma mola em suas pernas finas e úmidas, ele pula gritando “eurecas seguidos de merdesmerdesmerdes”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É isso, é isso, aqui está a história de hoje, não há nada mais triste para enternecer o corações dos leitores – o tolo acredita que leitores tem coração! – vou escrever a história da minha vida. É isso, a história da minha vida!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Louco, arrebatado, possuído, outra vez por uma história, ele põe-se a procurar por papel e caneta. Revira sua escrivaninha, mas nada de papel, nada. Nem papel de presente, papel de embrulho...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para não perder a inspiração outra vez, ele começa escrever a história de sua vida nas paredes da sala.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conseguiu resumir seu infortúnio nas quatro paredes manchadas de espuma de barba e água. Ao fim, quando a sua curta biografia estava toda ali, ele sente-se aliviado, aquela carga já não estava mais esmagando-o, ele estava exorcizado. O fantasma da narrativa estava fora de sua cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas e agora? Como vou fazer para publicar isso? – A realidade fez-se presente, para seu desespero. Enquanto, sentado na poltrona molhada e manchada, recupera-se de seu desatino, toca o interfone. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É sua mulher chegando. Imaginando tudo o que vai acontecer, ele passa as mãos pelo rosto. A barba ainda está por terminar, o corpo ainda está molhado e cheio de sabão seco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Merde, merde, merde! Essas paredes do apartamento serão poucas para a segunda parte dessa história...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6664821909546804023?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6664821909546804023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6664821909546804023&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6664821909546804023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6664821909546804023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/um-conto-em-tempo-real.html' title='UM CONTO EM TEMPO REAL'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5993615119752754180</id><published>2011-09-19T14:26:00.001-03:00</published><updated>2011-09-19T16:17:23.096-03:00</updated><title type='text'>RUYZINHO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;How a little baby boy bring the people so much joy&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;“Christmas Must Be Tonight”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-family: Arial, Helvetica, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;By The Band&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;D&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ulce, espero que você não tenha rasgado esta antes de ler. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que jurei nunca mais entrar em contato depois da separação, mas nesses últimos dias tenho sido assombrado com imagens do Ruyzinho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Me diga como está, ele já está na escola? Espero que não – não rasgue a carta, não rasgue!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que no fundo de sua alma você sabe que tenho razão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como está o menino, posso perguntar dele?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei por que insisto em perguntar, sabendo desde já que você não irá me responder...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dulce, não te peço desculpas, perdão, nem me passa pela cabeça tentar uma reconciliação, já arrumei minha vida aqui, trabalho como zelador de uma capelinha aqui na cidade, e espero que você tenha acomodado a sua por ai (desculpe, disse isso só por delicadeza, não me passa pela cabeça te magoar de forma alguma).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sei que pode te passar pela cabeça que te escrevo por causa de alguma necessidade, mas não te escrevo esta por nenhum outro motivo que saber do Ruy, meu pequeno e único filho (depois dele fiz vasectomia, decidi nunca mais ter filhos) quero tê-lo como único em minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha doce Dulce (espero que isso não te de ganas de rasgar o papel) tento imaginar como você está, as marcas que a vida e as preocupações deixaram em seu rosto...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em mim as marcas são as olheiras profundas que trago, fruto das noites insones, dos pesadelos que me fazem acordar aos gritos e molhado de suor... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pobre da Rute, coitada, ainda não se acostumou com isso, mesmo passado tantos anos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A foto do Ruy, que trago na carteira, está tão amarrotada, cheia de vincos, manchada, que a criança está quase irreconhecível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dulce, se você ainda não rasgou essa carta, deve estar se perguntado por que estou dando tantas voltas e não dizendo nada, afinal, a última pessoa de quem você quer noticias é de mim e da Rute, aliás, me desculpe dizer o nome dela tantas vezes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dulce o que quero saber é se você está mesmo decidida a mandar o Ruy para escola. (juro que espero uma resposta sua, mesmo na forma de um telegrama, só com a palavra “não”, mas alguma coisa no fundo do meu peito...)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você sabe que não deve fazer, e não digo&amp;nbsp;isso por causa da pensão e do acordo de pagar pela assistência médica e educação do menino (que eu sonhava em ser doutor, doutor de qualquer coisa, mesmo que fosse &lt;em&gt;doutor advogado&lt;/em&gt;), mas veja bem (estou sendo vítima dessa “força de expressão), não será bom para ele, não será bom para você, nem para ninguém, sem contar que se você fizer realmente isso, eu nunca mais dormirei, e a Rute (juro que essa será última vez que escreverei o nome dela) não suportará mais ser acordada aos gritos pelo resto de suas noites.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pobre criatura...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dulce abra os olhos, e ponha na sua cabeça de uma vez por todas, o Ruyzinho não é uma criança normal, embora seja fisicamente um Apolo tropical e hirsuto, o Ruyzinho, meu único filhinho querido, é um lobisomem...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com carinho, &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sempre preocupado pai&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Amaro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5993615119752754180?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5993615119752754180/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5993615119752754180&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5993615119752754180'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5993615119752754180'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/ruyzinho.html' title='RUYZINHO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-7219237853757948397</id><published>2011-09-15T14:51:00.000-03:00</published><updated>2011-09-15T14:51:08.475-03:00</updated><title type='text'>SONHOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;A&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;luguel de sonhos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho muito espaço e um cenário muito bacana. Tem um riacho de águas azuis e um jacaré que apareceu não sei de onde – acho que alguém o esqueceu por aqui - ; ele fica numa das margens e nada de um lado para outro o dia inteiro. Almoça bem, já que o rio é rico em peixes e, sendo um rio de sonho, tem, às vezes, até baleias jubarte para ele caçar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O terreno é grande, largo e profundo, tem ar puro, grama verde e fresca, céu azul e límpido de dia e tremendamente estrelado todas as noites, exceto quando houver pesadelos, pois pesadelos em noites estreladas não funcionam... Não! Para essas ocasiões temos cá trovões, raios, tremores de terra, uivos, ganidos, correntes sendo arrastadas, gritos histéricos, gritos de terror, gritos de horror, vozes de crianças chamando chorosas e muito mais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Basta consultarem nossos cardápios de terrores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pode-se colocar qualquer fantasia, delírio, devaneio, mesmo os mais insanos e tresloucados. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sonhe sem medo e sem limites!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Traga cá seus fetiches oníricos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O meu fetiche onírico recorrente são pedaços de montanhas flutuantes - como icebergs de cabeça para baixo – sob uma paisagem vermelho vivo, onde pterodátilos voam aos gritos - tenebroso...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aqui você poderá voar, literalmente. Crie asas, asas angelicais – de alvíssimas penas, asas diabólicas –, de couro feito morcego. Seja um rei, um imperador, o rei do mundo, ou melhor, seja o dono do mundo, mande &amp;amp; desmande sem dó nem piedade. Ponha para fora aquele ditadorzinho que existe dentro de você!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Traga para cá seus desejos!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Traga aqui aquela garota linda dos tempos de escola. Sim, ela que nunca percebeu a sua abjeta existência, lembra dela? – como poderia esquecê-la, não é?, afinal você ainda rola na cama por ela... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah! Esses íncubos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Traga para cá seu desejo mais recôndito, aquele ódio, aquela vontade de dar fim no seu chefe, no seu cunhado, em qualquer desafeto. Aqui ninguém o julgará, além de você mesmo e sua consciência – que, verdade seja dita, não tem qualquer serventia ou utilidade aqui!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sonhe sem rédeas!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Venha para cá, venha viajar, atravessar fronteiras sem passaporte, sem vistos de entradas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Venha, venha...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse terreno vasto tudo é seu, tudo é possível, tudo é acessível. Você “É” o seu limite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sonhe em paz, mas cuidado com o jacaré!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-7219237853757948397?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/7219237853757948397/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=7219237853757948397&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7219237853757948397'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7219237853757948397'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/sonhos.html' title='SONHOS'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-8222761788916170886</id><published>2011-09-15T14:35:00.000-03:00</published><updated>2011-09-15T14:35:21.612-03:00</updated><title type='text'>DIVAGANDO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;E&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;stou na janela da cozinha aqui do escritório fumando e vendo a vida passar, e deparo com uma cena triste, um sujeito magro, barba por fazer, agarrado com uma trouxinha de cacarecos, sentado na passarela que cruza a linha de trens aqui no cais. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fico matutando o que ele estaria pensando, estaria ali esperando a vida passar assim como eu?, estaria esperando a barca para o outro lado do canal?, estaria esperando o trem para jogar-se embaixo dele?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Será? Sei lá...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Às vezes tenho vontade de sair correndo daqui e saltar para dentro de um navio qualquer desses que chegam por aqui, de passageiro ou carga, ser clandestino, sumir...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ir para a África, me embrenhar nas matas (outra vez estou sendo vítima de minhas leituras de juventude, sonhando com uma África que não existe mais, no Tarzan, Jim das Selvas, Sir Richard Burton etc. É, realmente perdi muito tempo lendo...) e desaparecer. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Fugir desse escritório... – suspiro soltando a fumaça.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá fora o sol brilha como que a me provocar, a me induzir à fuga. Enquanto escrevo outro navio passa. O sujeito agora está limpando as unhas com um canivete que tirou de sua trouxinha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Até agora nada de trens, nem da catraia que faz a travessia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto ele limpa as unhas encardidas fico namorando o mar. O cigarro está quase no fim, na mesa os papéis me esperam. Ouço o telefone tocar, suspiro e espero que não seja para mim. Dou uma tragada mais profunda, a fumaça deixa o mar mais etéreo, aumentando a sensação de sonho, devaneio, quase um delírio...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra tragada, menos minutos trabalhados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Penso em tomar um café, mas não vale a pena, o café é ruim, e café ruim me desgosta de uma forma tão profunda que não consigo explicar, me deixa com a boca amarga e me azeda a alma, aumentando a vontade de sumir deste lugar.Acabou o cigarro, sobrou só a bituca que quase me queima o dedo, acabou meu tempo de fuga. Antes de voltar à minha sala olho outra vez o mar, os navios e o pobre coitado sentado na passarela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada do trem ainda...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-8222761788916170886?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/8222761788916170886/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=8222761788916170886&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8222761788916170886'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8222761788916170886'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/divagando.html' title='DIVAGANDO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-1276309343560389753</id><published>2011-09-15T14:30:00.000-03:00</published><updated>2011-09-15T14:30:53.156-03:00</updated><title type='text'>CRIANCINHAS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: Verdana, sans-serif; font-size: xx-small;"&gt;&lt;strong&gt;(ou Herodes, grande e incompreendido Herodes!)&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;...&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;e&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt; as crianças continuavam correndo e gritando, empurrando os móveis pelo caminho, derrubando o que houvesse pela frente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os pais nada viam, nada ouviam, nada os incomodava. Serão os pais naturalmente anestesiados para as atrocidades cometidas pelas suas crias? Devem ser, senão as coisas não chegariam a esse ponto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu me virava na cadeira de um lado para outro, um sorriso forçado anunciava o meu mal-estar com a situação. Comia uns salgadinhos para me distrair, mas não dava para fingir que não estava testemunhando aquilo, não dava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a última fileira de crianças passou correndo pela cozinha, gritando como se o mundo estivesse à beira da hecatombe, quase levando junto a geladeira, não resisti e fiz um comentário para quem quisesse ouvir:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois é, Herodes tinha razão! Não é mesmo? – e engoli um bolinho de queijo engordurado com um falso sorriso de satisfação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dona da casa, querendo impressionar uma das mães que estava à mesa conosco, pergunta com afetação:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah! é? E o que foi que ele escreveu mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A amiga, embaraçada, olha para mim constrangida e comenta:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É aquele Herodes. O Grande, da Bíblia...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que cabeça a minha! Qual o versículo dele mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não tem versículo dele. Herodes era o Rei da Judéia que mandou matar as criancinhas, citado por Mateus...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Que pecado, mas qual a razão? – perguntou com os olhos esbugalhados de indignação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhei para a minha mulher, peguei uma coxinha de galinha, levantei-me da mesa e disse que já era hora de ir embora, afinal ainda tinha que levar os cachorros para darem a voltinha no quarteirão. Na rua comentei com a minha mulher que realmente Herodes sabia o que estava fazendo e que miseravelmente não fez escola...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois me perguntam a razão de estar me tornando um eremita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-1276309343560389753?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/1276309343560389753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=1276309343560389753&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1276309343560389753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1276309343560389753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/criancinhas.html' title='CRIANCINHAS'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-3681327836736337223</id><published>2011-09-15T14:22:00.005-03:00</published><updated>2011-09-15T14:24:21.856-03:00</updated><title type='text'>A TIPINHA ENTRA NA LIVRARIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;L&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ongos cabelos, tingidos; óculos fashion; roupa da moda - roxa; bolsa com frigobar; equilibrando-se num salto alto, aleatoriamente pega um livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Folheia-o como um alienígena fazendo necropsia num outro ser mais alienígena ainda (entenda estranhamento).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando atendida, fazendo-se de importante, com o dedo indicador direito no lábio, comenta:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Livro pesado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O atendente se prepara para o pior, afinal o livro tem pouquíssimas páginas. A madame continua:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- ...parece-me que o autor está num luto profundo sofrendo uma dor, dor de grande perda...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O atendente, coitado, tenta explicar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas esse é um livro de humor. Acho que a senhora não entendeu o que ele quis dizer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela empurra os longos cabelos para trás e retruca:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois para mim esse livro traduz toda a dor excruciante de uma imensa perda!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sei como terminou essa conversa sem sentido, pois peguei meu livro e fui embora imaginando essa tipinha comprando um quilo de filé num açougue e discutindo com o boi em questão foi morto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-3681327836736337223?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/3681327836736337223/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=3681327836736337223&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3681327836736337223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3681327836736337223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/tipinha-entra-na-livraria.html' title='A TIPINHA ENTRA NA LIVRARIA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-4089341290708864341</id><published>2011-09-10T16:51:00.001-03:00</published><updated>2011-09-12T14:26:28.218-03:00</updated><title type='text'>﻿A PROMESSA DE CARMEM</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;om os olhos inchados de tanto chorar - sim ele chorou sem que ninguém percebesse, mas ele chorou - Oswaldo olha o relógio de pulso, entre as renitentes lágrimas tenta ver as horas. Ainda falta muito para a meia-noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oswaldo ainda veste o terno preto, que ainda recende à coroa de flores, fumaça das velas, aos perfumes das velhas parentas que o abraçaram, fumaça dos cigarros que fumaram durante o velório de Carmem. A boca estava amarga de tanto tomar café, as costas doíam de tanto tapinhas de consolo, o corpo estava moído de tanto cansaço, mas a mente não desligava.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhou outra vez para o velho relógio que dançava em seu pulso magro e cheio de veias azuis, e viu que o tempo avançara bem pouco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolveu tomar um banho, longo e quente que, quem sabe, lhe traria um sono breve, porém repousante?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Subiu as escadas lentamente, quase como que conferindo os números de degraus que ele conhecia a trinta e cinco anos, olhou as ranhuras das paredes, as teias de aranhas que se formavam no alto do teto, ouvia sem prestar atenção nos ruídos dos velhos degraus de madeira. A porta do banheiro rangiu, mas ele também fez que não percebeu. Tirou as roupas e abriu o chuveiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As lágrimas deram lugar à água quente e ao vapor, lentamente os músculos foram relaxando e alguma coisa parecida com paz foi se apossando de seu esquálido e torturado corpo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mal se enxugou e largou-se na cama, aconchegando-se na depressão no meio do colchão, aninhando-se, dormiu. Dormiu sem sonhar. Acordou pouco depois das dez, percebeu mais do que sentiu que estava com fome, e olhando o que havia na geladeira resolveu que ficaria ainda mais um pouco sem comer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais tarde isso seria solucionado, resolvido, e amanheceria o dia seguinte feliz, realizado e de barriga cheia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A morte não é fim. – ele leu essa frase escrita num bilhete colado com um imã na porta do frízer. Sorriu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhou o relógio, eram onze horas, mais sessenta minutos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tornou a subir as escadas, agora mais rápido, tão rápido quanto a idade o permitia, entrou no quarto e vestiu-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pôs uma camisa florida, comprada especialmente para essa ocasião, uma calça de linho branca, passou gel nos cabelos grisalhos, loção pós barba nos rosto e saiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sorria enquanto se dirigia até o cemitério, onde a mulher cumprindo a sua promessa de voltar após a morte, já deveria estar lhe aguardando.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Promessas, promessas, são tantas as promessas que faziam um ao outro, -“Nunca vamos nos separar’ – diziam amiúde, - “quem for primeiro volta para o outro”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por isso a morte da esposa não o abalou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A família, os amigos, até mesmo os funcionários da funerária, comentavam como o homem estava frio diante do corpo da mulher morta no caixão, não demonstrava qualquer sinal de dor ou abatimento. Pior ainda, parecia feliz, sorria, evidenciando até certa irritação quando abraçado e levando tapinhas nas costas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas isso acontecera de manhã, quase ontem. Olha para o relógio, meia-noite em ponto. Ele estranha a ausência da mulher. Ela não está no portão esperando por ele como o combinado. Onde estaria? Teriam roubado o relógio com qual tinha sido enterrada?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Malditos coveiros! – esbravejou baixinho para não ser escutado e confundido com ladrão de sepulturas. – Mas talvez o meu esteja alguns minutos adiantado. – tentou confortar-se com essa idéia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não demorou muito e logo ouviu a inconfundível voz da mulher que o chamava:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp;- Oswaldo, Oswaldo você está aí?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oswaldo emocionou-se, no seu íntimo achava que a mulher não voltaria do mundo dos mortos, ele jamais acreditara mesmo em reencarnação, não acreditava em nada, somente nas promessas da mulher. E ela cumprira mais essa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corre ao seu encontro, sorrindo, chorando, rindo, tremendo, arrumou forças não sabe onde para não gritar seu nome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá estava ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Viva! -&amp;nbsp;ainda com flores grudadas na roupa, e viu aliviado que o relógio ainda estava em seu pulso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Carmem você voltou para mim como havia prometido. Vamos recomeçar a nossa vida em outro lugar. Já pus até aplaca de vende-se na porta de casa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Carmem olhava para Oswaldo com um sorriso plácido, calmo, um lago sem vento sob o luar. Ela esticava-lhe o braço, mas não se movia do lugar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Oswaldo achegou-se a ela e a abraçou em seus braços com tamanha ânsia que quase a partiu ao meio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vamos Carmem. Vamos embora antes que aparece alguém por aqui e nos veja. Vamos embora, vãos embora. Você cumpriu sua promessa e voltou para mim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Carmem sorriu, pigarreou, girou a ponta do pé direito no chão fazendo uma pequena depressão no solo arenoso, e olhando para cima, como que procurando alguma estrela no céu, declarou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim Oswaldo, eu voltei. Sim estou aqui como o prometido, mas não para ficar com você, mas para te buscar, para você ficar comigo. Chega de traições com a Vânia do escritório, com a minha prima Alicinha, com Dona Francisca da farmácia. Nunca mais você vai me trair Oswaldo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E puxando um apalermado Oswaldo pelo colarinho, pulou de volta para a sua cova.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;...e no escuro um gato miou, espantando uma coruja que estava prestes a dar o bote num rato.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-4089341290708864341?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/4089341290708864341/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=4089341290708864341&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4089341290708864341'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4089341290708864341'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/promessa-de-carmem.html' title='﻿A PROMESSA DE CARMEM'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-1138496541881242344</id><published>2011-09-09T09:58:00.004-03:00</published><updated>2011-09-09T10:08:38.928-03:00</updated><title type='text'>UMA QUASE EPIFANIA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Q&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;uando andamos pelas ruas, devemos estar atentos, de olhos bem abertos para os sinais que a vida nos envia. Sempre há alguma coisa no cenário urbano (ou rural, dependendo de onde mora o leitor) que destoa de modo bem sutil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora é um cavalo que coça a orelha - já viram um fazendo isso? Se não, o &lt;a href="http://vladimirsilva.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Vadinho&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; pode contar isso a vocês - ora uma evangélica pregando para uma puta na porta do puteiro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A palavra puta ofendeu os ouvidos do leitor? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desculpe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas quando se ouve uma música chamada “&lt;a href="http://dc316.4shared.com/img/526119924/e39ff93/dlink__2Fdownload_2FhkV7Em5_5F_3Ftsid_3D20110909-72338-ea79d760/preview.mp3"&gt;&lt;span style="color: red;"&gt;Mulher que se disputa&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;”, temos que estar preparados para tudo. Porém não é disso que quero falar, digo, escrever.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sigamos, para eu não me perder em elucubrações outras...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem aconteceu a segunda opção. Estava indo embora para casa e, ao passar em frente a um dos muitos puteiros que há aqui no centro da cidade, vejo uma senhora de coque, saia preta sobre os tornozelos, com uma cara resignada de “Ó Senhor! O que faço em teu nome e por um terreno no paraíso”, entregando um folheto de sua igreja e tentando, creio eu, convencer a moça, (hahahahahaha, sim, divago) a largar aquela vida de pecado e devassidão. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhei para a cara da profissional do amor e balancei a cabeça com um riso sardônico na cara, que me foi retribuído no mesmo tom jocoso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segui em frente e atravessei a avenida ainda com o riso na cara, quando, do nada, me surge um senhor, baixinho, gordo, careca, quase uma réplica de Buda, não fossem os óculos quadrados na cara e uma pastinha 007 na mão esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu também era um pavio-curto, briguento e encrenqueiro até o dia que me disseram que eu não era um sujeito belicoso, era só por demais orgulhoso. Isso mudou a minha vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Olhei para o lado, pensando que ele estivesse falando com outra pessoa que não eu, afinal não sou de conversar com estranhos na rua ou em qualquer outro lugar. Quem me conhece sabe bem disso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele continuou com a arenga, até que resolvi cortar o assunto com minha peculiar delicadeza:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pois saiba o senhor que não sou belicoso nem orgulhoso, sou apenas muito, muito nervoso!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois não é que o sujeito sumiu. Não posso afirmar que ele sumiu no ar, haja vista ele não ter demonstrado, à primeira vista, ter a capacidade de voar, mas sumiu tão rápido que pensei ter sido uma alucinação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seria um aviso?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se for, aviso de quê?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-1138496541881242344?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/1138496541881242344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=1138496541881242344&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1138496541881242344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1138496541881242344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/uma-quase-epifania.html' title='UMA QUASE EPIFANIA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5905950082437484423</id><published>2011-09-01T16:17:00.000-03:00</published><updated>2011-09-01T16:17:18.881-03:00</updated><title type='text'>﻿REDENÇÃO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;U&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;m rangido de dobradiças anunciou a entrada de um freguês. O balconista olhou para os fundos da taberna e encostou-se no balcão. De dentro da escuridão que habitava o lugar, uma voz avisou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Cuidado com os cacos de vidro no chão, não vá se cortar com os pedaços de copos aí!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom dia – disse o recém chegado. - Veja-me um rum.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom dia - respondeu o balconista. – E emendou: - Sinto muito, senhor, mas ainda não estamos abertos para atendimento, aliás, estou ainda fazendo a faxina – e mostrou a vassoura e uma pá de lixo nas mãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas só um copo de rum não vai lhe dar qualquer trabalho e como ainda não está aberto para atender, que chance há de alguém vê-lo me servindo, não é mesmo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Concordando o rapaz o serve de uma generosa quantidade de rum e volta para o centro do salão para continuar a limpeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Veja só essa sujeira, não sei como alguém consegue quebrar quase cem copos de cerveja... Olhe só a bagunça que me sobra...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Balançando a cabeça, ele continua a varrer e catar os cacos de vidro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Veja isso – diz ele para o sujeito ainda encostado no balcão sorvendo o rum. - Veja só isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O sujeito vai até a mesa e vê alguma coisa desenhada no tampo que o faxineiro insistentemente aponta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Parece um desenho de um arpão com uma corda, mas com essa escuridão quase não dá para ver direito – comenta, enquanto aperta os olhos para ver se consegue enxergar melhor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Não, não! Isso não é um desenho qualquer. Preste bem atenção nos traços e na tinta, isso aqui não foi desenhado, me parece ter sido tatuado aqui na madeira...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Ora! Quem faria uma tatuagem numa mesa de bar? - diz o freguês fazendo um muxoxo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O senhor não faz idéia do que acontece nesse bar. Me diga se não está - snif, snif, snif - sentindo um cheiro azedo no ar! Parece que alguém anda fumando ópio por aqui...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estou sentindo tantos odores aqui..., mas o mais forte é o cheiro de cerveja azeda e, se não estou enganado, até cheiro de sangue. Mas com esse ar parado... Abra as janelas e deixe o sol entrar junto com o ar fresco da rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não diga isso! A patroa não colocou janelas na taberna para que ninguém de fora veja o que acontece aqui, e não admite que entre luz ou ar da rua – interrompe. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vejo que o senhor tem um bom olfato. Venha aqui ver isso - diz , levando o homem até o centro do bar, onde uma mesa está suja de sangue, pedaços de roupas e fios de cabelos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Me diga. O que o senhor acha disso? Todas as manhãs, quando chego aqui, encontro todos os tipos de sujeira, mas restos humanos?!? Isso está começando a ficar estranho até para mim. Tenho medo de que um dia a polícia bata aqui e me culpe por algum crime. Só Deus sabe como fujo desse tipo de encrenca... - Vejo que o senhor já esvaziou o copo. Aceita mais um gole de rum?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os dois voltam para o balcão e ele enche novamente o copo do estranho. Continuam a conversar, enquanto o rapaz esvazia o lixo no latão que será posto na rua mais tarde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Parece que você não gosta de trabalhar aqui. Então me responda, por que continua? Não há nada melhor que você deseje fazer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Realmente eu detesto isso aqui, mas é isso que eu mereço. Me propus a acabar meus dias fazendo o que não gosto, tenho que sofrer, senhor, tenho que sofrer muito e muito... – diz isso e cobre o rosto com as mãos, ocultando uma lágrima. Serve mais rum para o homem no balcão e serve-se de um gole de aguardente. Toma de uma só vez e volta a levantar a cabeça cheirando o ar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alguém está decididamente fumando ópio... O senhor não sente o cheiro? Com a vassoura em punho ele volta a varrer o salão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Malditos pombos – pragueja. – Veja só a sujeira que eles fazem... Os mágicos não poderiam fazer seus truques com outros bichos...? A platéia aplaude e eu limpo as penas e as fezes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu vi um cartaz colado ali fora. Ontem foi a última apresentação de um mágico. Como foi o espetáculo? Você assistiu?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, senhor, aqui na taberna só entram os convidados da patroa, gente esquisita. Nunca fui autorizado nem convidado a vir aqui à noite, não que um dia eu quisesse... A patroa sempre deixou bem claro que eu nunca deveria vir aqui sem sua ordem e – olhando para os fundos da taverna – nem deixar que ninguém entrasse aqui fora de hora, sem sua autorização expressa – responde o faxineiro, tirando com uma espátula as fezes dos pombos coladas no chão e em algumas mesas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas você me deixou entrar – comenta o entranho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- É verdade, mas acho que o senhor veio na hora certa, hoje estava precisado de falar com alguém...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Já que é assim, então comece me dizendo a razão de você continuar trabalhando aqui, já que detesta esse lugar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estou me punindo. Fiz muita besteira nessa vida e tenho que compensar de alguma forma, e o jeito que arrumei foi fazer os trabalhos mais desprezíveis, mais nojentos e execráveis – e sem conseguir segurar, começa a chorar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas o que você fez assim de tão terrível? Que crime você cometeu afinal?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encosta-se no balcão, serve mais uma dose de rum ao freguês e outra aguardente a si mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sabe, senhor, sou órfão de pai e mãe. Uns dizem que meus pais morreram logo depois que nasci, já outros, que eles, sabendo que eu não daria para nada que prestasse, me jogaram na porta de uma velha parteira. Seja como for, fui criado pela velha que me tratou como filho, trabalhando feito uma escrava para me sustentar, educar e fazer de mim um homem de bem, mas... – suspira¬ - olhe só no que deu. Bebe mais da aguardente. Um dia, já adulto, cheio de vícios e cercado de falsos amigos, fui roubar a velha. O senhor acredita? Fui roubar a velha que me criava como um filho! Ela tentou me explicar que só tinha dinheiro para a comida, que se tivesse mais algum tostão sobrando me daria... Mas nem deixei a velha falar e, tomado pela ira, pela necessidade de meus vícios, dei-lhe um tapa no rosto. Não foi forte, ela nem chegou a virar a cabeça.., mas ficou ali com as mãos sobre o rosto vermelho e começou a chorar... Vendo aquilo, enraiveci ainda mais, peguei tudo o que pude na casa e saí para rua. O dinheiro que arranjei com aquilo dividi com os amigos e só voltei para casa dois dias depois.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem graça pelas lágrimas que ainda corriam pelo seu rosto, o rapaz volta a varrer o chão. Silêncio. Um suspiro, dolorido e profundo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então? Não vai me contar o resto? Vai ficar se escondendo atrás dessa vassoura?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quando voltei para casa, ela estava na mesma posição, com as mãos ainda cobrindo a face, morta. A coitada morreu de tanto chorar... Parecia uma estátua. Dura. Triste. Nesse dia saí de casa e caí no mundo. Desde então estou purgando esse pecado... O senhor não sabe pelo que já passei... Mas nada do que fiz até agora apagou a minha culpa. Veja aonde vim parar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Venha me servir outra dose, já está na hora de ir e não quero sair com a garganta seca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixando a vassoura encostada numa mesa próxima ao palco, o rapaz volta ao balcão e enche o copo do estranho, quando ouve um guincho agudo vindo dos fundos do estabelecimento. Ele treme e sua de nervoso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Acho mesmo que o senhor deveria ir embora. A patroa está chegando e tenho certeza de que ela não gostará de ver o senhor aqui, e pode ainda me despedir ou coisa pior... Aquela mesa suja de sangue me dá arrepios!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O estranho toma seu rum e pede a conta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não precisa pagar, fica por minha conta. Há muito tempo que não falava com alguém, já nem lembrava a minha voz, assim ficamos empatados. Pode ir em paz, mas nunca comente com ninguém que o senhor entrou aqui, nunca! – recomenda com firmeza na voz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Está certo, esse será o nosso segredo. Você me acompanharia até a porta? Aqui é tão escuro que sou capaz de me perder e não achar a porta, ainda mais com todo esse rum na cabeça – ri um riso meio forçado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O rapaz o acompanha até a porta, que quando se abre deixa entrar uma forte claridade que até ofusca, e desviando os olhos para o chão ele vê, espantado e assustado, a sombra do estranho. Ela começa a transformar-se, deixando a forma humana e tomando contorno angelical...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quem é o senhor? – gagueja quase em pânico. O estranho oferece-lhe a mão e diz: &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Venha comigo, seu tempo aqui acabou. Alguém lá em cima intercedeu por você. Não tema mais nada... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um vento quente bate a porta da taberna e da rua ouve-se o guincho estridente de uma porca furiosa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5905950082437484423?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5905950082437484423/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5905950082437484423&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5905950082437484423'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5905950082437484423'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/09/redencao.html' title='﻿REDENÇÃO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-4322626197204017933</id><published>2011-08-30T08:17:00.000-03:00</published><updated>2011-08-30T08:17:49.243-03:00</updated><title type='text'>UMA NOITE NA TABERNA ”A PORCA QUE RI”</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;U&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;m marinheiro musculoso, de camiseta azul marinho, ruivos cabelos desgrenhados e olhos vermelhos injetados, completamente bêbado, estava sentado à mesa esperando pelo centésimo copo de cerveja. À sua esquerda, uma viúva chorava e ria, enquanto entornava copos e copos de uísque; à sua volta seus parentes mais próximos a acompanhavam bebendo cervejas, enquanto uma ou outra lançava olhares lúbricos para ele que, a cada gole, olhava aflito para a porta de entrada da taberna. Parecia esperar alguém. Alguém que, pela quantidade copos, estava muito atrasado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre o balcão, na falta de um palco, um mágico apresentava espetáculo, anunciando que seria esse o último de sua carreira, já que completava nesse dia seu ducentésimo aniversário e se encontrava cansado demais, prometendo a todos que, após o espetáculo, se aposentaria e sumiria junto com a sua jovem assistente, uma dinamarquesa de vinte e cinco anos de idade. Jovem sim, embora aparentasse setenta e dois anos, dez meses, vinte e dois dias, dezessete horas e quinze segundos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A dona da taverna, uma senhora gorda, rosada, simpática, rotunda e levemente assemelhada a um suíno, mais guinchava que ria, um riso agudo e estridente, enquanto atendia a freguesia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas assim como o marinheiro, ela também não tirava os olhos da porta de entrada, que se encontrava fechada por causa da chuva fina e fria que assolava a rua. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Duas gêmeas cobrindo a boca escondiam os dentes encavalados e sujos. Riam das piadas que o mágico contava entre um truque e outro, mas na verdade esperavam pelo fim do espetáculo, quando ele iria presentear a assistência com os coelhos que sairiam da velha cartola. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O ar estava turvo de fumaça de cigarros, charutos e do cachimbo de espuma que o velho lobo-do-mar pitava entre um gole e outro de cerveja.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As parentes da velha viúva não tiravam os olhos de cima do marujo e cutucavam-se umas às outras entre risinhos débeis, comentando que poderia ser impressão delas, mas, a medida que o marinheiro bebia, as tatuagens moviam-se em seus braços. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os arpões atacavam os dragões, o coração de mãe já não sangrava mais, mas juravam que ele estava soluçando e chorando. Enquanto isso, a loira tatuada no braço esquerdo tirava a roupa. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Uma pouca vergonha! - dizia a mais velha de todas, bebendo mais um cálice de absinto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os aplausos para o mágico espantaram os pombos que, saídos anteriormente de seus punhos e pousados sobre os caibros, voaram assustados sobre os fregueses. As gêmeas, numa demonstração de inconcebível agilidade felina, pegaram dois deles no ar, arrancando suas cabeças e rindo histericamente, comendo-os como se fossem duas gárgulas famintas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No canto mais escuro da taberna, sob uma escada, um chinês amarelo e enrugado pelo tempo e pelo vício fumava ópio e mendigava um copo de bebida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lenços coloridos. A assistente serrada ao meio, que, diga-se de passagem, não voltou mais ao palco, foi substituída por outra mocinha: uma árabe ruiva que recendia a camelo. Cartas de baralho encardidas, dobrões espanhóis que apareciam atrás das orelhas de velhinhas bêbadas e outros truques baratos entretinham os solitários freqüentadores da taberna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As gêmeas olhavam para o relógio e se perguntavam quando os coelhos sairiam da cartola, visto que elas só estavam lá por causa deles.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O marinheiro chegara ao ducentésimo copo de cerveja e começara a ficar tonto. Suas tatuagens, enjoadas de tanto álcool, saíam de sua pele em direção à porta dos fundos, alcançando a rua e respirando um pouco de ar puro, correndo o risco de serem apagadas pela chuva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A fumaça de seu cachimbo misturava-se à do cachimbo do chinês, formando imagens de feras e criaturas fantásticas digladiando-se entre si.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas a contenda não foi longe, pois o bater de asas dos pombos, assustados pelo rufar dos tambores chamando a atenção dos fregueses para o número final do mágico, espalhou-as no ar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rindo e salivando, as gêmeas esfregavam as mãos encarquilhadas, esperando pelos coelhos que finalmente saíram da cartola. Já nem prestavam mais atenção aos columbinos que passaram em frente à mesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao fim do rufar dos tambores, todas as luzes se apagaram e um spot de luz vermelha focou o mágico. Ele repetiu que este seria seu último show e que, uma vez aposentado, se retiraria da vida artística, casaria com sua assistente e dedicar-se-ia a escrever suas vastas memórias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então tomou da cartola e dramaticamente olhou nos olhos de cada pessoa, em cada uma das mesas. Procurou pelo marinheiro e o viu em sua mesa totalmente bêbado, agora sem nenhuma tatuagem. Olhou nos olhos da viúva, que agora nem ria nem chorava, parecendo aliviada de todas as dores. Olhou em direção às suas parentes, que antes choravam como carpideiras e que agora, mesmo alcoolizadas, pareciam mais sóbrias que antes. Olhou as gêmeas e vislumbrou a fome que as devorava. Olhou para a dona da taberna cada hora mais e mais rotunda, risonha e rosada. E como já sentindo saudades, olhou com nostalgia para seus pombos que voavam, tentando fugir tanto de dentro da taberna como da fome das gêmeas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O mágico suspirou, pediu silêncio, olhou dentro da cartola, mostrou à audiência que ela estava vazia, virou-a de um lado para outro, colocou-a no chão, subiu em uma cadeira que havia pedido a uma das gêmeas e - espanto geral - pulou dentro dela e desapareceu para todo sempre!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Epílogo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num átimo, as pombas que ainda revoavam dentro da taverna arremessaram-se para dentro da cartola seguindo seu mestre. As gêmeas furibundas e famintas entredevoraram-se aos gritos e maldições recíprocas. A viúva chorando clamava pelo falecido, que volta dos mortos e a leva consigo para o além. O marinheiro acorda com os gritos, resmunga e grita impropérios.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nesse exato momento a porta da taberna se abre e da rua surge uma sereia molhada de chuva. Vendo isso, o marinheiro diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Isso lá são horas de você aparecer? Olhe isso! – diz apontando para os braços sem tatuagens. - As outras se cansaram de esperar e foram embora. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com dificuldade levanta-se da mesa derrubando as mais de duas centenas de copos no chão. De tão embriagado, tropeça nas próprias pernas e cai junto com os copos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não sei por que ele bebe tanto! – desculpa-se a pobre sereia que, arrastando-se com dificuldade, carrega-o de volta ao seu navio ancorado não muito longe dali.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O chinês lá no fundo ri de tudo, acendendo outra vez o cachimbo de ópio...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-4322626197204017933?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/4322626197204017933/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=4322626197204017933&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4322626197204017933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4322626197204017933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/uma-noite-na-taberna-porca-que-ri.html' title='UMA NOITE NA TABERNA ”A PORCA QUE RI”'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-3921177425495782320</id><published>2011-08-26T10:53:00.002-03:00</published><updated>2011-08-26T15:59:26.088-03:00</updated><title type='text'>OUTROS TEMPOS OU OUTRO MUNDO?</title><content type='html'>&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;P&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;assei ontem pela rua em que moram meus primos. Não digo onde para que ninguém se sinta tentado a ir visitá-los e perguntarem sobre mim, como sou, se sou assim mesmo, se sou bonito ou feio ou sabe-se lá o que mais.&lt;br /&gt;Caminhava e lembrava como era aquilo lá. &lt;br /&gt;Era uma festa para um moleque como eu ir à casa de meus tios. Morava em cidade onde as ruas eram asfaltadas, havia grandes casas de alvenaria e já alguns prédios de três ou quatro andares, e lá onde moravam meus tios e primos as ruas eram de terra e, criança é mesmo besta, ainda havia valas!&lt;br /&gt;Que alegria a nossa!&lt;br /&gt;Ficávamos a tarde inteira nos sujando na rua, entrando nas valas para catar girinos, puxando sujeiras de dentro d’água.&lt;br /&gt;Quando voltávamos para dentro, era hora de tomar café. Qual o horror dos nossos pais ao nos verem sujos, com os pés encharcados de lama e fedendo, fedendo...&lt;br /&gt;Hoje aquilo lá é mais uma rua, uma rua dessas qualquer, de qualquer cidade, sem encanto nenhum, sem nada que deixe qualquer marca de saudade. &lt;br /&gt;Nas ruas daquele tempo, outros tempos, a iluminação pública deixava muito a desejar, mas brincávamos nelas sem perigos outros que cortar um dedo, pisar num prego, cair duma árvore. &lt;br /&gt;Aliás: 1- alguém tem visto criança subindo em árvores ultimamente?, queimar um dedo fazendo fogueiras nas noites frias de junho e julho?; &lt;br /&gt;2- nem frio faz mais no inverno, sem contar que tínhamos árvores, muitas árvores, goiabeiras, caramboleiras, ameixeiras, jaqueiras... &lt;br /&gt;E hoje? &lt;br /&gt;Arrancam tudo para que as folhas não sujem o chão! Tsc, tsc, tsc...&lt;br /&gt;Já que é para apertar os miolos atrás de velhas lembranças, alguém tem visto pessoas sentadas nas portas de casa, conversando com vizinhos? Cumprimentando os passantes?&lt;br /&gt;Não.&lt;br /&gt;Essas ruas não existem mais...&lt;br /&gt;Não sou um saudosista xiita mas, noutros tempos, tempos de minha infância, as coisas eram bem melhores. Perdíamos feio na qualidade tecnológica, mas a qualidade de vida realmente era bem outra. Tive uma infância de criança pobre, mas posso lhes garantir que era uma pobreza menos miserável do que a que vivemos hoje...&lt;br /&gt;Outros tempos ou outro mundo?&lt;br /&gt;Quando criança, com os meus colegas, fazia planos de no ano 2000 ir á Lua, ir a Marte, e vejam só, parece que voltamos à Idade das Trevas...&lt;br /&gt;O futuro daquele tempo era muito melhor. &lt;br /&gt;Mas seriam outros tempos ou eu sou outra pessoa?&lt;br /&gt;Sei lá, até as dúvidas que me assolam hoje são piores...&lt;br /&gt;Somente &lt;a href="http://vladimirsilva.blogspot.com/"&gt;&lt;span style="color: #ea9999;"&gt;Vadinho&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; O Grande Memoriodo, Responsavel Pelas Chaves da Sabedoria poderia dirimir essas questões...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-3921177425495782320?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/3921177425495782320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=3921177425495782320&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3921177425495782320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3921177425495782320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/outros-tempos-ou-outro-mundo.html' title='OUTROS TEMPOS OU OUTRO MUNDO?'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-7682416342513165438</id><published>2011-08-23T14:03:00.000-03:00</published><updated>2011-08-23T14:03:16.720-03:00</updated><title type='text'>A MUDANÇA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &lt;span style="background-color: yellow; color: #990000; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;lô. Alô, está me ouvindo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silêncio do outro lado da linha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alô! Sei que você está aí, vamos me responda, por favor, fale comigo. Por favor, preciso ouvir a sua voz...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silêncio. Ela dolorosamente percebe que ele desligou o aparelho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Torna a ligar, ouve o chamado, mas não atendem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começa a chorar convulsivamente. Torna a ligar para o mesmo número que continua teimosamente a chamar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vai ao banheiro, toma uma ducha e suas lágrimas confundem-se com a água que cai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda molhada, torna ligar. Dessa vez ele atende ao telefone.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Alô?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Oi, sou eu. Estou te ligando há horas, há dias, mas você não me atende...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah, é você? – diz com certo desconforto (nota-se que se ele soubesse que era ela não teria atendido). – Preciso de um identificador de chamadas – murmura quase como que para ela ouvir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por que você não me procurou mais?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não faça isso comigo. Olhe, não podemos terminar assim...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-...eu vou mudar, você vai ver. Nada disso irá se repetir. Juro. Fale comigo. Juro que vou mudar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não posso continuar vivendo desse jeito. Fale comigo – grita desesperada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele desliga o telefone.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela, ainda molhada, joga-se na cama, chora até pegar no sono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acorda com o telefone que toca. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Corre a atender.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas era engano. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Engano? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu vou mudar – fala para si mesma –, eu vou mudar. Repete esse mantra até voltar a cair no sono.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acorda horas mais tarde e vai para a rua. Precisa andar, precisa espairecer as idéias, precisa de ar, precisa ver-se livre de seus fantasmas e neuroses, precisa encontrá-lo de qualquer jeito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seus passos a levam ao shopping. Senta-se para um café, só agora percebe que ainda está em jejum. À mesa, liga outra vez.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Alô? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessa vez ele nem se dá ao trabalho de atender, deve saber que é ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tomado o café, sai a andar sem rumo, move-se feito um zumbi, o olhar vazio, murmurando o mantra – "Eu vou mudar, eu vou mudar, eu vou mudar..."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quadras à frente, resolve fazer uma última ligação para ele. - Já basta de ficar rastejando. Ao pronunciar tais palavras, percebe que realmente está começando a mudar e pela primeira vez em vários dias sorri. Procura o celular na bolsa e não o encontra. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela esqueceu o aparelho na mesa do Café no shopping. Mas isso não importa mais, ela mudou sim, mudou e percebe que a mudança é benéfica. Sorri mais uma vez. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora ereta, com a cabeça erguida e altaneira, segue a passos firmes para uma nova vida, livre da presença dele, da sombra dele, da necessidade de estar com ele. – Livre! - grita para si mesma, assustando as pessoas à sua volta. Ela ri da multidão que a cerca na rua, ri das noites mal dormidas, ri de suas lágrimas e seu pranto. Está livre da mulher que era até poucas horas atrás.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, lá na frente, quem aparece abraçando outra mulher? Sim, ele. Ele que tem se recusado, não!, evitado atender aos seus telefonemas, ele que a tem desprezado, ele que a tem levado às raias da loucura, ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas quem é essa mulher? – ela se pergunta, enquanto nervosamente arruma os cabelos. Tira os óculos de sol para melhor ver, compreender, entender o que está se passando. Como ele poderia fazer isso com ela? Era por isso que ele já não mais atendia aos seus telefonemas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentiu-se traída e inclinada ao homicídio, quando – Mas não poder ser! – diz, sorrindo um sorriso histérico, nervoso e psicótico. Ela esconde-se do casal, entra num bar, senta-se numa mesa atrás das grandes janelas de vidro fumê e vê a mulher que o acompanha. Ela primeiro sorri, depois loucamente começa a gargalhar e a gritar. – Eu disse que mudaria, eu disse que mudaria por ele. E chamando a atenção dos garçons e fregueses, começa a falar feito uma possessa: – Olhem lá! Ele está comigo, olhem lá o meu namorado com a nova “Eu”. Vejam, vejam! Eu mudei, vejam como eu mudei!&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-7682416342513165438?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/7682416342513165438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=7682416342513165438&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7682416342513165438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/7682416342513165438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/mudanca.html' title='A MUDANÇA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-1384986346237265460</id><published>2011-08-19T14:06:00.000-03:00</published><updated>2011-08-19T14:06:03.076-03:00</updated><title type='text'>﻿SURPRESA! SURPRESA!</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;m meio à chuva, já dá para ver a Mansão no alto da colina, os limpadores dos pára-brisas vão e voltam freneticamente, e dentro a fumaça do cigarro atrapalha ainda mais a visão do motorista, que tenta limpar desesperadamente o vapor que embaça as janelas do carro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele pensa no contrato que traz no bolso do paletó.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quem em sã consciência faria uma festa aqui? Estou achando que é mais uma roubada... – pensa, enquanto arruma a bolinha vermelha na ponta do nariz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Faz uma curva fechada, o carro quase capota numa poça d’água e bate num carvalho, mas ainda assim fura o pneu traseiro esquerdo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Droga, droga, droga! Onde vou arrumar lugar para trocar essa porcaria agora? Se sair nessa água vai borrar a minha maquiagem! – resmunga, enquanto bate com as mãos no volante, assustando-se com a buzina. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolve seguir em frente assim mesmo, afinal não falta muito para chegar à mansão...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enquanto isso, lá dentro a escuridão toma conta de quase todos os cômodos. Sim, quase todos, pois no Grande Salão Sul uma multidão está reunida. Hoje é aniversário do filho caçula do dono da mansão. Uma enorme surpresa está sendo preparada para ele, uma surpresa que na verdade é uma tradição que passa de pai para filho há gerações e gerações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um magnífico jantar, convidados, amigos da família, que também vêm de gerações...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escurece, já é quase noite fechada; a chuva engrossa ainda mais, agora seguida de raios e trovões, trovões que fazem a estrutura da velha casa tremer. Mas a casa é tão velha quanto sólida, nada a derrubará, assim sempre foi e assim sempre será, sólida e eterna.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com dificuldade, o carro lentamente faz a última e mais íngreme das curvas. - A roda já está comprometida – reclama o motorista, dando outro soco no volante e novamente tocando a buzina sem querer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dentro da mansão...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Papai, você escutou uma buzina de carro? – pergunta a criança excitada, puxando a manga da casaca do pai.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim, ele já deve estar chegando. Escondam-se para a surpresa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os convidados, com risinhos infantis, correm e procuram um lugar para esconderem-se. Em poucos segundos, reina o mais absoluto silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O carro chega ao portão da mansarda, que se abre automaticamente para dar passagem. Ao atravessar o carro, ele se fecha ruidosamente, provocando um calafrio nas costas do motorista. – Beleza, só faltava ficar resfriado agora- reclama, mas antes de socar outra vez o volante, lembra-se da buzina e soca o banco vazio do passageiro. Com dificuldade consegue soltar o sapato dos pedais do carro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele desce do automóvel, corre para a porta da frente da casa e bate na aldrava, que produz um som seco que ecoa de forma fantasmagórica pelo interior da casa, provocando-lhe outro calafrio na espinha. – Pronto, estou mesmo resfriado! – reclama, puxando os suspensórios da larga e colorida calça, e não tendo o que socar, chuta a porta que se abre com um rangido triste e choroso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele entra na sala, deixando atrás de si grandes pegadas molhadas, segue até uma grande mesa onde uma vela ilumina um bilhete. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Siga até o Grande Salão. Entre sem fazer barulho - ele lê.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enxugando com o bilhete as gotas de chuva em sua testa, ele segue para o Grande Salão Sul, tendo somente uma vela, a que ilumina a mesa, para guiá-lo naquelas trevas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Só falta ter manchado a maquiagem... – reclama e dá um soco na perna direita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seus sapatos grandes, largos e encharcados fazem um estranho barulho no chão que, ecoando pelas paredes, deixa a escuridão ainda mais assustadora. O silêncio o deixa preocupado, teria errado de endereço?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não! Impossível, só havia essa casa nesse lugar esquecido por Deus! – responde a si mesmo, enquanto arruma outra vez o nariz vermelho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim ele chega ao Grande Salão Sul. Encosta a cabeça na porta. Silêncio, não ouve nada, nadinha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele bate na porta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém responde.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dentro do Grande Salão Sul, o pai coloca o dedo indicar sobre os lábios e olha para o filho pedindo silêncio, afinal era uma surpresa, não era?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com outro rangido, a porta de carvalho do Grande Salão Sul abre-se e ele vê um enorme salão totalmente vazio, silencioso e escuro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Alô? Alô? Tem alguém aí? – grita, enquanto sente outro calafrio e amaldiçoa o pneu furado do carro. Alô, quem foi que contratou o palhaço aqui?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, surpreso, antes que pudesse falar mais uma palavra, contar uma mísera piada, o pequeno aniversariante pulou em sua jugular e começou a sorver o seu sangue quente, manchando de vermelho a maquiagem branca da sua cara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Orgulhoso, o vampiro-pai comenta com seus amigos, também vampiros:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ah! Essas crianças... Às vezes penso que eu o mimo demais. No meu tempo não tinha essa história de ter palhaços em festas de aniversários...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os outros convidados, rindo, concordam com ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-1384986346237265460?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/1384986346237265460/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=1384986346237265460&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1384986346237265460'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/1384986346237265460'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/surpresa-surpresa.html' title='﻿SURPRESA! SURPRESA!'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-4261945773751521190</id><published>2011-08-17T13:33:00.000-03:00</published><updated>2011-08-17T13:33:17.822-03:00</updated><title type='text'>GENRO &amp; SOGRA</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;P&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;orta do Banco. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dia de pagamento, entra e sai contínuo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O prédio mais parece uma colméia tanto o movimento, na calçada em frente, camelôs vendem de tudo um pouco, lanches, cigarros em maço ou unidade, balas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos pés da escada de granito cinza na calçada numa cadeira de rodas, uma senhora pede esmolas, mendiga uma moeda aos prantos e com voz lamuriosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não convence, as pessoas passam fingindo que não a vêem. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Uma moeda, uma moeda, por favor, uma moedinha...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Nada. Ela ainda finge que chora, entorta a perna direita, encarquilha a mão esquerda – quase derruba o pratinho com meia dúzia de moedas e uma tampinha de garrafa.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De repente um carro estaciona em frente a ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora sim ela chora de verdade, soluça e pede aos passantes que não deixem que a tirem dali, tenta segurar as pessoas que passam, causando mais repulsa ainda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Segurando-se firmemente aos braços da cadeira de roda, ela grita que dali ninguém a tira, mas seus gritos e choro não convencem ninguém...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Do carro sai um homem sorridente, simpático, que cumprimenta todos que saem do Banco e delicadamente pega a velhinha no colo e a coloca no automóvel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Espanto geral!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como alguém com um carro desses, sinal de posse, poderia deixar uma velha assim pedir esmola na porta de um Banco?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Percebendo o mal-estar à sua volta ele explica:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ela está senil, foge quando não estamos vendo e vem para cá, isso quando não senta na porta de restaurantes... É uma cruz que tenho que carregar. Pobrezinha... – Vamos para casa, vamos – diz-lhe sorridente, angariando a simpatia de todos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com cuidado extremo coloca a velhinha no banco traseiro, prende-a com o cinto de segurança, limpa-lhe o enrugado rosto com um lenço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parte sob aplausos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Achou que ia fugir de mim? – diz rangendo os dentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A velha afunda-se mais ainda no banco de couro, perde a cor, começa a tremer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Achou que eu não ia encontrá-la?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela tenta abrir a porta. Travada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Achou que eu não cumpriria a minha promessa? Olha lá fora. Veja o sol. Está com calor, esta?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A velha está fria, congelada de medo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Nem se preocupe com a cadeira de rodas. Tenho coisa melhor para a senhora lá em casa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela entrega os pontos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Relaxa o corpo, sabe que está perdida...&lt;br /&gt;Chegando em casa, o carro estacionado, ela é levada no colo para dentro, sob o olhar penalizado da vizinhança.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Pobre homem – comenta a portuguesa que mora em frente – como sofre com a sogra. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Esse homem vai para o céu – concorda a paraibana que faz faxina na casa da portuguesa - vai pro céu! – e volta a varrer a calçada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dentro de casa, o homem joga a velha numa outra cadeira rodas – ele tem uma garagem cheia delas, comprada no atacado, só para se garantir – e empurra a sogra para o quintal.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixa-a no meio do jardim bem sob o sol que está a pino, o calor está fazendo murchar as plantas e derreter os brinquedinhos de plásticos do Nenê – o cachorro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O homem deixa a velha e vai para cozinha tomar uma cerveja. Abre a lata lentamente de modo que o gás saia fazendo barulho. A velha ouve e seus olhos brilham. Ela está com sede, com medo e com raiva.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com a latinha na mão ele vai até o jardim para que a velha o veja beber, chama Nenê e oferece um pouco da bebida ao cachorro que aceita prontamente. Enquanto bebe, brinca com o cão, joga a bola cada vez mais longe para o animal ir buscar, fazendo com que bata com a cauda nas pernas da velha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela olha com mais ódio ainda para o genro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O calor aumenta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É fevereiro...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então a senhora tentou fugir outra vez – fala o genro protegido na sombra de uma jaqueira - Achou que esmolando iria conseguir dinheiro para fugir daqui de casa? Nenê! – chama o cachorro que estava indo dormir na sala, sob o ventilador – Vêm brincar coma vovó, vem...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A velha teme o cachorro, quase tanto como teme o genro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cachorro vem correndo e babando trazendo à boca outra bolinha, a velha para de respirar. Quem sabe assim o bicho não repara nela?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o genro joga a bolinha no colo da sogra. Ela não conseguindo mais segurar, começa a chorar...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O Nenê não – implora humildemente - o Nenê não...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O cachorrão lambe-lhe o rosto provocando um misto de asco e pavor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Uma trovoada faz tremer o chão assustando o animal que assustado corre a esconder-se debaixo da mesa da cozinha. A velha olha para o céu, olha para o genro, e começa a sacudir a cabeça apavorada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Não... – suplica baixinho – não, outra vez não!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O genro sacode os braços, entra na casa, e após uns poucos minutos, volta com outra lata de cerveja e um guarda-chuva. Pega uma cadeira de praia e senta-se sob a cobertura de lona de faz sombra na lateral do jardim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Senta-se, estica as pernas e olha o relógio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não dou meia hora para arriar o molho, acho que ainda vai umas três ou quatro cervejas... – ri do pavor da velha.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Muda de horror a velha sogra arregala os olhos e murmura alguma coisa – talvez o nome do falecido marido, que teve, segundo o genro, a sorte grande de ir antes dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra trovoada, agora mais perto. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não tarda a chover...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu te avisei velha, eu te avisei – ri enquanto entorna a cerveja – quando eu viesse a tomar conta de vocês eu acertaria todas as nossas diferenças – ri a ponto de engasgar-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro trovão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O genro olha o relógio, rir e diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vai começar a chover bem na hora de seu banho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela sacode a cabeça a ponto de seus brincos de pérolas caírem no chão e perderem-se na grama do jardim. Começa a chuviscar, o genro protege-se indo para dentro da cozinha, diz que agora vai preparar um café, afinal daqui à pouco a esposa vai chegar e vai querer um lanche.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Enfim cai a chuva. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Forte. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pingos grossos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá fora as lágrimas desesperadas da velha misturam-se à chuva, e antes que possa rogar uma praga para o genro, escuta-lhe a voz que diz, vindo de dentro da cozinha:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Se comentar alguma coisa com a sua filha, fico com os trocadinhos que a senhora conseguiu no Banco.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com ódio, sua dentadura trinca.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-4261945773751521190?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/4261945773751521190/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=4261945773751521190&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4261945773751521190'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4261945773751521190'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/genro-sogra.html' title='GENRO &amp; SOGRA'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-2658814754246675747</id><published>2011-08-15T15:53:00.000-03:00</published><updated>2011-08-15T15:53:08.788-03:00</updated><title type='text'>﻿O COLEGA AO LADO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;C&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;hego cedo ao escritório. Não que eu seja mais trabalhador que os colegas ao lado, não, nada disso. Chego cedo somente para ficar mais tempo sozinho com meus pensamentos, enquanto eles ainda são meus, no pé que vai minha vida, logo, acho, nem isso será mais meu somente uns setenta por cento, se tiver sorte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou sentado à minha mesa, olhando fixo para o monitor do computador, o silêncio, a sala vazia, somente o som do tráfego lá fora, e na cabeça as minhocas da preocupação. Não é bom, mas é o melhor para o momento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, passados poucos e maravilhosos minutos de silenciosa preocupação chega ele, o colega que se senta à mesa ao meu lado, i-me-di-a-ta-men-te ao meu lado, praticamente, ombro-a-ombro. Joga sua mochila na cadeira e quase gritando, pois, pensa ele que sou surdo, pergunta-me se vou almoçar na rua ou se trouxe marmita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Volto à terra. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pulo da cadeira com o susto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Miserável. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Todos os dias a mesma pergunta, almoço-na-rua-ou-marmita? Seguido do tudo-bem-com-você?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A rotina.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sentado com seus cento e vinte quilos de pura simpatia, começa a desejar bons-dias a torto e a direito para os colegas que vão chegando, falando de como foi a sua noite, o que assistiu na tv, o que jantou.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que jantou é a senha para pegar uma fruta na mochila, e começar a roê-la.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Runch-runch-crunf-russssh-chof-chof-smuffff…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se um dia eu tiver que descrever como se escova um cérebro, direi que esse é o som - omitindo apenas o perdigoto que ele dispara enquanto fala.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afundado em problemas financeiros - quiçá me preocupasse como antes com os existenciais, o fim do combustível do sol que se apagará daqui a vinte e cinco milhões de anos, de onde viemos? para onde vamos? – estou criando coragem para ir ao banco tentar um empréstimo. Para cada cálculo financeiro, uma mastigada com efeitos sonoros, para cada juro, um perdigoto, para cada ensaio de lamúrias ao gerente, uma bravata sexual do colega ao lado...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolvo ir ao banheiro. Lavar o rosto, olhar a janela, considerar em quantas parcelas pagar o dito empréstimo...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- &amp;nbsp;Vai ao banheiro? – fala ele mastigando a frutas junto com as palavras - Vou aproveitar a carona e escovar os dentes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Rosno e pergunto ao “Bom Deus” o que fiz para merecê-lo. Tento responder que vou, que vou, que vou.... Mas desisto, onde quer que eu vá, ele irá me acompanhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Entro, e logo me tranco numa das cabines, crente que ali, por alguns segundos terei a paz que anseio para terminar meu discurso para enternecer o coração do gerente do banco, mas que doce ilusão!, de frente ao espelho, escovando os dentes, ele continua a falar, fala com a escova na boca, fala passando o fio dental, fala, fala, fala, fala, minha saída (não, minha saída não é o vaso sanitário, não ainda) e ficar dando a descarga continuamente. O som escatológico-borbulhante-trovejante da água azulada que rola encanamento à baixo, por alguns segundos bloqueiam o som de sua maldita voz.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passado os rápidos segundos (sim, é um terrível pleonasmo o “rápido segundo”, eu sei) eu o ouço gargarejar:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O negócio ta ruim aí hein? Que barrão! Barbaridade! O que você comeu...?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vou matá-lo, de hoje ele não escapa, nãoescapanãoescapanãoescapa, é só eu voltar do banco, que de hoje ele não escapa! – murmuro roendo as minhas unhas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-2658814754246675747?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/2658814754246675747/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=2658814754246675747&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2658814754246675747'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/2658814754246675747'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/o-colega-ao-lado.html' title='﻿O COLEGA AO LADO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-5603095305732458131</id><published>2011-08-10T10:44:00.000-03:00</published><updated>2011-08-10T10:44:48.748-03:00</updated><title type='text'>O COLECIONADOR DE DEUSES</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;A&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt; fumaça do incenso deixava o ar da câmara opaco, quase sólido. Semântico ajoelhado orava, murmurando palavras antigas de línguas mortas e já esquecidas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Suas mãos ainda recendiam ao sangue do sacrifício, e aos pés do altar, animais mortos acumulavam-se. Somente o forte odor dos incensos impedia-o de sentir o pútrido cheiro das carnes decompostas dos animais imolados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Levantando a cabeça ele sorri, e andando de costas, Semântico deixa a câmara, fechando-a com uma chave lavrada em osso, na verdade o fêmur de Olegário Trípoli, seu mestre e guia espiritual, desaparecido a exatos trinta e dois anos, hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Semântico, tranca a porta e segue pelo escuro corredor em direção a outra câmara, seus passos ecoam, fazendo com que o curto trajeto pareça infindável. Pelas paredes vê-se uma galeria assustadora. Lá estão exposta, para gáudio e satisfação de Semântico, pinturas de Aleister Crowley em posições comprometedoras e assustadoras...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Thelema, Thelema... – murmura baixinho Semântico, enquanto tira o pó da moldura de seu quadro favorito, quadro esse que mostra um jovem Aleister Crowley vestido em trajes rituais. Quadro esse subtraído de seu velho mentor Olegário Trípoli, que passaremos a chamar de O.T. para poupar trabalho e seguirmos em frente com essa história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao fim do curto trajeto pelo sombrio corredor, Semântico retira outra chave do bolso de sua túnica, essa lavrada no osso parietal de Olegário Trípoli.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Quantas portas e quantos pedaços de Olegário Trípoli há nessa história?! – Sim leitor, quantas portas e quantos ossos de O.T.? Creio que jamais saberemos nessa vida! Mas sigamos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Semântico ao abrir essa outra porta, despe-se se sua negra túnica pagã e vestindo um alvo hábito ele entra no recinto. Esse, em contraste com a outra câmara é branco, é claro, é límpido, é arejado e abarrotado de flores. Flores frescas, coloridas e perfumadas, das janelas de vitral uma luz multicor colore o ambiente e remete à paz celestial. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Celebrando uma nova vida, Semântico de joelhos, reverencia outro ídolo ali esculpido. Esse deus, não lhe pede nada de sacrifícios, não lhe exige sangue, nenhuma matança, esse é um bom deus. Contenta-se com adoração, velas e umas poucas orações.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Num ofício rápido, Semântico celebra uma homilia de poucos cantos, muito gesticular de braços e bater de palmas, coisa pouca para um deus pouco exigente e pouco afeito a pedidos excêntricos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Um deus ordinário esse! – ri de si para si mesmo, enquanto tranca a sala e retira o alvo hábito, e arrumando os vastos cabelos, ele segue mais fundo ainda no ameaçador corredor tendo por companhia somente o eco de seus passos e o tilintar das chaves de ossos do finado O.T. que ele trazia girando no dedo indicador da mão direita.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao final de poucos minutos Semântico chega a mais uma porta. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Essa é feita de ébano, negra, negra como uma noite que prenuncia uma borrasca que causará morte e destruição, negra como a alma de Semântico, negra como uma mancha de sangue coagulado de uma cerimônia pagã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de pegar a terceira chave, essa esculpida no osso da escápula direita de O.T., ele olha apreensivamente para trás. Ele tem medo, um medo secreto, um medo que ele nega até a si mesmo, um medo que lhe rói por dentro, rói até mais que a aquela velha úlcera tratada por ele com carinho e caldo de galinha. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certo de estar só no corredor, Semântico abre velozmente a porta e entra, e ao fazê-lo, bate-a com força, fazendo com que o barulho ecoe forte e longamente pelo corredor...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele encosta-se na escura madeira e respira fundo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De cima dum antigo aparador ele pega uma espada não menos antiga, runas de tempos remotos cobrem o couro de sua bainha com maldições e pragas bordadas em fio de ouro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- P.C. eu também posso fazer meus milagres e tempestades – ri, sacudindo a espada no ar, mas logo se torna sério outra vez - um frio sobe-lhe pelas costas - esse deus, ao contrário do outro, não perdoa. É cruel e os sacrifícios oferecidos a ele são os mais caros. Onerosos em todos os sentidos... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Que deus cruel eu sirvo!- lamuria-se. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De dentro da negra escuridão um ruído, parecido com um rugido de dor, fome e parto faz tremer o chão e a alma de Semântico.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o susto o molho de ossos cai, e uma das chaves espatifa-se no piso, angustiado ele grita:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Não! De duzentas e seis chaves por que justamente essa foi quebrar-se? Por quê? – ele chora, e lá do âmago da densa escuridão o pavoroso rugido faz tremer as fundações da velha casa e leva Semântico para mais perto da perdição de sua já há muito hipotecada alma. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Não! – grita de joelhos no frio piso manchado de sangue de inocentes virgens e pobres crianças rechonchudas como anjinhos barrocos. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;– Não! – banhado em amargas lágrimas, Semântico recolhe os cacos do osso do cóccix de O.T. – Não tenho mais salvação, nunca mais serei redimido de meus pecados, nunca mais abrirei a porta do anjo. Perdi para sempre a minha barganha com ele... &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desesperado, Semântico foge da sala que ruge ferozmente, como um animal de outro mundo, um mundo de trevas eternas e sem salvação. Enquanto foge de seus demônios, Semântico recita uma velha oração:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Paz sobre vós, anjos servidores ,anjos do Altíssimo, Do supremo rei dos reis , o Santo , bendito é ele, que sua vinda seja em paz ,anjos da paz,anjos do Altíssimo, do supremo rei dos reis, o Santo, bendito é ele, abençoe-me com a paz ,anjos da paz, mensageiros do Altíssimo, do supremo rei dos reis, o Santo, bendito é ele. Que sua partida seja em paz, anjos da paz, anjos do Altíssimo, do supremo rei dos reis, o Santo, bendito é ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas Semântico não chega ao fim de sua desesperada prece, fugindo pelo corredor escuro com seu coração ateu quase a sair pela boca, tropeça numa pedra. Ele tenta equilibrar-se, e tentando apoiar-se na parede úmida e cheia de musgos, sua mão escorrega.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seu corpo cai como um boneco de cordas, e as suas mãos desesperadas, como as mãos de um afogado que tenta agarrar-se a qualquer coisa que possa ampará-lo, mas só encontra apoio na moldura do quadro de Aleister Crowley que, como um amargo escárnio, ficava exposta em frente ao quadro com a figura eqüestre de Paulo Coelho sorrindo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Semântico cai, e na queda é seguido pelo quadro, que se arrebenta no chão. Em doloroso choro Semântico imagina ver, entre a cortina de lágrimas que lhe banha os olhos, a imagem de O.T. que, sorrindo, recolhi os seus ossos, agora espalhados de vez pelo chão...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Meus deuses, meus deuses – clama Semântico em vão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O espectro de O.T. agachado apanhando o último osso de seu corpo, o ísquio, diz baixinho ao ouvido de Semântico:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Já sabias que não deverias servir a dois senhores, mas resolvestes servir a mais de dois...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ouvindo o rugido terrível se aproximando, O.T. desfaz-se no ar deixando seu algoz entregue à própria sorte.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-5603095305732458131?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/5603095305732458131/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=5603095305732458131&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5603095305732458131'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/5603095305732458131'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/o-colecionador-de-deuses.html' title='O COLECIONADOR DE DEUSES'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-258867412192198036</id><published>2011-08-09T09:31:00.000-03:00</published><updated>2011-08-09T09:31:00.385-03:00</updated><title type='text'>﻿mulher</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;﻿mulher&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;assombro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;paquidérmico&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;de mastodôntica&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;memória&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;nada esquece&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;nada perde&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;nada perdoa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;ela não reconhece o manhã&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;guarda na geladeira da memória&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;suas faltas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;erros&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;desacertos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;e aquela olhada na gostosa de biquíni na praia (nas férias de 1982) &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;numa amanhã diferente&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o sol a encontrará dando lustro&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;nos seus erros e pecados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;mulher&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;esse monstro que não esquece!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: xx-small;"&gt;&lt;span style="font-family: Times, &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;, serif;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;&lt;span style="mso-special-character: footnote;"&gt;&lt;span class="MsoFootnoteReference"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt;[1]&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-ansi-language: PT-BR; mso-bidi-language: AR-SA; mso-fareast-font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;; mso-fareast-language: PT-BR;"&gt; Data meramente ilustrativa&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-258867412192198036?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/258867412192198036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=258867412192198036&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/258867412192198036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/258867412192198036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/mulher.html' title='﻿mulher'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-8010247510438667047</id><published>2011-08-09T09:10:00.000-03:00</published><updated>2011-08-09T09:10:37.909-03:00</updated><title type='text'>MUITO ESTRANHO</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;N&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;ão me lembro de muita coisa. Gente indo e vindo, pessoas estranhas, outras conhecidas que me cumprimentavam, outras que eu pensava em conhecer. Imagens, capas de revistas, manchetes de jornais, tudo muito vago, quase um borrão. Musicas que eu ouvia sem atenção. No ar aromas e cheiros algumas vezes conhecidos, outros não. Vozes, muitas vozes que não me diziam nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que não prestei muita atenção quando me chamaram, aliás, se me perguntassem meu nome àquela hora - qual era meu nome? - teria que procurar na minha carteira de documentos... Tem horas que nem sei se me lembro a que espécie pertenço... Nem a que reino, se animal, vegetal ou mineral, embora algumas vezes me sinta um pé de alface, outra um peso de papel. Se me sentisse uma sombra ou ectoplasma, onde me classificaria? Quando ando dormindo, devo ser rotulado como um zumbi ou somente sonâmbulo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mesmo agora diante de vocês, não sei se estou realmente aqui ou se estou em casa sonhando dopado por algum sonífero, num bar bêbado com o Vadinho, ou sendo rascunhado por algum escritor medíocre. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acordei uma noite e em vez de ver meu quarto – ou o que penso que deveria ser meu quarto – me vi perdido em um imenso branco, branco sem fim, branco infinito e claustrofóbico, um branco sem saída, um branco a ser preenchido ou rasgado feito papel – entende o que quero dizer? - assustado, corri de volta onde deveria estar a minha cama, cobri-me, fechei os olhos e trêmulo pedi a Deus para dormir outra vez ou acordar logo. Pela manhã tudo havia voltado ao normal, meu quarto estava lá com meu velho guarda-roupa, minha cômoda, meus livros – a única constante, somente alterando estilo e autores - espalhados pelo chão, o espelho trincado onde me vejo e me reconheço cada vez menos todas as manhãs, tudo estava lá, mas eu não acreditava mais na existência dele, duvidando cada vez mais de mim refletido naquele espelho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por favor, não me perguntem há quanto tempo venho passando por isso. Não sei. Não tenho um calendário marcando isso, nenhuma agenda marcando dia e hora. Mas vendo em perspectiva..., acho que minha vida foi sempre assim... Não tenho memórias de infância, nenhuma lembrança de escola, festas de aniversário, a única memória, quase uma foto, não, uma pintura impressionista!, é uma mesa de bar onde eu e –será essa uma memória plantada? – e Vadinho, não me perguntem quem é ele, somente o nome me vem à mente – bebendo até cair. A isso se reduz minhas lembranças, e tenho cá um fígado perfeito que desmente qualquer vício em álcool. Nome de pai e mãe? Claro, só um segundo para eu pegar meus documentos na carteira...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é possível! Os senhores hão de concordar comigo, isso não é normal, onde já se viu alguém procurar nome de pai e mãe nos documentos, essa é uma resposta automática, todo mundo sabe o nome dos pais, ou pelo menos da mãe...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cada vez mais vejo que minha vida é uma fraude, uma mentira, uma ficção, Mas é claro que não sou e nem estou louco. Sou uma pessoa normal num mundo cada minuto mais anormal, mais confuso, mais bizarro. Vejam os senhores, meu dia começou, ou pelo menos me tornei ciente dele, com essa conversa:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;”Não me lembro de muita coisa. Gente indo e vindo, pessoas estranhas, outras conhecidas que me cumprimentavam, outras que eu pensava em conhecer. Imagens, capas de revistas, manchetes de jornais. Musicas que eu ouvia sem atenção. No ar aromas e cheiros. Vozes, muitas vozes.”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Podem os senhores me explicar a razão de eu estar aqui diante de vocês prestando esse depoimento? O que eu fiz? Qual é a acusação? Cometi algum crime? Sou acusado de quê. Por quem? Como vim para aqui? Como? Os senhores não sabem de nada? Não foram os senhores que me chamaram aqui? Tão-pouco sabem como surgi aqui? Sim aceito um copo d’água. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Vejam senhores o que é a minha vida...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Onde trabalho? À essa altura creio que não trabalho em lugar nenhum, pois creio, nenhum patrão seria tão paciente para com minha situação, creio também ser solteiro e nem ter filhos, cachorro, gatos, papagaio ou mesmo baratas correndo pelas paredes de minha casa, apartamento, toca, buraco, ou seja, lá qual for o lugar que habito. Respondam-me os senhores, como lhes pareço? Sou branco, negro, asiático, loiro, careca? Alto? Baixo, gordo, magro, corcunda, gambeta? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A cada dia amanheço diferente do dia anterior, minhas roupas nunca cabem em mim quando um novo dia amanhece; meus pés vivem machucados, pois cada novo dia é um calo novo, um sapato com um número diferente do dia anterior. Essa é a razão de meu espelho estar quebrado, pois minha raiva matinal é dirigida a ele a cada novo amanhecer, a cada nova estranheza, a cada novo desconhecimento de meu novo eu.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os senhores acham que sou um caso terminal de esquizofrenia? Por favor, antes de emitirem um juízo de valor sobre mim, tragam um espelho aqui. Agora peço que cada um de vocês se olhe nesse reflexo e me digam se são ainda os mesmo que estão me interrogando desde que cheguei aqui? Por favor, contenham seu espanto, é assim que me sinto, pois pela vossa reação vejo que já não mais se reconhecem, não são mais, pelo menos no aspecto físico, as mesmas pessoas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como? O senhor era uma vendedora de batatas ontem? Parabéns, pelo menos hoje o senhor é um delegado de polícia, já eu acordo o mesmo – ou outro, tanto faz – estranho todo santo dia... Nada muda na minha mutação diária.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, agora junto aos senhores, me sinto mais aliviado. Vejo que a minha triste condição não é mais única, embora não nos reconheçamos mais amanhã, saberemos em nosso íntimo, que não estamos sós nesse estranho mundo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que Deus faria isso a seus filhos?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-8010247510438667047?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/8010247510438667047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=8010247510438667047&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8010247510438667047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8010247510438667047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/muito-estranho.html' title='MUITO ESTRANHO'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-6211071391792373888</id><published>2011-08-08T14:22:00.000-03:00</published><updated>2011-08-08T14:22:53.348-03:00</updated><title type='text'>﻿TRAGÉDIA EM TRÊS ATOS</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;I&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;...e num ímpeto louco ele saltou da janela de sua sala interrompendo de forma radical a reunião de diretoria, a primeira do semestre, onde era discutida a participação nos lucros dos acionistas. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os colegas levaram segundos para entenderem o que havia acontecido. Foi preciso que os últimos cacos de vidro da janela pousassem no chão para que se ouvisse o primeiro grito.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi de Dona Silmara, secretária executiva bilíngüe a primazia do primeiro grito, um: -“aimeudeus” – agudo, histérico e levemente afrancesado, que fez com que os colegas conseguissem sair do transe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seguindo os gritos de Dona Silmara vieram soluços e desmaios, mas a maioria ainda seguia pregada ao chão, pois não seria um grito que os despertariam para a realidade que os abatia, não seria o vento que vinha da janela arrebentada desmanchando cabelos e espalhando papeis, gráficos e estatísticas que os fariam entender tamanha tragédia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eles só se deram conta mesmo do suicídio do colega quando o alarme do carro lá embaixo disparou com o baque do corpo. Ai sim, todos acorreram à janela, e espantados viram o corpo inerme, flácido, destroçado sobre o capô do carro azul.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dona Silmara, tampando a mão com a boca esquerda, soluçava e balançava a cabeça negativamente e baixinho murmurava – não, não, não...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ninguém entendeu nada, nenhuma pessoa teve a curiosidade de perguntar-lhe nada, aliás, pouca gente notou ou percebeu a agonia de Dona Silmara, que lentamente dirigia-se em direção à janela. Como um fantasma, vagarosamente, foi se aproximando e quando chegou ao buraco onde deveria estar a janela, reclinou-se para fora e gritou:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Altemar, é brincadeira, eu não estou grávida!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O alarme do carro azul abafou o suspiro do cadáver. Lá de cima ninguém percebeu o alívio do morto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Altemar usava uma gravata de listras, também azul, presente de Dona Silmara...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;II&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Diretor espalha papéis sobre a mesa, olha nos olhos de cada um e pausadamente diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Estamos quebrados, falidos, não temos dinheiro para pagar os fornecedores, não temos um tostão para os funcionários, e o pior, meu cunhado, acionista majoritário, jura vir me matar aqui hoje.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Alvoroço, ninguém arruma posição nas poltronas, e o mal-estar instala-se na sala de reuniões.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dona Silmara, esposa do dito cunhado que jurou matá-lo entra na sala. Assustada, trêmula e gaguejando diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- O Ernesto, digo, Dr. Ernesto chegou. Olha para o Diretor e para Altemar – Ele está armado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E como no começo dessa tragédia, Altemar corre em pânico, tenta fugir a todo custo junto com os outros subdiretores. O Diretor executivo, o cunhado do Ernesto empurra todos à sua frente, e no efeito dominó, Altemar é empurrado contra a janela, que quebra e ele cai, só parando sobre o carro de capô azul, que dispara o alarme, etc, etc, etc...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;strong&gt;III&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ou&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Altemar está sentado à mesa de reuniões. Espera pelo resultado da pesquisa que dirá o que o público está achando do novo produto posto no mercado. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que produto? Não interessa, aliás, nem o próprio Altemar lembra qual é. Hoje seu problema é outro, é pessoal, ele está passando por um inferno pessoal de proporções cósmicas, colossais, ele pressente seu próprio apocalipse, ele sente que o fim se aproxima.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas como será o seu fim, como será? – ele se pergunta olhando para o teto com o olhar vago e perdido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Some-se a isso uma insônia de três dias e a mais completa falta de interesse de Dona Silmara por ele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Um caso começado na sala do café, estendido até o almoxarifado, consumado no motel onde o porteiro do prédio fazia o papel de gerente à noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora ele se pergunta o que está havendo, olha para o relógio e constata que a reunião está demorando muito para começar, pelo telefone pede um cafezinho para Dona Silmara e volta a divagar. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Divaga tão profundamente que dorme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando chega o cafezinho, Dona Silmara pega Altemar pendurado ao batente da janela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Antes de gritar a bandeja de café cai, o barulho desperta Altemar do sonho já recorrente, e enquanto o negro líquido mancha o carpete, ele olha para Dona Silmara e vê uma mulher de cinqüenta e três anos, gorda, com seios tamanho cinqüenta e quatro, pernas cambaias e cheias de varizes, um canino de ouro, lenço colorido segurando os cabelos crespos e brancos, que de boca aberta pergunta-lhe o que ele está tentando fazer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Altemar olha para Dona Silmara, e ainda tonto, tentando entender o que lhe passa pergunta-lhe o nome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ô Seu Altemar, o senhor voltou a tomar aquele remédio de novo, né? Meu nome é Nívea, Dona Nívea do café, tá “alembrado” de mim agora?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Altemar, olhando em volta, encarando Dona Nívea, ou seria Dona Silmara, olha para a janela e salta para o espaço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-Se for um sonho eu acordo, se não for, não perco nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá embaixo, um carro azul acaba de estacionar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-6211071391792373888?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/6211071391792373888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=6211071391792373888&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6211071391792373888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/6211071391792373888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/tragedia-em-tres-atos.html' title='﻿TRAGÉDIA EM TRÊS ATOS'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-4524326553424286541</id><published>2011-08-05T09:44:00.000-03:00</published><updated>2011-08-05T09:44:26.371-03:00</updated><title type='text'>UMA HISTÓRIA DE PELE</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;F&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;im de tarde andando pela praia, o rapaz é parado por um homem mais velho, que suspeitamente lhe diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;-... então? Gostou dela? Vi de longe que você estava olhando para ela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Viu esse corpo, esses cabelos negros?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Sim..., mas qual seria a cor dos olhos dela?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- A cor dos olhos? Hoje em dia é a cor que o freguês quiser. Verde, azul, castanho, olhos de gato, branco. Aqui o freguês é que manda! Se quiser, ela pode ficar loira, ruiva, cabelos crespos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Bom...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ainda estou pensando...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Aposto que você fará muito sucesso com seus amigos... Veja só os seios dela. Como diria o Chico, “peitinhos de pitomba”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Foi primeira coisa que reparei nela...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não sei o que vão dizer lá em casa... Minha família é muito católica, e se minha avó me vir com ela é capaz de morrer, meu pai me põe de casa prá fora...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começa a escurecer na praia. As pessoas que passeiam por ali olham para ele e para o comerciante, deixando-o ainda mais constrangido com a situação.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E então vamos fazer negócio? – diz jogando as tranças jamaicanas para trás - Outra linda como essa aqui você não encontrará assim por ai, isso posso te garantir...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ele pede mais uns segundos para pensar, e enquanto olha para ela ali, quieta, muda, quase assustada, imagina ouvi-la sussurrar-lhe: - “Me leve com você”!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então, vai levar? Aproveite que o movimento está fraco hoje e te faço um desconto, a moça aqui não arrumou nada e preciso comprar o leitinho das crianças... – ri da própria piada e acende um baseado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não! – Diz entre decidido e já arrependido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então está certo, até mais. – fingindo pouco caso - Tem certeza que não vai levar a garota pra casa? Pra sua cama? Pro seus amigos te invejarem? Veja bem esses olhos verdes, os peitinhos de pitomba, cabelos negros... Tem certeza? Não é todo dia que se encontra uma obra-prima como essa. – diz cobrindo a imagem com a fumaça do baseado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O rapaz olha para a figura no papel e responde mais para ela que para ele:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Não, não posso te levar na minha pele, não posso não...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mais uma vez, na última hora, desistiu daquela tatuagem.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-4524326553424286541?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/4524326553424286541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=4524326553424286541&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4524326553424286541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/4524326553424286541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/uma-historia-de-pele.html' title='UMA HISTÓRIA DE PELE'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-8278334373084619952</id><published>2011-08-02T13:43:00.000-03:00</published><updated>2011-08-02T13:43:05.104-03:00</updated><title type='text'>A Não-Declaração</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="background-color: yellow; color: red; font-size: x-large;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Q&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;uanto estava ali? Nem lembrava, estava ali encostado na coluna fumando um cigarro e olhando para os olhos dela. Mergulhado naqueles olhos, naqueles olhos que não o viam, não o enxergavam, que olhavam através dele…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas aqueles olhos, aqueles malditos olhos… Se ao menos conseguisse se livrar daquele torpor, daquele feitiço ele lhe diria tudo o que passava em seu coração. Da sua paixão, da sua idolatria, do seu beijar o chão que ela pisa, da sua…&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Ei! Você está ouvindo o que eu estou dizendo?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por um segundo ele baixou à terra, olhou em volta como quem acaba de acordar e percebe a guimba do cigarro preste a queimar-lhe os dedos. Do quê ela falava? Mas mesmo assim, meneou a cabeça afirmativamente, e fez-lhe sinal que continuasse a falar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Lembra do Antenor?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vagamente- responde; e ele a ouve contar sobre uma cantada recebida há tempos atrás, contado a ele em segredo – Olha só te conto isso em segredo, não vá espalhar por aí - de um colega de trabalho, que sim ele conhecia também (não gostava dele). Parece-lhe, que vagamente ouviu os detalhes, mas as palavras entravam-lhe nos ouvidos como chumbo derretido, as palavras lhe queimavam por dentro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela deu todos os detalhes sórdido, detestáveis, repetiu as palavras que o sujeito usara, descreveu as inflexões, descreveu-lhe até o hálito de hortelã da bala que ele chupava para disfarçar o bafo da marmita do almoço.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em seu íntimo, olhando para os olhos dela pressentia seu mundo ruir, desmoronar, se acabar, e chegar ao fim suas pretensões de declarar-se hoje, abrir-lhe de vez o peito, contar-lhe da idéia de largar a mulher, os três filhos, os canários, a valiosa coleção de selos, tudo, tudo, tudo. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Argh!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gritou um grito de dor, mas foi da chama do isqueiro que queimou-lhe o dedo ao acender, com as mão trêmulas, outro cigarro. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Seus olhos marejados viam a boca dela mover-se, as mãos sacudirem-se fazendo desenhos no ar, a cabeça virando de lado para outro, mas já não conseguia concentrar-se me mais nada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em sua cabeça desenhava-se o quadro de sua infeliz e desgraçada existência sem ela. Tragava o cigarro de forma a sufocar-se na fumaça, mas só conseguiu deixar tudo mais enevoado ainda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela continuava a falar, mas nada mais lhe importava, nem ela, nem o outro, nada mais, ou assim pensava até que para colocar o último prego em sua cruz ela diz:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Afinal eu amo o meu marido, tão pensando o quê? &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O zumbi acende mais outro cigarro…&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-8278334373084619952?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/8278334373084619952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=8278334373084619952&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8278334373084619952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/8278334373084619952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/nao-declaracao.html' title='A Não-Declaração'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33852599.post-3803634747491644488</id><published>2011-08-01T14:53:00.002-03:00</published><updated>2011-08-01T14:53:12.076-03:00</updated><title type='text'>Ringue</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;estrelas cadentes&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;coriscos&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;raios de luz&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;a vertigem&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;a lona branca&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(o beijo fatal)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o tudo preto&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;o nocaute&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33852599-3803634747491644488?l=blogdonemesis.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/feeds/3803634747491644488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33852599&amp;postID=3803634747491644488&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3803634747491644488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33852599/posts/default/3803634747491644488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://blogdonemesis.blogspot.com/2011/08/ringue.html' title='Ringue'/><author><name>Ranzinza</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11544694754174591413</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='33' height='23' src='http://1.bp.blogspot.com/-iZ-wPt_Xxhk/TWe2kh_9a0I/AAAAAAAAB7U/bE0An3OUnNU/s220/180667_200082340004447_100000080473641_794806_1345751_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com
