2009/10/29

A Carta



Naquela carta
toda a verdade era revelada
O grande amor!
A traição !
Uma explicação
Chegou por fim
Tarde demais.
Pois a carta reveladora
Veio psicografada!

2009/10/21

THRILLER



Agitação.

Gente entrando e saindo da sala apinhada. Música alta, mesas cheias de petiscos e bebidas.

Edemeia num canto da sala encara Pedro, sentado no braço da poltrona emm que está sentada com Zildinha .Ele coloca uma a uma as uvas rosadas na boca carnuda e sensual da ex-namorada – nutre o sonho de tê-la de volta um dia, ou mesmo por uma noite,o que vier primeiro - sem se dar conta que é alvo dos olhares tristes da morena encostada no canto escuro do outro lado.

Zildinha, fútil como sempre foi, é e será, come as frutas enquanto procura por Heliomário, amante recente (na verdade são amantes há dois meses, nove dias e seis horas) que neste momento encontra-se à beira da piscina tomando uma “marguerita”[1](sem limão, sem cointreau, sem sal e sem gelo moído) e pensando se vale a pena continuar com Zildinha, com o “emprego”, e levando essa vida de fugitivo procurado em todo o MERCOSUL..

Começa a tocar uma rumba e quem gosta[2]de músicas caribenhas vai dançar e quem não gosta sai para fumar na rua ou à beira da piscina. Oitenta por cento dos convivas saem...

Heliomário joga seu cigarro na água e resolve dançar. Melhor música ruim que aquela gente, afinal alguém ali poderia reconhecê-lo.

Edemeia ao ver Heliomário puxa-o para dançar, ele a empurra para o lado e segue para uma mesa cheia de bebidas, ao passar pela poltrona no canto da sala vê, desgostoso, Zildinha sendo alimentada com uvas, ele olha profundamente em seus olhos e discretamente passa a longa unha do dedo polegar da mão direita no pescoço Zildinha engasga e Pedro perde a cor.

A música continua alta e chata, Heliomário bebe, Zildinha engasga, Pedro corre pelas sombras e foge da festa, Edemeia encostada em seu canto da parede onde Heliomário a jogou, chora.

Pedro na rua, encosta-se num poste e sob a luz amarela passa um lenço no rosto enxugando o suor que brota da testa. Assustado ele se pergunta onde já havia visto aquele rosto, espreme os miolos e procura nos arquivos-mortos de seu cérebro onde já tinha visto aquele sujeito.

Nunca mais Pedro irá esquecer aquele discreto aviso de morte, nunca mais. Tremendo, queima os dedos três vezes antes de, enfim, conseguir acender o cigarro – pelo lado do filtro.

Heliomário embriagado, começa a procurar por Zildinha, e depois de pouco procurá-la a encontra-a saindo do toalete.

Ele a pega pelo braço e em seguida segura seu corpo todo que desmaia de puro terror. As mulheres à volta gritam gritinhos mais de afetação que de medo, e levam Zildinha de volta ao toalete esperando que a água em seu rosto a trouxesse de volta à consciência.

Tal expediente realmente funciona e Zildinha recupera-se, e ato-contínuo, tenta fugir pela pequena janela. Não consegue.

Da porta vem os sons dos chutes de Heliomário – controlado, ele não grita..

As mulheres apavoradas fogem em desabalada carreira ao verem a porta vindo abaixo e deixam Zildinha entregue a própria sorte. Má sorte, má sorte.

Enquanto isso na sala...

Mudam a música, passam a tocar Frank Sinatra, e enquanto Heliomário estrangula Zildinha o “Velho Olhos Azuis” canta “I've Got You Under My Skin”[3]. Ele murmura bem perto de seus ouvidos:

- Essa era – ênfase no era - a nossa música, lembra?

Zildinha tentando angariar alguma simpatia de Heliomário aproveita o “empuxo” e sacode a cabeça concordando com ele.

- I've got you under my skin I've got you deep in the heart of me. So deep in my heart that you're really a part of me. I've got you under my skin – murmura enquanto aperta lentamente o pescoço de Zildinha.

Mas antes do “estalo final” começa o foguetório lá fora e todos acorrem para ver os fogos de artifício. A voz do velho Sinatra é abafada e tudo se perde no barulho dos rojões, morteiros...

Zildinha entrega os pontos e sabe que o fim se aproxima inexoravelmente. Mas antes de seus último suspiro o celular de Heliomário toca. Ele atende segurando o pescoço de Zildinha com o pé esquerdo e com o pé direito trava a porta quebrada do toalete.

- Alô – diz bruscamente. Segundos depois desliga o parelho e o guarda no bolso do paletó, apruma-se e tirando o pé de cima do pescoço de Zildinha diz:

- Tua sorte é eu ser profissional. Tenho um serviço a completar, quando eu voltar nós continuamos de onde paramos.

Saindo do toalete segue em direção à piscina, perde-se em meio a multidão que pula, grita e dança ao som dos fogos.

Zildinha foge, corre e pula o muro da casa perdendo-se na rua. Talvez procure por Pedro (que não tornará a encontrar nunca mais) talvez procure voltar para casa, mas em casa encontrará Heliomário, pensa bem e muda de direção, sumindo-se na noite...

Em meio a confusão, um crime será cometido e não encontrão o criminoso, e somente dias mais tarde darão pela falta de Edemeia, que num canto do jardim viu e foi vista por Heliomário.





[1].Ingredientes:
- 3/4 de dose de tequila branca
- 1/3 de dose de cointreau
- 1/3 de dose de suco de limão
Modo de preparo:
Bater todos os ingredientes e servir em taça de coquetel. Crustar a borda do copo usando suco de limão e sal.

[2] Há quem?
[3] (Irving Berlin)[Recorded December 21, 1960, Los Angeles]

2009/10/14

O cara está melhorando. Vejam ai embaixo!








click na imagem

2009/10/13

O RANZINZA & O MEMORIOSO







2009/10/07

COLABORAÇÃO DE ALEXANDRE COSTA

FRASES PARA PLAGIAR



"Descobri que não tenho talento para escrever, ou então que não tenho sorte. Qual dos dois faz mais falta nem eu mesmo sei dizer."



(coloque seu nome aqui)



Saiba mais sobre o Sr. Costa aqui

2009/10/06

MEU SEGUNDO CIGARRO DO DIA

Essa aconteceu logo cedo.

Estava na rua fumando meu cigarrinho, o segundo do dia - o primeiro foi dirigindo até o serviço – olhando para o céu e tentando adivinhar como seria o resto do dia, se com chuva, vento, chuva e vento, chuva, vento e frio, quando um sujeito de chinelos havaiana, gasto por sinal, aproximou-se de mim.

Antes que ele pronunciasse a primeira palavra, escolado que estou nessa vida, já fui lhe dizendo:

- Amigo, se seu negócio é dinheiro já te aviso que não tenho. Veja só, hoje é dia cinco, e ainda estou longe do pagamento, aliás, eu e todos nestes dois prédios aqui na praça.

Ele olhou desconsolado e logo em seguida começa a desfiar a história triste de sua vida. Não pensem por essas palavras mal digitadas que sou um homem duro de coração, não, não sou, se sou duro é de bolso. Às vezes penso em invadir a seara dos pedintes para descolar mais alguns trocados, mas falta-me ainda a cara de pau para tanto. Mas sigamos.

Contou-me ele que vinha do norte, como quase noventa e nove por cento dos que vejo e encontro pelas ruas. Mostrou-me a carteira de trabalho, quase desfeita, disse-me que estava desempregado e que queria voltar para casa, mas para tal, faltava-lhe dinheiro.

Explicou-me que precisava de uma determinada quantia – que não declinarei aqui, pois por não ter a quantidade que ele precisava, não quero de forma alguma a piedade de meus leitores – para completar a passagem de ônibus.

Olhei bem para o sujeito, estava sujo, maltrapilho, e tenho certeza que se ele tivesse a tal “parte” do dinheiro para voltar, gastaria num pão com mortadela.

Não sou desumano, quero frisar bem isso.

Enquanto ele desabafava eu fumava meu cigarrinho que estava se tornando a cada tragada mais e mais amargo.

Após alguns minutos de conversa, ele se dispõe a ir embora, avança uns passos para a rua, e quando penso que ele vai-se enfim embora, ele pára, volta atrás e, como tentando uma última cartada ou o blefe final, fala:


- Sabe – disse-me olhando para o alto – eu não disse para o céu, eu disse para o alto – estou pensando em subir ali na passarela (passarela que as pessoas civilizadas, utilizam para atravessar a via férrea e a avenida lotada de caminhões e pegarem a barca para o outro lado do canal) e me jogar lá de cima...

Olhei para a mesma direção que ele, talvez para lhe dar um certo sentimento de cumplicidade, ou para medir a altura e computar o estrago, sei lá.

Passados alguns segundos, bem poucos por sinal, afinal meu cigarro já havia acabado e precisava voltar para aminha sala e encarar o serviço que lá me esperava, respondi:


- Pense bem rapaz, você quer pular para a morte, para o descanso final, mas pense bem, se ao invés da morte você ficar mutilado? Aqui passam muitos trens e nem sempre atropelamento por eles quer dizer que resulte em mortes...

Ele olhou-me entre espantado e horrorizado, ele esperava de mim talvez alguma compaixão, algum milagre que fizesse surgir alguns trocados em meus bolsos, alguma coisa ele esperava de mim, menos aquela resposta. E antes que ele completasse qualquer pensamento que estivesse lhe cruzando a cabeça, concluí:


- É ainda melhor pedir assim inteiro como você está agora, que ficar mutilado na porta de alguma igreja mendigando moedas, pense nisso.


Ele atravessou a rua, e quando chegou do lado olhou-me de uma forma que não consegui traduzir, não consegui mesmo.

Penso que salvei uma vida hoje.

2009/10/05

ARTE NAQUELE BAR


Tem coisas que só acontecem naquele Bar.

Vejam isso! Depois da proibição de fumar dentro do bar ou mesmo na sua marquise, os fregueses passaram a reclamar das músicas que o galego tocava lá. Era breganejo, pagode, forró, dor-de-cotovelo, dor-de-corno, dores-de-amores, e outras tantas misérias que rara era a noite que um ou outro não tentava cortar os pulsos com um caco de garrafa de cerveja. Pois cansado dos protestos, ele resolveu inovar e vejam só a encrenca que ele criou.
Entra um casalzinho, procuram uma mesa bem discreta nos fundos, perto da cozinha e ao lado dos banheiros – sim a vigilância sanitária parece que não passa lá há muitas eras. Ouso dizer, culpa do Senhor Vadinho – dão-se as mãos, olham-se nos olhos, pedem uma coca com gelo e limão e dois copos – no bar do Galego não tem canudinhos.

Ela, segurando a mão do rapaz começa a falar quando a luz se apaga, o galego trepado em cima a de uma pipa de chope começa a falar:

- Galego - Atenas. O pa­lá­cio de Teseu. Entram Teseu, Hipólita, Filóstrato e pessoas do séqüito.

E saindo dos banheiros, um homem e uma mulher com os corpos cobertos por lençóis e começam a falar:

- TESEU — Depressa, bela Hipólita, aproxima-se a hora de nossas núpcias. Quatro dias felizes nos trarão uma outra lua. Mas, para mim, como esta lua velha se extingue len­ta­men­te! Ela retarda meus anelos, tal como o faz madrasta ou viúva que retém os bens do herdeiro.

- HIPÓLITA — Mergulharão depressa quatro dias na negra noite; quatro noites, presto, farão escoar o tempo como em sonhos. E então a lua que, como arco argênteo no céu ora se encurva, verá a noite solene do esposório.

- TESEU — Vai, Filóstrato, concita os atenienses para a festa, desperta o alegre e buliçoso espírito da alegria, despacha para os ritos fúnebres a tristeza, que essa pálida hóspede não vai bem em nossas pompas. (Sai Filóstrato.) De espada em mão te fiz a corte, Hipólita; o coração te conquistei à custa de violência; mas quero desposar-te com música de tom mais auspicioso, com pompas, com triunfos, com festejos.

O galego, com uma toalha xadrez verde e vermelha enrolada à volta da cintura, torcendo os bastos bigodes, diz emocionado:

Galego - Entram Egeu, Hérmia, Lisandro e Demétrio!

O rapaz que segundos antes interpretava Teseu, muda de lençol que antes era amarelo, para um lençol branco.

- EGEU — Salve, Teseu, nosso famoso duque! - E mudando o lençol amarelo para branco novamente, - TESEU — Bom Egeu, obrigado. Que há de novo? – e mudando outra vez a cor de lençol - EGEU - Cheio de dor, venho fazer-te queixa de minha própria filha, Hérmia querida. Vem para cá, Demétrio. Nobre lorde, tem este homem o meu con­sen­ti­men­to para casar com ela. Agora avança. Lisandro. E este, meu príncipe gracioso, o peito de Hérmia traz enfeitiçado. Sim, Lisandro, tu mesmo, com tuas rimas! Prendas de amor com ela tu trocaste; sob a sua janela, à luz da lua, cantaste-lhe canções com voz fingida, versos de amor fingido, e cativaste as impressões de sua fantasia com cachos de cabelo, anéis, brinquedos, ramalhetes, docinhos, ni­nha­rias, men­sa­gei­ros de e­fei­to de­ci­si­vo nas jovens ainda brandas...

Nesse momento crucial, eles são abruptamente interrompidos, pois a mocinha que tudo via sem nada entender, assustada começa a chorar e pede para ir embora.

Mocinha – Você me prometeu uma noite romântica e me trás num antro de loucos? Cadê as músicas de amor, cadê os músicos seus amigos? Você me trás para ver essa indecência? Homens e mulheres semi-nuas vestida em lençóis...

O rapaz, intelectual achando que estava impressionando a namorada, fica sem graça, olha envergonhado para os atores - esses sim seus amigos, não os músicos citados pela namorada – chama o galego e pede a conta.

Levanta-se e segue em direção a saída, mas antes de descer para a rua grita pro galego:

- Eu falei que essa droga de William Shakespeare não ia dar certo, da próxima vez tem de ser Plínio Marcos, Plínio Marcos, o povão não quer arte, quer palavrão.

No dia seguinte o Galego escreve com giz na tabuinha na porta do estabelecimento:

Prato do dia : Buchada de Bode, lentilhas, batatas ao murro e à noite, “Navalha na Carne”




CONVITE DO AMIGO PAIAÇÃO



Salve salve, meu povo e minha pova!

Sei que está em cima da hora, mas estou convocando todos os amigos para marcar presença na leitura do Texto “Juiz de Paz na Roça” de Martins Pena.

Fui convidado pelos Parlapatões para essa leitura, que vai rolar amanhã (terça-feira dia 06 de outubro), as 21 horas no espaço Parlapatões – Praça Roosevelt, 158 – centro.

Essa leitura será aberta ao público em geral, e peço a todos que divulguem.

No final da leitura faremos um bate papo com o público presente, conversando sobre o projeto, o texto e a leitura.

Compareçam, será também uma oportunidade para que eu possa rever meus queridos amigos...


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