O Amor No Escritório
Dado o: - ”bomdia” de sempre, senta-se à sua mesa e começa a...
Sonhar com o chefe. E em seus delírios, vêem-se deitados nas quentes areias das praias do nordeste, passando óleo bronzeador nas costa de Farias, o chefe do Departamento de Pessoal. Lambuza a mão e generosamente espalha a loção.
O mar verde, verde de inveja, vem molhar os pés dos dois.
O sorriso de satisfação enche-lhe o rosto. Nem ouve quando toca o telefone de sua mesa, é preciso que o contínuo que passa carregado de papel da xérox lhe acorde e lhe traga de volta à realidade cotidiana do trabalho.
Era o Farias querendo um documento qualquer.
- Mas não precisa vir aqui pessoalmente, mande o contínuo trazer aqui para mim, ok?
Farias faz de tudo para se preservar, não dá a entender a esse povinho o caso de amor deles, pensa, enquanto chama o contínuo para levar a pilha de documentos.
Distraindo-se, volta à praia, onde agora se entregam ao prazer capital da gula, juntos devoram uma lagosta e devoram-se com os olhos. Farias está lindo com o bronzeado conseguido de manhã. Ah! Se não fossem suas mãozinhas a passar o óleo bronzeador, e suspira tão profundamente que os colegas ao lado se assustam.
Riam de mim, nojentos, invejosos, riam, um dia eu e o Farias colocaremos todos vocês na linha...
Toca o telefone.
- É o Farias - grita a Tia do café, temporariamente no papel de telefonista – ele avisou que vai fazer uma reunião hoje, antes do fim do expediente. Pra ninguém sair sem falar com ele.
Pronto – pensa - hoje ele vai mostrar a essa gente quem vai mandar aqui de agora em diante, hoje ele vai declarar a todo o escritório o nosso amor. É capaz até que ele me peça em noivado. Corre ao banheiro, passa o fio dental, escova os dentes, penteia os cabelos pintados de loiro, retoca o perfume o francês (Lulu). Arfando de excitação volta à sua mesa, olha o relógio e chega à conclusão que hoje demorará mais para o dia chegar ao fim.
Abra a gaveta, finge que trabalha, revolve tudo que há dentro, faz barulho para dar a impressão que está procurando alguma coisa, seguido de - Ah! Achei – olha para os lados para ter certeza que todos viram o seu showzinho. Na verdade achou foi a foto de Farias numa revista de futilidades em que representava a empresa, não era grande coisa, mas o fotógrafo pegou-o em um bom ângulo.
- Aquele furinho no queixo...
...
Hora do almoço, todos saem.
Em sua mesa, espalhando papeis de um lado para outro, faz hora esperando Farias sair de sua sala e ouvir o convite:
- Vamos sair para comer?
Mas Farias não sai o convite não feito e o horário de almoço é perdido.
- Melhor – pensa - assim esse corpinho vai ficar mais delgado para ele...
Mas a fome aperta e sobra para o contínuo buscar, na rua, um sanduíche natural de frango com catupiri e uma coca diet, e ainda recomenda.
- Vem chacoalhando para tirar o gás, assim evito as estrias...!
Tudo pelo amor...
Passa a tarde, chega a reunião. Nada de novo, só metas e mais metas, nada de declaração, nada de pedido de noivado, nada de nada.
Jean Batist, (afrancesou o nome só para agradá-lo!) vai embora para casa, cabisbaixo, triste, com fome e coração partido.


5 comentários:
o senhor esteve na última parada do orgulho glbt, em São Paulo?
Não fui não.
Vc estava lá esse ano outra vez???
Não entendi essa parte:
"Mas Farias não sai o convite não feito e o horário de almoço é perdido."
Mas Farias não sai(da sua sala par o almoço) o convite não feito e o horário de almoço é perdido."
OK?
Falta então uma vírgula.
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