Meticulosamente escreveu a carta, e enquanto o fazia, rejubilava-se por ainda dominar a arte da escrita.
Era uma missivista desde tenra idade, herdara do velho avô o gosto pelas cartas.
Escolheu as palavras, meditou sobre cada uma delas, nenhuma palavra sobrava em seu texto. Era claro, sucinto, sem ser seco, dizia somente o que deveria ser dito, evitava a redundância, expôs de forma clara a sua decepção, sua frustração, seu ódio. Despejou toda a sua amargura com palavras rebuscadas e esvaziou a sua alma naquelas folhas brancas, que pouco a pouco ele escureceu com o negro de sua tinta...
Ao término, respirou fundo, aliviado, esvaziado de todos os sentimentos.
Pegou o envelope, fechou, selou, postou.
No minuto seguinte arrepende-se.
Outra carta, agora pedindo desculpas...

