2008/01/31

Pensem nisso.


2008/01/30

Dica do dia. Abram o link abaixo.

http://fabricadehistorias.wordpress.com/2008/01/30/dica-de-livro/

2008/01/29




O Sr. Alexandre Costa sendo visto de Marte, através de um telescópio.

2008/01/28

A FESTA SURPRESA


Em meio à chuva, já dá para ver a Mansão no alto da colina, os limpadores dos pára-brisas vão e voltam freneticamente, e dentro a fumaça do cigarro atrapalha ainda mais a visão do motorista que tenta limpar desesperadamente o vapor que embaça as janelas do carro.

Ele pensa no contrato que traz no bolso do paletó.

__Quem em sã consciência faria uma festa aqui? Estou achando que é mais uma roubada... – pensa enquanto arruma a bolinha vermelha na ponta do nariz.

Faz uma curva fechada, o carro quase capota numa poça d’água e bate num carvalho, mas ainda assim fura o pneu traseiro esquerdo.

__Droga, droga, droga, onde vou arrumar lugar para trocar essa porcaria agora? Se sair nessa água vai borrar a minha maquiagem! – Resmunga enquanto bate com as mãos no volante, assustando-se com a busina.

Resolve seguir em frente assim mesmo, afinal não falta muito para chegar à mansão...

Enquanto isso lá dentro a escuridão toma conta de quase todos os cômodos, sim quase todos, pois no Grande Salão Sul, uma multidão está reunida. Hoje é aniversário do filho caçula do dono da mansão. Uma grande surpresa está sendo preparada para ele, uma surpresa que na verdade é uma tradição que passa de pai para filho a gerações e gerações.

Um grande jantar, convidados, amigos da família, que também vem de gerações...

Escurece, já é quase noite fechada, a chuva engrossa ainda mais e agora seguida de raios e trovões, trovões que fazem a estrutura da velha casa tremer. Mas a casa é tão velha quanto sólida, nada a derrubará, assim sempre foi, e assim sempre será, sólida e eterna.

Com dificuldade o carro lentamente faz a última e mais íngreme das curvas - a roda já está comprometida – reclama o motorista dando outro soco no volante e novamente tocando a busina sem querer.

Dentro da mansão...

__Papai você escutou uma busina de carro? – pergunta a criança excitada puxando a manga da casaca do pai.

__Sim, ele já deve estar chegando, escondam-se para surpresa.

Os convidados, com risinhos infantis, correm e procuram um lugar para esconderem-se, em pouco segundo reina o mais absoluto silêncio.

O carro chega ao portão da mansarda, que automaticamente abre-se para dar passagem. Ao atravessar o carro, ele fecha-se ruidosamente, provocando um calafrio nas costas do motorista. – Beleza, só faltava ficar resfriado agora- reclama, mas antes de socar outra vez o volante, lembra-se da busina e soca o banco vazio do passageiro. Com dificuldade consegue soltar o sapato dos pedais do carro.

Ele desce do automóvel, corre para a porta da frente da casa e bate na aldrava, que produz um som seco que ecoa de forma fantasmagórica pelo interior da casa, provocando-lhe outro calafrio na espinha. – pronto, estou mesmo resfriado! – reclama puxando os suspensórios da larga e colorida calça, e não tendo o que socar, chuta a porta que se abre com um rangido triste e choroso.

Ele entra na sala, deixando atrás de si grandes pegadas molhadas, segue até uma grande mesa onde uma vela ilumina um bilhete.

__Siga até o Grande Salão, entre sem fazer barulho- ele lê.

Enxugando com o bilhete as gotas de chuva em sua testa, ele segue para o Grande Salão Sul, tendo somente uma vela, a que ilumina a mesa, para guiá-lo naquelas trevas.

__Só falta ter manchado a maquiagem... – reclama e dá um soco na perna direita.

Seus sapatos grandes, largos e encharcados fazem um estranho barulho no chão, que ecoando pelas paredes deixa a escuridão ainda mais assustadora. O silêncio o deixa preocupado, teria errado de endereço?

__Não! Impossível, só havia essa casa nesse lugar esquecido por Deus! – responde a sí mesmo enquanto arruma outra vez o nariz vermelho.

Enfim ele chega ao Grande Salão Sul, encosta a cabeça na porta, silêncio, não ouve nada, nadinha.

Ele bate na porta.

Ninguém responde.

Dentro do Grande Salão Sul, o pai coloca o dedo indicar sobre os lábios e olha para o filho pedindo silêncio, afinal era uma surpresa, não era?

Com outro rangido, a porta de carvalho do Grande Salão Sul abre-se e ele vê um enorme salão totalmente vazio, silencioso e escuro.

__Alô? Alô? Tem alguém aí? – grita, enquanto sente outro calafrio e amaldiçoa o pneu furado do carro. Alô, quem foi que contratou o palhaço aqui?

E, surpreso, antes que pudesse falar mais uma palavra, contar uma mísera piada, o pequeno aniversariante pulou em sua jugular e começou a sorver o seu sangue quente, manchando de vermelho a maquiagem branca de sua cara.

Orgulhoso o vampiro-pai comenta com seus amigos, também vampiros:

__Ah! Essas crianças... Às vezes penso que eu o mimo demais. No meu tempo não tinha essa história de ter palhaços em festas de aniversários...

Os outros convidados, rindo, concordam com ele.

2008/01/25

DIVAGANDO


Estou na janela da cozinha aqui do escritório fumando e vendo a vida passar, e deparo com uma cena triste, um sujeito magro, barba por fazer, agarrado com uma trouxinha de cacarecos, sentado na passarela que cruza a linha de trens aqui no cais.

Fico matutando o que ele estaria pensando, estaria ali esperando a vida passar assim como eu?, estaria esperando a barca para o outro lado do canal?, estaria esperando o trem para jogar-se embaixo dele?

Será? Sei lá...

Às vezes tenho vontade de sair correndo daqui e saltar para dentro de um navio qualquer desses que chegam por aqui, de passageiro ou carga, ser clandestino, sumir...

Ir para a África, me embrenhar nas matas (outra vez estou sendo vítima de minhas leituras de juventude, sonhando com uma África que não existe mais, no Tarzan, Jim das Selvas, Sir Richard Burton etc. É, realmente perdi muito tempo lendo...) e desaparecer.


__Fugir desse escritório... – suspiro soltando a fumaça.


Lá fora o sol brilha como que a me provocar, a me induzir à fuga. Enquanto escrevo outro navio passa. O sujeito agora está limpando as unhas com um canivete que tirou de sua trouxinha.

Até agora nada de trens, nem da catraia que faz a travessia.

Enquanto ele limpa as unhas encardidas fico namorando o mar, o cigarro está quase no fim, na mesa os papeis me esperam, ouço o telefone tocar, suspiro e espero que não seja para mim, dou uma tragada mais profunda, a fumaça deixa o mar mais etéreo aumentando a sensação de sonho, devaneio, quase um delírio...

Outra tragada, menos minutos trabalhados.

Penso em tomar um café, mas não vale à pena, o café é ruim, e café ruim me desgosta de uma forma tão profunda que não consigo explicar, me deixa com a boca amarga e me azeda a alma aumentando a vontade de sumir deste lugar.

Acabou o cigarro, sobrou só a bituca que quase me queima o dedo, acabou meu tempo de fuga. Antes de voltar à minha sala olho outra vez o mar, os navios e o pobre coitado sentado na passarela.

Nada do trem ainda...


2008/01/23

As Bodas no Jardim

A bandinha toca a última valsa, os convidados exaustos, agora desabam nas cadeiras, pela grama, onde houver um lugar vago, esperam pela chegada da noite, que promete ser estrelada.

Cansados, escutam os derradeiros acordes que ainda flutuam no ar, começa a escurecer e um friozinho provoca arrepios na pele das mocinhas, que aproveitam para se abraçarem aos namorados, maridos e amantes.

A noite não tarda a chegar, afinal já é outono...

Licores, chás e café quente, em bandejas de prata, são servidos por criados de libré, e por fim, a noite cumpre o prometido enchendo a noite negra de estrelas cintilantes, frias e distantes como que não querendo se comprometer com o que virá acontecer pela frente até o raiar do novo dia.

Os grilos trocam as valsas da tarde pelos cricris, os sapos e as rãs na lagoa ali próxima começam a sua serenata noturna, e sem que percebam, fadas voam sobre a cabeça dos jovens sussurrando velhos poemas de velhos tempos, imemoriais e há muito esquecidas...

Os noivos já se foram para a lua de mel, os convidados mais velhos já se retiraram cansados de festas, de alegrias alheias, azedos e amargurados de tudo nesse mundo, mas os jovens, sem nenhuma pressa, afinal são jovens, continuam sua festinha particular.

Risos e correrias, abraços e beijos, gritinhos, pó de ouro no ar...

A aurora encontrará pelos cantos do jardim esses jovens estirados, fatigados, e que ao despertarem se perguntarão radiantes de alegria, quando haverá outro casamento como esse.

Ah! se essa história se passasse no verão...

2008/01/18

2008/01/17

MOMENTO PROPAGANDA III
















Cada vez mais pessoas divertem-se com Gringa & Outras Histórias!

2008/01/16

A ESTANTE DE MINHA MÃE

…e na sala, sobre a estante as fotos chamavam a atenção. Lá estava eu vinte anos mais jovem, meu pai, na foto de seu casamento e a sua última, aquela que estava em seu túmulo, havia também as fotos de meus irmãos, pequenos, crescidos, casando, casados, com seus filhos recém-nascidos, adolescentes e alguns casando, lá também estava a minha filha quando pequena, fotografada fazendo beicinho e sorrindo com a inocência das crianças dessa idade.

Via esses retratos enquanto levava a minha neta para que, no colo de minha mãe, fosse também fotografada, seguindo a tradição de ser imortalizada naquela estante da sala.

Enquanto a velha segurava a sua bisneta, eu disfarçadamente contabilizava a minha vida através da sua coleção.

Lá entre tantas imagens estava eu, magro, sem barba (que hoje está branca), com orelhas de abano; meu irmão ainda com cabelos pretos, ri de mim pra mim, pensando que lá estava eu aumentando a coleção/patrimônio da velha, ela que era, e só agora percebia a guardiã pictórica da história de minha família.

Gerações, ali expostas naquela estante, à mostra para quem tivesse a curiosidade de vê-las, de perguntar sobre cada indivíduo, saber da história de cada um deles.

Um tesouro revelado!

Quem herdará tudo isso?

Sempre achei que fossemos pobres, senão pobres de “marré-marré”, pelo menos pobres de tirar o sono de gerentes de banco, mas não!, lá estava a nossa fortuna, ali naquela velha estante com um ou dois livros - nunca lidos - e uma antiga bíblia (de enfeite, com letras douradas), ali entre os seus bibelôs de velha, ali sim, bem ali na cara, na entrada da sala, ali, bem ali, está a nossa fortuna, minha família para sempre imortalizada nas fotos que a minha mãe coleciona.

Ao sair de sua casa ao fim da tarde, depois de muito fotografar minha mãe com minha filha e neta, saí satisfeito, feliz da vida comigo mesmo, pois eu havia depositado mais um tostão da poupança pictórica da história da minha linhagem e assim, algum dia, algum descendente, quer meu, quer de meus irmãos, filha, sobrinhos ou neta, irá também se deliciar em ver seus antepassados ali, imortalizados em papel, sorrindo ou chorando suas tristezas e alegrias, casando e morrendo, mas vivendo para sempre nas fotografias que minha mãe coleciona em sua estante.
Estou de volta!

2008/01/07

Roberto Fordelone já comprou o seu exemplar!


Vejam o prazer estampado em seu rosto!

2008/01/04

Momento Propaganda III

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Viu como é fácil?





2008/01/02

Sem Palavras.


MOMENTO PROPAGANDA II !

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