Sentou-se à mesa. Cruzou as pernas, com muita classe, mesmo quando percebeu que a farpa da mesa puxou-lhe o fio da meia. Virou-se de um lado para outro, quase derrubou o copo de cerveja, conseguiu disfarçar e cobrir o fio puxado com a outra perna.
Olhou à sua volta, o bar estava cheio. Mais gente entrava. Era hora de almoço.
__Não devia estar bebendo à essa hora! - Ri e toma outro gole.
Pela enésima vez olha para o cardápio. Nada lhe apetece. Pede outra cerveja. Depois outra.
Resolve que não quer almoçar mais. Levanta-se e sai do restaurante.
Anda pelas ruas olhando as vitrines, comparando as liquidações, os modelos de roupas. Nos reflexos aproveita para arrumar os cabelos, passar um batonzinho básico, ver se a roupas está bonitinha.
Olha para o relógio, ainda tem tempo para rodar mais um pouco. Em frente a uma agência de viagem vê um pôster de pirâmides, areias e um camelo ao fundo. Sonha com as mil e uma noites, fica com vontade de comer uma esfiha, rir da vontade besta... Segue em frente, mas dá uma última olhada para trás, para o camelo, as areias e a pirâmide.
__Ahhhh! Levar essa minha vidinha árida para o deserto.... - Começa a rir de novo - Essa cerveja fora de hora...
Discretamente olha para os lados, medo que a achem louca, louca e bêbada. Sente o estômago começar a se queixar de fome. Procura um lugar para comer uma esfiha, olha as lanchonetes e em nenhuma delas tem esfiha.
__Droga de pôster das arábias. Além de minhocas na cabeça, vontade de esfiha. - Ri baixinho - Ê cervejinha!
Passa alguns minutos procurando comida árabe. Nada. Resolve olhar o relógio.
__Droga! Hora de voltar. Meio bêbada e com fome.
Chega ao escritório roendo um espetinho de filé-miau.
__Só tive tempo de comer um churrasquinho, isso é vida? - Reclama quando chega ao escritório.






