Três e pouco da madrugada, toca o telefone, ignoro, coloco o travesseiro sobre a cabeça e finjo que não é comigo. Ele insiste em tocar, ou a pessoa, sei lá. Toca, toca, toca, eu me viro na cama e xingo baixinho.
Perco o sono e vou atender o miserável.
__Aaaaaaaaahhhhhhlô... – chamada a cobrar (adoro isso) de Belo Horizonte, não conheço ninguém de lá.
__ Alô, alô...
__ Alô (bocejo e má vontade)
__Oi o Sylvio (como eu sei que é Syilvio com Y? Adivinhei)
__Aaaaaaahhhh! Amigo você ligou a cobrar para o número errado, aqui não tem nenhum Sylvio.
Desligo o telefone na cara do sujeito. Volto para a caminha esperando conseguir voltar a dormir. Puxo a coberta, ajeito a cabeça no travesseiro, ensaio fechar os olhos e telefone toca outra vez.
Atendo com um misto de sono, má vontade e disposto a xingar o sujeito do outro lado da linha.
__Alô! (seco assim mesmo) – aquela musiquinha que nos informa que a chamada é a cobrar (piora o meu mau humor) – do outro lado agora uma voz de mulher desesperada.
__Arthurzinho, é a Tia Lindaura, o que foi que aconteceu com o Sylvio? Me conta sou forte para agüentar o tranco, aqui em casa ninguém quer me contar nada, com para a titia, conta.
Minha paciência por um fio...
__Minha senhora, aqui não mora nenhum Sylvio, nenhum Arthurzinho e nem ninguém de Belo Horizonte. A senhora como o sujeito que ligou antes, também a cobrar, diga-se de passagem, estão ligando para o número errado e... (sou bruscamente, e há outra forma de ser, interrompido).
__Foi o Ernesto que ligou antes? Por que ele não me falou nada?
__Minha senhora, desse jeito vou acabar conhecendo a sua família e eu NÃO quero conhecer a sua família e nem ninguém aí de Belo Horizonte.
Bato o telefone e deixo a Tia Lindaura com dor de ouvido, assim espero. A noite está perdida, o sono idem e daqui apouco tenho que me arrumar para ir trabalhar.
No escritório comento o ocorrido com os amigos, cheguei a comentar a minha preocupação com o tal Sylvio, como ele estaria, teria melhorado ou se teria ido dessa para uma pior? Rimos muito e por fim esqueço o caso na rotina do trabalho.
E os dias passam...
Quando numa madrugada (é sempre de madrugada meu Deus) toca o telefone, alguma coisa me dizia que essa chamada tinha algo a ver com o Tio Sylvio e\ou a família dele.
Atendo o telefone angustiado, a musiquinha, chamada a cobrar de Belzonte.
__Alô! (experto e educado dessa vez)
__Alô? É da casa do Tio Sylvio? – Explico que não, não é da casa do Tio Sylvio, mas que gostaria de ter notícias da saúde dele também, afinal já estava tão preocupado com ele como o resto de sua família, além disso, EU estava arcando com as chamadas telefônicas.
Explicou-me o sujeito (um seu sobrinho) que o Tio Sylvio teve um infarto, mais não sabiam e mais a família dele aqui não informou. Estão todos aflitos em Belzonte (acabei assimilando) em busca de mais notícias, e Tia Lindaura está tomando calmantes e remédio para a pressão. Quase como se já fosse da família, conversei mais um pouco, falamos sobre a qualidade da cachaça mineira comparada a de Paraty e torresminhos, e ele me prometeu ligar quando tivesse mais notícias do Tio Sylvio, que aguardo aflito cada vez que toca o telefone aqui em casa.
Até avisei a mulher:
__Se ligarem de Belzonte a cobrar, pode atender, peça notícias do Tio Sylvio, Tia Lindaura, todo o pessoal de lá e depois ligue imediatamente para mim no escritório!
Perco o sono e vou atender o miserável.
__Aaaaaaaaahhhhhhlô... – chamada a cobrar (adoro isso) de Belo Horizonte, não conheço ninguém de lá.
__ Alô, alô...
__ Alô (bocejo e má vontade)
__Oi o Sylvio (como eu sei que é Syilvio com Y? Adivinhei)
__Aaaaaaahhhh! Amigo você ligou a cobrar para o número errado, aqui não tem nenhum Sylvio.
Desligo o telefone na cara do sujeito. Volto para a caminha esperando conseguir voltar a dormir. Puxo a coberta, ajeito a cabeça no travesseiro, ensaio fechar os olhos e telefone toca outra vez.
Atendo com um misto de sono, má vontade e disposto a xingar o sujeito do outro lado da linha.
__Alô! (seco assim mesmo) – aquela musiquinha que nos informa que a chamada é a cobrar (piora o meu mau humor) – do outro lado agora uma voz de mulher desesperada.
__Arthurzinho, é a Tia Lindaura, o que foi que aconteceu com o Sylvio? Me conta sou forte para agüentar o tranco, aqui em casa ninguém quer me contar nada, com para a titia, conta.
Minha paciência por um fio...
__Minha senhora, aqui não mora nenhum Sylvio, nenhum Arthurzinho e nem ninguém de Belo Horizonte. A senhora como o sujeito que ligou antes, também a cobrar, diga-se de passagem, estão ligando para o número errado e... (sou bruscamente, e há outra forma de ser, interrompido).
__Foi o Ernesto que ligou antes? Por que ele não me falou nada?
__Minha senhora, desse jeito vou acabar conhecendo a sua família e eu NÃO quero conhecer a sua família e nem ninguém aí de Belo Horizonte.
Bato o telefone e deixo a Tia Lindaura com dor de ouvido, assim espero. A noite está perdida, o sono idem e daqui apouco tenho que me arrumar para ir trabalhar.
No escritório comento o ocorrido com os amigos, cheguei a comentar a minha preocupação com o tal Sylvio, como ele estaria, teria melhorado ou se teria ido dessa para uma pior? Rimos muito e por fim esqueço o caso na rotina do trabalho.
E os dias passam...
Quando numa madrugada (é sempre de madrugada meu Deus) toca o telefone, alguma coisa me dizia que essa chamada tinha algo a ver com o Tio Sylvio e\ou a família dele.
Atendo o telefone angustiado, a musiquinha, chamada a cobrar de Belzonte.
__Alô! (experto e educado dessa vez)
__Alô? É da casa do Tio Sylvio? – Explico que não, não é da casa do Tio Sylvio, mas que gostaria de ter notícias da saúde dele também, afinal já estava tão preocupado com ele como o resto de sua família, além disso, EU estava arcando com as chamadas telefônicas.
Explicou-me o sujeito (um seu sobrinho) que o Tio Sylvio teve um infarto, mais não sabiam e mais a família dele aqui não informou. Estão todos aflitos em Belzonte (acabei assimilando) em busca de mais notícias, e Tia Lindaura está tomando calmantes e remédio para a pressão. Quase como se já fosse da família, conversei mais um pouco, falamos sobre a qualidade da cachaça mineira comparada a de Paraty e torresminhos, e ele me prometeu ligar quando tivesse mais notícias do Tio Sylvio, que aguardo aflito cada vez que toca o telefone aqui em casa.
Até avisei a mulher:
__Se ligarem de Belzonte a cobrar, pode atender, peça notícias do Tio Sylvio, Tia Lindaura, todo o pessoal de lá e depois ligue imediatamente para mim no escritório!
Essa é para o Rodrigo (que não é de Belzonte)







