2007/03/31

Agdinha da 5ª B Odeia Kombi




Logo, mais informações a respeito.

2007/03/30

ESTOU DE FÉRIAS
VOLTO 02/05/07
PASSEM BEM!

Eu não sou eu

__Começou assim, estava tomando banho, então estiquei o braço e encostei a mão esquerda na parede. Quando olhei para ela deu-me uma sensação de estranhamento. Que mão era aquela? Gorda, com dedos rechonchudos e curtos, o braço fino..., então olhei os pés inchados, as unhas roídas e pensei, esse corpo é meu? Mas rapidamente a sensação passou e logo esqueci, ou assim pensei. Mas não, a impressão continuou latente dentro de mim. Depois disso passei a não me reconhecer nos reflexos. Ora estranhava o cabelo, ora as orelhas, alguma coisa não estava certo em mim, aquele sujeito refletido ali na minha frente não era totalmente eu... Lembro agora que sempre brinquei com meus amigos dizendo que eu era um gordo nervoso, por, na verdade, ser um magro aprisionado mundo corpo obeso. Todos riam menos eu. Hoje acho que tenho razão no que digo. Compro roupas de magro, que depois tenho que trocar, sapatos de número menor em que meus pés se recusam a entrar, trombo em paredes, em batentes de portas, esbarro em pessoas, tudo por causa dessa disfunção. Ando nas ruas de cabeça baixa, achando que as pessoas também não me reconheçam, debalde, todos que passam por mim chamam-me pelo nome, elas vêem em mim um eu que eu mesmo desconheço, como podem? Não percebem elas que eu não sou eu, que dentro desse corpo vive uma outra entidade? Outro indivíduo que acordou aqui dentro? Pensa que sou louco? Veja o meu reflexo nessa colher. Você acha que eu me vejo assim? Esses dentes, essa barba, só reconheço nesse corpo os meus olhos, esses olhos são eu, o resto... o resto... À noite me seguro para não ir ao banheiro, temo minha reação. Ainda sonado, o que posso fazer se me assustar com o reflexo de estranho no espelho? Cada dia que passa mais me afasto de mim e dos amigos desse corpo. O que será de mim, o que será de mim no futuro?

__Hummm...

__É só isso que você tem a me dizer? Diante de toda essa angustia você só diz hummmm?

__Vamos pedir mais um café então.

__Garçom, mais três cafés...

2007/03/29


I got my name in lights with notcelebrity.co.uk

2007/03/28

Ana Maria Pronuncia-se

Prado,

Estava cozinhando e só agora pude abrir seu
e-mail.


(viu? eu também cozinho)


Falando sobre a notícia, penso que a Ministra faz uma mistura daquilo que ela sente, coisa subjetiva, particular, com aquilo que ela pode falar na qualidade de Ministra.
É muito difícil a pessoa que não é negra entender o que se passa no coração do negro, que sofre no dia-a-dia pequenas discriminações, exclusões...
Não é um grande sofrimento, são detalhes na vida. Porém como a vida é feita de muitos "detalhes", acaba se tornando um fato a discriminação. Todo negro tem histórias de discriinação para contar. Então, a questão não são os anos de açoites, mas os resquícios que permanecem.
A questão da discriminação é como você brigar em casa com a esposa e durante o dia acabar descontando em todo mundo que aparece na sua frente, de maneira especial com as mulheres, como se todas tivessem culpa. A discussão com a esposa não é o mais importante. O importante é a relação, os anos todos de convivência, e não uma briga de uma manhã. E quem dá importância demasiada à briga da manhã acaba perdendo o principal.
Em termos de discriminação é mais ou menos assim que acontece. Ela existe em pequenas proporções para cada pessoa negra, mas torna-se volumosa com a somatória dos casos.
Não temos que trabalhar os pequenos casos, justamente porque são pequenos, falando em termos de sociedade. Temos que trabalhar a mudança de situação do negro na sociedade, trabalhar para que haja uma igualdade de condições. Isso também não quer dizer que todos os negros vão aproveitar as oportunidades oferecidas. Somos todos pessoas e se hoje os brancos não aproveitam as oportunidades que são oferecidas não se pode exigir o mesmo dos negros.
Tenho um problema de ser apaixonada por todos os trabalhos que realizo. Isto pode ser chamado de problema na medida em que coloco muitas vezes os sentimentos acima da razão.Buscar caminhos para a solução do problema da posição social do negro é um trabalho que tem que ser feito com a razão, com estudo, com novas regras de acesso. Ninguém muda o coração de uma sociedade. Só não haverá racismo ou os vários tipos de discriminação quando as pessoas se apaixonarem pelas pessoas. E isso ninguém pode ensinar.
Há necessidade das pessoas estarem em igualdade de condições sociais para que cada um possa mostrar seu valor.


um abraço


Ana Maria

2007/03/27

ELA E O VELHO

__Não posso suportar, agüentar, eu morro, me mato, mato esse desgraçado dos infernos.

Falava enquanto andava de um lado para outro, arrancando os cabelos (tingidos) chutando a lata de lixo e espalhando papeis amassados pelo chão de piso frio.

__Vocês não acreditam no que ele me faz. Ele vai me levar à loucura, vou pular da janela, me jogar debaixo de um ônibus...


Gritava, chorava, soluçava, apertava as mãos, quase dando um nó cego nos dedos rechonchudos e rosas, de longas unhas (artificiais) vermelhas.


__Eu sem dinheiro para consertar o fogão, sem dinheiro para as compras do mês, sem dinheiro para viajar para Miami, sem dinheiro para nada, e o que eu descubro o quê?


À volta dela, caladas, as colegas esperavam que ela mesma respondesse a pergunta.


__Uma poupança, esse cão, esse animal, esse... esse... esse....


Ela senta-se numa cadeira, abana-se, vendo que tem toda a atenção dos presentes, toma, lentamente um copo d’água. Empurra os cabelos para trás, olha para as unhas e num repente salta da cadeira e volta a andar em círculo contando a sua história (diária).


__Esse miserável, tem uma poupança, uma poupança e eu passando necessidades, uma poupança...


As colegas fazem “Óhs! e ahs!
Vendo que a atenção é toda sua. Ela dá o desfecho da história.

__Quando perguntei para quê aquele dinheiro, sabem o que ele me respondeu? Sabem o que esse desgraçado dos infernos me respondeu??

Chorava outra vez, começou a tremer, quase desmaiou, mas foi amparada pelas colegas solícitas e sentada tomando outro copo d’água, soluçando termina a narrativa:

__Um marca-passo. Ele está poupando para a eventualidade de precisar um marca-passo.

Empurrando as pessoas à sua volta, volta-se para a porta da rua gritando:

__Eu mato esse desgraçado, eu mato esse infeliz, ele quer um marco-passo, vou dar um motivo para ele usar um marca-passo.

As colegas voltaram a trabalhar normalmente depois que ela saiu, afinal todo dia era uma história do velho. Olharam-se umas para as outras e começaram a rir quando lembraram-se do caso das fraldas geriátricas, mas isso é história para uma outra vez....

2007/03/23

POR FAVOR, NÃO PLAGIEM!

2007/03/22

Coisas de detetives.

Qual um Sherlock, um sabujo treinado em artes de detetives, seguimos as pegadas, por quilômetros e quilômetros, e qual não foi a nossa surpresa!

O culpado era o sapato!

Sentado de frente para o mar.


Lá na frente
o marzão besta de tão azul
No céu as gaivotas voam preguiçosamente
Dando rasantes
Fazendo curvas ascendentes
Mergulhando de cabeça e pegando um peixe
Os barcos de brancas velas seguem em frente
Talvez desapareçam no horizonte
Talvez não
Nem quero saber
O calor me dá uma preguiça tão gostosa...
Aos meus pés o jornal do dia
A revista da semana
O livro do ano
Não leio nada
Esse solzinho na cabeça...
Essa cadeira...
Esse sono...
As ondas indo e vindo
Indo e vindo
Me embalam

A Última Faixa do LP

Drama Relâmpago III



Rec rec rec rec - fazia a agulha no final do disco de vinil – rec rec rec – isso continuaria por toda a noite, até o raiar do dia.
Nenhum dos dois, envolvidos em caricias e carinhos sem fim, abraçados, enrolados, colados, presos a beijos e mais beijos, ouviam mais nada.

Rec rec rec – a agulha acabaria ali mesmo nessa noite, sem dó nem piedade ela se desfaria em rec rec rec...

Cada amor tem o fundo musical que merece.

Pensando no Estrangeiro

Com o calor de hoje, simpatizei um pouco mais com o “Estrangeiro" de Camus.

O Sol reverberava nas ruas deixando o ar dançando uma dança homicida/suicida, me deu medo!
Procurei uma sombra, não tinha...
Uma saída?
A mais temerária.
No escritório me esperava o ar-condicionado.
Quem é mais condicionado, eu o ar?
O termômetro sobe, o crime me espera.
Penso numa praia, e vejo as areias escaldantes.
Essa imagem me remete, outra vez ao Estrangeiro...
Isso vai mal...
Quando tudo der errado, direi somente isso:


___Foi o sol, o calor estava muito forte!

O Valor daquelas coisas


Um sorriso
Um gesto
Um olhar
Um piscar de olhos

(daquele jeitinho)

A pontinha da língua
Roçando os lábios
O baixar-se e deixar ver
O decote de colo sardento

(Aqui eu perco o fôlego)

O levantar da bunda
O salto alto
O andar
O olhar para trás
É tudo isso que faz a vida valer
Um pouco mais

ESTOU TÃO FARTO...

Não há nada, nada nesse mundo (ou em outros, se outros houver) que justifique o mau gosto.

Sou obrigado, feito um condenado da velha inquisição espanhola, a ouvir as piores músicas, inspiradas pelos mais terríveis ( medíocre) dos demônios, dos mais profundos dos infernos cheio de enxofre. È aquele lalaiá sem fim, aquele bater de palmas (fora de ritmo), e as músicas românticas (?), (arghhhh!) de dar taquicardia...

E a má educação?

Essas pérolas de mau comportamento que estamos sujeitos a conviver a cada minutos das vinte e quatro horas que (de)formam o dia? Pessoas te/nos empurrando nas ruas, nos elevadores...? E as que falam alto? As que riem de tudo (às gargalhadas, geralmente diabólicas), como se tudo fosse risivelmente engraçado...

Estou farto das pessoas à minha volta, e volta e meia (desculpem-me o infame trocadilho), tenho ganas de matar ou morrer.

Não posso mais viver assim, não posso mais viver aqui, não consigo mais (embora, verdade seja dita, nunca tenha me esforçado muito) interagir com esses bípedes!

Enquanto perpetro essas linhas, lá atrás, as harpias, ensaiam as músicas do Fábio Jr.

Se vocês perceberem que eu parei de escrever (sim vocês seis, minha eterna meia-dúzia de leitores), é porque eu desisti.

Entreguei os pontos.

Sintomas de angústia crônica


Falta de ar
Peso no peito
Boca seca
Tremores
Sustos
Nervos à flor da pele
Pensar sem parar
Pensar sem sentido
Pensares desnorteados
Mãos úmidas
Roer de unhas
O olhar assustado
A espera do perigo
A certeza do perigo
A atração do perigo
Os minutos que passam
Descompassadamente
Querer ir
Querer ficar
Desejar morrer
Esse dia que não acaba
O desejo de ele continuar assim pelos próximos mil anos
A cabeça que não pára de pensar
Querer parar de pensar
Não ser
Não estar
Rasgar a certidão de nascimento
Desviver
Desexistir
Definho
Morro
Aos poucos
(Para doer mais)
Para quê tanta dor?
A vivência/
Não-vivência
Incertezas tantas
Caminhos tantos
Erros tantos e certos...
Certo mesmo
É só a angústia
E o roer de unhas...
Isso é vida?

Divago Demais


Triste mesmo é correr para o banheiro, na corrida ir abrindo o zíper da calça, e esquecer o que se foi fazer lá...
Nessas horas penso se estou esclerosando ou o problema é com a bexiga, pensando bem, é melhor parar de pensar, senão vou achar que a situação só está piorando.
Olhando para minha mesa cheia de papeis me pergunto o que fazer com eles, quando olhando para baixo vejo que o zíper da calça continua aberto...

Meu Deus!

_Lembrei!

Corro para o banheiro e no meio do caminho olho para janela vejo as pessoas andando na rua, o mar, o céu excepcionalmente azul hoje,e volto para a minha mesa.
Realmente, algo está muito errado.
Não adianta coçar a cabeça, aliás nem sei por que comecei a escrever essas bobagens.

__Meu Deus, o zíper continua aberto e não me lembro porquê abri...





PARA ESSES ANIMAIS QUE ESTÃO POR AÍ

Tal qual num pasto moderno
Mas de asfalto
Segue o gado em fila
Mugindo e chifrando
Eles seguem obedientes
Se acaso mamíferos são
Já racionais, não, não são
Mas isso não importa
Tal qual gado
Seguem em fila
Para o abatedouro
Em vez de berrar
Vão satisfeitos e cegos
Sorrindo e cantando
Esses idiotas
Se consideram o máximo
Mas esses animais
Quanto mais se abate
Mais se multiplicam
Num moto contínuo.
Alimentam-se e se alimentam
Eternamente dessa ignorância sem fim
Que entranhado nas células
Passam de pai para filho
De geração em geração
Até o fim dos tempos

Amém

2007/03/20

Essa é Itanhaém

A que ponto chegamos...



Uma exposição sobre a Linha Férrea Santos-Jundiaí, chega a ser um escárnio. Acabam com os trens, depois fazem exposição sobre eles...
Sim, só pode ser escárnio!

Como sacanear o próprio cachorrinho...


2007/03/19

É cada coisa que eu ouço!!!

2007/03/16

O Ciúme de Amanda

Acabara de desligar o telefone.

Ainda para inervar mais, quebrara uma unha no disco do aparelho, _Telefone de discar?? Ele não estava lá, com certeza saiu com a Luzia, _Aquele vagabundo dos infernos.

Tentava não pensar nisso. Andava de um lado para outro. Olhou para janela __Aquele desgraçado! Cuspiu e esperou para ver quem o cuspe ia acertar. Do décimo andar não acertaria ninguém, evaporar-se-ia antes de chegar ao chão...

Sentou-se e ficou a mirar o telefone, preto de baquelita, antigo, velho, quase pré-histórico. Foi ao banheiro colocar um bandeide na unha quebrada. Aproveitou escovou os cabelos. Lembrou-se de Carlos e bateu o pé com foca no chão. Quebrou o salto!
__Que merda! - Nada dá certo na minha vida??

Pegou um copo e encheu de uísque, duas pedras de gelo, mexeu com o dedo indicador. Lambeu o dedo e tomou o uísque de um só gole.

Engasgou, ainda não se acostumara o álcool.

Não resistiu, e tornou a ligar.

Não atenderam.

__Miserável! Eu ainda mato a Luzia!

Ligou o rádio.
Tocava uma música suave, relaxante, hipnotizante. Relaxada, dormiu.

Horas mais tarde, acorda, vê a mesa posta, um ramalhete de rosas brancas, suas preferidas. Em sua mão direita, uma taça de champanha, vazia. Do banheiro vinha o barulho do chuveiro, o perfume do sabonete.

Teria sonhado?

___Sei não, sei não!

O Novo



O estranhamento que nos causam as mudanças
Nos deixam de cabelo em pé
De pernas bambas
Mãos trêmulas
A cabeça com mil minhocas
O olhos apreensivos
Os ouvidos atentos
As novidades nos assustam
Dizem os otimistas que tudo muda para melhor
Eu retruco:

__Para pior, para pior!

Não sei o que me espera pela frente
Mas sei o que deixo para trás
Contabilizo o prejuízo
Não antevejo nenhum lucro
Positivamente o novo nem sempre é bom para mim.

(Acompanha bem, como fundo musical, um Cantochão)



De cócoras, depois de joelhos, arrastando-se pelo altar da velha igreja, com os olhos fundos, marejados, o peito apertado e pesaroso, entre soluços, se perguntava:

__Onde perdi a minha fé? Onde?

Lá do alto os anjos barrocos se olhavam embaraçados.

Croniqueta

Na rua chuvosa.

Um vento frio nos obriga, os passantes, a andar rápido, chegar rápido onde quer que seja, desde que seja um lugar seco.

Venho pela rua com a mesma preocupação, quando uma cena me chama a atenção.

De uma porta, chutada, talvez com raiva, desprezo, sei lá, um ramalhete de botões de rosa. Como e lenta, um segundo depois vejo os pés que a chutaram, logo seguido do corpo de uma mulher, que na porta do hotel em que trabalha, gesticula e xinga, talvez clamando aos céus uma das sete pragas do Egito.

Quem ela xinga?

Não sei, e nem quero.

Fim da história?

Não, não, não...

No chão ramalhete sujo e molhado, largado.

Passa um bêbado, pega, cheira e o leva consigo.

Em estando atento, vemos muitas coisa bizarras nessa terra.

Ameaça


Qual Quixote desvairado
Em meu cavalo branco
Corro atrás não de moinhos
Mas de dedicados leitores
E ai de vós que eu veja
Sentado, distraído
Que num átimo
Coisa de segundos
Vos encho de meus papeis
E vos forço a me ler
Temei ó desocupados
Porque lereis

Ah! Lereis até morte!

TÉDIO


Abre
Fecha
Vira
Desvira
Revira
Senta
Levanta
Vai
Vem
Volta
Vira para um lado
E outro
Coça a cabeça
Aponta lápis
Vai ao banheiro
Vai à cozinha
Vai à rua respirar
Olha para o céu
Olha para o chão
Mete a mão no bolso
Limpas a unha com uma chave
Volta à mesa
Senta
Levanta
Cruza os braços
Descruza
Olha o relógio
E só passou um minuto!

E começa tudo de novo...

PROFISSÃO DE FÉ.

Tantos contos
Tão poucos cultos
Outros tantos estultos
Estúpidos.
Gastamos tempo
Saber
Conhecimento.
Incomodamos
Os néscios
Perturbamos os iletrados
Damos vertigens aos rasos de saber
Sufocamos os que vivem na aérea ignorância
Seguimos em frente
Altaneiros
Cheios de nós mesmo
Enfastiados com o resto
Sim, ainda não nos bastamos.

_Questão de tempo!

Gritamos do alto de nossos pedestais.
Somos egocêntricos?
Somos antipáticos?
Somos arrogantes?
Ora! De que vale vossa opinião?

_Vão ver televisão!

Gritamos, outra vez, do alto de nossa auto-suficiência.
Damos a vocês a chance do saber.
Dividimos com vocês a luz do nossa “ciência...”

­­_Prá que?

Nos sobra saber!
Altaneiros, de peito cheio
Seguimos de cabeça erguida
Olhamos à frente
Pensamos primeiro
Vestimos o branco
Temos a toga
Carregamos com orgulho a tocha
Somos filhos de Prometeu
Tudo a ser dito já foi
Quantos a vocês...

_Passem muito bem!

Eu e minha dicotomia.

Sou sobejamente conhecido por ser ateu, desavergonhadamente ATEU, convicto, mas sem ser proselitista, e cultivo cá em meu peito, com o amor de quem cultiva orquídeas, minhas dicotomias.

Eis uma:

· Quando me sobra tempo na hora do almoço, costumo dar uma fugida à Igreja do Valongo, um lugar que mais que refrescar meu corpo nos dias de canícula, às vezes, às vezes leiam bem, refresca minh’alma (ou seja lá o que nome dão a isso), me dá uma boa sensação, um certo alívio, talvez do calor lá fora, talvez da chuva, talvez do barulho do trânsito, sei lá... Mas que dá, dá!

· Também gosto de distribuir pacotinhos de doces no Dia de São Cosme e São Damião, mas isso não vem ao caso agora.

E aproveitando que estamos em outubro que é o mês de São Francisco, mês do Santo protetor da Ecologia e dos Animais (os quadrúpedes, não comecem a sorrir achando que há salvação para vocês) e aproveito para (sem lhe pedir a devida autorização) publicar aqui um trecho de minhas infindáveis conversas com a Senhora Ana Maria, protetora dos chatos ateus e dicotômicos.

Essa pobre alma ainda acha que tenho salvação! ( por piedade a ela, não riam).

(E pensar que por menos que isso queimaram muitos inocentes na Santa Inquisição...)

Segue, então, a parte que interessa a vocês.

Usufruam, e deixem as suas (dela) palavras entrar em vossos corações (ou qualquer outro órgão que bombeie sangue aí do lado esquerdo do peito):


“(...) Então estou em casa preparando as missas para a Festa de São Francisco, que começou ontem.

Trabalhamos O SABER CUIDAR.

Ontem foi o cuidado com as pessoas.

Hoje preparo a missa do dia 4, sobre o CUIDADO COM NOSSO ESPÍRITO E OS GRANDES SONHOS.

Aí, dei uma parada e li todas as suas crônicas, que você encaminhou há alguns dias.
Foi um choque muito grande.

Mas acabei rindo muito também. Agora praticamente já tenho um livro seu. Vou encadernar e aí transforma-se num livro.

Vou deixar um pequeno texto do Leonardo Boff e em outra oportunidade volto a escrever:

"Eis um grande desafio: cuidar da alma inteira. Cuidar dos sentimentos, dos sonhos, dos desejos, das paixões contraditórias, do imaginário, das visões e utopias que guardamos escondidas dentro do coração. Como domesticar tais forças para que sejam construtivas e não destrutivas?

O cuidado é o caminho e oferece uma direção certa."


um abraço

Ana Maria “



Quero aproveitar e convidar (por moto próprio) você meu leitor a ir ao Santuário do Valongo e aproveitar essas palavras de sabedoria.

E pensem o que quiserem de mim, daqui à pouco volto ao meu normal, e vou correr atrás da encadernação de minhas obras na casa dela!

2007/03/14

VELHA E A OBRA

Safada.

Safada mesmo.

Dona Elvira é safada em último grau, irremediavelmente safada, safada de fazer estivador ficar corado, com as besteiras que faz e diz.

Cabelo branco pintado de azul, colar de pérolas falsas, boca e unhas constantemente pintadas de vermelho, quadril enorme de matrona sobre duas pernas cambaia. Na cara sobre os olhos míopes uns óculos enormes com armação dos anos sessenta, lembrança última de seus anos dourados...

Todos imaginaram que melhoraria com a menopausa, mas piorou, todos dizem, quase em uníssono:

___Um caso para a ciência resolver.

Agora ela não pode ver os pedreiros da obra em frente.

Toda hora leva um copinho d’água gelada, embora, a princípio, lhe tivessem sugerido levar logo a água numa jarra:

__Dá menos trabalho dona Elvira!

Ela até pensou em explicar que levando de copo em copo iria lá mais vezes, mas resolveu não falar nada.

E lá vai ela para a rua, mas antes de sair passa um pente nos cabelos crespos e batom vermelho nos lábios murchos.

Ao meio-dia, hora do almoço, leva sanduíches, mas antes saca da bolsa o espelhinho redondo e o batom vermelho que espalha pela cara como se quisesse ser vista da lua.

A velha anda quilômetros por dia, indo e vindo da construção, a família entre preocupada e pilheriando, se pergunta onde ela arranja tanta energia nessa idade.

__E com aquele esporão no pé direito... - comenta uma vizinha.

Sessenta e oito anos num cio de cachorra no verão.

Vaidosa, agora toma banho e troca de roupa três, quatro vezes por dia. Mas a mancha do batom parece que não sai mais da cara.

Os netos riem à suas costas, o genro pergunta para a mulher porquê ela não herdou aquele fogo todo, a filha morre de vergonha e faz de tudo para mantê-la em casa.

Telefonou para as irmãs, mas não aceitou o conselho de mandá-la para um asilo, sob ameaça de:

__Ser visitada só no Natal e assim mesmo se a data cair num domingo!

Sem resultado.

Os peões que a princípio achavam engraçado, agora fogem dela com medo que um infarto fulminante a mate na obra.

Enquanto uns fazem massa e outros assentam tijolos, um sempre fica de vigia para ver quando a velha aparece.

Um assovio e todos se escondem no almoxarifado.

Dá pena ver a velhinha com a bandeja na mão olhando para a obra vazia, mas ante o possibilidade de ter que explicar para a polícia e a família como ela foi morrer lá, é melhor atrasar um pouco mais a obra.

__Velha assanhada...

__ Vixe!!!!!

E os peões voltam a trabalhar, dobrado agora, para compensar o tempo perdido por causa dela...

2007/03/12


Naqueles olhos
A (sua) impotência
As lágrimas dela
Que corriam pelas faces
O soluço
O olhar para baixo
Envergonhada
Fraca
Naqueles olhos
Vermelhos
As lágrimas
As lágrimas
As lágrimas
Corriam
A (nossa) falta de palavras
Que a consolassem
A falta de palavras
De qualquer palavra
Que a amparassem naquele momento
A verdade dura
A falta de volta
O adeus doído
Que fere
Que sangra
As lágrimas de dor
de frustração
De um adeus sem retorno
De fim
De acabou
De:

_Já vou!

As lágrimas dela
As lágrimas dela
As lágrimas dela
Nunca vou esquecer
As lágrimas dela

2007/03/08

Tomando café, Edmundo pensa

Sobre a mesa uma xícara de café quente, dela uma fumaça sobe e espalha o seu aroma, sentado à mesa Edmundo, desligado, o olhar vago, mexe e remexe a colher na xícara, o sache de açúcar está intocado e sobre o pãozinho torrado na chapa começam a pousar moscas.

Mexe, mexe, mexe e o café começa a esfriar.

O bar esvazia, as pessoas vão-se, umas trabalhar, outras passear, outras, quem sabe?

O café já esfriou.

Na parede o ponteiro de minutos do relógio já vai marcar mais uma hora e Edmundo nem se apercebe disso.


__Ontem a noite aconteceu de novo... - Ele murmura, o garçom se aproxima na esperança de dar-lhe a conta e enfim despachá-lo.


Mas que nada!

Ele ignora o garçom e continua a girar a colher na xícara de café. O tempo continua a passar indiferente a Edmundo e a aflição do garçom.

Edmundo baixa a cabeça e olha para a calça.


__Ontem aconteceu outra vez, meu Deus, outra vez...


O garçom já não se abala a desencostar-se do balcão, ele olha para o relógio da parede e confere a hora com o seu relógio de pulso e balança a cabeça ao ver o velho falando sozinho e mexendo a colher na xícara.

__Pobre velho, se eu tiver que ficar assim prefiro morrer. - Fala para si mesmo enquanto procura alguma coisa no bolso da calça.

O som da xícara quebrando-se no chão chama-lhe a atenção e ele corre para a mesa do velho que com olhar estático olha para a calça manchada do café que ainda escorre da mesa.

__Ontem à noite urinei nas calças, hoje sujo de café...

Constrangendo o garçom, ele começa a soluçar...

2007/03/06

Vejam o meu amigo Paiação Gororoba.





2007/03/05

Tudo em prol de uma amizade....

2007/03/02

CENA PATÉTICA.

Cenário:

Banheiro cheio de vapor.



Mulher sai do banho, nua.
Pega a toalha e começa a enxugar-se lentamente.
Passa a mão no espelho para limpar o vapor E deixa a toalha cair no chão.
Mira-se no espelho, vê um cravo.
Aproxima-se um pouco mais no intuito de espremê-lo.
Olha-se profundamente no reflexo, apóia a mão no lavatório.
Soluça e começa a chorar.


___Onde eu errei meu Deus, onde?

O Toque

Saiu do banho fresquinho, limpo, cheiroso, barbeado. Escovou os dentes, dentifrício sabor menta.

Escolheu a sua melhor roupa, cinto de couro combinando com os sapatos. Penteou os cabelos, passou gel antes.

O mais oloroso perfume.

Fez o sinal cruz antes de sair de casa. Esfregou as mãos com entusiasmo.

Hoje era dia do exame de toque.

O Fantasma




O que parecia fantasma
Era uma camisola fugindo do guarda-roupa.
Branca,
esfiapada
e
pálida
Pé ante pé (?), pelos corredores da casa ela seguiu
Mas não esperava, oh! que a negra a visse,
Gritasse
E desmaiasse.
Agora presa num gavetão,
terá mais tempo para planejar outra fuga.
O verão ainda estava longe.

Albino lê jornal na praça

Sentado no banco da praça Albino lia o jornal, relia a manchete pela terceira vez. Cada vez que lia, mais enfiava o chapéu na cabeça, arrumava o óculos escuros, e levantava o colarinho da jaqueta.

Crianças felizes e despreocupadas corriam de lado para outro, gritando, jogando bola...

Albino olhava para elas e lia o jornal com mais atenção. Sorria. Sabia que amanhã seria manchete de novo.

Mas o que o matava era viver nesse anonimato.

Ou não?

Coisas da repartição.


Não esqueçam que eu sou funcionário público.

Lembrados disso, vamos em frente.

Aqui na repartição acontece de tudo, ouvimos de tudo e vemos de tudo, tempo não nos falta para testemunharmos essas coisas.

Um colega da mesa ao lado hoje saiu com uma boa.

È importante lembrá-los que ganhamos pouco, e estamos a onze anos com salário congelado. Então estamos sempre com idéias mirabolantes para ganhar dinheiro lá fora. Já vendemos perfumes, roupas, bijuterias, balas de alfiniz, tele-mensagens, chaveiros...

Mas o que o colega me contou hoje superou as expectativas...

Ele resolveu mudar o rumo de sua vida, assim resolvido, levantou-se de sua mesa, com o dedo em riste, com passos largos, dirigiu-se a mim, de olhos vidrados e me disse:

­­__ Vou abrir uma escola!!

Fiz-lhe ver que para isso ele deveria ser formado em alguma coisa e ainda por cima ser bacharel em pedagogia etc e tal (importante frisar que ele não é formado em nada).

Para meu espanto ele ouviu os meus argumentos.

Parou, pensou um pouco e argumentou que ele iria abrir uma escola sim, mas de religião. Perguntei-lhe se ele era formado em teologia (sei que não).

__Claro que não! Vou dar aulas de religião sim, mas de Umbanda, não temos nada que se pareça com isso na região! Minha escola vai fazer barulho, muito barulho! Umas das disciplinas vai ser aulas de atabaque!

Diante do exposto, calei-me, e voltei a ler o meu jornalzinho.

Prestem concurso, prestem!

Eis aqui a Minha demissão

( ou a confirmação de que foi tudo em vão)




Humildemente me inclino à platéia

(aquela eterna meia-dúzia)

Sorrio, bato palmas
E faço eco aos aplausos.
Olho para todos os lados ainda sorrindo
Espero que a bilheteria tenha dado lucro

(mas se conheço esse circo, acho que não)

Com as mãos, começo a tirar a maquiagem
Ainda, saindo do palco, vou tirando a fantasia
Saio, nem triste nem alegre
Saio, talvez com alívio
Mas com a alma lavada
Fiz a minha parte
E a fiz com honestidade e amor
Mas, parece-me, em vão.
Saio, não sei para onde
Talvez para pensar
Refletir
Me convencer
Que ainda vale a pena escrever, e
Aos que ficam:


__Adeus!

Coisas da televisão.


Ontem, zapeando por esse monte de canais a cabo, vi essa pérola.
Mulher, loira oxigenada, cara de traveco, botox nos lábios, silicone nos seios, bolsa Luis Vuitton a tira-colo, lente de contato verde amazônia, cara de vulgar, entra num tatoo e pede para lhe tatuarem o símbolo do OHM na nuca:

__Coisa assim bem espiritualizada, sabe? - diz, fazendo biquinho para câmera.



Outra



Ontem, quinze de novembro. Feriado só não, “feriadão” por cair numa quarta-feira, impossível de emendar com quinta e sexta-feira.
Na televisão, no canal local, um repórter na rua perguntava aos transeuntes quem havia proclamado a república.
Respostas?
As mais descabidas, mas uma ilustra bem o quero dizer.
Perguntada, uma moça responde assim, entre sorrisos de plástico, chacoalhar de cabeça, jogar os cabelos para trás, amarrar o rabo de cavalo:

__Dom Pedro I!

A amiga dela ao lado, que não aparece na tela da TV, grita assim:

__Não, sua boba, foi Dom Pedro II.

__É mesmo, Dom Pedro II, que cabeça a minha! - Sorri amarelo para a câmera. - Você me pegou de surpresa.

Quando o repórter, sem graça, informa-lhe que foi o Marechal Deodoro da Fonseca.

__Ah! É mesmo?? Então eu me confundi. - Puxa o cabelo para trás de novo, faz charminho para a câmera e sai rindo.

Penso em desligar a TV, mas cadê forças. Acho que sou um caso perdido...



Mais outra



Três da manhã, insônia comendo solta, e eu ali zappeando a TV, quando vejo um programa de viagens. Uma loira apresenta vestida (?) de biquíni. Aumento o volume para ouvir o que ela tem a dizer, vem-me essa pérola:

__... bem aquilo para mim era assim, assim.., sabe tipo muito algo!

Desliguei o aparelho e fui tomar um banho quente, quem sabe assim vinha o sono.



Última



Outra noite insone.
Como no parágrafo anterior, ligo a TV, ponho mesmo canal da noite anterior (sim eu sei procuro essas drogas só para reclamar depois, fazer o quê?) e lá está a dita loira, agora em Paris, onde acompanhada por outros idiotas como ela. A certa altura ela aponta para o Sacre Couer e dispara esse petardo:

__A Igreja de Sacre Couer foi erguida sobre esses vários degraus...

Não esperei que ela terminasse a sentença. Levantei-me, fui ao quarto e acordei a minha mulher que dormi serenamente, e pedi-lhe que pela manhã me lembrasse dessa besteira.
Nem é preciso dizer que a coitada não entendeu nada...
A televisão ainda vai me matar!

UMA PISCINA E AS CONSEQÜENCIAS DE TÊ-LA

Por mais que eu tente, não consigo me sentir culpado.
Não mesmo.
Ele estava lá, de cócoras, agachado pedindo para ser jogado na piscina. Pouco me importa se ele estava de calça comprida, onde já se viu, calça comprida na beira de uma piscina?

Um simples chute e, tchibum n’água, fez uma onda danada, que chegou a molhar o chão todo em volta.

As pessoas à volta riram uma gargalhada gostosa que só os vapores do álcool são capazes de produzir..., sim estávamos bebendo, estava calor, havia cerveja, batida de caju, caipirinha e espanhola, o sol estava torrando nossas cabeças, e o calor (sei que essa desculpa já foi utilizada pelo Albert Camus n’O Estrangeiro) nos obrigava a mergulhar a toda hora, minto, a todo minuto. Então vê-lo de calça comprida na beira da piscina foi uma tentação...

Foi só um chute, um empurrão com o pé, e ver aquele corpo deslizar para dentro d’água.

A fumaça do churrasco trazia lagrimas aos olhos de todos os presentes, dando um certo ar de deboche aos risos e aplausos, nunca poderíamos crer que aquela brincadeira simples e natural fosse dar no que deu.

Fervendo de raiva (ou seria por causa do chão de ardósia que fritava ovos àquela hora?) saiu furibundo da água e trancou-se no quarto pelo resto do carnaval.

Minha mulher disse que eu deveria pedir-lhe desculpas, mas fiz-lhe ver que se fizesse isso, nunca mais falaria com ele, afinal numa brincadeira de adultos não pode haver brechas para desculpas e explicações para todas as ações...

Hoje, quarta-feira de cinzas, escrevo essas letras para tentar, se não entender, pelo menos perdoar, não, perdoar não há que; esquecer, não, visto que estou escrevendo sobre; talvez para guardar na lembrança e nunca mais brincar desse jeito com ele; talvez para ver a cena por outro ângulo e perceber onde foi que eu o ofendi...

Os colegas passaram as últimas horas me ligando para saber dele, haja vista que ninguém tem coragem de fazê-lo, como se fosse um paciente terminal.

Digo-vos, nada sei, também não tive ânimo de telefonar-lhe.Não sei o que dizer, disposto que estou a não desculpar-me e nem dar a entender que me arrependo, pois não me arrependo, brinquei com ele como brincaria com qualquer amigo que me desse tal liberdade.

Está feito e agora só tempo dirá o que virá pela frente.

Oremos.

QUE PENA!





Por mais que eu mastigue
Torne a mastigar
A mitigar a má notícia
Ela não me desce a garganta
Ela entala
Pára no meio
Tira-me o ar
Penso onde errei
Penso quem acusar
Penso quem condenar
Mas só vejo uma vítima
(pobre criatura!)
A própria criminosa
Que se torna, por fim
(e por escolha própria)
Seu juiz
Júri e executor.
Terá que pagar
Essa pena
De velar pela sua vida
E pela outra
(que trazes no ventre)
Pelo resto de tua mocidade!

Espero que mantenhas ainda teus sonhos
Alguma coisa, uma pitada talvez, de ilusão
Que não desperdices o resto de sua vida
(outra vez)
Nos descaminhos
Espero que a vida, lhe ensine algo
Alguma coisa, que em palavras
Os seus não lhe passaram
Suas dores
(saiba)
Não serão só suas
Você não sofrerá sozinha
Tua dor
Doerá em todos nós
Mas a tua solidão
E aprendizado
Serão só teus!
Espero que isso sirva para que evites
Outros erros iguais.


Saibas que sangro e morro um pouco enquanto escrevo essas linhas.



2007/03/01

Sugiram que vocês leiam: ODE AOS NOSSOS AMIGOS!